terça-feira, 22 de dezembro de 2009
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Cropopoesia
por que é o mesmo o pudor de escrever e defecar?
(joão cabral de melo neto)
quem gosta de poesia “visceral”,
ou seja, porca, preguiçosa, lerda,
que vá ao fundo e seja literal,
pedindo ao poeta, em vez de poemas, merda.
(antonio cicero)
o ânus é sempre o terror e eu não aceito que alguém perca um pedaço de excremento sem dilacerar-se por estar perdendo também a alma.
(antonin artaud)
para glauco mattoso.
Quero escrever
um poema
a partir da incontinência
de escrever
o poema
(triunfante
como uma cagada),
da imundície
de escrever
o poema.
mais que ruim,
poema fétido:
minha camisa aberta,
a peixaria das axilas,
a alegria gratuita
e irresponsável
de escrever
meu nome
nas coisas,
inda que sujando,
com uma fuzilaria
de engulhos.
que, se jogado fora,
não faça falta no
curso geral do dia
nem, de desimportante,
pese em algum
sistema de erros.
mas sobrevenha
num esquema de porcarias,
misturado a meu mijo
e meus pentelhos.
que feda,
que some aos meus
olhos de esgoto
e flua,
mais que um tietê de bolso,
fluente como diarreia.
(o idioma
da merda, seu fedor,
é direto como um murro,
mais sincero e universal
que o olor das flores.)
que este poema
não aperte os olhos
de um míope,
ou levante os óculos
na testa do comentarista.
que, a contrapelo,
lhes entorte a pose,
a um só tempo
com náuseas
e dores de barriga.
que não seja uma canção,
de tão irregular,
nem, de tão pastoso,
geométrico.
sórdido, cínico, laxativo,
mas infinitamente sincero,
que seja
pegajoso como esterco novo,
sob o assédio do sol
e dos vermes.
quero escrever
um poema
a partir da necessidade
fisiológica
de escrever
o poema.
ele será péssimo, mas
terá serventia,
mesmo infensa:
poema pelo prazer
de jogá-lo fora
(e emporcalhar a cidade)
em limpa consciência.
ou a poesia que há
em não dar descarga,
em não lavar as mãos,
digno do imundo
banheiro público.
poema infecto,
câncer de língua,
lixo literário,
febre do amoníaco,
vala aberta na página,
que vou querer
(menos que não quero) suprimir
do livro,
da memória,
da história
de meu corpo.
mas que, antes,
será motivo de vanglória,
quando o mostrar
ao amigo
como quem exibe no vaso
o design inusitado
da própria bosta.
(quem lhe negará ser
húmus possível
da boa poesia,
perfumosa como o milho?
a stink of beauty
is a joy forever.)
poema abjeto,
que cause urticária
nos querubins,
ânsias de vômito
nas musas,
inesquecível de ruim,
pior
que um gole
de água sanitária.
o menos que se diga,
em flatos barulhentos
(como quem afina
um trompete),
é que é ruim, ruim
de dar nojo, de dar gosto,
entre babas de diarremia,
à liquidez da anemia,
escrito na língua
da impureza,
pra que ninguém
o entenda
senão como um nauseante
e pedestre
acerto.
ou vaso a céu aberto,
coprolatria,
muito além de poema:
a latrina feita templo,
guirlandada com
papel higiênico,
sob anjos feios como urubus.
deus (como todo deus, de dentro)
será um fedor insistente,
será filho de meu cu.
e quando eu excretar
esta obra-crime
(agora mesmo),
aureolado de moscas,
me vaie como quem
me eleva,
que eu sairei andando
com a naturalidade
de quem caga e anda,
de quem assina com a tinta
de sua própria merda.
Rodrigo Madeira
po&Teias
(joão cabral de melo neto)
quem gosta de poesia “visceral”,
ou seja, porca, preguiçosa, lerda,
que vá ao fundo e seja literal,
pedindo ao poeta, em vez de poemas, merda.
(antonio cicero)
o ânus é sempre o terror e eu não aceito que alguém perca um pedaço de excremento sem dilacerar-se por estar perdendo também a alma.
(antonin artaud)
para glauco mattoso.
Quero escrever
um poema
a partir da incontinência
de escrever
o poema
(triunfante
como uma cagada),
da imundície
de escrever
o poema.
mais que ruim,
poema fétido:
minha camisa aberta,
a peixaria das axilas,
a alegria gratuita
e irresponsável
de escrever
meu nome
nas coisas,
inda que sujando,
com uma fuzilaria
de engulhos.
que, se jogado fora,
não faça falta no
curso geral do dia
nem, de desimportante,
pese em algum
sistema de erros.
mas sobrevenha
num esquema de porcarias,
misturado a meu mijo
e meus pentelhos.
que feda,
que some aos meus
olhos de esgoto
e flua,
mais que um tietê de bolso,
fluente como diarreia.
(o idioma
da merda, seu fedor,
é direto como um murro,
mais sincero e universal
que o olor das flores.)
que este poema
não aperte os olhos
de um míope,
ou levante os óculos
na testa do comentarista.
que, a contrapelo,
lhes entorte a pose,
a um só tempo
com náuseas
e dores de barriga.
que não seja uma canção,
de tão irregular,
nem, de tão pastoso,
geométrico.
sórdido, cínico, laxativo,
mas infinitamente sincero,
que seja
pegajoso como esterco novo,
sob o assédio do sol
e dos vermes.
quero escrever
um poema
a partir da necessidade
fisiológica
de escrever
o poema.
ele será péssimo, mas
terá serventia,
mesmo infensa:
poema pelo prazer
de jogá-lo fora
(e emporcalhar a cidade)
em limpa consciência.
ou a poesia que há
em não dar descarga,
em não lavar as mãos,
digno do imundo
banheiro público.
poema infecto,
câncer de língua,
lixo literário,
febre do amoníaco,
vala aberta na página,
que vou querer
(menos que não quero) suprimir
do livro,
da memória,
da história
de meu corpo.
mas que, antes,
será motivo de vanglória,
quando o mostrar
ao amigo
como quem exibe no vaso
o design inusitado
da própria bosta.
