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sábado, 4 de agosto de 2018

Ainda te espero...



Ainda te espero...
Assim como na chuva se espera o sol,
Assim como do navio se almeja o farol,
Assim com do poeta se espera a inspiração.

Ainda te espero...
Mesmo que não me dê mais esperança,
Mesmo que rejeites minha Aliança,
Mesmo que de sua boca só saia “não!”

Ainda te espero...
Não porque eu queira,
Não que porque eu faça cena,
É porque sou um pobre refém do meu coração.

  Nelson Rodrigues de Barros

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O amor entre a loucura e a razão



A minha loucura pede: “vá a busca desse amor!”
A razão fala: ”Cuidado! Mal tudo começou!”
A minha loucura diz: “Largue tudo e lute por ela!”
E a razão: “Se lembre dos contos de Cinderela!”
A loucura implora: “A vida é só uma meu chapa!”
A razão insiste: “Cuidado para não lhe baterem a porta!”
A loucura manda email: “Se perdê-la terás eterno pesadelo!”
E a razão pelo MSN tecla: “Não seja tão ingênuo!”
A loucura agora envia torpedo: “Ame loucamente, você tem direito!”
A razão diz: “Isso são coisas de mau conselheiro!”
E assim segue a vida entre o fogo e a palha,
Entre o todo e a partilha,
Entre o deserto e a água,
Entre o sim e o não.
E o tempo está passando...
E só sei que continuo te amando...
Independente de ser entre a loucura e a razão.

(Nelson Rodrigues de Barros)


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O pingo



Um pingo pode ser de várias coisas...
Pode ser respingo das águas do mar,
Pode ser de tinta ou de comida boa,
Pode vim da telha ou de outro lugar.

Um pingo pingado faz areia virar lama,
É sinal que a torneira não é da melhor...
Um pingo de vida ainda é esperança
E pingo no trabalho é sinal de suor.

Um pingo pode manchar e acabar com a roupa...
Pode dá nome ao cão que protege a patroa.
Pode rasgar ou esmaecer o papel.

Mas pingo pode também ser de gente,
Pode ser de uma lágrima de repente...
Ou de uma gota caída de nuvem do céu.


(Nelson Rodrigues de Barros) 

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Homem-terra



Homem que peleja a vida...
Traz no suor a marca sagrada.
Dos rincões da terra...
Das plantações que tolhem a desgraça.

Homem de fibra, das mãos calejadas,
Anonimamente sustenta a aldeia...
Sob um sol ávido por fornalha...
Seu olhar em silêncio desencadeia.

Toda gratidão a ti é pouco...
Se acorda, se lança de novo...
A cada manhã, antes do raiar do sol.

Imagem da dignidade e da honra,
Que nem a enxada se desmonta...
Referência de luz como farol.

(Nelson Rodrigues de Barros)


Quando tudo dá errado


Eu já tentei ser encanador
E quase que entrei pelo cano.
Eu dei até uma de jogador
E não me colocaram nem no banco.
Eu desejei ser um grande cantor,
Mas desafinado me puseram pra correr.
Escolhi ser um nobre enfermeiro,
Mas os pacientes tiveram medo de morrer.
Já me meti a investigador
E quase que acabei preso.
Inventei de ser candidato,
Não tive voto nem do porteiro.
Tentei ser mestre de obras
E a casa infelizmente caiu.
Sonhei em morar num país sério
E imagina? Acabei no Brasil...
Também já vendi picolé,
Mas meu sonho se derreteu.
Fui contratado pra cuidar de jacaré
E o bicho quase me mordeu.
Tentei ser professor de inglês,
Onde mal se fala português.
Fui demitido do emprego,
Pois a razão tá sempre com o freguês.
Eu comprei uma fazenda,
Mas os sem-terras se apossaram.
Deixei meu carro na garagem,
Pois o combustível estava caro.
Um dia tive no congresso e gritei:
Queremos políticos honrados!!!
E olha... por muito pouco não fui linchado.

