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domingo, 5 de julho de 2015

O SONHO | PARA VOCÊ NÃO ESQUECER OS TEUS SONHOS


Eu vi um sonho sentado na sala de estar
Ele não podia se levantar
Suas pernas estavam atrofiadas
Porque nunca foi levado a caminhar

Eu passei por um sonho paralisado pelo medo
Fazia o mesmo trabalho há anos
Não conseguia se enxergar arriscando
Porque nunca acreditou em si mesmo

Eu encontrei com um sonho desesperado
Porque toda a sua vida foi um engano
Ele só fez o que os outros queriam
E esqueceu-se de dar alimento a si mesmo

Eu conversei com um sonho de criança
E tudo que ele queria era brincar na chuva
Mas nunca havia se molhado
Pois os adultos não permitiam

Eu discuti com os sonhos de minhas amigas
Eles estavam guardados naquela velha gaveta
Sufocados pela poeira e falta de vida
Enquanto lá fora todos queriam que eles vivessem

Eu avistei um sonho correndo como um louco
No topo perigoso de uma montanha
E outro mergulhando no fundo do oceano
Vislumbrei, também, vários deles fazendo cursos
Desenhando, cantando, cozinhando, meditando
Eles tinham asas de cores infinitas
Seus pés estavam cheios de calos de tanto caminhar
Eles riam e choravam com a mesma vontade
E não se cansavam de tentar viver um pouco mais.

Alexandra Barcellos
http://www.amazon.com.br/Para-voc%C3%AA-esquec…/…/B00ZO775AW


(Alexandra Barcellos é uma escritora de livros infanto-juvenis e poeta paranaense. “Para você não esquecer os teus sonhos” é o seu novo livro de poesias, publicado pela editora www.amazon.com.br e lançado pela página Libertária. Revisão de Ana Sickta Pereira.)

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A saudade é uma velha cadeira de balanço
De qualquer idade
A saudade é o pão que eu não fiz
Por você não estar aqui
A saudade é a letra da MPB
E do Jovanotti
A saudade nem nota que eu existo
Habituada em ser ausência
Nunca chega a ser dor
Ela é pior que isso
Quando eu acordo
Sem te ver de novo.


Alexandra Barcellos

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Eu não tive tempo para ler todos os livros que você me emprestou
Nem para entender a tua esquizofrenia
Não tive tempo para fechar a porta sem que você acordasse dos
pesadelos que há anos te acompanham
Eu não tive tempo de caminhar em tua direção
Não existe nada como esperar por um tempo que jamais voltará atrás
E assim eu sigo com a minha vida
Caminhando sem chão
E sem dúvidas, nem certezas
De mais nada.
Alexandra Barcellos

domingo, 1 de junho de 2014

Paradoxos Ocidentais

Paradoxos ocidentais
Colidem na contramão
Cacos de vidros espalhados
São os restos da embriaguez
Palavras ouvidas e ditas
Vagam errantes
No colapso das lembranças
Manhãs vazias de horas
Postergadas por trêmulos movimentos
Enquanto um sonho de quase dez anos
Aguarda ansiosamente
Que ele se levante e lhe diga 'Bom dia'
Depois das três.


Alexandra Barcellos.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A ponte em você

"Um milhão de pontes são necessárias para te convencer
Atravesse pelo menos uma
Para ter um outro ponto de vista em você
Não é preciso ficar do lado de lá para sempre
Nem deixar de ser quem tu já és
Há pontes de concreto armado e ilusórias
Já vi corajosos saltando sobre pontes de pedras
Atravessar uma ponte pode te salvar de morrer".


Alexandra Barcellos

terça-feira, 1 de abril de 2014

Para Você Não Esquecer Dos Teus Sonhos

Os ossos estão enterrados
Não os meus, nem os teus
Mas de alguém que lutou por nós
Num buraco raso ou profundo esconderam
parte da nossa história e de tantas vidas
Uma mãe
Um pai
Uma irmã que nunca mais voltou
Todos órfãos do sistema politico que jamais
pede perdão
Enterramos os nossos próprios ossos quando
fingimos que nada acontece
E nos calamos."

 Alexandra Barcellos

sábado, 29 de março de 2014



Eu fui um animal solitário numa outra vida
Nunca soube o nome do hospedeiro silencioso
do meu passado
Guardo resquícios de seus hábitos no meu
estranho modo de caminhar
Preservo uma audição que jamais pertenceu à
espécie humana
Eu fui um animal solitário numa outra vida
Ensinei meus filhotes a andar, beber água e
caçar antes de tudo por si mesmos
Depois, liberei-os para o mundo
Naquela vida não existia luz
Naquela vida as horas eram lentas
Naquela vida eu não precisava chorar
Eu costumava passear pelos galhos das árvores
ouvindo histórias de tribos do mundo inteiro
Eu fui um animal solitário numa outra vida

E nunca mais eu fui tão feliz.

Alexandra Barcellos

sexta-feira, 14 de março de 2014

Velhos Amigos

Era para ser só eu e você
Quando eu estivesse com você
Era para ser só o que precisávamos
Duas frações de vidas esfomeadas
Sem nada do antes
Sem muito do depois
Era para não ter o que dizer no
após do melhor de nós
Mas, sempre aparece um mas,
disfarçado de bem-educado
Nunca discutiremos em praça pública
Restaremos como velhos amigos
que jamais cometem a loucura de expor
que nunca foi amizade
Era uma história de amor.


