quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Chão de fábrica II


Sub produtivo léxico
Entabula
A bula do si mesmo

Ao si mesmo
De outro que não si
mesmo

Enlevo seres
A ser, sossobrar
Sim

Qual fim, qual a
Prisão de si
Em grades e regras
Ortográfico-classistas

Atina o verde destituído
Ao ostracismo do olhar
- Brilho global -
Destituído do cobiçado
Trono de isopor simbólico

Sobras
Nexo
Sexo, cobras, notas
Falsas obras, epopeías

Elenco eu, possíveis tempos
Em que o silêncio dos plebeus
Motivaria a economia
Não global, canal, televisão

Suave carícia dita torpe
Naquelas telas
Fomenta debates
Eterno retorno da libido

Exibido o verbo ensaia
A raia do sentido
Quantos 5 sentidos
Milhões de orbes inconscientes
Gentes, sentem ser
Insignificância

Produto e jactância seria
Se a vida tardia, exéquia
Excelsa aporia, enluasse
Carnaval bobo
Gente boba

Em silêncio, estudando
Micro normatização, falácia
Tácita ao sul da próxima estrela
Do pavor por câmeras

Pesquisa a falácia
De tudo que componho
Visto com as roupas oblíquas
A vida cyberativista

Pois segue a pista a gente
Classista imaginando
Poesia e coluna social
Selfies bobos de caras pálidas
Sim pálidas
Anelando corroboração:
"Eu no palco e você na platéia"
Aplaudindo ancas globais
Televisivas
Ogivas do poder político
Sifilítico

Brasileiro
Sem remédio

Sou
Intelectual
Exija-me e prova
Naquela tela porca, manipulação
Televisão, retrocesso e profissão
Ora por fé
Quem é ou não é
O estereótipo, o riso, o assédio
A conclusão

Darei
O pão

Darei
A água

Darei
Sentido

Às tuas razas mágoas
O deus que iluminas as brasas
Leva informação às amarelas casas
Pelas aljavas da Grécia derribada
Os debates "ideológicos"
Dos bobos que querem nosso
Convívio

Intelectuais

Nos vendendo os livros
Dois milhões de selfies bobos
Nos ensinando o segredo da canção
De outros.
Anderson Carlos Maciel


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