sábado, 17 de setembro de 2016

Carne insossa das horas


Em esperas
Pelas eras
Aos cosmos
Volto o olhar

Se o mar...
Se o mar...

Um poema, numa concha
Ilusão de um perfume
                nos cabelos teus.

Todo o dinheiro do mundo
Todo o lirismo da lira
Todo o sal da água

Emparedado pelo sublime
Dispo-me das convenções
Gargalho sob um pato
No ato
De cozinhá-lo ao forno
Próximo
À velha TV rósea
A que ela gostava de assistir.

Fui vegetariano
Fui anglicano
Malandro
Puto
E burguês

Olhos que me olham
Não fitam o coração
Aspiram
Redenção

E canção

Que ora canto
Com meu pranto

A todos vocês:
Eros cruel frecheiro.

Anderson Carlos Maciel
20:07 (Há 1 hora)

para mim
Canção para ninar as filhas

A armadilha
Do inconsciente
O sonho

O pesadelo é latente
Meninas
Das calhas
Fornalhas
E quadrilhas

Labirintos do que sinto
Sonatas
Revelam...

Sois
Filhas

Que aquelas quadrilhas
Elencam ao poder

Sua geração do silêncio
Enxuga o Estado
Catártico
Do devir da lua
Tua
Nua
Branca, lança, tanta
Encanta
Quebranta
E mira

A lira

A lua mira a lira
E vira
Foto, fóton, e simetria
Vazia ao som do vento
No momento
Em que a caneta
- abandonada -

Contempla a tecla
Fonada e invernada
Traduzindo a cantata
Da caneta calada
Na calada da noite

O romance entre o poeta
E o papel em branco
Cujos egos mancos
Não se dão bem

Eu por minha vez,
-filhas!
Conto as maravilhas
Das terras helenas
Que as lindas filhas
Filhas eternas
- pequenas -
Aprendem

Poema adjacente
Que aquela gente
Vê nascer.

Flui a cascata
Flui a sonata
Poesia

Maresia em latitude sul
Luzes Curitibanas
Filhas bacanas
Da lira de Apolo
No solo onde imolo
Dolo
E Culpa
Da razão

De estar só
Pai de vocês

Sonhei com tua educação
Mas não pude cumprir
- o pão -
Não enluarei, serão
Festa de quinze anos
Bonecas que não te dei

Teus livros
Meu crivo
Filhas...
São cartilhas
Da maravilha dos contos
Das ilhas
Do bar no Mercês

Para onde um anjo voa
Quando o sino soa
E dormindo
Filhas e filhos
Seu brilho, - no olhar
Pálpebras cansadas
Pela leitura pesada
Do sonho que sonhei.

Morfeu cobre a frota
Dos carros dos sóis
Os anzóis que preparei
Para findar a épica epopeia
A ideia do que escreverei
A vocês
Filhas e filhos
Cujos brilhos e brilhos
Economizam a pilhas
Dos brinquedos das filhas

Para as quais volverei
O álcool acabou
Filhas - e seu cheiro
Aroma de poleiro burguês
Quando notaram
Não dormiram
Vocês.

Seus sonhos,
Metaforizadas matilhas
Filhas
e filhos

De Apolo

Lira, infira, fira e insira
Caipira global
Um feliz final

Era uma vez...

Anderson Carlos Maciel


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