segunda-feira, 29 de agosto de 2016

...E o barulho, que se pensava ser de chuva caindo sobre o telhado
eram atletas cascudas saltitando felizes sob meu colchão.

Wilson Roberto Nogueira.
Na madrugenta solitude inquietaram-se os silêncios . Deitaram mão na face da modorra o risco de uma idéia de manhã,era só uma nuvem perdida velando uma parida arrastando-se  na escora áspera dos muros das mansões carcomidas.
Devorando velhos fantasmas de sonhos de valsas  sandias. Só o tempo sabe quando falecerá a esperança que ora espeta o coração.
Rabugenta insensatez
A solidão inquieta deitou-se na madrugada margeando  as navalhas das sombras , bordejando boates até que as cicatrizes da manhã revelassem  rubras estórias.
Solidão é assassinada quando compartilharam na deteriorada prisão de um quarto de motel.




Wilson Roberto Nogueira

Projeto de romance

Esmagadora sede, aguda urgência de luz por toda a semana.O tempo passou rápido e ríspido, arranhando os nervos esticados, com os estiletes do seu grito. Domingo espatifou em lágrimas. Com ais abissais, buquê obsceno de vísceras, ainda tentou macular a branca face impassível que se faz de insípida e inodora . Cuspir seu veneno sobre a platéia sem economizar uma só gota. Palavras ardentes na ponta dos anzóis. Pensou com lentes de cristal: tudo será mesmo seu contrário? Diabo de vida sufocada sob as sombras da mitologia cretina desses nossos dias.Nunca chamaria a esse lodo existência . a não ser com as narinas entupidas de algodão esperando a melodia das moscas .Térreo .Saiu do elevador em direção à praia. Perseverança com os fragmentos.Uma hora se juntam e nos dão sossego.

Ledusha  Spinardi. Risco no Disco. FSP. 23/05/1999

Aéreo



Nuas asas
Falácia
Acácia
Raça
Poder

Noite adentro
Mar afora
Ao pôr da aurora
Silêncio!

Forma do coração
Para quê?

Algum adversário
Para vencê-lo
Zelo contrário
Ao salário
Que irei ter.

Escrevo
Teclo
Borro

Sempre
Sonho
Desperto

Coberto
Ao sul
Com o poncho
Cor da lua

Se escrita toda tua
Adversário que julga
As minhas pulgas

Sonhemos
Com a dissolução

O confronto
Do ponto
De fusão

Selo
O Elo
Martelo
Foice
Trouxe, neoliberal
Contentamento

Diante da bandeira
Honrar áureo idioma
Não brasileiro
Mas português.

Anderson Carlos Maciel

Competição



Regras
Cegas
Sou

Anarquia
Canibal
Sangue solícito

A beleza imana
A consciência sana
As horas

Sou

Ontem sonoro
Canoro
Adoro
Sopro

Ali
Previsível
Sofrível
Grande outro

Psicanálise
Reconstrução
Das rosas de plástico
Paternais

Nos quintais
De outro poder
Do PT

Gerando descendentes
Férteis
Imaginações livres

Homens que vivem
Mulheres que escolhem
Crianças que se educam

Rios alados...
Sou

Anderson Carlos Maciel

Tom

Tom

Som
Aéreos

Ledo arquivo

Sumo

Cadência
Fluência
Silêncio

Porém

Algo a dizer.


Anderson Carlos Maciel

domingo, 28 de agosto de 2016

Casa


"O importante não é a casa onde moramos.
Mas onde, em nós, a casa mora."
- Mia Couto

