quinta-feira, 3 de maio de 2018

Jorrar o esgoto dos sonhos




Não quero o sincero ou
Esmero, camafeu
Espero, severo o verso
Música, eternidade
Em tempos de sonar a vala
Que cala e ninguém fala

Nem você, nem eu.

Queres a agulha
A fagulha, o pó, o breu

Paradigmas literários são canários
Pretos, mal-do-século
Estilos incertos e sequer
Expressão.

Negar o amor com fúria
Proliferar a nostalgia cândida
Soçobrar o óleo sobre a tela

A arte em parte pão
E pela mão os dedos hábeis
Não despetalam bocetas ágeis
Mas apontam, apontam
Em vão.

Diversão do alcatrão,
Sou sábio não ermitão,
Jorro estéticas puras
Ao soar do avião.

Corta os ares o dedo em riste
Da cólera que insiste
E existe
Como existe, um livro, página
Tão!

Meu repente mais, subserviente
Alude a esta gente, ou não.

Vivo o amor do valor do amor
No horizonte da canção.

Atiro poesia aos teus degredados
Do porão.

Recrio uma cidade ao pé de si
E de sol

Eu e o Dalton.



Anderson Carlos Maciel

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