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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

pedras nuas



corpo de tesoura
(de metal animal)
de corte regular
de linhas femininas girando ao eixo central
destas de coser carnes
sangue em pequenas pedras
a língua mergulhada em aço reluzente

doando ao ar todo o espelho
espectro de dias e horas
o livro que contém todos os nomes
que nas bordas trazem profecias
de vates infantis e incompletos
de bandeiras em frangalhos

as fotografias espalhadas no lençol
tudo em desalinho o quarto
a janela de vento e cortinas vivas
o recorte da vida
em meio a uma descoberta tétrica

a tentativa de racionalizar o medo
enquanto o vento dobrava as bananeiras
e o quintal se transferia aos poucos para o futuro
e depois o esquecimento
em uma máquina de devorar a si mesma

nunca mais houve um dia como aquele
e o gosto de menta doce e pedras nuas
calor morno subindo a espinha
fôlego parado em afogo
quase um útero por segundo

lua de água azul
e sempre a mesma memória

(quando nasci não chorei
arrancaram-me da morte sem meu consentimento)

Edson Bueno de Camargo | a fome insaciável dos olhos

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

coisas de monstro



cristalino perdido
dentre os dentes da alma
congelado à espera
onde se esconde o fogo

como Prometeu
esperei doar o fogo aos homens
e ao invés de calor
lhes trouxe o frio

porque o ente humano
que caminha na certeza absoluta
se torna um monstro
e faz coisas de monstro
e diz coisas de monstro
e será banido como tal

não espero mais o amor da humanidade
a paz celestial
ou cocanha eterna
troco por uma passagem para a nau dos insensatos

hoje
me contento mais com uma migalha de desejo
uma velhice tranquila
meu neto correndo pela casa
e a luz de uns certos olhos


Edson Bueno de Camargo | a fome insaciável dos olhos

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013



Edson Bueno de Camargo
O que me incomoda a cada tempestade tropical que acontece em nossas cidades, é a mesma grita, que as otoridades não fazem nada, etc, etc,

Agora me diga em sã consciência, quem ia votar em um cara que arrancasse os rios dos tubos, substituísse as vias asfaltadas por calçamento de pedra ou bloquetes, desalojasse vilas inteiras que estão no caminho das águas e substituísse por mata nativa, e mudasse radicalmente a alocação das pessoas na cidade, e em alguns casos proibisse novos moradores que não tivessem como se alojar adequadamente.

O solo está impermeabilizado, não existem matas ciliares mais no rios, e áreas de várzeas caminho natural da retenção das águas está ocupado.

Nossa relação com a natureza é muito ruim, há uma falta de urbanidade tremenda, com lixo jogado nas ruas, pessoas atirando coisas de carros, e o entulho que enxurrada leva não some por mágica, e tantos outros pecadilhos.

Não existe autoridade o bastante para corrigir erros de planejamento estratégico e crescimento desordenado das cidades.

Havia aqui um dia uma bela floresta tropical, e a natureza continua a regá-la.