terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Oferenda aos lábios de Apolo.


O lodaçal de si
Em mim
Em vós, nós, eles, elas

Quebrado o brado
Ato e cena
Não me encanta
E não me envenena

Sói ser que a lua
Em tua pele, flua

Nasça linda arte
Destarte parte de nada
Alada, por ser

Influxo de carapaças
Elevam ao céu
Meu papel natural

No quintal astral cultivo
Poemas

Telas bobas de dor
Picam-me as solas
Dou esmolas de sol
Dou esmolas de calor

Sonho ainda desperto
Nos calos do corpo

Vivo teus olhos
Nado em lágrimas outras
Indiferente à infelicidade pouca

Ateus reivindicam piedade
Da sociedade humana
Daquilo que emana
Emana célula
Cólera e flor

Emerge-se a maré
Em águas calmas
Controladas quando
Nenhum corpo teso penetra
Seus lençóis
Subserviência tácita
Alude-me ao verbo
Ao sabor de si
Ao amor do túmulo
Ao valor daqueles sapatos estratégicos.

Não mais avistada arte
Criatividade ou selo
Nos pelos dos mesmos
Dostoiévski

Enlua-se a razão na alusão
Dicionário de metáforas
O expulsa das telas de si
Para as telas das bocas
Que se abrem para o beijo
Sem sabor

Argumento contrário à loucura
Seria a estrutura vernácula
Dos passos aos quais se esquivava
Em esperança da redenção

Em meus braços novamente.

Poetas
Ou pretensos sábios da estrutura
Lógica global ditada às nossas crianças
Desvinculam-se de suas cavernas
Comodamente arranjadas para piar
Dores de holofotes malogrados
Pelas câmeras do léxico vulgar.

O templo de Apolo sói contemplar
A ira do sol que não se farta
Contemplar a luz humana emergindo
Da carne translúcida para o pomar
Agreste

Raras andorinhas de sentido
Convalescem em desvendar
Os próximos trabalhos Hercúleos
Ao sol da democracia estruturalmente
Lógica que se fundara até então

Minha pena desfaz-se em cautela
Necessária ao bem querer

Do estilo ao poço global
Assenta-se Lúcifer a receber

As oferendas lexicais.

Anderson Carlos Maciel

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