(quem lhe negará ser
húmus possível
da boa poesia,
perfumosa como o milho?
a stink of beauty
is a joy forever.)
poema abjeto,
que cause urticária
nos querubins,
ânsias de vômito
nas musas,
inesquecível de ruim,
pior
que um gole
de água sanitária.
o menos que se diga,
em flatos barulhentos
(como quem afina
um trompete),
é que é ruim, ruim
de dar nojo, de dar gosto,
entre babas de diarremia,
à liquidez da anemia,
escrito na língua
da impureza,
pra que ninguém
o entenda
senão como um nauseante
e pedestre
acerto.
ou vaso a céu aberto,
coprolatria,
muito além de poema:
a latrina feita templo,
guirlandada com
papel higiênico,
sob anjos feios como urubus.
deus (como todo deus, de dentro)
será um fedor insistente,
será filho de meu cu.
e quando eu excretar
esta obra-crime
(agora mesmo),
aureolado de moscas,
me vaie como quem
me eleva,
que eu sairei andando
com a naturalidade
de quem caga e anda,
de quem assina com a tinta
de sua própria merda.
Rodrigo Madeira
po&Teias
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domingo, 20 de dezembro de 2009
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Estação do samba
para Marko Andrade
procuro melodia no Estácio
sigo o compasso do ócio no cio
caço o amor pelo laço
nessa cidade um abraço
o meu amor pelo Rio
a noite abro a janela
do outro lado a Portela
azul e branco é meu véu
manto sagrado dos deuses
sambistas que moram no céu
quando amanhece é favela
meu coração passarela
se abre nova estação
seja Portela ou Mangueira
Osvaldo Cruz Madureira
o samba se faz comunhão
Estação do samba
Artur Gomes
http://courocrucarneviva.blogspot.com
procuro melodia no Estácio
sigo o compasso do ócio no cio
caço o amor pelo laço
nessa cidade um abraço
o meu amor pelo Rio
a noite abro a janela
do outro lado a Portela
azul e branco é meu véu
manto sagrado dos deuses
sambistas que moram no céu
quando amanhece é favela
meu coração passarela
se abre nova estação
seja Portela ou Mangueira
Osvaldo Cruz Madureira
o samba se faz comunhão
Estação do samba
Artur Gomes
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sábado, 19 de dezembro de 2009
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NÃO É VERDADE!
Não é verdade que eu viva no mundo da lua!
E ainda que vez por outra eu ande por lá,
é só de vez em quando, rapidinho volto pra cá.
A maior parte do tempo, eu vivo mesmo, é entre escombros,
sentimentos em carne viva, palavras destrambelhadas,
lembranças empoeiradas, pequenos e nostálgicos objetos,
frases que tenham vocação para versos,
livros espalhados pra todo o lado e cd´s, muitos cd´s!
Gasto um tempo danado fuçando, tentando perceber coisas
que ninguém mais consegue ver.
Gosto também de ficar construindo castelos de areia,
perco um bom tempo nisso,
até que chegue a maré cheia e desmanche meu prazer.
Tem dias que cismo de andar pela cidade,
dobro esquinas, exploro ruas, becos, praças, pessoas,
recantos onde a quietude se estabeleceu por completo,
e fico planando até a inquietude que eu tenho
dizer que já é hora de me recolher.
Outro dia passei a tarde toda mastigando um poema,
e ele tinha um sabor diferente:
lembrava um pouco as amoras que pela vida afora eu colhi.
Gosto de passar minhas horas mastigando palavras,
até ter delas seus significados,
não aqueles que todo mundo vê, mas aqueles outros,
que precisamos saber perceber.
Portanto, não é verdade que eu seja um poeta!
E ainda que vez por outra eu cometa um poema,
sou só alguém que vive de tentar perceber.
NALDOVELHO
E ainda que vez por outra eu ande por lá,
é só de vez em quando, rapidinho volto pra cá.
A maior parte do tempo, eu vivo mesmo, é entre escombros,
sentimentos em carne viva, palavras destrambelhadas,
lembranças empoeiradas, pequenos e nostálgicos objetos,
frases que tenham vocação para versos,
livros espalhados pra todo o lado e cd´s, muitos cd´s!
Gasto um tempo danado fuçando, tentando perceber coisas
que ninguém mais consegue ver.
Gosto também de ficar construindo castelos de areia,
perco um bom tempo nisso,
até que chegue a maré cheia e desmanche meu prazer.
Tem dias que cismo de andar pela cidade,
dobro esquinas, exploro ruas, becos, praças, pessoas,
recantos onde a quietude se estabeleceu por completo,
e fico planando até a inquietude que eu tenho
dizer que já é hora de me recolher.
Outro dia passei a tarde toda mastigando um poema,
e ele tinha um sabor diferente:
lembrava um pouco as amoras que pela vida afora eu colhi.
Gosto de passar minhas horas mastigando palavras,
até ter delas seus significados,
não aqueles que todo mundo vê, mas aqueles outros,
que precisamos saber perceber.
Portanto, não é verdade que eu seja um poeta!
E ainda que vez por outra eu cometa um poema,
sou só alguém que vive de tentar perceber.
NALDOVELHO
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
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ROTA DO DESASSOSSEGO
Rota do desassossego,
caminho trilhado em segredo
por ruas estreitas, esquinas desertas,
por noites chuvosas, esperas, insônia.
Na busca de um sonho,
uma janela que teime
em permanecer entreaberta,
um lugar onde eu possa sorrir.
Rota do desassossego,
por passagens camufladas,
estranhas, sombrias...
Num bar chamado desterro
um garçom atende nervoso,
não pergunta se eu quero beber,
vai servindo a mais pura aguardente.
Não pergunta se eu quero comer,
entrega a conta antes que eu possa fugir.
Rota do desassossego:
a loucura, o vazio, o desejo,
e no fundo do bar um bolero,
um sussurro, um quero não quero,
um sorriso amarelo e indecente,
e o veneno escorrendo dos lábios,
uma porta, o perfume, um atalho,
um lugar onde eu possa mentir.
Rota do desassossego,
amanhecer de maio, é outono,
inquietude, incerteza e abandono.
Pago a conta e saio às pressas,
chorando a dor que em mim é confessa,
dor de escolhas ainda latentes,
brotam em versos pesados, dispersos.
Vou pra casa e tento dormir.
NALDOVELHO
caminho trilhado em segredo
por ruas estreitas, esquinas desertas,
por noites chuvosas, esperas, insônia.
Na busca de um sonho,
uma janela que teime
em permanecer entreaberta,
um lugar onde eu possa sorrir.
Rota do desassossego,
por passagens camufladas,
estranhas, sombrias...
