quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Luas de fel, ao léu

Luas de fel, ao léu
Nem
Querer

Ego desfaz
Jaz lilás lá ali onde
São
Sou

Justificativas
Locomotivas, - explosões!
Redivivas senhoras
Horas
Em auroras
De adeuses
Ao findar do beijo

Sonham com a fama
Fálica, Freud, Filosofia
Taquicardia, seria
Filósofo em poesia
Sou

Quanto? Sofrimento.
Léxico, unguento
Estruturas vernáculas
Linguajares
Populares, impopulares

Aos olhos de quem
Não me vê
Tão
Grécia, sutil, cadência
Lira
De Apolo

Anderson Carlos Maciel

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

RETALHOS



“Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa”.
Miguel Torga, in Orfeu Rebelde.


                Em tom quase imperceptível a voz rouca e interior de Ana Maria, bradava incisivamente:
                - Louca..louca...homicida!

                A agitação do pensamento levou-a até um tempo que imaginava perdido na memória.
                A cidade da fala escandida e suas majestosas araucárias, onde passou a infância e juventude, onde amou e deixou amigos e familiares quando partiu em busca de seus sonhos.
                Mulher decidida, correu o mundo, adquiriu conhecimento, destacou-se profissionalmente. Acreditava ser feliz, não obstante nela houvesse um quê de insatisfação que ora a impulsionava a viver intensamente, ora a tornava introspectiva e muda.
                Num destes momentos de banzo, algo inesperado e gratuito aconteceu. Uma brisa ligeira tocou-lhe a face e avivou a chama da Poesia. Incapaz de qualquer gesto contrário, deixou aflorar seu Eu-lírico, pondo-se a escrever sem parar.
                No frenesi de cada novo chamado da poesia, sulcava com frescura a avalanche de imagens criadas pela sua imaginação. Seus olhos percorriam caminhos rasgados pela densa vegetação, seus dedos ao segurar a caneta pareciam serpentear entre cadeias de montanhas e transpor colossais abismos.
                Não descansava, mal se alimentava. Só escrevia. Até o Trabalho  abandonara pela incansável busca do prazer que o texto lhe proporcionava.
                Neste contexto de descobertas, amigos tentavam inutilmente chamá-la à razão.
                - Não tens juízo! - diziam eles.
                Ensimesmada, pensava: - Ora, não venham com repressões!
                E com ternura apenas respondia.
                - Com licença, a lua arde nos contrafortes da serra do mar, não falta mais nada para iniciar nova prosa.
                Acompanhada pela melodia do seu Eu-Poético, sorria com doçura às intempéries da vida.
                Todavia, aquela insatisfação que lhe era inata ... sempre presente, por vezes sussurrava-lhe:
                - Mulher, toma tino!
                - A que propósito serve esta tal Poesia? Olhe em torno de você!! As contas se acumularam. Seus filhos cresceram e você nem percebeu ...
                -  Afinal o que queres da vida? Ficar aí pasmada... a escrever , escrever e engavetar?
                Passados alguns minutos, feito quem age em legítima defesa, lá estava Ana a rabiscar seus versos num fôlego só.
                O tempo passou, as palavras persistiam em escapar aos turbilhões, como se fosse uma vaga selvagem batendo forte numa rocha.
                - Sou a vaga e a rocha - pensou. Ao mesmo tempo em que bato, recuo e permaneço estática. O estar estática me incomoda, retira-me o ar!
                Naquela manhã de inverno, quando a exuberância do azul transbordava do céu, descortinando o destino louco e incompreendido dos homens, cheia de lembranças, ao ouvir sua voz interior decidiu jogar fora todo o amontoado de contradições que a intrigava.
                E, assim livre de pressões, escutando apenas o estalido ígneo do silêncio queimando seu peito.

                Assumiu.

                Andréa Motta


Busca




Estou caindo no abismo;
Como quem procura água no deserto.

Busco letra -a- letra, a palavra,
Que retire esse cansaço insustentável,
Das verdades mil vezes ditas,
À ouvidos moucos.

Cansaço real, da irrealidade alheia.

Procuro a palavra
Que impeça esta vontade de voltar
À caverna silenciosa,
Onde só habitam as vozes,
Dos meus poetas mortos.


Joselaine Mota
Manhã ensolarada.
Sobre a copa do abacateiro
Carcará repousa.

Andréa Motta

22/02/11

Metapoemas de Andréa Motta

Metapoema
Andréa Motta


Se meu verso não tem jeito
de soneto ou de epopéia 
se não é perfeito

com certeza tem um rito
não causa cefaléia
ou faniquito

é o encontro sublime
da fé e da quimera

Se a rima é disforme
o que não é nenhum crime
e não tem batalhas de outra era

com certeza é ditoso
traz a letra do corpo
sem ser incestuoso

Em cada fonema
o canto do melro
o vôo da borboleta indefesa

- a essência do ecossistema -

transcende com certeza
a consciência do leitor mais austero
18.06.07


VERSÃO 2

Metapoema
Andréa Motta


Se meu verso não tem jeito
de soneto ou de epopéia 
se não é perfeito

com certeza tem um rito
não causa cefaléia
ou faniquito

é o encontro sublime
da fé e da quimera

Se a rima é disforme
o que não é nenhum crime
e não tem batalhas de outra era

com certeza é ditoso
traz a letra do corpo
sem ser incestuoso

A cada novo fonema,
o vôo duma borboleta indefesa
e o canto da natureza

- a essência do ecossistema -
como anticorpo
transcende com certeza
a consciência mais austera
18.06.07