Às vezes constroem-se imponentes casas de madeira,
Às vezes impotentes castelos de areia.
Falando em outras épocas:
Não houve regras nem mesmices,
Nem de outros, quaisquer palpites,
Nunca deixei; (fui menino traquinas).
Até hoje em dia quando me apontam o dedo,
Aponto um lápis.
Na puerícia fui um príncipe - fui plebeu,
Fui o princípio das brincadeiras – fui o fim, pois também fui o rei.
Por essa razão ou outra, talvez,
Não existe agora, nesse tempo,
De um insatisfeito, nem um ínfimo resquício.
Vivia o hospício bem-vindo de um artista,
Vivia o “agora” sem a vil bola fora,
Que condiz com qualquer aprendiz.
Na parede da minha casa,
Descascada, carcomida,
Em linhas frenéticas de giz,
Comecei os primários esboços:
Linhas traçadas nas paredes
Do sóbrio Pollock de um metro e trinta.
O piso era velho, de taco,
E no meu quarto o desenho de um tabuleiro de xadrez.
Em frente à casa uma mangueira,
E uma mangueira para regar e tomar meu banho.
Um balanço sobre a roseira e os belos girassóis de Van Gogh...
Mas isso só em sonho.
Fui feliz naquela casa e nas outras que surgiram,
Pus meu toque ao adornar, pus a música e trouxe amigos.
Deixei o pássaro cantar, o verde crescer e o cachorro latir,
Deixei o chinelo sujo de barro na porta
E guardei a lembrança da minha mãe sorrindo.

André Anlub®

Anjos da Leitura


Os bondosos anjos da leitura
Tem asas suaves, leves e macias
Que viram cadernos cheios de ternura
Para que crianças repletas de alegrias
Escrevam histórias sem fim
Junto com rabiscos cintilantes
Tirando tudo o que é ruim
Pois elas são estrelas brilhantes
Que iluminam a torre de marfim
Os anjos da leitura trazem vários tipos de Arte
Dança, Artesanato, Teatro e Música
Pois eles sabem que a sensibilidade faz parte
De uma alma estudiosa, esforçada e lúcida!
Os anjos da leitura sabem que a Arte reduz a violência
Porque atividades lúdicas ocupam qualquer mente
Fazendo crescer no espírito a flor da paciência
Dando esperança e luz a um ser carente.

Luciana do Rocio Mallon

Poema aberto aos senadores do Brasil


... Eles sabem que vão cometer um crime institucional, de lesa-pátria e lesa-povo. Por isso, serão relembrados, enquanto vivos e além da sepultura, como a mais ignóbil lepra da humanidade...

Antes de ser uma lixeira política, ele/a é e será uma nulidade humana, um/a pária social. Aquele/a que votou a condenação duma inocente.
Ele/a será lembrado durante decênios e até séculos, como um/a palhaço da república democrática, uma falha da raça humana do seu país.
Em cada dia da sua vida será acusado pela memória da justiça do povo soberano. E os seus filhos, filhos de filhos, até que a memória se rompa, terão o mesmo tratamento.
Os homens de bem e de justiça montarão um tribunal social para efeitos desse castigo. Não só no seu país e na sua linguagem, mas no universo total onde o homem de razão milite em prol do bem comum e da construção de nações viáveis no que respeita os direitos da democracia.
Nunca recebereis amnistia da parte dos povos do mundo, nunca tereis o beneficio da amnésia desses mesmos povos.
Eu me encarregarei de fazer a minha parte enquanto vivo e com forças de luta, transmitirei aos meus herdeiros e herdeiros de herdeiros, aos meus amigos, farei fóruns para explicitar a vossa vilania, traduzirei e farei traduzir para que outros povos conheçam a vossa vã glória.

É o meu dever, na qualidade de cidadão do mundo


Fernando Oliveira, Paris

Russalki


Vento Oeste sequestrou  as nuvens de pele negra
Que velavam o veloz rio rubro da manhã
Naquelas horas adormecidas .
A colheita continuava com o baile das foices
Transbordam muitas noites  nos olhos secos
Desertos de sonhos só sobrevive uma fresta de luz

Viver é preciso. 