Num bar chamado desterro
um garçom atende nervoso,
não pergunta se eu quero beber,
vai servindo a mais pura aguardente.
Não pergunta se eu quero comer,
entrega a conta antes que eu possa fugir.
Rota do desassossego:
a loucura, o vazio, o desejo,
e no fundo do bar um bolero,
um sussurro, um quero não quero,
um sorriso amarelo e indecente,
e o veneno escorrendo dos lábios,
uma porta, o perfume, um atalho,
um lugar onde eu possa mentir.
Rota do desassossego,
amanhecer de maio, é outono,
inquietude, incerteza e abandono.
Pago a conta e saio às pressas,
chorando a dor que em mim é confessa,
dor de escolhas ainda latentes,
brotam em versos pesados, dispersos.
Vou pra casa e tento dormir.
NALDOVELHO
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
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O SENTIDO DOS MEUS VERSOS
Quando aprendi a escrever versos,
comecei a fazê-los em silêncio,
imperceptíveis se olhados por fora,
claros se percebidos por dentro.
Aprendi a falar sobre o tempo
do amor que trago em meus olhos,
e por mais que me olhassem por horas,
nunca perceberam-me o intento.
Quando me vi no umbigo em clausura,
comecei a olhar os de fora
e vi que a dor que se sente
não é entre nós diferente.
Aprendi a falar sobre o engano,
como quem fatia o corpo em postas,
e que a vida é feita de perdas,
que ensinam a abrir novas portas.
Quando recebi alvará de soltura,
fiz do verso a amplitude da loucura,
viajei por enredos estranhos,
todos eles em desalinho.
Aprendi que anjos são eternos,
e que a colheita se faz nos caminhos,
sementes de poesia em versos
que alguém por aqui nos deixou.
Quando resolvi ser poeta,
sabia da solidão a que me impunha,
quis ser anjo, ser sonho, ser terno,
semente a ser colhida ao seu tempo.
Aprendi que o sentido do verso,
é ser parte da existência, no alicerce,
ainda que nem saibam o meu nome,
e as minhas palavras se percam depois.
NALDOVELHO
comecei a fazê-los em silêncio,
imperceptíveis se olhados por fora,
claros se percebidos por dentro.
Aprendi a falar sobre o tempo
do amor que trago em meus olhos,
e por mais que me olhassem por horas,
nunca perceberam-me o intento.
Quando me vi no umbigo em clausura,
comecei a olhar os de fora
e vi que a dor que se sente
não é entre nós diferente.
Aprendi a falar sobre o engano,
como quem fatia o corpo em postas,
e que a vida é feita de perdas,
que ensinam a abrir novas portas.
Quando recebi alvará de soltura,
fiz do verso a amplitude da loucura,
viajei por enredos estranhos,
todos eles em desalinho.
Aprendi que anjos são eternos,
e que a colheita se faz nos caminhos,
sementes de poesia em versos
que alguém por aqui nos deixou.
Quando resolvi ser poeta,
sabia da solidão a que me impunha,
quis ser anjo, ser sonho, ser terno,
semente a ser colhida ao seu tempo.
Aprendi que o sentido do verso,
é ser parte da existência, no alicerce,
ainda que nem saibam o meu nome,
e as minhas palavras se percam depois.
NALDOVELHO
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PENÚLTIMA CASA A DIREITA
Casa branca, assobradada,
muro de pedras, gradeado,
penúltima casa, segundo quarteirão,
lado direito, sentido de quem desce.
Na janela, meninas bonitas sorriem pra mim.
Águas, riachos, quintais, frutas tenras,
manga rosa carnuda e gostosa,
jambo, sapoti, peitos,
algumas pêras, fartos melões!
Colos encharcados, coxas quentes,
cerejas presas entre as dentes,
morangos molhados entre as pernas,
suor, pele, e um tipo de orvalho,
aquele cheiro, cabelos, pêlos, fiapos, que diacho!
Fiquei todo lambuzado, baba de moça e caqui.
Amanheço sem alarde, meio bêbado, meio louco...
O poeta gosta de se atolar até o pescoço!
Ou então, de ser seduzido por canto doído de sereia,
de sentir presas cravadas em suas veias
e unhas lascadas, espetadas em suas costas.
Mania de tecer teias, alimento de aranha.
O poeta gosta de areia movediça.
Na esquina, encruzilhada, bar aberto,
manhã cedo, café bem quente, chega de aguardente!
Casa ao lado, muro de pedras, gradeado,
já não correm águas de um riacho,
e as meninas dormem um sono justo,
cadeado no portão, cães ferozes de vigília.
Rua das Professorinhas, número cinqüenta e quatro,
penúltima casa, à direita, ao lado do Bar Solidão.
NALDOVELHO
muro de pedras, gradeado,
penúltima casa, segundo quarteirão,
lado direito, sentido de quem desce.
Na janela, meninas bonitas sorriem pra mim.
Águas, riachos, quintais, frutas tenras,
manga rosa carnuda e gostosa,
jambo, sapoti, peitos,
algumas pêras, fartos melões!
Colos encharcados, coxas quentes,
cerejas presas entre as dentes,
morangos molhados entre as pernas,
suor, pele, e um tipo de orvalho,
aquele cheiro, cabelos, pêlos, fiapos, que diacho!
Fiquei todo lambuzado, baba de moça e caqui.
Amanheço sem alarde, meio bêbado, meio louco...
O poeta gosta de se atolar até o pescoço!
Ou então, de ser seduzido por canto doído de sereia,
de sentir presas cravadas em suas veias
e unhas lascadas, espetadas em suas costas.
Mania de tecer teias, alimento de aranha.
O poeta gosta de areia movediça.
Na esquina, encruzilhada, bar aberto,
manhã cedo, café bem quente, chega de aguardente!
Casa ao lado, muro de pedras, gradeado,
já não correm águas de um riacho,
e as meninas dormem um sono justo,
cadeado no portão, cães ferozes de vigília.
Rua das Professorinhas, número cinqüenta e quatro,
penúltima casa, à direita, ao lado do Bar Solidão.
NALDOVELHO
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LONGE DE VOCÊ
Longe de você
todos os dias serão nublados,
as manhãs cinzentas,
as tardes sonolentas
e as noites chuvosas
com madrugadas barulhentas
que é para não se conciliar
a insônia com o sono,
e ao amanhecer com olheiras
ficar patente o abandono
que o poeta costuma viver.