folhas amarelas
leveza nos rodopios
que levam ao chão



---------------------- josé marins
neve negra

Queima o clamor no pulmão ferve  no coração  a  chama
e chove  punhais penetrando na prole da revolta
e  solta o Sol da esperança
das correntes de elos  quais tentáculos de feras
-pesadelos de todas aas eras
as guerras a fome e a miséria.

Queima o clamor  no pulmão
uma pluma de sonho   no incêndio da razão
incêndio na Floresta Negra  a expulsar
os desesperados lobos cinzentos a invadir
aldeias       feras famintas  almas perdidas na lama
a perscrutar na treva a semente da luz.

Ferve no coração a chama  chama  negra
borbulhando borboletas de fogo chama
a voz do bater de asas de ceda da borboleta
á queimar  da seiva ácida    no pulmão de ramos finos

da  selva da tualma fumaça densa vela
a tua cidadela em ruidosas ruínas no luto de tantas guerras

Teus olhos crepitam fome de justiça diante da soberba miséria

voa alto o falcão com os olhos  famintos  
pelo vale perdido dos sonhos órfãos.

                         Wilson Roberto Nogueira.07/05/07


O crime silencioso do demiurgo Vulturino



O critico  crítico   cri-cri
gri-gri atrás do arbusto
de tocaia no deserto;
a  gritar crises
a despejar pedregulhos
a provocar   engulhos
pela afetada ostentação de vazio
zomba babando   saberes ausentes
de alma criadora
só constrói a ruína
e ri  o cri-cri  a crocitar
na esquina.

Na quina quebrada  atento  a forma
deforma.

mal pronuncia  o prenúncio do gênio que cria
a cria o cri-cri mata 
assassina o feto  no útero  da idéia.
arranca a dentadas o prepúcio  se fazendo de mohel.

crocitando o corvo a voar
voandosobre a cova 
reclama  da safra de milho
só sabem contudo
plantarem cadáverese deles
se alimentarem.

cadê o milho?
o espantalho furtou
e o corvo?

vôou para o México
lo dia de los muertos. 
Era um abutre disfarçado.
Carajo!! 


             Wilson Roberto Nogueira
Um pouco de pó  de pólvora seca
nas folhas molhada das palavras
voam vadias  nas vagas   das tempestades
no Hades   do seu dia-a dia.

                                         Wilson Nogueira


Excesso de suor


O suor  da palavra precisou ser enxugado
gotas fétidas de prolixa  verborragia
implorou-com a dor  pulsando dos olhos
do leitor"cura tal hemorragia"
O sangue da palavra coagulou
Na cega caminhada teu pensamento
na treva se perdeu
caiu no abismo
morreu.
Antes aos gritos na caverna mais profunda
implorou
Onde está a luz  ?
Venha para a luz...........
                                     Wilson nogueira


O sapo   ao   comer a rã
exclamou:
Merde!
-e   escargot.

                       Wilson
Um pouco de pó de pólvora seca nas folhas molhadas das palavras
voam vadias nas vagas das tempestades do Hades do seu dia-a-dia.
                                                    

O suor da palavra precisou ser enxugada,
gotas fétidas de prolixa   verborragia;
implorou com a dor pulsando dos olhos;
cada letra condoídas com o sofrimento
do leitor.
O sangue coagulou, ficou preto e imundo
como a treva da tua cega caminhada.
Olha ali a luz serena do farol
reta e simples.

VENHA PARA A LUZZZ!!


