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domingo, 13 de março de 2016



O silêncio... ah o silêncio. Tão contundente e perspicaz. Ele diz tudo. Ele não diz nada. Ele é interrogação. Ele é exclamação. Tenho aprendido MUITO com o silêncio. Dos outros. Meus. O silêncio permeia meus ruídos internos. O silêncio me traz a calma na pausa entremeada de sons. O silêncio. Ah o silêncio. Obrigada por existir.

Susan Blum Moura

terça-feira, 16 de setembro de 2014



Que Selene sede meus olhos.
Que teça uma teia sobre minha alma.
Que seque minha sede de sono....

(Texto e imagem: Susan Blum)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

sexta-feira, 7 de março de 2014

Botão


Entra na casa, junta os pedaços.
Veste a alma.
Botão.
liga-desliga. Religa.
Acende, apaga.
Botão.
Aperta a roupa do espírito.
Rebento de flor.
Flor que logo arrebenta em cor e cheiros.
Botão.
A obra de arte em botão.
desfocado... fora da roupa, fora da costura.
Dentro do universo de flor.
Magnus Opus.
Cadê o botão de restart da vida?

( Susan Blum)

sábado, 8 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

domingo, 17 de novembro de 2013

Na quinta, acordei seis horas e ouvi um sonzinho de passos na sala. Os passos iam e viam, num bailado delicioso em que eu conseguia escutar até mesmo a valsa (parecia Ravel). Na pontinha dos pés, fui de mansinho até lá. Pois não queria afugentar quem estivesse bailando em minha sala. De imediato percebi uma réstia forte de sol por todo o chão (devo ter esquecido de fechar completamente as cortinas ontem de noite - pensei). Então ela passou como um raio. Uma mancha escura pela parede. Não me viu e continuou bailando. Então sai do corredor e ela - assustada - retornou para o móvel de canto. Atrás de sua dona, como um bichinho arisco que ao nos ver se aconchega na proteção do dono.
Fui buscar a câmera, mas antes a percebi se ajeitando para ficar exatamente igual à sua dona.
Amanhã vou acordar cedo de novo, Vai que consigo filmar o baile de sombras.

Susan Blum 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Aquele que mora dentro dos seus poemas,
esbarra nas métricas,
se aconchega nas rimas
e pode engasgar com as metáforas.


Susan Blum Moura

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

G.H.



Volto. Revolto. Estranho quarto! Limpo, mas estes riscos/rabiscos, desenhos quase rupestres. Quem os fez? Quando? Devem estar aí a eras! Três seres. Dizem que o três cria: homem, mulher e atração. Positivo, negativo e neutro.
Que inferno aqui. Que secura. Abrasador, sufocante. Naftalinas espalhadas. Um cheiro quente grudente no corpo. Sedento. Faminto. Enjoo. Ânsia. O calor me chicoteia as costas. O ardor me nubla os olhos. Mesmo assim vislumbro ao redor. Em um canto, valises com as minhas iniciais. G.H. Viajei? Vivi?
Lembro-me de colegas minhas que já viraram estátuas de gesso. E eu? Antissocial. Escondida de todos. Escondida da vida. Vivo no escuro, pelos cantos, de mim mesma encurralada. Enfurno-me. Meu funeral de vida.
.
Silêncio!
.
Um barulho. Uma presença. E agora? Espio ou não espio? Há algo? Alguém?
Decido! De soslaio olho pelo vão. Sim! Lá está ela. Daqueles seres estranhos e nojentos. Agressivos. Doentes. Mas… que olhar perdido! Parece tão absorta, tão pensativa. Parece até humanizada. Sinto algo estranho dentro de mim. Passo a observar com cuidado amoroso.
Seus olhos denotam cansaço. Tristeza. Revolta. Parece se sentir tão só. Inventei a sua presença (EU é que estou só?) ou ela está mesmo aqui? Ou dentro de mim? Afinal sou G.H. o mais íntimo. O exato meio de C.L.
Saio para lhe fazer companhia? Sim, sinto uma certa compaixão. Sim. Com paixão!
“Calma! Fica tranquila. Eu te amo! Com nojo, mas eu te amo.”
Ela me viu! Parece incerta se troca ideias (ou sentimentos) comigo.
Nossos olhares se cruzaram e não desviamos nem por um momento sequer. Ah! A comunicação do olhar. Mais forte que palavras. Ela dentro de mim, como se eu estivesse digerindo os pensamentos nebulosos dela, os sentimentos em desalinho. A fome. O vômito. O ovo. De novo. Criação. Explosão. Paixão. Morte.
Pelo brilho no seu olhar me parece que ela tomou uma decisão. Aguardo pacientemente que ela tome a iniciativa, pois não quero assustá-la. O que ela vai fazer?
.
OQUIELAVAIFAZER????
Não! Tenho que vol