(Nelson Rodrigues de Barros)


sábado, 28 de outubro de 2017

Caminhos de retalho


Caminho por caminhar
Sou pedaço, sou retalho
E diante de tanto descaso
Sinto-me um palhaço
Sem circo pra brincar

Caminho pra ver o sol
Pra enxugar as minhas lágrimas
Pois diante de tanta mágoa
De uma democracia farsa
Sinto-me um navio sem farol

Caminho pra ter futuro
Pra livre pode pensar
Pois a massa não pensa
Basta um prato de comida
Que o cabresto emenda...
Realidade fria e sedenta...
Só não lhe peça pra pensar.

Nelson Rodrigues de Barros


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Tempestade de areia


Quando a solidão não for real
E os sonhos não forem deserto...
Quando a paixão não acabar tão mal
E o futuro não se faça incerto.

Quando o medo se transformar em luta
E a guerra nos ensinar o caminho da paz.
Quando a honra se fazer jus a labuta
E quando a morte não for a dor do "jamais".

Seremos seres iluminados pela vida...
Onde o tempo que cicatriza a ferida...
Cultivará assim a semente na cumeeira.

E pelo amor que se justifica os meios...
E desses fins os nossos tantos desejos...
Será como uma luz na tempestade de areia.

Nelson Rodrigues de Barros.



A real fantasia da vida



“Quando criança, às vezes o nosso mundo é recheado por cores mágicas e que ao passar dos anos vão se esmaecendo e perdendo a coloração original. Vem-se a adolescência e a fase adulta e quando esse mundo não se acaba por completo, torna-se por nos mostrar uma face bem mais ríspida e até incolor dessa nossa fantasia. E depois disso tudo o que nos resta é o amor.”

(Nelson Rodrigues de Barros)

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O rastro da saudade...



Vou seguindo no rastro da saudade...
Se não pela habilidade, que seja pelo tino...
Pelo suspiro... Pelo desejo de ter você.
Vou seguindo no vão dessa estrada...
Se não tenho mapa, não tenho nada,
Que sigo pelo caminho que manda o coração.
Vou em frente... rumo a liberdade
E diante da ausência que provém do desejo,
Sou nada mais do que um espelho,
Refletido nesse rastro de saudade.

(Nelson Rodrigues de Barros)


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Diário de um pobre

  
06 horas.
Eu acordo assustado,
o cachorro late pra todo lado.
Levanto, estou faminto,
a geladeira é meu caminho,
Mas que pena está vazia.

Às seis e trinta tô no banho,
o sabão é meu perfume.
Água fria e eu canto Bartô Galeno,
e me olho no espelho,
tá faltando dente no sorriso.

Sete horas eu ligo o carro
que está meio quebrado.
A bateria não funciona
e eu chamo a patroa
pra me ajudar a empurrar.

Ele pega meio no tranco,
já tô na fila do banco.
Cansado, esperando.
Pois o cheque voltou
sem eu mandar.

11 horas chego no trabalho,
o chefe olha meio de lado,
não se conforma com meu atraso
e diz que vai no salário descontar.

Tô na hora do almoço,
que é pedaço de pescoço,
engasgado e quase rouco,
mas preciso acostumar.

17 horas.
É fim de expediente.
Entro no carro muito quente,
ele quebra de repente
e ninguém quer empurrar.

Aproveito a ladeira,
ligo o carro sem besteira,
vou com o brega na cabeça
e o guarda quer me multar.

20 horas.
Chego em casa acabado,
a mulher mostra o sapato
que está descosturado,
pois tá velho de lascar.

O menino tá chorando,
pois o leite tá acabando,
e eu pergunto: até quando?
Será que eu vou suportar?

Ligo a televisão,
pra assistir o jornalzão
e quem sabe a solução
podem me apresentar.

A manchete é terrivel,
subiu o gás e o combustível
e o leite do menino
que continua a esperniar.