Wilson Roberto Nogueira

Lugar-comum pode ser Beira do Mar


> 
> Como pessoas comuns podemos rir de muitas coisas que lemos e são superficiais, tolices, piadas...mas quando compartilha com um grupo que se especifica dentro de um título de saber, a coisa se aprofunda! Se uma pessoa, por exemplo,conta-se entre psicólogos, qualquer auto-ajuda será tratada como tal, exceto psicologia. Será pouco provável que circulem entre esses pares, textos de qualidade inferior ao que o conhecimento sobre o qual se debruçaram admite leitura, interpretação, pois passa a haver quase que automaticamente, uma exigência qualitativa de salto maior.
> O mesmo, seria de se esperar, deveria ocorrer num grupo de pessoas que se interessa pelas letras, pelas palavras, pela literatura. A leitura de textos deveria passar por um crivo diverso do que usamos quando estamos "leitor comum". Subliminaridade, intertextualidade, singularidade estilística, o tratamento do tema, enfim, para dizer o mínimo, se é o caso de leitores interessados pela literatura mas sem formação em letras ou disciplinas correlatas, seria o pouco razoável
> na escolha de textos e imagens para circulação entre tal grupo.
> Para ficar ainda mais claro, a seleção de textos passa pela capacidade perceptiva do leitor enviante e demonstra para seu interlocutor sua profundidade interpretativa. Primeiro, de quem o lê; segundo, do quê e o como ele prórprio lê. O leitor depende menos da quantidade de leitura do que da demonstração daquilo por onde ele escoa sua fruição e gozo. Se sempre ri de texto simplório, seu riso o acompanha a esse lugar. Se geralmente se comove por uma banalidade, ali habita uma boa parte da carga emocional que comporta.
> Considero muito importante a presença do leitor comum se avizinhando do leitor de suas especialidades. É ele quem permite aberta uma porta para o fora do comum, por incrível que pareça! Pois é através dele, que pode ser o simples curioso e inicia a leitura de "uma qualquer coisa", à partir dele é que chega o tempo do "leitor aprofundado" que vem com a experiência. É através dele que também se pega qualquer papel com letras num poste, numa revista esquecida no banco ao lado e fazemos a leitura de algo que pode ser a grande idéia daquele conto
> do escritor certo! É, mas podemos lembrar dele também como um estrangeiro que conhece pouco o idioma de outra terra que, nos encontros do que ler à partir das palavras conhecidas, pode trazer à mente propagandas reacionárias,equívocos distantes da humanização e até bobagens tão inúteis que quando trazem algo pode ser a perda de tempo!
> Por isso, apesar do carinho com que trato o leitor comum em mim, sempre verifico o trinco, pois a porta por onde ele passa leva a um corredor por onde se pode percorrer muito mais chão!
> Sempre gostei de pegadas na areia!
> Obrigada pela leitura!

> Maria José de Menezes
Ela a cigana não tem culpa ,no fundo eu mesmo pedi para ser aliviado do peso do pecúlio(rss).Estava passando na Boca quando fui abordado por uma senhora -de umas eras atrás-,ela abriu sorriso dourado,os cinco dentes dela eram de alguns quilates,na testa sulcada um círculo pintado de vermelho ,como uma indiana.Ela a principio pediu se poderia ler a minha mão-não com essas palavras,ela floreou e pediu ajuda de cinco reais.Eu não tinha troco para os vinte,lamuriei dizendo que era eu o próprio sentido da pauperização,precisava para passar a semana e choro chovendo,ela guardou o dinheiro dentro da blusa e leu a palma da mão no mesmo script de séculos ,que ela interpretou muito bem.Gostei  acabei por fazer um trabalho de campo.Valeu mais do que o vintão.


Wilson Roberto Nogueira. 14/02/07
horizonte rubro
entre a terra e o firmamento
uma gaivota grasna


Andréa Motta

o senhor descerá as escadas



o senhor
descerá as escadas
aos saltos
para o sol imenso inseto
que beija
                 a flor da carne
e a navegação das árvores

escandirá o alfabeto
                  do milho
como se jantar
           fosse um naufrágio
ou a queda vertical
de um edifício
de 25 vértebras

o senhor verá
           o apocalipse
         no dia-a-dia
acordará em praias
de pólvora
após suicídios
de 12 horas       

verá o operário
crucificado na madeira
             de um andaime
e o som do aspirador de pó
                               na sala
será teu último fôlego

o senhor verá
           o êxtase
         no dia-a-dia

criará a trova
de não cantar
       e o que se arroja
ao fogo, à luz
                 e ao pânico

o terremoto subcutâneo
o exaustor do jasmineiro
                em cada célula
e cavidade dos dentes
em cada nervação
                    das asas

sua régua de ponto
medirá imensos
seu surto de cólera
o tirará da terra
    um deslocamento de ar
        em seu peito
relva e usina
de produzir
                aves                

e quando enfim dormir
antigo
             como um réptil

o senhor sonhará
um incêndio
em suas pálpebras

   Rodrigo Madeira

Eu não bebo Coca-Cola


I

Ninguém enforcará Bush, e no fundo, ainda bem. Mais forcas e condenações, na altura desse campeonato, soam como maior retrocesso. O máximo que pode acontecer é ele terminar com mal de parkinson, alzheimer, ou naturalmente senil (sem tremedeiras e/ou esquecimentos, apenas senil; velhinho, capenga com o olhar perdido), fazendo um mea culpa sobre sua péssima jornada terrena. E junto com ele, tantos outros, e quem verdadeiramente os comanda. Mas também pode terminar com um tiro na nuca ou na fronte, afinal, nunca se sabe como "a grande gerência" faz para se desfazer de seus equívocos.

II

No entanto, num vídeo (link abaixo) da BBC, os algozes de SH aparecem encapuzados. Ora, tá certo que a ONU sequer aprovou a invasão no Iraque, mas como entidade ou país algum se levantou contra a monstruosidade cometida contra o monstro, me pareceu oficial sua execução. E se foi de caráter oficial, gostaria de saber o porquê dos capuzes? Algum deles teme ser reconhecido nas ruas? Eles, por algum acaso, fizeram algo errado? (...)