Wilson Roberto Nogueira
Vlademir Tremazul

"2160 horas...."
[...] 5:00. Acordei cedo, para ordenhar as vacas. Depois, juntado todo o leite, pu-lo em garrafas e fui a Maceió, para vendê-lo perto da Feira do Rato. No meu peito, a placa dizendo “Eu estou neste mercado, vendendo leite, mas poderia estar no laboratório, fazendo o meu mestrado. Este é o leite de alta qualidade, aprovado por cientistas de vários países. Leite da vaca da ciência brasileira, que ninguém alimenta, nem cuida dela...Só ordenha”
Isso é a heroica ciência brasileira – vender leite para sobreviver – violando o termo de compromisso do bolsista e o termo de adesão ao Programa de Pós-Graduação – é com infração às regras, mas é o mal menor. [...] Manter a ciência na “vaquinha” é o jeito... Mas não é assim que ela se mantém...Não, senhor!
11:00. Dificilmente consegui vender umas garrafas, ganhando uns quinze reais. Coisa alguma eu consigo vender por certo, porque vender é dom natural, e eu não o tenho! Isso é resultado do comportamento do governo, que transforma a vida do cientista no Brasil em jogo de azar (haja vista o fascículo anterior).
Existe uma canção portorriquenha, chamada “Lamento borincano”, cuja segunda segunda-parte é:
Pasa la mañana entera,
Sin que nadie quiera
Su carga comprar.
Ya todo está desierto,
El pueblo está muerto
De necesidad.
Se oye este lamento por doquier
De mi desdichada Borinquen.
Y triste
El “jibarito” va
Pensando así,
Diciendo así,
Llorando así por el camino –
“¿Qué será de Borinquen, mi Dios querido?
¿Qué será de mis hijos y de mi hogar?
Borinquen,
La tierra del Edén,
La que, al cantar,
El gran Gautier
Llamó la perla de los mares,
Ahora, que tú te mueres con tus pesares,
¡Déjame que te cante yo también!
É exatamente o estado, em que se encontra a ciência brasileira, também muito elogiada por seus resultados, como o Porto Rico por sua beleza, mas, mesmo assim, em xeque.

[...]
Tarde
Se sobrar algo
Depois de Tudo.
Se sobrar modo
Depois do mundo.
Se sobrar!
Falta o que eu digo:
Olhe meu tempo mudo;
Dance meu modo tíbio;
Minta meu verso lírico;
Ame meu rosto ambíguo;
Venha no fim de Tudo
Beijar-me no precipício.


Julio Urrutiaga Almada

A CASA


A CASA
Ela nos expõe a si mesma
Nos esconde do mundo
Se vives numa casa, encolhido dentro dela
A casa são paredes, tijolos, cimento,
São ferros, vidros, fios elétricos
Sem cheiro de terra, sem as nuvens
Nela entra um pássaro e fere-se
Contra a vidraça. A grande gaiola que te protege
De ti mesmo.
Lá fora o mundo, feito de milhares de formas,
Incontáveis seres, mergulhado no voo da beleza
Cresce cada vez mais.

Paulo Bentancur.RS



Quando pulsa meu coração
Repulsa
A pulsação
Quem seria eu
Se dissesse estar de acordo
Com tudo que houvesse
Se espelhado ousasse
Ser o esperado
E opaco
Reluzisse
No fim da tarde
Entre os trastes das vitrines?
Seria a Séria e desenxabida
Forma avessa aos suicidas
Ainda que eu só me matasse
Quando a morte
Me pegasse desavisado

Julio Urrutiaga Almada
Rita Apoena

Não tenho cadernos
tudo o que eu escrevo
escrevo nas paredes do meu quarto.
se é para estar presa:
que seja entre quatro poemas.