Longe de você a fumaça do cigarro
se mistura com a poluição do ambiente
e o pulmão reclama doente
por conta de um respirar afrontado
e do bater de um coração acelerado
que só faz viver desanimado
por não querer mais sofrer.
Longe de você
todo o amanhã será passado
e passará assim tão calado
que não dará a perceber
aquilo que eu tinha pra viver.
Longe de você
o que como não saboreio,
o que bebo se faz amargo,
e o que cheiro, rejeito enjoado,
e me dá um fastio danado,
coisas de um apaixonado,
desses que dá dó de se ver.
Longe de você
o violão se cala desafinado,
a poesia perde o encanto e a magia
do novo, do surreal, do inusitado
e o que se vê é só lamento, é solidão,
é desentranhamento,
de viver tentando um remédio,
uma vacina, um antídoto
para o tédio de viver sem você.
Longe de você
já não quero saber de outra dança,
se alguém convida, eu recuso!
Digo que estou cansado,
peço licença e saio apressado,
volto para o meu quarto tão frio,
e deito, assim solitário,
pedindo a Deus para parar de doer.
NALDOVELHO
todos os dias serão nublados,
as manhãs cinzentas,
as tardes sonolentas
e as noites chuvosas
com madrugadas barulhentas
que é para não se conciliar
a insônia com o sono,
e ao amanhecer com olheiras
ficar patente o abandono
que o poeta costuma viver.
Longe de você a fumaça do cigarro
se mistura com a poluição do ambiente
e o pulmão reclama doente
por conta de um respirar afrontado
e do bater de um coração acelerado
que só faz viver desanimado
por não querer mais sofrer.
Longe de você
todo o amanhã será passado
e passará assim tão calado
que não dará a perceber
aquilo que eu tinha pra viver.
Longe de você
o que como não saboreio,
o que bebo se faz amargo,
e o que cheiro, rejeito enjoado,
e me dá um fastio danado,
coisas de um apaixonado,
desses que dá dó de se ver.
Longe de você
o violão se cala desafinado,
a poesia perde o encanto e a magia
do novo, do surreal, do inusitado
e o que se vê é só lamento, é solidão,
é desentranhamento,
de viver tentando um remédio,
uma vacina, um antídoto
para o tédio de viver sem você.
Longe de você
já não quero saber de outra dança,
se alguém convida, eu recuso!
Digo que estou cansado,
peço licença e saio apressado,
volto para o meu quarto tão frio,
e deito, assim solitário,
pedindo a Deus para parar de doer.
NALDOVELHO
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009
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De Esquina
1. o travesti
meu amor, ouça!
a vida é um pai
de cinco metros
que tentou me
banir de mim,
que me deu banho
de arruda e socos
e esconjurou.
tem que ser macho
pra abrir o armário
em busca de
seus sutiãs.
tem que ser fêmea
pra entrar nos carros
2. o traficante
cada semana
um tênis novo,
novo relógio,
novo boné.
não fala, mas
vive cercado
por seus apóstolos,
um nimbo de
fumaça suja
sobre a cabeça.
quando morrer
(sempre amanhã)
reviverá
inda mais jovem.
Rodrigo Madeira
Po&Teias
meu amor, ouça!
a vida é um pai
de cinco metros
que tentou me
banir de mim,
que me deu banho
de arruda e socos
e esconjurou.
tem que ser macho
pra abrir o armário
em busca de
seus sutiãs.
tem que ser fêmea
pra entrar nos carros
2. o traficante
cada semana
um tênis novo,
novo relógio,
novo boné.
não fala, mas
vive cercado
por seus apóstolos,
um nimbo de
fumaça suja
sobre a cabeça.
quando morrer
(sempre amanhã)
reviverá
inda mais jovem.
Rodrigo Madeira
Po&Teias
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Poligamia.
Vai e vem de estesias.
Esfera de dores prejudicadas como holofotes
que se embasam em canções dos gemidos.
Sente-se o espasmo e volta a solidão.
Não consegui entender nada.
Parece que suas conclusões são abstrações da falácia.
Juntam as crazes com desejos de ser e outras judicações.
Seus sermões como auto-flagelo da ajuda.
Muda tua conduta é um tanto "in'condo [?]" anagramas de palavras.
Safra de martírios da palavra para vocês e para ele.
Sou psicanalista evitando o ridículo pré-programado.
Meu amor não é pra ser velado, tampouco embasado em baixo erotismo.
Meu amor é mais que o tempo e o momento é a companhia nas horas agonizantes.
Antes fosse qual o intento que dantes.
Semblante
De ter teus os meus argumentos.
Vá adiante.
Não reconheço o mérito, não adjuco a desfaçatez.
Vocação para a solidão enredar-se em significações de beira de estrada.
Na noite rodando bolsinha qual o populacho que espera
A somatização da retórica e da verborragia,
contra a orgia com a natureza.
Princeza do espetáculo da grandeza,
caminha como cereja no seu ser
de percevejo:
_Odeio todos e não te vejo.
Como senhor dos holofotes benfazejos me liberte,
Me dê um beijo e me liberte em escândalo da moral.
Antecipo teus idos como coisa natural na natureza flutuante
do costume sossobrante de escapar ao assédio, ao ataque, ao estupro.
Canções eternas de amor por aqui, como ninar o ente amado,
Em retardo do entendimento no julgar estético que portento.
No vento meus cuidados em apologia do momento natureza dupla.
Céu e inferno. Apogeu e carne. Teu olhar de superioridade
para os meus já superiores desse mal apaziguados.
Seremos como pai e filho quando clichê se fizer idílio.
Seremos amantes quando a natureza abortar o transplantes.
Seremos amigos quando deixarmos o autocentrismo em diamante.
Ser tal qual holofote de prazer nas horas instantes.
Reconheço que agoniza em dores apaixonadas.
Em relação à própria vida. Transferência projetada.
Pai e filho, sendo eu o culpado.
Não sou médico, sou amigo, a praia, a natureza intocada.
O café, a moda, os costumes, as ciências.
Transferência entrecortada em sedimentação do afeto.
Sentir o teto do sonhos somatizar a liberdade.
Pra dizer a verdade não tenho sentimento.
Sou todo razão. Me segure pela mão.
Me leve adiante,
Ao seu aposento.
Me ensine a gramática do teu pensamento.
Existiremos como senhores da filia calida,
como vôo do beija flor nossa dor transportada.
De flor em flor.