III

Também gostaria de saber porque não mostraram o momento do enforcamento... Aquela coisa toda das pernas tremerem até o pescoço do sujeito se dar conta que não tem mais jeito, mesmo, e a alma desistir de se debater. Isso é um perigo para as mentes mais férteis. Sei lá, mas pode aparecer gente pensando que SH talvez não tenha morrido, mas entrado num acordo de se fingir de morto no chão, passar o reveillon na Suécia, mudar de cara, e fazer papel de agente duplo ou triplo, doravante, para futuros terrores sob encomenda, como é do feitio das nações do primeiro mundo, que não querem perder seus primeiros postos.

VI

Ok, deixemos as mentes férteis de lado. Só acho que... sei lá... mas por favor, que não me falem mais em Natal, nem citem as palavras do Sublime Peregrino, porque a maioria sequer as entendeu. A hipocrisia é nosso dialeto, enquanto nação global, e heróis são aqueles que contornam suavemente as situações, de forma paliativa, até que surja realmente alguém disposto a colocá-las em verdadeiras práticas. Em momento algum da história, se tem notícia do Oriente Médio atacando verdadeiramente o Ocidente e suas esquisitices. E isso, deveras, me preocupa. Vai chegar o dia em que se apanhará por não se beber Coca-Cola.



Mas há quem beba:

 Ricardo a Pozzo

CAMBRAIA E TRANSPARÊNCIAS



Andréa Motta

Vistosas em sua transparência
vestimentas de cambraia
são sensíveis às intempéries
do tempo

Perdem o brilho natural.
Rotas, amarelas, por vezes,
assemelham-se aos homens...

Tornam-se ásperas.
por águas e lavagens,
perdem do olhar a candura

Não há cerzimento
que devolva-lhes a maciez
perdida do uso ao descaso.



domingo, 4 de dezembro de 2016

a augusta tradição
a terra desolada de Elliot
o jogo de dados de Mallarmé
a tabacaria de Fernando Pessoa
o barco bêbado de Rimbaud
as flores do mal de Baudelaire
o corvo de Allan Poe
as elegias de Rilke
os poemas de amor de Neruda
a vida severina de João Cabral
o poema sujo de Ferreira Gullar
a Pasárgada de Manuel Bandeira
os sonetos de Camões
as folhas na relva de Whitman
o navio negreiro de Castro Alves
a pedra no caminho de Drummond
os tigres e punhais de Borges
me atravessam como um silêncio


[assis freitas]

Palavra em voo

Escrevi isso depois de ler Ferreira Gullar anos atrás. Já era um dos grandes para mim e participou ativamente de minha formação cultural. A ele, para que saiba...

Palavra em voo

(para Ferreira Gullar, 1995)

Encanta-me a dor da pane
Pássaro abatido
Que não mais levanta
Esfrega-se na pedra
Com a coceira infinita
De não pertencer mais
Aos céus
Rezo em seu nome
A reza fresca de um Deus
Distante
E bato meus braços
Que escrevem
Em vez De voar
Liberdade, liberdade
Meu céu é a poesia

José.Mattos Neto

Belen. Pará
Onde andarás
nesta tarde vazia
Tão clara e sem fim
Enquanto o mar bate azul em Ipanema
Em que bar, em que cinema te esqueces de mim
Enquanto o mar bate azul em Ipanema
Em que bar, em que cinema te esqueces...
Eu sei, meu endereço apagaste do teu coração
A cigarra do apartamento
O chão de cimento existem em vão
Não serve pra nada a escada, o elevador
Já não serve pra nada a janela
A cortina amarela, perdi meu amor
E é por isso que eu saio pra rua
Sem saber pra quê
Na esperança talvez de que o acaso
Por mero descaso me leve a você
Na esperança talvez de que o acaso
Por mero descaso
Me leve... eu sei

Ferreira Gullar

sábado, 3 de dezembro de 2016

Os cemitérios
onde moram meus sonhos
volta e meia ainda
assombram minha razão
com utopias as quais ,
ao invés de libertar
fazem acorrentar.

Sonhando o mesmo sonho
se constrói uma certeza?
Os sonhos não são feitos só de beleza
o que não escondem suas vísceras?
Todo sonho que acorda da vertigem
espatifasse em pesadelos multifaces
de  ísmos rapaces.

A fortaleza eterna e etérea
e fantasma da utopia revolucionária.
Lá onde o certo é duvidoso
e o cetro do centro não é o
mercado onde as pessoas
não são escravas  zumbis da angústia do consumo

Blá blá blá não tenho tempo para pensar no amanhã
se não tenho o hoje
que me fora surrupiado por um piá na praça para pagar o aluguel da alienação.

Wilson Roberto Nogueira


A  vida  escorre em gotas preciosas diante da sede dos  sonhos em meio a escuridão
raios rasgam os céus das bocas com maldições cegas enquanto a  escuridão  a vela
precipícios  .Embriagados passos flertam com a morte da razão.
Na miragem da planície sem sol 
delira a esperança .