Susan Blum

Fonte: Musa Rara

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Susan Sontag




Por Toda Letra em 7 de janeiro de 2013


Chuva forte lá fora, os raios e os trovões acendem ecos do passado. Aproveito para ficar enrodilhada no sono leve, tão leve que não resiste às palavras de meu amigo que mora comigo. Ele tem o hábito de ler em voz alta. Frase por frase são lidas, depois relidas apenas mexendo os lábios e, por fim, ele fica repetindo a frase em sua cabeça, com o livro entreaberto no colo, os olhos mirando o teto. Depois vem outra frase, e assim por diante.
Acompanho sua leitura, algumas vezes também olho para o teto, em outras me encosto em seu corpo morno e ele, tão concentrado, apenas passa a mão em minha cabeça. Hoje está um dia para meditar: a chuva é fértil para os que sabem aproveitá-la. Já que não dá para sair, o jeito é pensar!
Mas pensar me dá sono e logo volto a me enrodilhar e dormir. quando acordo me vem uma das frases, lidas ontem, na cabeça: “penso, logo, existo”. Eu penso, logo existo? Será? Será que meu amigo realmente pensa? Será que ele existe? Mas…se a cadeira e o sofá não pensam… não existem? Ou será que os criei porque penso? será que eu realmente penso ou será que eu imagino o tempo todo?E qual é a diferença entre eles? pensar não é imaginar? O que é real? O que é ilusão?
O que é um simulacro? Sou um simulacro? Um lacre simulado fechando uma torrente de coisas que eu sou? tantas máscaras impostas desde a infância que fica difícil saber quem realmente sou. Procuro os rótulos dados pelos outros e insisto em me encaixar em um ou outro (geralmente os mais aceitos pelas pessoas).
Todos esses pensamentos me foram esmagados pela realidade, pois meu amigo deixou o livro de Baudrillard de lado, me chamou “venha Susi Sontag”, seguido de um pst, pst e colocou leite em minha tigela.


Susan Blum

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O estranho caso de Grace Uei


Aproveito para divulgar UM dos contos que escrevi na antologia : Então, é isso?

O estranho caso de Grace Uei

Grace acordou cega.
Abriu seus olhos como sempre, mas não viu o teto de seu quarto, que era pintado de céu noturno, com aquelas estrelas e planetas que brilham após um tempo de luz incidindo sobre eles. Fechou seus olhos de novo, imaginando que estava ainda em um sonho. Mas quando os abriu novamente, lentamente, a escuridão teimou em fixar-se ao seu redor.
Apavorada, gritou pelos seus pais. Eles a vestiram rapidamente, e a levaram ao hospital de Olhos. Lá, o oftalmologista usou sua lanterninha e verificou que suas pupilas não reagiam à luz.
Fizeram uma anamnese. Descobriram que há algum tempo sua acuidade visual estava piorando. Primeiro sua visão periférica. Ela tinha que voltar seu rosto para poder realmente enxergar o que estava ao lado. Depois a sua eficiência visual foi diminuindo, e ela começou a andar mais devagar, observando mais as coisas para não tropeçar ou cair. Mas só agora estava falando isso. Primeiro porque não queria preocupar os pais, segundo porque achava que era simples stress, e que logo passaria.
Outro dia, enquanto estava na sala de espera e sua mãe havia ido ao banheiro, ela sente um cheiro estranho que se aproxima, e uma mão acaricia seu rosto dizendo: “tudo ficará bem”. Aquela sensação de uma mão estranha permanece em seu rosto.
Marcaram-se novos exames.
Ela voltou para casa, mas sua vida passou a ter novas visões literalmente. Os caminhos tão trilhados, do quarto para a cozinha ou banheiro passaram a ser labirintos obscuros e trincados, cheios de armadilhas. Tomar banho, hábito tão diário e natural, passou a ser um estranhamento constante. Para Grace era como se fosse outra mão que estivesse limpando seu corpo.
Alimentar-se. Beber água. Torturas constantes em que precisava - pessoa tão independente que era - de outros para a ajudarem. Aprendeu o sistema de relógio: arroz às seis, bife às três, batatas meio-dia, feijão às nove. Grace que tinha tanta mania de limpeza e que lavava suas mãos logo ao entrar em casa, agora tinha que enfiar um dedo em seu copo para sentir aonde a água ou suco chegava. Lavar louça! Tanto quebrou que quase pensou em comprar louça de acrílico ou plástico.
Vestir-se. Outro terrorismo da cegueira. As meias são as mesmas? As cores de roupa combinam? Percebeu que certas roupas que usava antes com frequência (segundo a família) lhe eram agora “nojentas” ao tato. Recusava-se a usar aquele vestido tão batido de outrora (hoje tão duro, tão seco, tão arranhoso no corpo). Mas a maciez de outro, que ela nunca usava antes lhe agradou tanto que preferiu usá-lo agora, pois o Sentia abraçando seu corpo, num aconchego que ela tanto necessitava. Uma segunda pele protetora.
Com o tempo ela tenta se lembrar de como é seu rosto, mas percebe que ele se desfocou e permanece como nebulosa incógnita. Desorientada, um pouco apavorada, pede para sua mãe que a descreva.
Grace, seu rosto é gracioso e feminino. Seus olhos amendoados castanho- escuros são doces como mel, suas faces rosadas são maçãs de desejos, há uma marquinha de nascença entre seus olhos -, e o seu rosto vai se desenhando com as palavras de sua mãe.
Os exames médicos foram rareando. Essa doença estranha, tratada apenas como um caso extraordinário. Chamavam-no: “O estranho caso de Grace Uei”. Ou: “a cegueira de Grace Uei”. Psicólogos, oftalmologistas, cientistas, pesquisadores do mundo todo já haviam manuseado (literalmente) Grace durante este escuro ano.
Grace acorda para mais um dia. Abre os olhos e .. surpresa! As estrelas e planetas a saúdam, como se nunca tivessem saído dali. Ou como tivessem apenas feito uma rotação ou translação e tivessem voltado ao ponto de partida. Ela olha, extasiada, suas mãos, seu quarto, o caminho até o banheiro. A alegria de poder rever todas as coisas tanto reconhecidas pelo tato. A surpresa de ver as mudanças na casa... isso tudo foi enchendo Grace de uma graça suprema.
Ao entrar no banheiro corre ao espelho.
E se assusta.
Uma criatura a encara. Uma pessoa com olhos de enxofre.