Dessa maneira não sentimos nada.
Anderson Carlos Maciel
Esfera de dores prejudicadas como holofotes
que se embasam em canções dos gemidos.
Sente-se o espasmo e volta a solidão.
Não consegui entender nada.
Parece que suas conclusões são abstrações da falácia.
Juntam as crazes com desejos de ser e outras judicações.
Seus sermões como auto-flagelo da ajuda.
Muda tua conduta é um tanto "in'condo [?]" anagramas de palavras.
Safra de martírios da palavra para vocês e para ele.
Sou psicanalista evitando o ridículo pré-programado.
Meu amor não é pra ser velado, tampouco embasado em baixo erotismo.
Meu amor é mais que o tempo e o momento é a companhia nas horas agonizantes.
Antes fosse qual o intento que dantes.
Semblante
De ter teus os meus argumentos.
Vá adiante.
Não reconheço o mérito, não adjuco a desfaçatez.
Vocação para a solidão enredar-se em significações de beira de estrada.
Na noite rodando bolsinha qual o populacho que espera
A somatização da retórica e da verborragia,
contra a orgia com a natureza.
Princeza do espetáculo da grandeza,
caminha como cereja no seu ser
de percevejo:
_Odeio todos e não te vejo.
Como senhor dos holofotes benfazejos me liberte,
Me dê um beijo e me liberte em escândalo da moral.
Antecipo teus idos como coisa natural na natureza flutuante
do costume sossobrante de escapar ao assédio, ao ataque, ao estupro.
Canções eternas de amor por aqui, como ninar o ente amado,
Em retardo do entendimento no julgar estético que portento.
No vento meus cuidados em apologia do momento natureza dupla.
Céu e inferno. Apogeu e carne. Teu olhar de superioridade
para os meus já superiores desse mal apaziguados.
Seremos como pai e filho quando clichê se fizer idílio.
Seremos amantes quando a natureza abortar o transplantes.
Seremos amigos quando deixarmos o autocentrismo em diamante.
Ser tal qual holofote de prazer nas horas instantes.
Reconheço que agoniza em dores apaixonadas.
Em relação à própria vida. Transferência projetada.
Pai e filho, sendo eu o culpado.
Não sou médico, sou amigo, a praia, a natureza intocada.
O café, a moda, os costumes, as ciências.
Transferência entrecortada em sedimentação do afeto.
Sentir o teto do sonhos somatizar a liberdade.
Pra dizer a verdade não tenho sentimento.
Sou todo razão. Me segure pela mão.
Me leve adiante,
Ao seu aposento.
Me ensine a gramática do teu pensamento.
Existiremos como senhores da filia calida,
como vôo do beija flor nossa dor transportada.
De flor em flor.
Dessa maneira não sentimos nada.
Anderson Carlos Maciel
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domingo, 13 de dezembro de 2009
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Viver e Sonhar
Vivo intensamente cada sonho,
Vôo na brisa leve que me leva,
Livre nos sonhos,
Meus pensamentos são pássaros,
E canoros os meus desejos.
O Sol toca meu corpo,
Assim como a chuva,
Mas, permaneço aberto,
Nada me sela, nem um beijo.
No oceano de amor, navego,
Espero o amanhã,
Como..., mais um sonho,
Não para recomeçar, porém...,
Para continuar...,
Olinto Simões
http://www.prazerliterario.blogspot.com
Vôo na brisa leve que me leva,
Livre nos sonhos,
Meus pensamentos são pássaros,
E canoros os meus desejos.
O Sol toca meu corpo,
Assim como a chuva,
Mas, permaneço aberto,
Nada me sela, nem um beijo.
No oceano de amor, navego,
Espero o amanhã,
Como..., mais um sonho,
Não para recomeçar, porém...,
Para continuar...,
Olinto Simões
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Eu Posso !
Desdobro-me do corpo prisão,
E invisível e transparente não matéria,
Me transporto.
Chego até você,
E justamente...,
Pela imaterialidade a envolvo.
Somatizo o abraço dado,
O sabor dos doces beijos,
O aroma dos feromônios,
E faço ungir sua pele em mel.
Eu posso com certeza,
Chegar até você,
E assim me sentir...,
Como se nas estrelas.
O resto..., é sonho,
O futuro é sonho,
Mas aqui ou aí,
In corpore..., ou não,
Contudo sempre no presente,
Eu posso!
Olinto Simões
http://www.prazerliterario.blogspot.com
E invisível e transparente não matéria,
Me transporto.
Chego até você,
E justamente...,
Pela imaterialidade a envolvo.
Somatizo o abraço dado,
O sabor dos doces beijos,
O aroma dos feromônios,
E faço ungir sua pele em mel.
Eu posso com certeza,
Chegar até você,
E assim me sentir...,
Como se nas estrelas.
O resto..., é sonho,
O futuro é sonho,
Mas aqui ou aí,
In corpore..., ou não,
Contudo sempre no presente,
Eu posso!
Olinto Simões
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DE TODAS AS OBRAS
De todas as obras humanas,
as que mais amo são as que foram usadas:
os recipientes de cobre
com as bordas achatadas e com mossas;
os garfos e facas
cujos cabos de madeira foram gastos por muitas mãos.
Tais formas são para mim as mais nobres.
Assim também as lajes,
polidas por muitos pés,
e entre as quais crescem tufos de grama.
Estas são obras felizes,
admitidas no hábito de muitos.
Com frequência mudadas,
aperfeiçoam seu formato e tornam-se valiosas,
porque delas tantos se valeram.
Mesmo as esculturas quebradas,
com suas mãos decepadas,
me são queridas.
Também elas são vivas para mim.
Deixaram-nas cair,
mas foram carregadas.
Embora acidentadas,
jamais estiveram altas demais.
As construções quase em ruína
têm de novo a aparência de incompletas.
Planejadas generosamente,
suas belas proporções
já podem ser adivinhadas.
Ainda necessitam, porém,
de nossa compreensão.
Por outro lado, elas já serviram,
sim, já foram superadas.
Tudo isso me contenta.
Bertold Brecht
Tradução: Paulo Cesar Lima de Souza
revista viva cidades
as que mais amo são as que foram usadas:
os recipientes de cobre
com as bordas achatadas e com mossas;
os garfos e facas
cujos cabos de madeira foram gastos por muitas mãos.
Tais formas são para mim as mais nobres.
Assim também as lajes,
polidas por muitos pés,
e entre as quais crescem tufos de grama.