Wilson Roberto Nogueira

O quadro nórdico do Cristo



Se o maior hebreu de todos o Nosso Cristo foi apresentado como nórdico e não como um palestino (brincadeira) ,judeu da Samaria ou da Galiléia muito parecidos com  aqueles que os cristãos vinham assassinando em 8 "abençoadas " cruzadas. O nosso cristo com sua expressão seria a mesma nos quadros lembrando aos de batina que a cristandade assassinou, estuprou e pilhou em nome de Deus. E eles não defendiam nenhum califado do EI.Eram filhos de um hebreu cuja Verdade foi manchada de sangue.


Wilson Roberto Nogueira
de tudo, meu bem, me lembro:
não chegaram, por ainda
os licores de dezembro.
do teu amor me padeço.
me faltam agora, viu?
na minha paixão infinda
os teus licores de abril.
de nada, meu bem, me esqueço."

RR
todas as vezes que procurei a vida
meu prumo bateu no escasso."

RR
eu, palhaço
nada me embaça:
pus fogo no circo
e dancei na fumaça."

RR
Um outro ajuste é possível
de tudo, meu bem, me lembro:
não chegaram, por ainda
os licores de dezembro.
do teu amor me padeço.
me faltam agora, viu?
na minha paixão infinda
os teus licores de abril.
de nada, meu bem, me esqueço."

RR

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Não se iluda não
que eu te fascino
pra te ter
depois te engulo
e te cuspo
porque não quero mal
pro meu corpo
viro bicho
boca vermelha
olhos negros
eu quero tudo
que me faça mais forte
felina
ferina
fera
se digo que sou tua
é pra fazer pose
não sou moça
não tenho postura
sou vaidosa
eu não sumo
eu somo
me lanço
avanço
em ti
provoco
em mim
uma revolução
pra depois contar história
ter as marcas e os gostos
os sotaques e os trijeitos
pra ser várias
até achar uma
que me convença


MELINA FLYNN, poeta japonesa, nasceu em Myioshi, Japão, mas passou a maior parte de sua vida no Brasil. É atriz, escritora e tradutora. Explica o escrever como o expectorar. Não escreve para que se entenda e sim para que se sinta. Publicou o livro Amores Brutos (2011). MELINA FLYNN está na 84ª postagem da série AS MULHERES POETAS...Se quiser ler mais, clique no link http://www.rubensjardim.com/blog.php?idb=49066

Pássaros Ruins #16 - Bárbara Lia (Temporada 2)


A produção é da processo multiartes e cazazul produções com curadoria de
Ricardo Pozzo.Texto de Rodrigo Madeira




ANTES QUE SEJA TARDE


Se não fosse tão covarde acho que o mundo seria um lugar melhor pra viver.
Não que o mundo dependa de uma só pessoa pra ser melhor, mas se o medo não fosse constante ajudaria as milhares de pessoas que agem pelo mundo como centelhas tentando criar uma labareda que incendiasse de entusiasmo a humanidade.
Mas o que vejo refletido no espelho é um homem abatido diante das atrocidades que afetam as pessoas menos favorecidas.
Porque se tivesse coragem não aceitaria as crianças passarem fome, frio e abandono nas calçadas, essas que parecem fantasmas e nos assustam nos semáforos com armas na mão. Nos pedem esmolas amontoadas em escolas que não ensinam, e por mais que elas chorem, somos imunes a essas lágrimas.
Você acha que se realmente tivesse coragem aceitaria uma pessoa subjugar a outra apenas pela cor da sua pele?
Do seu cabelo? Um poema é quase nada disso tudo.
Sou um covarde diante da violência contra a mulher, da violência do homem contra o homem que só no Brasil são 50000 deles arrancados à bala do nosso pacífico país.
O que dizer da violência contra os homossexuais e mendigos que são apedrejados nas calçadas das avenidas elegantes?
E se tivesse mais fé na minha humanidade de maneira alguma aceitaria que um Deus fosse melhor que o outro, sou tão covarde que nem religião tenho, e minhas mãos que não rezam, já que estão abertas, poderiam ajudar a construir um templo onde caberiam todas elas, mas eu que não tenho fé nem em mim mesmo sou incapaz de produzir esse milagre... de repartir o pão.
E porque os índios estão tão longe da minha aldeia e suas flechas não atingem meus olhos nem meu coração, não me importo que lhes tirem suas terras, sua alma, seus rios... E analfabeto de solidariedade não sei ler sinais de fumaça, eles fazendo guerra eu fumando o cachimbo da paz. Se tivesse um nome indígena seria “cachorro medroso”.
Se fosse o tal ser humano forte que alardeio por aí, não concordaria em aceitar famílias inteiras sem onde morar, vagando em busca de terra, ou morando em barracos de madeiras indignas pendurados nos morros, ou na beira de córregos.
Não nasci na favela, mas meu coração é de madeira, fraco.
A lei condena um homem comum que rouba outro homem comum e o enterra na masmorra moderna, mas nada faz contra aquele político corrupto que rouba milhares de pessoas apenas com uma caneta, ou duas, e que de quatro em quatro anos a gente aperta-lhes a mão, quando na verdade devíamos cuspir-lhes na cara.
E eu como um juiz sem martelo não faço nada além de condená-lo ao meu não voto. É pouco, já que sei onde eles se entocam.
A lei é cega, mas acho que lhe fizeram transplante de órgãos numa dessas votações secretas.
Assisto a falência da educação e o massacre contra os professores e sei que muitas vezes o resultado de ensino de qualidade mínima é presídio de segurança máxima.
Fico em silêncio quando a multidão desinformada pede redução da maioridade penal, porém, mal ela sabe que se não educarmos nossas crianças vão ter que prendê-las com 16 anos, depois 14, depois 12, até que não tenhamos mais crianças nas ruas.
E elas, as ruas, serão tão seguras que a gente vai sentir falta das crianças. Época em que os brinquedos serão visitados nos museus.
Estão cortando as árvores e aceito a cara-de-pau dos donos das serras elétricas e sei que o machado está nas minhas mãos. Depois fico abraçando o lago poluído quando na verdade deveria estar mergulhado nele, assim como os peixes mortos.
Pagos os meus impostos e sei que eles não fazem nada com eles, ainda assim faço propaganda da minha consciência tranquila. Desconfio que é essa tal “consciência tranqüila” que está acabando com o mundo.
Calado assisto a falsa democracia deste país ilegal, sem alvará de funcionamento e sem licença pra ser pátria, e me emociono com o hino nacional cantado antes do jogo da seleção na copa do mundo.
Perdoe-me por apenas ser poeta, e ter apenas poemas como arma, ainda que ninguém me diga, sei que isso é muito pouco, quase nada.
O sangue que pulsa na veia tinha que estar nos olhos.
O Mundo gosta das pessoas neutras, mas só respeita as que tem atitude.
Se não posso mudar o mundo deveria a mudar a mim mesmo.
Acho que é isso que vou fazer agora.
Antes que seja tarde.

