domingo, 26 de junho de 2016

À moça alada póstuma


A moça alada desesperada
Por bela e transcendental poesia
Desesperada rima minha é coisa fria
Moça desesperada por poesia

Seu inconsciente é rico em imagens
Não lê qualquer pornografia ou sacanagem
A moça alada é revisitada e linda
Póstuma para sua época finda

A moça alada não tem amigos, ao que parece
Seu verbo direto, azeitonas maternais
Matinais quintais virtuais é uma prece
Repetida em canção garrida de infernos astrais plurais

A moça alada é cascata de asas
Ela mora em uma fina casa
Moça alada no alto do prédio
É um perigo se sofre de incomum tédio

Moça rimada não se vende por versos livres
Ela busca um valor, uma filosofia, um enigma
Ela lembra, em hipnose, de lugares em que estive
Ela sabe, que somos imortais, das letras benignas

A moça é Carrie a estranha
Ela é paranormal e clarividente
Seu amor em prosa é latente
Do terror comendo entranhas

A moça é literatura vasta
A moça é pura e casta
A moça alada é cascata de asas
Morando em uma fina casa
No alto do prédio
A moça com tédio
É uma fina brasa
Derrete com a chuva
Chupando picolé de uva
No balanço do tempo

Moça coruja seja minha amiga
Eu canto e te encanto com essa cantiga
Moça alada não me devore
Faço mais um poema para que sua vida demore

A ser plena e serena divinal
Em seu quintal brincando com a pena
Pena, pena, doce pena
Transforme esta rima pobre
Em rima nobre
Forjada no cobre
Era uma vez...

Nossas vergonhas saradas
Eu e a moça alada

Anderson Carlos Maciel

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