22 horas.
Vou pra cama pra dormir,
e a mulher diz: peraí!
tem coisa boa para ti
que preciso te contar.

Ela me fala de repente:
Mamãe vem morar com a gente!
Assustado eu pergunto: É pra sempre?
Você quer me assassinar.

E o dia tá terminando,
e meu diário vou parando,
pois a tinta da caneta tá acabando,
e eu preciso descansar.


(Nelson Rodrigues de Barros)

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Quando se entende a dor de um poeta


Admiração sempre tive
Pelo poeta Álvares de Azevedo.
Que na plenitude sagrada da poesia,
Debruçava-se em amáveis pensamentos.

Da dor da paixão mal resolvida,
Que das fibras o coração dilacerava...
Sonhava das noites mal dormidas
Pelo beijo sagrado da mulher amada.

Das suas obras só uma coisa eu não entendia,
Como o amor impossível assim se nutria
E lhe definhava a cada dia o seu viver.

Mas, hoje diante de um amor que tenho...
Tão improvável, platônico e nada sereno...
Eu sei muito bem o que o poeta tentou dizer.

(Nelson Rodrigues de Barros)


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O poema de amor que não findei



Na ânsia de tê-la ao meu lado...
No desejo que me faz desatino.
Sinto meu coração em pedaços...
É o homem, mas parecendo um menino.

A procura de um tempo perdido...
Da palavra de amor que não falei...
Do grito que por você foi esquecido
E do medo de perder o que não conquistei.

Você é minha fonte de amor inesgotável...
Que bebo, lambuzo e fico molhado...
Você é meu poema de amor que não findei.

E rebuscando esse amor embevecido...
Na dúvida entre o improvável e o impossível...
O meu sonho de amor prefere um “talvez”.

(Nelson Rodrigues de Barros)



domingo, 1 de outubro de 2017

A estação da despedida


Nas estações da vida...
Se vivenciam chegadas e partidas,
Encontros e despedidas...
É local de alegria e de dor.

Em cada estação,
A um universo de saudade...
Lágrimas de realidade...
Por um adeus de um grande amor.

Lenços brancos cruzam a paisagem,
O destino nem sempre se sabe...
Uns chegam cedo, outros tarde...
É como um filme que nunca terminou.

Na estação se vê abraços...
Nas malas se levam alguns retratos
E a lembrança de um passado,
Que na verdade nunca passou.


(Nelson Rodrigues de Barros)

Amor em silêncio...



Seu silêncio me corroe,
É como uma espada em meu corpo.
E de são... torno-me um louco,
Buscando formas de pensar.

O seu silêncio me arrasa,
Joga-me em cima da muralha...
Crava no peito uma navalha,
Torrente que não posso dominar.

Silêncio ensurdecedor
Que me fere, desalentador...
É uma guerra em vão que não venci.

Que o tempo logo me reconstrua
E sem tristeza eu possa sair a rua...
Mesmo que não estejas mais aqui

Nelson Rodrigues de Barros




Amor abstrato...


Reluz ao vento um tom de mil saudades
E pra posteridade levo comigo esse amor.
Já não sei se é tarde, mas a cumplicidade,
Em intensidade já me desmoronou.

Amor abstrato que moldado em um retrato,
Já não me diz mais claro quem eu sou.
E se desse amor revivo o meu passado...
Tão atirado e solitário, pensativo estou.

Ah, se no meu porto atracasse o tempo,
Seria um Rei, mesmo que por um momento...
E te traria de novo inteira pra mim.

Ah, se o tempo me fizesse forte,
E quem sabe ladeado pela sorte...
De novo, sentir seu cheiro de carmim.



 Nelson Rodrigues de Barros



sábado, 16 de setembro de 2017

Desfolhando o passado

  

Se do passado desfolhei...
É sinal que amadureci.
Águas que desaguei
E sonhos que refiz.

(Nelson Rodrigues de Barros)