SERGIO VAZ

*do livro #floresdealvenaria Global Editora


Azul semblante

sombria subjetividade, novo exercício das letras. Afetado por Apolo em termos de culto à razão: Caminho do meio, sem altos ou baixos, sem escassez sem excesso, aos moldes gregos de racionalidade e culto aos deuses. 

A referência
Ciência tal qual é
No pé
Fantasmas sobre muros

No escuro dos quiasmas
Plasmas de conjugações
Em mãos, sons
Varas de família
Virilhas
E dicotomias vazias
Naquelas guerras vazias
Pelos vazios e frios
Filhos da arritmia

Não
Haveria
Um só olhar

Uma só lógica
A contemplar

Buscariam no poema
Seus espelhos
Para os quebrar
Ou pinturas
Para sua crítica
E dos seus sem par

Eruditas formas abrigam
Almas sujas
Recebem em suas piscinas
Verões ilustrados
Pela luz
Da seleção natural

Um deus anuncia
O sangue a jorrar
Pelo alto das montanhas
Metafóricas

Pelos narizes
Das cabeças mais felizes
Portos
Fés
Sons

Moedas, enfim

Estômago meu enrijece
Lágrimas não lavam os olhos
Mais

Sofro o câncer fictício
Possível
Da possível morte

Um dia
Pensamentos aos teus ventos
Amor letal
Que me depositou as odes
Capturas de tela a te enlevar
Pelas tecnologias da rima
Benquista auto-estima
Sem tua ojeriza menina

Que não apareceu

Para me sepultar

Peito

Anderson Carlos Maciel

sábado, 26 de novembro de 2016

lavanderia brasil


quanta roupa suja!
mal entro
vem uma lavadeira
lavar mais branco
vem outra
lavar mais rápido
tanta sujeira
gira a máquina
sem parar
e não dá conta
a roupa suja
levam à praça
todos lavam um pouco
mas que mistério!
becas e togas
jamais se lavam
jamais se limpam
e todos lavam
mais um pouquinho
sem remover o sujinho

MK

que me perca


que me perca
dentro de bibliotecas
em labirintos de letras
em lábios indo às tontas
beber fonte grotesca
que me perca
no desalinho de linhas
inventando o caminho
como astro sozinho
iluminando a floresta
que me perca
de qualquer orientação
de sentido e de razão
sem violenta emoção
atirando em toda seta
que me perca
de tua palavra correta
zanzando como pião
da multidão de caretas
saboreando este pão

MK
tenho tanta dificuldade em conversar com as pessoas. em geral ficou ouvindo, ouvindo. os temas sobre os quais todos podemos falar, mesmo não sendo especialistas, política, futebol, o clima, programas de tevê´, alimentação, a tecnologia, estes que falamos com o porteiro, o motorista de táxi, o dono do boteco, os vizinhos, as pessoas que acabamos de conhecer em reunião social ou casa de amigos. embora estas conversas facilitem sobreviver no dia-a-dia, é o que Clarice chama de "comunicação muda": quando duas pessoas estão juntas, e apesar de falarem, só comunicam silenciosamente uma à outra o sentimento de solidão. ser humano é ser precário, é precisar do outro. tantas vezes fiquei frustrada com outra pessoa com a qual não conseguia conversar, e pensei que era por causa da incapacidade de me comunicar de maneira eficiente. mas não. há os que erguem muros falando sem parar e não comunicando nada. querem muito sair da fortaleza, mas não conseguem.