CONTRATEMPO

Jandira Zanchi

e continuando com Meio Dia/Sol Poente:

2. CONTRATEMPO

cenários a vácuo
enfileiram- se
maníacos manipulados
mediados
na vazão, quase sinistra,
do vão sustentáculo
- matéria/simbiose/quase osmose
(materialmente vago)
nobre conjunção aleatória
sem predicados e ou quem sabe
vague por esses tempos anulados
de certidões e certificados
circunstâncias fundidas no ferroso
cobre amianto.... da dúvida?
esperança tolerância abundância redundância
caímos por esse fio sem corte afiado
na masmorra virulenta do vernáculo
uma completa ciranda evidente
círculo concêntrico excêntrico
para destituídos de rendas e pompas
anunciarmos nossa nudez
frio fria flagrante
decência de códigos e fibras
espectadores ou atores
são externas as malhas
melífluas ou indiferentes
acidentalmente convenientes
gotas derramam-se no lago, pretensioso,
desse poente/nascente (conjugam-se valores
e validades esculpidas em ondas violáceas
invadindo e ligando os fios cosmonautas
do espaço- contratempo).


Rita Apoena

Procuro uma câmera
que fotografe o iminente,
e a memória revele de uma vez
essas imagens,
pendurando-as na linha do tempo,
para secar.


Quem viveu, ainda que num pedacinho da ditadura, não tem dormido cedo. Em 1983, fui detido na Praça da Sé por vadiagem, estava com uma mochila nas costas , lendo poesias. O livro não lembro, mas nunca esqueci o carro Veraneio da Chevrolet, era desconfortável. Minto, o livro era de contos, Fernando Sabino! JD

As Filhas de Manuela

Bom dia!

Fragmentos do meu romance "As Filhas de  Manuela", que divido com vocês, fragmentos deste livro que - espero - chegue até as  mãos dos leitores .
Abraços

Bárbara Lia

depois da sinopse, link para o site mallarmargens...

Século XIX, a Revolução Farroupilha fervilha e obriga a Coroa a enviar soldados para o sul. Um homem da Armada Nacional, em passagem por Paranaguá, conhece uma garota e o amor dos dois vai desencadear eventos dramáticos. Uma epopeia feminina que gira em torno de uma maldição que passará de mãe para filha, em uma cadeia inusitada onde o laço de sangue não é o essencial. Onde o essencial é a herança da alma. As descendentes de Manuela são protagonistas desta saga e cada qual desvela sua personalidade, com leveza e graça e o estranhamento de trazer uma sombra da cor do sangue. Ambientado de 1839 aos dias atuais, com cenários que vão de Paranaguá ao Rio de Janeiro, passando por Paris e por Arraial D’Ajuda, um mosaico de vidas que insistiram nesta tal felicidade, sem pieguice ou fantasias, e em amores distanciados dos contos da carochinha. Um enredo quase surreal – Realismo Mágico - onde um homem amaldiçoa uma mulher e toda a sua descendência, com ódio tão extremo e com o desejo de que todas sofram tanto que até suas sombras sangrem. É a narrativa de como elas lidaram com esta absurda herança.



A Importância do Domínio da Língua Portuguesa no Trabalho e no Amor


Apesar da grande evolução da Tecnologia, o domínio da Língua Portuguesa continua importante no trabalho e no amor.
Muitas empresas além de analisarem os currículos dos candidatos, também pedem para que eles elaborem uma Redação e passem por provas de Gramática e Interpretação de Texto.
Trabalhei durante muito tempo no comércio e como eu era formada em Letras, toda a vez que um candidato a emprego escrevia uma Redação, a gerência pedia para que eu corrigisse este teste. Com certeza, pessoas com erros berrantes de Português não ficavam com as vagas.
Além da vida profissional, saber dominar a língua materna corretamente é muito importante na hora de conquistar alguém que tenha o mínimo de escolaridade. Como sou solteira, costumo navegar em grupos e sites de namoro. Um dia, um rapaz escreveu o seguinte:
“ – Quero mulher “CINSERA” .                  
Logo, eu respondi:
- Moço, a palavra “CINSERA” está com a grafia errada. Pois o correto é “sincera” com a letra “s” no começo.
O problema é que o rapaz se ofendeu e me deu uma resposta malcriada. Isto é sinal de que além de escrever errado, ele não aguenta quem diz a verdade. Isto é sinal de que este homem, realmente, não quer uma mulher sincera.
Atualmente, existem cursos gratuitos de Gramática, Redação e Interpretação de Textos em instituições voluntárias e em sites da Internet. Portanto, é um conhecimento que está acessível a todos.
Através deste artigo podemos concluir que dominar o mínimo da Língua Portuguesa é importante tanto para o emprego quanto para o amor.