 Alexandra Barcellos.

Para Você Não Esquecer Dos Teus Sonhos

"Muita gente gostava dele
Ele não gostava de ninguém
Dizia que gostava de si mesmo
Eu duvido
Drogava-se para existir
O amor que lhe entregavam ele
cortava em pedaços de indiferença
Vivia de uma imensa overdose de
tudo que lhe faltava."


Alexandra Barcellos.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O rio da minha vida

 Alexandra Barcellos

Durante a minha adolescência eu frequentei uma escola, na cidade de Foz do Iguaçu, que ficava muito próxima ao rio Paraná.
Era uma sensação libertadora poder olhar pela janela e ver aquele mar de rio descendo em outra direção.
Eu havia aprendido que ele estava entre os mais longos rios do mundo e passei a admirá-lo de várias partes da escola.
Na hora da fila, antes de entrarmos na sala de aula, tínhamos que cantar o Hino Nacional e quando entoávamos “gigante pela própria natureza” era para ele que eu olhava.
Da biblioteca dava para ver a mancha que ele deixava em suas margens, logo após o período das chuvas, quando voltava ao seu nível normal.
O meu lugar preferido para vê-lo era do gramado diante da quadra de esportes e muitas vezes, eu, ficava lá, bem parada, apenas contemplando-o.

Foi o Rio Paraná que me ensinou a esperar pela passagem, boa ou ruim, de todas as coisas.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Submundos em nós


Não conhecia as cores
Vivia num lugar que semeava a escuridão
Era levado por vozes entrecortadas
Sombras dançantes de árvores fossilizadas

Eu descia dos longos troncos das sequoias do norte
E tentava segui-lo de longe, tão longe quanto
estamos agora de nossos pais
Era uma batalha encontrá-lo naquele lugar
Eu gritava pelo seu nome que ecoava em submundos divididos por escolhas

Eu tinha medo das pessoas que pensavam em suicídio e atravessava a rua ao pressenti-las aproximando-se com seu ponto final cravado na pupila

Um dia, finalmente o encontrei e foi a última vez
que nos vimos
Ele havia se tornado um pássaro estranho e o seu
espírito não reconhecia mais com o meu

Separamos as nossas solidões e eu voltei para
as sequoias que sabiam me presentear com todas as cores do sol.

Alexandra Barcellos

Palavras em chamas

 .

Lanças podem vir de vozes que atravessam
versos inteiros tentando atingir você
Sem a intenção de matar
Apenas provocar uma pequena reação no
escudo de casca que te envolve por inteiro
Palavras em chamas são lançadas quando
você menos espera
Algumas deixam feridas abertas por muito tempo
Outras cicatrizam depois da queimadura de terceiro grau
Há os que se esquivam por instinto
Há os que as detém com as mãos temendo perder
algo importante
Nenhuma atitude irá lhes salvar
Mesmo paradas as lanças espalham a sua fumaça
radioativa porque desconhecem a compaixão que
só existe no silêncio.

Alexandra Barcellos

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Para Você Não Esquecer Dos Seus Sonhos

Aos poucos a saudade de você vai sumindo
Como uma fumaça fraca e imperceptível
Que eu não noto mais dissipar-se...
Na passagem do meu tempo por aqui
Sorrindo...eu caminho em direção ao depois da minha dor
E nesse lugar você nunca existiu.


 Alexandra Barcellos

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Para Você Não Esquecer Dos Teus Sonhos

Nessa noite de Lua Cheia acenderei duas velas vermelhas
Uma por mim e outra por você
A chama da minha vela me fará entender
Que você se foi...
E eu olharei para a Lua Cheia e lhe pedirei...
Liberte-me dessa dor
Lua... você fará isso por mim?
Depois acenderei a tua vela
Farei pedidos para que tudo flua na tua vida
Eu não poderei evitar de chorar nessa despedida
A Lua Cheia há de nos guiar
Ela é capaz de tudo
Ela é a dona do céu quando o Sol lhe dá as costas
Como fizemos um com o outro
Dois seres que nunca mais se encontrarão
A Lua Cheia há de cuidar de nós

Até as nossas chamas não existirem mais.

 Alexandra Barcellos 

- Para Você Não Esquecer Dos Teus Sonhos.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Refúgio






Tem um lugar bem distante de tudo
Lá faz mais silêncio que no topo das montanhas
Eu estive lá raríssimas vezes
Sempre ocupado com coisas para resolver
Mas hoje é um dia daqueles...
E você sabe muito bem do que eu estou falando
Preciso desesperadamente do lugar distante
Preciso ir lá sozinho de novo
Entrar sem sapatos
Sentar-me no chão
Encostar minhas costas nas suas paredes rachadas
Tirar as minhas máscaras
Algumas já contorcidas de dor
Conversar comigo mesmo na escuridão
Me esvaziar do antes
Não pensar no depois
Viver do presente que eu sou

Alexandra Barcellos