MK
É bom vir aqui, contar o que eu faço. Mas melhor é ler. Quando conto o que faço, o mar se agita. Quando leio, se acalma. Falar sobre si é fazer barulho por medo de ficar só. Os grandes poemas induzem ao silêncio.

MK
"Outro fenômeno a este adjacente é a moralização dos procedimentos judiciais. As decisões judiciais e as peças do Ministério Público estão cada vez mais impregnadas de juízos de valor. Como que não mais bastasse ser inocente. É preciso ser bom."
Lembro o protagonista de Albert Camus, em "O estrangeiro": Ele é condenado por não ter chorado no dia em que a mãe morreu, e não por ter matado uma pessoa.

MK
André Giusti

Poema de meu novo livro, Os Filmes em que Morremos de Amor, pela Editora Patuá. 

*
Os frequentadores do restaurante natural
vestem camisetas de Marley Gandhi Luther King e Mandela.
Usam cabelo rasta
ferrinhos no nariz no beiço acima do olho
acendem incensos
e outras coisas
que fazem fumaça também
pra libertar a essência cósmica
interior transcendente de não sei onde
(eles não explicam muito bem).
Praticam taishi
meditação
terapias do além
seguem o guru malabarashibalabadoooom
e gritam que matar boi é crueldade
animalidade bestialidade
inferioridade espiritual.
Os frequentadores do restaurante natural
vão às passeatas
pedir pelo aborto
o amor entre iguais
o fim da corrupção
e ao fórum social
pela igualdade entre os povos.
Mas se a mulher pobre nordestina negra
aparece com criança no colo
catarro descendo
eczema à vista
cabelo ensebado
vendendo pano de prato
(um é três dois é cinco
ou intera a minha passagem, moço?)
olham pra ela de soslaio,
discretamente nauseados
procuram em volta o gerente:
"nesse mundo liberal escroto
nem se pode mais comer
sossegado um quiche

de alho poró e tomate seco".

UM ENTERRO E OUTROS CARNAVAIS


Milton Hatoum

RECORDEI OUTROS CARNAVAIS quando fui ao enterro de d. Faride, mãe do meu amigo Osman Nasser. Quando eu tinha uns catorze ou quinze anos de idade, Osman beirava os trinta e era uma figura lendária na pacata Manaus dos anos 1960.
Pacata? Nem tanto. A cidade não era esse polvo cujos tentáculos rasgam a floresta e atravessam o rio Negro, mas sempre foi um porto cosmopolita, lugar de esplendor e decadência cíclicos, por onde passam aventureiros de todas as latitudes do Brasil e do mundo.
No fim daquela tarde triste — sol ralo filtrado por nuvens densas e escuras —, me lembrei dos bailes carnavalescos nos clubes e dos blocos de rua. Antes do primeiro grito de Carnaval, a folia começava na tarde em que centenas de pessoas iam recepcionar a Camélia no aeroporto de Ponta Pelada, onde a multidão cantava a marchinha Ô jardineira, por que estás tão triste, mas o que foi que te aconteceu? e depois a caravana acompanhava a Camélia gigantesca até o Olympico Clube. Não sei se era permitido usar lança-perfume, mas a bisnaga de vidro transparente refrescava as noites carnavalescas, o éter se misturava ao suor dos corpos e ao sereno da madrugada.
Não éramos espectadores de desfiles de escolas de samba carioca; aliás, nem havia TV em Manaus: o Carnaval significava quatro dias maldormidos com suas noites em claro, entre as praças e os clubes. A Segunda-Feira Gorda, no Atlético Rio Negro Clube, era o auge da folia que terminava no Mercado Municipal Adolpho Lisboa, onde víamos ou acreditávamos ver peixes graúdos fantasiados e peixeiros mascarados. Havia também sereias roucas de tanto cantar, odaliscas quase nuas e descabeladas, princesas destronadas, foliões com roupa esfarrapada, mendigos que ganhavam um prato de mingau de banana ou jaraqui frito. Os foliões mais bêbados mergulhavam no rio Ne­gro para mitigar a ressaca, outros discutiam com urubus na praia ou procuravam a namorada extraviada em algum momento do baile, quando ninguém era de ninguém e o Carnaval, um mistério alucinante. Quantos homens choravam na praia, homens solitários e tristes, com o rosto manchado de confetes e o coração seco...
“Grande é o Senhor Deus”, cantam parentes e amigos no enterro, enquanto eu me lembro da noite natalina em que d. Faride distribuía presentes para convidados e penetras que iam festejar o Natal na casa dos Nasser.
Ali está a árvore coberta de pacotes coloridos; na sala, a mesa cresce com a chegada de acepipes, as luzes do pátio iluminam a fonte de pedra, cercada de crianças. O velho Nasser, sentado na cadeira de balanço, fuma um charuto com a pose de um perfeito patriarca. Ouço a voz de Oum Kalsoum no disco de 78 RPM, ouço uma gritaria alegre, vejo as nove irmãs de Osman dançar para o pai; depois elas lhe oferecem tâmaras e pistaches que tinham viajado do outro lado da Terra para aquele pequeno e difuso Oriente no centro de Manaus.
Agora as mulheres cantam loas ao Senhor, rezam o Pai-Nos­so e eu desvio o olhar das mangueiras quietas que sombreiam o chão, mangueiras centenárias, as poucas que restaram na cidade. Parece que só os mortos têm direito à sombra, os vivos de Manaus penam sob o sol. Olho para o alto do mausoléu e vejo a estrela e lua crescente de metal, símbolos do islã: religião do velho Nasser. É um dos mausoléus muçulmanos no cemitério São João Batista, mas a mãe que desce ao fundo da terra era católica.
Reconheço rostos de amigos, foliões de outros tempos, e ali, entre dois túmulos, ajoelhado e de cabeça baixa, vejo o vendedor de frutas que, na minha juventude, carregava um pomar na cabeça.
A cantoria cessa na quietude do crepúsculo, e a vida, quando se olha para trás e para longe, parece um sonho. Abraço meu amigo órfão, que me cochicha um ditado árabe:
Uma mãe vale um mundo.
Daqui a pouco será Carnaval…
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[do livro "Um solitário à espreita", Companhia de Bolso]