Estas são obras felizes,
admitidas no hábito de muitos.
Com frequência mudadas,
aperfeiçoam seu formato e tornam-se valiosas,
porque delas tantos se valeram.
Mesmo as esculturas quebradas,
com suas mãos decepadas,
me são queridas.
Também elas são vivas para mim.
Deixaram-nas cair,
mas foram carregadas.
Embora acidentadas,
jamais estiveram altas demais.
As construções quase em ruína
têm de novo a aparência de incompletas.
Planejadas generosamente,
suas belas proporções
já podem ser adivinhadas.
Ainda necessitam, porém,
de nossa compreensão.
Por outro lado, elas já serviram,
sim, já foram superadas.
Tudo isso me contenta.
Bertold Brecht
Tradução: Paulo Cesar Lima de Souza
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IN A SILENT WAY
para Miles Davis.
Folhas soltas
idéias-folhas
poucas
nessa sala
a fumaça
vaza
embaça
a vidraça
dessa quase manhã
um silêncio
se instala
na casa vazia
na varanda
só a mais solta
idéia de vazio
(concha onde
pérola alguma
se esconde)
ao invés
dias e dias se passam
sem nenhuma
mais completa
idéia de vazio:
um sol pousa
desliza, rebrilha
em cada folha
Rodrigo Garcia Lopes
revista viver cidades
Folhas soltas
idéias-folhas
poucas
nessa sala
a fumaça
vaza
embaça
a vidraça
dessa quase manhã
um silêncio
se instala
na casa vazia
na varanda
só a mais solta
idéia de vazio
(concha onde
pérola alguma
se esconde)
ao invés
dias e dias se passam
sem nenhuma
mais completa
idéia de vazio:
um sol pousa
desliza, rebrilha
em cada folha
Rodrigo Garcia Lopes
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ZONAS SOMBRIAS DA CIDADE
Lâmina afiada separa em pedaços
partes corrompidas expondo feridas
em crianças desnutridas, sorrisos indigentes,
de triste olhar, carentes,
gente excluída, sociedade infanticida,
zonas sombrias da cidade,
violência à mão armada,
soldados meliantes, fuzil engatilhado,
já não estão mais tão distantes.
Um tiro, uma rajada, e as pessoas na calada
escondem-se assustadas, não querem nem saber.
A fome, a dor, o grito, um corpo na calçada,
um menino, uma criança, escolheu a via errada,
a morte tem seu nome gravado em sua espada.
As minhas mãos suadas, o meu olhar cansado
em busca de um remédio, ferida inflamada,
é o nome desta vida que escorre pelo esgoto
da cidade sitiada pelo medo e o desamor.
É só um triste pedaço exposto na calçada,
algumas velas acesas e as pessoas apavoradas...
Não tinha quinze anos, não sabia quase nada!
É o preço que se paga por tanta omissão.
É o preço que se paga por se olhar os excluídos
como se não fossem nossos irmãos.
NALDOVELHO
partes corrompidas expondo feridas
em crianças desnutridas, sorrisos indigentes,
de triste olhar, carentes,
gente excluída, sociedade infanticida,
zonas sombrias da cidade,
violência à mão armada,
soldados meliantes, fuzil engatilhado,
já não estão mais tão distantes.
Um tiro, uma rajada, e as pessoas na calada
escondem-se assustadas, não querem nem saber.
A fome, a dor, o grito, um corpo na calçada,
um menino, uma criança, escolheu a via errada,
a morte tem seu nome gravado em sua espada.
As minhas mãos suadas, o meu olhar cansado
em busca de um remédio, ferida inflamada,
é o nome desta vida que escorre pelo esgoto
da cidade sitiada pelo medo e o desamor.
É só um triste pedaço exposto na calçada,
algumas velas acesas e as pessoas apavoradas...
Não tinha quinze anos, não sabia quase nada!
É o preço que se paga por tanta omissão.
É o preço que se paga por se olhar os excluídos
como se não fossem nossos irmãos.
NALDOVELHO
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
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Eternidade
Essa é
a sina
do infinito:
calar a dor
de um calado
grito.
Julio Almada
Em um Mapa Sem Cachorros
a sina
do infinito:
calar a dor
de um calado
grito.
Julio Almada
Em um Mapa Sem Cachorros
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Informes Aedos
OLAM EIN SOF (SP) EM CURITIBA COM O VIOLINISTA COLOMBIANO PABLO VILLEGAS, FUNDADOR DO GRUPO LA MONTAÑA GRIS
Mais uma apresentação de música celta. SIIIIIIMMMMM maaaais uma... e haverão mais e mais e mais, porém para isso acontecer contamos com a presença de todos nestes eventos dos dias 19 e 20 de Dezembro.
Banda de abertura: Vevila Veldicca (Curitiba)
Dia: 19
Horário: 17:00h R$10,00
Local: Centro Cultural Solar do Barão. Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533 - Centro - Curitiba, PR. Tel: (41) 3322-1525 (41) 3322-1525 e 3321-3367
Dia: 20
Horário: 18:00h R$07,00
Local: Café Parangolé. Rua Benjamin Constant, 400 (próximo a Reitoria da UFPR) - Curitiba, PR. Tel: (41) 3092-1171 (41) 3092-1171
Mais informações em nossa comunidade:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?rl=cpp&cmm=96599899
Se puderem repassar a informação será melhor ainda. ^^
Abraços!
Medieval
Mais uma apresentação de música celta. SIIIIIIMMMMM maaaais uma... e haverão mais e mais e mais, porém para isso acontecer contamos com a presença de todos nestes eventos dos dias 19 e 20 de Dezembro.
Banda de abertura: Vevila Veldicca (Curitiba)
Dia: 19
Horário: 17:00h R$10,00
Local: Centro Cultural Solar do Barão. Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533 - Centro - Curitiba, PR. Tel: (41) 3322-1525 (41) 3322-1525 e 3321-3367
Dia: 20
Horário: 18:00h R$07,00
Local: Café Parangolé. Rua Benjamin Constant, 400 (próximo a Reitoria da UFPR) - Curitiba, PR. Tel: (41) 3092-1171 (41) 3092-1171
Mais informações em nossa comunidade:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?rl=cpp&cmm=96599899
Se puderem repassar a informação será melhor ainda. ^^
Abraços!
Medieval
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
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Nada novo, de novo
"...os belos serão os bélicos
elmos no lugar de cérebros..."
