sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Paixão



Aquilo que nos falta
A alta, a maré e o silêncio do ego
Cego como a admiração tola

Descrevo, escrevo
Somo, subtraio razão
Planos esquecidos no chão
Tédio, prazer e apatia
Leem... E daí?

A letra é impessoal carnaval
Experimento astral
Diluir seminal
De clichês, vaidades então
Tudo, e nada

O todo e a parte
O inconsciente arde

Tarde

Música serena que não ouviram
As minhas matizes felizes
Narizes teus descrever
A liberdade e o amanhecer sempre novo
Não vender a nenhum povo
Ao preço da vaidade vã

Se a poesia reside
E tudo incide em enigma
Arisco ou vadio o ensino
A beleza realmente não vejo
A graça, o enlevo, a métrica
O encadeamento feliz; - e triste
Egos em riste, - sempre
Sis mesmos de balões toscos
Furados papos de louvor malogrado
Deuses comparados e estipulados

 - O universo não contemplado
O falar não-poético
Poesia-prosa?
A ranhura da rosa
Espinho discurso direto nos ontens...

Quem sou eu?
E que importa?
A letra, - torta, - não torta
Subsiste feliz, - impessoal!
Carnaval da matiz
Leio por um triz, mas não consumo...
Lógico...
Filosofia, ideologia, azia!
Acumulação de capital
Poetas de geração burguesa
São letras de princesa
Adulada incompetência
Em fazer da ciência
Inteligência e saber filantrópico
Contraditório tópico
Da rudeza megalômana
De acumular como formigas coloridas
Bens, fortunas e inimigos

Das mesmas letras
Jazigos de almas livres
Ou nascentes de luzes esquivas
Amores absolutos - orgivas
Se conhecem, - se abstraem a contemplar
Por séculos na história, - A glória?
Quem quer?
Se são estúpidos mutilados,
Convivem lado-a-lado
A se adular e mutilar.

Anderson Carlos Maciel

                

Nenhum comentário: