segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Dois



Dos retalhos da técnica
A simbiose canônica
Dos grilhões
Do inferno
Jorra esgoto virgem
Das almas pecadoras
Penitentes
Qual semblante de gente
Implora por viver
Quando outros
Em poço
De conhecimento
Oferece sofrimento
Ao algoz
Do cativeiro do poleiro
Burguês

Espia...
Ele mostra
As costas
E sai.

Hipnótico tato
De quem ama uma mulher
É torná-la o molde
Da ode
Ao cadáver
Que eu não sepultei

A clareza
Falaria
Não fosse a sangria
Retalho de poesia
Sem tés
Pés
Ou escadaria para a volta

Caronte cobra o óbulo
O maligno nada espia ser
Deus é a beleza
Roubada da Lira de Apolo
De seus templos saqueados
Pelo perdão de Cristo

Teu cisto
Voaríamos
Regozijo, cinjo o teu
Futuro
Pois plebeu e rijo
Duro martelo fecundou
Bandeiras
Da esperança

Quando somente a dança
Era sonho meu

Anderson Carlos Maciel

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