Homem de Ferro; Marcos Prado
A tensa ordem da primeira fila
no front abarrotado
de almas esfaceladas
ao primeiro toque
da trombeta
Ausência de sono,
ausência de fome;
cão que ladra morre
Aguarda-se o segundo toque
a qualquer momento,
os tiros já foram de festim
É erro a insistência da coragem
desprovida de medo.
Averiguar a equipagem
mesmo sabendo que ela
nada garante.
O segundo toque! Avante!
Ricardo Pozzo
po&teias
elmos no lugar de cérebros..."
Homem de Ferro; Marcos Prado
A tensa ordem da primeira fila
no front abarrotado
de almas esfaceladas
ao primeiro toque
da trombeta
Ausência de sono,
ausência de fome;
cão que ladra morre
Aguarda-se o segundo toque
a qualquer momento,
os tiros já foram de festim
É erro a insistência da coragem
desprovida de medo.
Averiguar a equipagem
mesmo sabendo que ela
nada garante.
O segundo toque! Avante!
Ricardo Pozzo
po&teias
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
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photo by ludek b
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Uma Concha
parto um osso
de pomba
e ao levá-lo ao ouvido
posso ouvir
o alarido
da praça
Rodrigo Madeira
po&teias
de pomba
e ao levá-lo ao ouvido
posso ouvir
o alarido
da praça
Rodrigo Madeira
po&teias
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rodrigo madeira
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domingo, 6 de dezembro de 2009
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photo by marcin plonka
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Rima
Ida partida sentida erguida
memória querida garrida da "Cida".
particípia incípia caprígia parábola
alitera de "era" que era sin-cera.
Teus esconderijos são rijos como cinjo
teus destinos com frígio atino. Menino
pra dentro teu pé já fala que era leitura.
Usura da palavra nas paredes da memória.
Inglória a culpa que fala para multidões.
Sermões da montanha significam.
Estamos todos mais que intelectuais:
Somos sensuais de beira de estrada.
Triste morada apalpada em seio seco.
Em becos de estética pós-moderna,
teus filhos esperam por lágrimas de redenção.
Não hão de se fartar, orar, na igreja.
Se veja sobeja cereja qual teu sonho
doce de ser cantado em versos
ou "cantada" em prosa.
A rosa dos nossos ventos.
Teus conselhos sobraram em ensinamentos,
que são deuses das palavras.
Ao contrário não funcionava.
Nem fucionaria, no solo edificara
ara escala de notas frias.
Teus desígneos ígneos de saber
aestesia mimética dos trópicos.
Fotópticos como referência que não se fazia.
Há tua pessoa vazia como a bacia do tempo.
Empoçando dores que não sentia rima vazia
Pra ser nobre rima pobre na seara rima rara.
Não há quem não tenha a "tara" no teu
discernimento.
Anderson Carlos Maciel
memória querida garrida da "Cida".
particípia incípia caprígia parábola
alitera de "era" que era sin-cera.
Teus esconderijos são rijos como cinjo
teus destinos com frígio atino. Menino
pra dentro teu pé já fala que era leitura.
Usura da palavra nas paredes da memória.
Inglória a culpa que fala para multidões.
Sermões da montanha significam.
Estamos todos mais que intelectuais:
Somos sensuais de beira de estrada.
Triste morada apalpada em seio seco.
Em becos de estética pós-moderna,
teus filhos esperam por lágrimas de redenção.
Não hão de se fartar, orar, na igreja.
Se veja sobeja cereja qual teu sonho
doce de ser cantado em versos
ou "cantada" em prosa.
A rosa dos nossos ventos.
Teus conselhos sobraram em ensinamentos,
que são deuses das palavras.
Ao contrário não funcionava.
Nem fucionaria, no solo edificara
ara escala de notas frias.
Teus desígneos ígneos de saber
aestesia mimética dos trópicos.
Fotópticos como referência que não se fazia.
Há tua pessoa vazia como a bacia do tempo.
Empoçando dores que não sentia rima vazia
Pra ser nobre rima pobre na seara rima rara.
Não há quem não tenha a "tara" no teu
discernimento.
Anderson Carlos Maciel
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POEMA QUE VENTA À BERTA
Eu na lenta taberna agüento a menta
Tento o quatro, tonto de aguardente...
E na porta sebenta adentra a Berta
Que incerta se senta PERNABERTA
E pela benta saia DESCOBERTA
O meu olhar aperta, mira e entra.
Altair de oliveira
Tento o quatro, tonto de aguardente...
E na porta sebenta adentra a Berta
Que incerta se senta PERNABERTA
E pela benta saia DESCOBERTA
O meu olhar aperta, mira e entra.
Altair de oliveira
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altair de oliveira
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
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ESQUÁLIDO
.
Há coisas que só acontecem
Porque foram esquecidas
Nos instantes que parecem
Não estar em nossas vidas.
.
São detalhes que a gente
Simplesmente não os via,
Ou de os ver eternamente
Se esqueceu do que sabia.
.
Porém quando tudo passa,
Quando a vida anoitece,
É que então se vê a graça
Numa coisa que acontece,
.
O.T.Velho
Há coisas que só acontecem
Porque foram esquecidas
Nos instantes que parecem
Não estar em nossas vidas.
.
São detalhes que a gente
Simplesmente não os via,
Ou de os ver eternamente
Se esqueceu do que sabia.
.
Porém quando tudo passa,
Quando a vida anoitece,
É que então se vê a graça
Numa coisa que acontece,
.
O.T.Velho
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
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Ainda cabe.
Coloca quem sabe, ainda há espaço
se faço teu braço lá longe, onde
tenho cadarço e a mordaça se desfaz.
Aliás.
Allez Alla hellios olomorfo se porco
gordo no natal, temos tanto que de repente
sobrando gente nos encontremos a sós.
Hoje.
Tentei te encontar xadrez na cor como sempre
então inventei o duplo sentido originário.
Havia soldados no teu ego e refleti a solidão
póstuma. Sempre tenho pedras na mão para aquelas que me antecipa.
Não há o que dizer senão a opacidade. Tua profundidade me é lugar-comum.
Teus sonhos de estrelas me são as noites de angústia libertada em pássaro de cobre.
Descobre se nobre no pobre opere haveres teus desígneos igneos de mártir da causa
do ego, na luta da solidão, como com a mão abarcar o mundo em sonho onírico
de ser mais forte na psicologia orgia rejeitada.
