COMENTÁRIO DOS COMENTÁRIOS - I
O Desfile das Escolas de Samba acabou. A apuração já aconteceu. Vitoriosos
felizes. Outros nem tanto. O Carnaval já passou. Então agora posso me
pronunciar.
Não vejo que uma 'Agremiação' esteja acima ou abaixo de outra. Vejo como
sempre vi a união de diversas pessoas de várias comunidades, exaurindo-se
em meandros e afazeres com um só objetivo. Botar a escola na avenida e,
Todos conseguiram, tapando a boca de muita gente, que gostaria de ver
isso..., não acontecer.
Quem me conhece sabe, que durante 19 anos participei ativamente do
Carnaval de Curitiba, desse carnaval que muita gente diz não existir.
Este ano, resolvi me ausentar. Nem à avenida fui. Resolvi ficar de fora
mesmo. Queira eu ter outro prisma visual. De dentro, muita coisa não se
vê. Só que optei por assistir a transmissão pela e-paraná que anunciou a
cobertura do desfile.
A transmissão não estava boa. Não era a qualidade da imagem, essa até que apresentava
bons takes, mas, o som, esse estava péssimo. Segundo deu para notar, os
comentaristas estavam num caminhão da emissora, estacionado na área de
desfile, portanto, o som da avenida permeava as paredes do veículo, e se
misturava ao que os comentaristas, infelizmente falavam. Como eles não
apareciam, o que eu percebia é que havia uma imagem e duas linhas de som
sobre a mesma imagem. Uma que conduzia o samba cantado, e a outra, que
apresentava os comentários.
Uma repórter de pista, muito fraca, que tecnicamente não estava preparada
para transmissão do gênero, se perdeu várias vezes no que dizia, se
repetindo e deixando passar boas oportunidades de entrevistas.
Mas, se fosse só isso, eu abaixaria o som e me ateria as imagens, contudo,
com a entrada do Rancho das Flores, me aterrorizei quando ouvi a letra da
Marcha Rancho, composta por Luiz Ferreira e Rodrigo Barros. Na falta de
melhor rima para terminar a letra, saiu uma pérola, desancando com os
pobres idosos componentes do Rancho. Os 'infelizes' versos finais são:
Rancho das Flores,
Na avenida é tormenta,
E a nossa alegria,
Só aumenta.
"Rancho das Flores ser..., "Tormenta"..., foi um pouco
demais, não?
E depois, outras pérolas continuaram a ser jogadas, só que como eu não sou
porco, peguei-as todas, e dessa vez por conta da transmissão da TV.
- "O carnaval é "festa" de "quem está
sozinho"" - Falar isso numa transmissão de carnaval é triste...,
- "Temos uma "maldição" no Brasil" - Um desfile de
Escolas de Samba acontecendo e o reporte sai com essa...,
- "Um time que "sumiu" há algum tempo" - Para esse
energúmeno, o time, seja lá qual for, se escafedeu...,
- "Encerrando o fechamento" - Essa frase é digna de ENEM
realizado no interior da Tailandia...,
Não satisfeitos, resolveram dar, ou melhor, relatar a programação dos
desfiles das escolas, dali pra frente, e ao final, arremataram com mais
uma pérola. "tem ainda a homenagem ao Maé da cuíca no meio do
caminho".
Os dois comentaristas que abriram a transmissão, continuaram com o FEBEAPÁ
*, como diria o saudoso Stanislaw Ponte Preta, e, soltaram mais algumas,
como..., 'Estaramos' ao invés de 'Estaremos' - 'Pegar meus alfarrábios'
(?) - 'São uma escola', e na sequência quando entrou a escola "Leões
da Mocidade" trocou o nome, tirou o 'leões' e deixou só...,
'mocidade'. Alguns termos, de tão repetidos chegaram a cansar meus
ouvidos. "Na verdade", foi tantas vezes falado, que perdia
conta, parei de contar em 19. Quem falou isso foi o comentarista Adilson
Farias.
Entrou a escola "Bairro Alto" e soltaram mais uma..., "Uma
escola bastante grande". Observo que essa escola foi desclassificada
por não apresentar o número mínimo de integrantes exigido pelo
regulamento.
Noutro momento..., "Ai vem apenas 2 carros. É bastante coisa".
Pergunto..., 'Apenas' e 'bastante' são a mesma coisa?
E com certeza, uma das melhores foi..., "A comissão de Frente abre a
escola e fecha o enredo"
Grato pela paciência de lerem até aqui.
* FEBEAPÁ - 'Festival De Besteiras Que Assola O País' - (1966).
Olinto Simões - 15/02/2013
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