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(interessou e quer ler meus livros? vendas diretamente comigo)

 susanpessoa@yahoo.com.br

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

ETHOS




Sabe o porquê de relacionamentos não serem fáceis?

primeiro que cada um teve uma vida inteira de experiências diferentes do outro. Cada um formou a sua conceituação de vida e sentimentos, de relações. Cada um passou por bons e/ou maus momentos. Mas se realmente existe afinidade, amor, carinho, confiança, e principalmente RESPEITO e ADMIRAÇÃO. Se os dois combinaram NUNCA mentir, NUNCA enganar e sempre CONVERSAR... se estas regras que foram estabelecidas se cumprem, há grandes chances do amor florescer cada vez mais.

CLARO que haverá dificuldades. Tanto pessoais quanto do casal. Mas nada que não possa ser superado com VONTADE. Com DESEJO de se continuar junto. Mesmo com comunicação, não devemos nos esquecer que o que um fala pode ser entendido de outra forma pelo outro. Afinal, há um filtro psicológico tanto na pessoa que recebe a mensagem quanto na que emite. Lembrem-se do ethos. Um destinatário pode construir uma imagem que o locutor não d
ensejou. Como disse Maingueneau: "Um professor que queira passar uma imagem de sério pode ser percebido como monótono; um político que queira suscitar a imagem de um indivíduo aberto e simpático pode ser percebido como um demagogo. Os fracassos em matéria de ethos são moeda corrente". 

Sim. Nos equivocamos diversas vezes, isso é humano, mas podemos (DEVEMOS) pedir desculpas. E rir de si mesmo também é bom. Sei que não sou perfeita. E, se fosse, talvez seria bem chata! (mais do que já sou) hehe ,mas já aprendi a rir das besteiras minhas. Já aprendi que se amo alguém devo ter respeito e admiração acima de tudo. Estou aprendendo a perdoar os outros (por vezes é BEM difícil, mas cada um tem o que merece).
Estou pensando em voltar a trabalhar como psicóloga. Fazer alguma reciclagem. Percebo que tem tantas pessoas precisando de ajuda. Pena que muitos acham que não precisam ouvir verdades...

Sim, sou frágil, tenho medos, angústias, inseguranças, raiva ... sou normal! Que bom, não? sou "normal" e ao mesmo tempo sou singular (única) como todos os seres. hehe


Susan Blum

domingo, 8 de janeiro de 2012

FICÇÃO - ananse (textos e imagens)


laguinhos brincam de balanço





no crochê de fio de prata





lendo as estórias de Ananse

texto e foto : Susan Blum

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

MIMETISMO

Nesse cemitério em que estamos
nada mais somos
do que espetaculares espectros,
especulares de nós mesmos,
esporadicamente reais!

Susan Blum 1999

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Pequeno Mundo de Amor

No principío era o beijo

doce profundo

logo após o perdigoto veio

no bafo um pouco imundo.

Por fim, o cuspe no seio

acabando com mundo.

Susan Blum

(Boca do Inferno.CAL-UFPr-04.00.n05)