Luciana do Rocio Mallon

A Flor da Poesia


A flor da Poesia nasce no jardim
Do leve e suave espírito sem fim!
Seu adubo é o sentimento
Que é levado pelo vento!

A flor da Poesia vira um cravo
Para libertar o doce escravo!
Este cravo tem a chave que liberta as correntes
Da depressão que prende artistas inocentes!

A flor da Poesia vira uma linda rosa
Quando um cavalheiro deseja conquistar
Uma donzela misteriosa e formosa
Que se encanta com a luz do luar!

As pétalas da flor da Poesia
Transformam-se em papel
Com a caneta da harmonia
O poeta escreve linhas de mel
Que ficam no livro da eternidade
Com o aroma da mais pura verdade!

A flor da Poesia vira um copo-de-leite
Para alguém que tem sede de verso
Assim a pessoa conhece o deleite
Das canções mais puras do Universo

A flor da Poesia vira uma petúnia
Para quem sofre uma calúnia
Esta flor brota com suas lágrimas,
Lamentos, tristezas e lástimas!

A flor da Poesia nasce no jardim
Do leve e suave espírito sem fim!
Seu adubo é o sentimento
Que é levado pelo vento.
Luciana do Rocio Mallon

sábado, 27 de agosto de 2016

103. (Nova República Caquética)


São duas coisas complementares, não excludentes: havia algo de podre no Reino da Dilmamarca, há sim algo de podre nesta Reação Temerdoriana.

Rodrigo Madeira

POETADO ao Pudor


O falso moralismo e a cruel censura
Prenderam toda a minha criatividade
Causando, na minha alma, amargura
Sem um pingo da real sinceridade

Fui proibido de falar das peças pequenas
Que cobrem as partes sedentas por giros,
 Gemidos, sussurros, orgasmos e suspiros
Não posso falar das damas noturnas e serenas
Que encantam até os sanguinários vampiros

Agora, estou POETADO ao pudor
Colocaram uma venda em meus lábios
Mas ainda sou capaz de sentir amor
Atrás dos cometas com astrolábios!

Nas minhas mãos colocaram algemas
Mas mesmo assim escrevo em coxas macias
Os mais proibidos e instigantes poemas
Coberto com as colchas das secretas fantasias!

Agora, estou POETADO ao pudor
Colocaram uma venda em meus lábios
Mas ainda sou capaz de sentir amor
Atrás dos cometas com astrolábios.

Luciana do Rocio Mallon

jura secreta 4


a menina dos meus olhos
com os nervos à flor da pele
brinca de bem-me-quer
ela ainda pensa que é menina
mas já é quase uma mulher

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e minha língua fosse
só furor dos Canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato
por enquanto vou te amar assim
admirando teu retrato pensando a minha idade
e o que trago da cidade embaixo as solas dos sapatos
o que trago
embaixo as solas dos sapatos é fato
bagana acesa
sobra do do cigarro é sarro
dentro do carro ainda ouço Jimmi Hendrix
quando quero
dancei bolero sampleAndo rock and roll
prá colher lírios
há que se por o pé na lama
a seda pura foto-síntese do papel
tem Flor de Lótus nos bordéis Copacabana
procuro um mix da guitarra de Santana
com os espinhos da Rosa de Noel

Artur Gomes

foto.poesia - FULINAÍMA MultiProjetos
portalfulinaima@gmail.com

Circo e ... pão!


