quarta-feira, 13 de julho de 2016

Correspondência



Indiferente gente 
Segue indiferente
Ao que de repente
Der repente

Causa, ótica
Serestas doces
Verde aurora incapaz de sonhar!
Telas "calientes"
No lado B da hipocrisia
De toda pesquisa estética

Extirpados corações materialistas.
Sonhando auroras multicores
Em dores catarse, ode Hai Kai
Art nouveau du Brésil

Planando, a didática
Corrompeu-se em metáfora.
Explicou aos mortais:
Que bom, que bom!

Aurora marrom 
Pele em fel 
Amigos, - lágrimas em granizos
Estipulando sisos 
Vendendo clichês

Epopeia da vaidade literária
Crime sem castigo
Visitando teu jazigo
Em manhãs de adjacente 
Penetrante, verde solidão

Solicitando ao aedo
Encantar a canção

Putrefata poesia
Jazia chavões
Plantando verdes grilhões
Então o enigma do eterno retorno da letra
Significou a elucubração teórica do sentido
Garrido, galhardo
De levar o fardo
De existir o não-ser!

Desvinculada prece
Torna-se em ferventes asas
Nas manhãs das casas
Em que escreverei
Como rei
Ou como brisa
Onde pisa semelhante mortal
Carnaval da minha vida
Sentida, florida referência
A que faz ciência
Que não se deseja, não vive!
Interpreta plenitudes da saliva
Como filósofo das ogivas
Nucleares
Pleiteando andares e ceias 
Nas teias que se esquivam

- Verdes auroras em competição - 
Gatos usurpando o ar, o vento
Em caça de pássaros do tormento
A adornar de poesia
Sua maestria em gozar
bocetas úmidas de transcendência
A fazer ciência
Às quatro patas televisivas
Cujas ogivas 
Aguçam meu sofrer!

Ó musas arrependidas 
A que serpentes garridas
Destes páginas hipócritas
E classificados dos submundos
Dos porões do inferno
A te visitar, acessar 
E não esquecer
Chicletes mascados pelo poder.
Sonham as vestes com o conteúdo
O rapsodo se torna mudo
Desde sempre!

Ó Apolo desterrado!
Saqueado pela ignorância bárbara.
Visite manhã de gente ignara
Algaravias televisivas
Ogivas verdes de euforia
Se tornariam minha ira-pena
Sacerdotisa pequena
Que hipnotiza serena
As massas impopulares
Rudes ufanares de sentido artístico
Ao meretrício andino 
Abstraindo manjares de purpurina
Entrevistando a mulher-menina
Que canta suas lendas
No alto do prédio

Onde câmeras libertinas não são etérea beleza
Onde as ruas não são a canora Veneza
Perscrutando serena a augusta curadoria
Dos verdadeiros poetas do sentido da verdadeira poesia.

Telas mudas de sangues não mais virginais
Das musas astrais de outros bacanais.

Anderson Carlos Maciel

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