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

ditado cigano:

Jorge Barbosa Filho

quando um cigano canta
o outro dança
ou bate palmas.
mas se juntos
fazemos isto
tudo é música,
tudo é harmonia...


MUNDO PEQUENO


No afã de impor o que pensamos,
Sem ao menos sabermos
Ouvir o semelhante,
Não percebemos o quão
Podemos ser intrigantes.
Mas falhos, somos algozes...
Ainda a tempo de aprendemos
Que o amor e a amizade
Têm mais valor que o
O clamor de diferentes vozes.
No grito advindo da emoção,
O respeito se apequena
E apaga do rito, a luz,
Que transcende a razão.
Saber ouvir é uma dádiva divina
Quiçá um dia alcançamos
Esta tão esperada sabedoria
Onde são apenas detalhes
Que tornam o que nos parece...
Tão grandioso,
Em coisa tão pequenina!

Rita Delamari

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Moisés António

Nenhum pecado é impune, assim como ninguém é impecável. Por mais santo que se seja, ainda que alguém se arrependa depois de tantos erros, e se converta sempre pagará.
Moisés era um santo Profeta de Deus, pecou e Deus irou-se, o levou.
Paulo era Assassino, arrependeu-se e trabalhou muito para Cristo e Deus, mas para estar totalmente limpo de seus pecados, Deus permitiu a sua morte à espada pelas mãos dos romanos.
Elias matou 4 profetas de Baal, depois de ser arrebatado nos céus por um carro de fogo, voltou como João Batista, para preparar o caminho do Senhor. Daí foi degolado...
Então

Cuidado com o que fazes daquilo que não é seu!

Pagar um preço para a vida?


Já comecei pagando desde o dia em que eu nasci! Nada é de graça nessa vida tudo tem um preço que as vezes com dinheiro não se compra ou paga! Deus é justo né? Sempre foi
Enquanto houver preconceito sobre a cor da pele,
O Preto e branco serão os meus favoritos,
Se for pra escolher um deles,
Eu não escolherei nenhum...
Sou neutro
Do negro ou do branco só preciso da "Generosidade, amor abnegado, simplicidade acima de tudo...
O ser humilde é excepcional...mediante a humildade, eis aí a sua grandeza!
Não me interessa sua consciência se é negra ou branca,
Só busco a irmandade "sem consciência negra nem branca", onde um culpa o outro, e outro acaba odiando a cor do outro sem motivos!
A questão do preconceito, racismo, indiferença...pela cor, só existe por esses motivos: OU A PESSOA TEM INVEJA DA SUA COR QUER SEJA ELA BRANCA OU NEGRA, (porque até entre os negros existem esses defeitos) Ou uma autêntica idiotice de mentalidade altamente turva, de quem pensa e age assim! Tais caracteres não encontram albergue no meu coração nem atravessam a minha consciência!
Por nada nem ninguém, sou inferior nem superior simplesmente me sinto digno como qualquer um!
EU, SOU EU MESMO NÃO TENHO IGUAL...."SOU UM SER ÚNICO"!
Meu pensar,
Meu agir,
Minha consciência
Minha filosofia...
só são mesmo meus!

Moisés António

LIMA BARRETO


Escritor engajado, ativista
sofreu o preconceito racial, social.
Era pobre, negro e rebelde.
Sua trajetória de vida foi sofrida.
Genial, de uma criatividade inimaginável.
Criticou os poderosos e enalteceu os oprimidos,
os marginalizados.A voz dos que não tiveram vez...
Seu mundo ficcional criticava a mazela dos poderosos.
Seu nome se destaca como precursor do Modernismo.
Tinha os olhos voltados para a condição humana dos marginalizados...oprimidos...sofridos...
Sempre será lembrado pela sua genialidade,,,
Incompreendido...Estava à frente de seu tempo.
A intolerância era a sua força motriz!

Iracema Alvarenga