Ligo a televisão e vejo a cena:
Discussão de senadores.... Que pena!
Exemplo que vem de cima.... Constrangedor.
Em seguida, desligo a televisão,
Mas, não fico na ilusão,
Tenho pena do trabalhador...
Em nome da democracia,
Fomentaram a burocracia,
Os gastos se multiplicaram,
Novas castas se formaram,
Os impostos aumentaram,
Os bens públicos? Saquearam...
O ensino, continua em greve,
E o ministro não se atreve
A resolver a questão.
O povo, pobre, iludido,
Continua convencido,
Que bom mesmo, é circo e pão!

Elzio Leal

Descobri Para Onde Vão as Palavras Não Ditas Num Momento de Ódio



Eu , realmente,  sempre desejei conhecer e saber
Para onde vão as palavras não ditas na hora da raiva
Elas atentam a pessoa, durante a noite, até o amanhecer
E depois se transformam numa violenta saraiva,

Numa forte chuva de granizo
Provocada pelo bravo juízo
Então as frias pedras de gelo
Geram, no ser, um pesadelo

Depois as pedras caem na fértil terra
Da alma da pessoa que guardou rancor
E com as lágrimas da primavera
Elas viram um anjo através da dor

Este anjo é amarrado com correntes
Suas asas foram destruídas e quebradas
Seus olhares são meigos e carentes
Ele é o fruto das palavras caladas

O anjo que arrasta a asa, deixa a pessoa muito doente
Ele só pode se libertar através de um papo inocente!
Uma enfermidade com origem emocional
Faz até mal para o mais distante astral

As palavras não ditas na hora do ódio
Formam anjos tristes e com ócio,
Que trazem doença e tristeza
Guardar letras não é da natureza

Um anjo calado traz úlcera, depressão e tumor
Só a palavra sincera liberta alguém desta dor!
Ele também pode trazer refluxo e alergias
Só a sinceridade pode trazer reais alegrias!

Descobri através de pesquisas sem medo
O mais misterioso e secreto segredo:

As palavras não ditas na hora da raiva
Formam uma violenta e triste saraiva
Só a sinceridade sem xingamentos incoerentes
Pode libertar os anjos calados das correntes.
Luciana do Rocio Mallon

Fascismo


Está crescendo assustadoramente
a onda fascista no Brasil, meu Deus!
Em nome de um nacionalismo hipócrita
túmulos Caiados, fariseus hipócritas
vão pelas ruas, praças e lugares diversos
agredindo, achincalhando pessoas.
De maneira perversa, arrogante, tão vil
hoje mesmo uma Senadora paranaense
foi atacada no aeroporto por monstros.
Por esses monstros fascistas repletos
de misoginia, preconceito e hipocrisia!
Foi triste assistir àquela cena tão cruel
cujos atores deixavam claro que eram
piores que animais deveras selvagens!
Em minha vida repleta mais de passado
que de futuro, inúmeras vezes já ouvi
dizerem que este nosso singelo Brasil
é um país hospitaleiro, fraterno e pacífico.
Mas se realmente essas qualidades ele tem
por que, por que meu Deus, está assim
cheio de preconceito, xenofobia, vilania,
arrogância, desprezo, ódio, falsidade, por quê?
Somente a exceção tem bondade e é justa!
Somente à esquerda se vê fraternidade!
À direita somente se vê injustiça, desamor,
discriminação e conservadorismo perverso!
As elites nefastas e oligarquias nefandas
por séculos e séculos e séculos e séculos
governaram o singelo Brasil bem alojadas.
Instaladas nas dependências da Casa Grande
jamais se preocuparam com o sofrimento
dos infelizes que habitavam a cruel Senzala.
Todavia um dia uma estrela brilhou e mostrou
o caminho para a inclusão de muitos, muitos
que do singelo Brasil estavam excluídos!
E os ex-excluídos ficaram felizes demais!
Mas as nefastas elites e nefandas oligarquias
não aceitam que os pobres sejam felizes.
Por isso querem destruir o governo que abriu
as portas do Brasil para os excluídos do Brasil.
Classe média, oligarquias, elites sendo vis
aceitam a convivência com pobres, com as minorias,
com negros, gente simples e trabalhadores em geral.
Desde que esses não saiam de seus lugares e fiquem
chafurdados lá no fundo da Senzala criada por elas!
É por isso que elas agora estão violentas, raivosas!
Seguem xingando bem enroladas na imensa bandeira
da hipocrisia dizendo que essa é a do singelo Brasil!