Não temos esperanças, já antecipo, estamos minando as angústias em maquiagens francesas.
Sobre a mesa nosso passado de luzes foscas de deuses blasfemados e cortes ingleses.
Não temos outra relação que não a palavra e significação libertária, cuja "facção criminosa"
sou eu em furtar a liberdade ao direito de viver e existir.
Tua psicologia não é velada, logo tenho um catálogo de ações e reações que desato como
martírio dos dias. Não entendo tua verborragia, não lhe tenho amor.
Tenho-te amor labor da pedra lapidada, desencontrada e incrustada de brilhantes somados
das tardes inventadas de das noites não passadas. Ainda farei o relatório meritório da palavra
dessa safra feijão carmim.
Dentro de mim os poros de saber coagulado, costurado e devolvido em animo de viver.
Não tenho a infelicidade que procuras a não ser dentro de você.
Portanto não me infiras, nem induza, sou todo dedução e prolifero qual nação contra nação
na tua mão olhares de fraqueza suaveza do paladar igualar à nobreza que não compartilhas
tua ilha, devoção e frieza em relação
à teu coração que em ode meritória
carpina com os dentes a tua solidão
toda canção em labor célero remédio
ao tédio de não existir.
Estava justamente tentando mostrar que sou perfeito, portanto não me atrapalhe.
Entalhe sua estátua em outra pedra, pois esta existente são as dores dos meus amantes
enlouquecidos de literatura verborrágica e inteligente portentosa filosófica qual sangue
doente em dores de remédio música que uso em costume e hábito ritual oral da palavra
econômica dos meus.
Hoje ainda quero te ver sorrir, perene dos meus estudos. Foram anos de dedicação
e trabalho para conceber a obra. Inconsciente coletivo refletido nas paredes da memória.
Linguagem imagética estética de formação simbólica eólica tal qual aquilo que não quer
"morrer" em ser significado de um para todos em interpretação única púnica tal qual
a justiça que não se faz na acepção dos trabalhos forjada na publicação das etiquetas.
Na janela espío o Templo de Athena paradigma estético das pérolas aos porcos
que me narraram. Então reescrevo a história com esmero de quem narcisismo é apenas
um mito entre tantos outros da áurea Grécia.
Tua pressa nos leva longe, ao calvário das amizades, que nem começo.
Aproveite que estão todos aqui, do lado de lá estará vazio, então.
Anderson Carlos maciel
Coloca quem sabe, ainda há espaço
se faço teu braço lá longe, onde
tenho cadarço e a mordaça se desfaz.
Aliás.
Allez Alla hellios olomorfo se porco
gordo no natal, temos tanto que de repente
sobrando gente nos encontremos a sós.
Hoje.
Tentei te encontar xadrez na cor como sempre
então inventei o duplo sentido originário.
Havia soldados no teu ego e refleti a solidão
póstuma. Sempre tenho pedras na mão para aquelas que me antecipa.
Não há o que dizer senão a opacidade. Tua profundidade me é lugar-comum.
Teus sonhos de estrelas me são as noites de angústia libertada em pássaro de cobre.
Descobre se nobre no pobre opere haveres teus desígneos igneos de mártir da causa
do ego, na luta da solidão, como com a mão abarcar o mundo em sonho onírico
de ser mais forte na psicologia orgia rejeitada.
Não temos esperanças, já antecipo, estamos minando as angústias em maquiagens francesas.
Sobre a mesa nosso passado de luzes foscas de deuses blasfemados e cortes ingleses.
Não temos outra relação que não a palavra e significação libertária, cuja "facção criminosa"
sou eu em furtar a liberdade ao direito de viver e existir.
Tua psicologia não é velada, logo tenho um catálogo de ações e reações que desato como
martírio dos dias. Não entendo tua verborragia, não lhe tenho amor.
Tenho-te amor labor da pedra lapidada, desencontrada e incrustada de brilhantes somados
das tardes inventadas de das noites não passadas. Ainda farei o relatório meritório da palavra
dessa safra feijão carmim.
Dentro de mim os poros de saber coagulado, costurado e devolvido em animo de viver.
Não tenho a infelicidade que procuras a não ser dentro de você.
Portanto não me infiras, nem induza, sou todo dedução e prolifero qual nação contra nação
na tua mão olhares de fraqueza suaveza do paladar igualar à nobreza que não compartilhas
tua ilha, devoção e frieza em relação
à teu coração que em ode meritória
carpina com os dentes a tua solidão
toda canção em labor célero remédio
ao tédio de não existir.
Estava justamente tentando mostrar que sou perfeito, portanto não me atrapalhe.
Entalhe sua estátua em outra pedra, pois esta existente são as dores dos meus amantes
enlouquecidos de literatura verborrágica e inteligente portentosa filosófica qual sangue
doente em dores de remédio música que uso em costume e hábito ritual oral da palavra
econômica dos meus.
Hoje ainda quero te ver sorrir, perene dos meus estudos. Foram anos de dedicação
e trabalho para conceber a obra. Inconsciente coletivo refletido nas paredes da memória.
Linguagem imagética estética de formação simbólica eólica tal qual aquilo que não quer
"morrer" em ser significado de um para todos em interpretação única púnica tal qual
a justiça que não se faz na acepção dos trabalhos forjada na publicação das etiquetas.
Na janela espío o Templo de Athena paradigma estético das pérolas aos porcos
que me narraram. Então reescrevo a história com esmero de quem narcisismo é apenas
um mito entre tantos outros da áurea Grécia.
Tua pressa nos leva longe, ao calvário das amizades, que nem começo.
Aproveite que estão todos aqui, do lado de lá estará vazio, então.
Anderson Carlos maciel
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
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Informes Aedos
Curumin em "Japan Pop Show"
DIA 04-12- SEXTA!
Abertura com Real Coletivo Dub
Local: Jonh Bull Music Hall!
Rua Engenheiro Rebouças, 1645
Info: 3026-5050!
www.myspace.com/curumin
http://www.youtube.com/watch?v=iv5jwvCTo48
Curitiba-Paraná
Bina Zanetti
DIA 04-12- SEXTA!
Abertura com Real Coletivo Dub
Local: Jonh Bull Music Hall!
Rua Engenheiro Rebouças, 1645
Info: 3026-5050!
www.myspace.com/curumin
http://www.youtube.com/watch?v=iv5jwvCTo48
Curitiba-Paraná
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