(Professor Candido)

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O Livre-Arbítrio é um Pássaro na Gaiola



O livre-arbítrio é um pássaro sedutor
Com asas suaves, leves e macias
Dizem que ele fica do lado amor
Mas isto são boatos com fantasias!

Ele é uma ave numa gaiola transparente
Construída pelo esperto destino
Para fazer o homem se sentir inteligente
Em escolhas onde impera o desatino!

O livre-arbítrio é uma marionete com penas
Manipulada pelo universo e pela vida
Sobrevoando o céu em várias cenas
De uma forma garrida e, às vezes, sofrida!

O livre-arbítrio tem uma voz bonita
Mas seu bico é perigoso e cortante
Ele gera uma ferida cruel e infinita
Em alguém que sonha em ser brilhante!

O livre-arbítrio é um pássaro sedutor
Com asas suaves, leves e macias
Dizem que ele fica do lado amor
Mas isto são boatos com fantasias.

Luciana do Rocio Mallon

Ler e Escrever Debaixo de uma Árvore Frondosa


Ler debaixo de uma árvore frondosa
É quase um pecado, um real sacrilégio
Que é perdoado de forma maravilhosa
Que acaba transformando-se num privilégio!

Quando alguém lê debaixo de uma planta
Suas folhas verdes beijam as folhas do papel
Assim elas transformam-se em mantas
Beijando as páginas com gotas de mel!

A donzela escrevendo debaixo de uma árvore frondosa
Com o seu lápis rústico de uma forma faceira
Transforma-se em uma princesa pomposa
Enquanto o lápis apaixona-se pela madeira!

Quando alguém escreve debaixo da árvore com flores
As musas do Olimpo inspiram mais de mil amores
Estas flores transformam-se em rimas e versos
E os poemas viram estrelas em mil universos!

Quando o moço lê debaixo de uma árvore com frutas
Ele se inspira através de um nobre e bom tom
Enfrentando as mais difíceis labutas
Transformando-se num novo Newton

Quando alguém escreve debaixo de uma árvore frondosa
A sombra da planta vira uma luz refrescante
Protegendo o autor da seca venenosa
Que torna a sua pele deselegante

Ler debaixo de uma árvore frondosa
É quase um pecado, um real sacrilégio
Que é perdoado de forma maravilhosa
Que acaba transformando-se num privilégio.

Luciana do Rocio Mallon

Livramentos



O tempo do destino e do universo
É diferente do tempo do ser humano
Antes da estrofe sempre vem o verso
Sem adiantar qualquer tipo de plano!

Não fique triste se você foi despedido
Esta é uma oportunidade para encontrar o seu dom
Que está fechado, em seu peito, bem escondido
Mas que tem o brilho da Lua de neon

Portanto, agora exercite a sua criatividade
Procure, na sua alma, o que você gosta de fazer
Assim poderá ganhar dinheiro com esta atividade
Unindo o trabalho com a harmonia do prazer!

Se o seu amado lhe deu o fora
Acabando com o relacionamento
Por favor, pare de chorar agora
Para dar chance a um novo sentimento

Assim surgirá uma luz para encontrar seu amor de verdade
Pois uma paixão que custa a própria independência
Não é o caminho para a real felicidade
Porque quem ama sempre terá paciência

O tempo do destino e do universo
É diferente do tempo do ser humano
Antes da estrofe sempre vem o verso
Sem adiantar qualquer tipo de plano!

O universo não tira, ele livra
Pois a justiça é uma travessa diva
Ela dá lições parecendo que priva!

Para ter o que você merece, não basta esforço
Você tem que sofrer para conseguir maturidade
Tem que apertar a palma da mão e, também, o dorso
Para ser presenteado pelo destino de verdade.

Luciana do Rocio Mallon

Terremoto Na Itália



Dia vinte e quatro, bem nesta quarta-feira
A Itália, de um jeito assustador, tremeu
Chegou um terremoto de maneira traiçoeira
Deixando toda a população num triste breu

Este terremoto mandado por bruxas perigosas
Atingiu até as províncias humildes e montanhosas
O terremoto foi tão forte em sua magnitude
Que até a bota, do mapa, para cima deu um chute

Neste terremoto tudo se escureceu
Até o antigo Coliseu se abateu
Pois o barulho acordou até Orfeu!

Vamos transformar os prantos
Em rezas cobertas de mantos
Oremos pelos irmãos italianos
Para que eles realizem seus planos.

Luciana do Rocio Mallon

A Semente da Poesia


Somente a semente da Poesia
Tem o poder de nascer no deserto
Retirando toda a secura da agonia
Do poeta sem ninguém por perto!

Porém se a semente da Poesia
Cai no solo de uma alma vazia
Ela pode realizar um milagre sem fim
Germinando num lugar considerado ruim

Quando esta inocente semente
Cria uma forte e duradoura raiz
Uma árvore nasce em cada mente
Deixando um anjo alegre e feliz!

Quando esta semente cai num pomar
Transforma-se na árvore da sabedoria
Que cresce sob a luz mágica do luar
Deixando um clima de harmonia

A árvore da Poesia tem flores delicadas
Os seus frutos são poemas suculentos
Adubados por fadas suaves e encantadas
Que espalham mais de mil sentimentos!

Esta árvore tem as folhas da boa vontade
Que se espalham pelo mais leve ar
Levando doçura, ternura e amizade
Para um poeta que sonha em amar.

Luciana do Rocio Mallon

AlfaPOEMA



Reza a lenda que Maria Madalena
Apaixonou-se por uma estrela distante
Então a dama escreveu um poema
Para este amor brilhante e cintilante

Porém quando tudo escureceu
Maria Madalena ficou no breu
Deste jeito ela percebeu

Que a sua paixão era impossível
Mas como o amor já era irreversível
Ela deixou cair do seu rosto de menina
Uma lágrima sincera, pura e cristalina

Que se jogou na fértil terra
Naquela noite de primavera
Assim por causa deste problema
Nasceu a perfumada flor de alfazema

Mas esta flor se apaixonou de um jeito elegante
Também por outra estrela radiante e distante
Porém o inteligente, esperto e solidário vento
Ao perceber a verdade sobre este sentimento

Fez com que as pétalas desta flor
Se espalhassem com esplendor
Por todo o espaço sideral
Assim com a magia do astral

A estrela cintilante beijou as pétalas macias
Explodindo em sementes de mil fantasias
Estas sementes geraram a AlfaPOEMA
Uma flor parecida com planta de alfazema

A AlfaPOEMA vira flor no mais ensolarado dia
Mas à noite ela transforma-se numa estrela de luz
Nas tardes ela é flor na mais pura poesia
Porém à noite seu brilho de estrela seduz
Qualquer poeta, romântico ou trovador
Afinal a AlfaPOEMA é o mais puro amor

A estrela alfa vira uma flor alva
Para que a dama seja salva
Com a benção da estrela-d’alva.

Luciana do Rocio Mallon

Lorena


Foi numa festa de Carnaval
Na cidade de Contagem
Ocorreu algo de especial
Que fez um homem viajar na paisagem
                                            
Ele, na multidão, avistou uma bailarina
Que parecia uma transparente miragem
Ela era madura, mas tinha corpo de menina
Com uma dança que parecia de passagem

Ao aproximar-se, ele sentiu um cheiro alfazema
E perguntou qual seria o nome da misteriosa princesa
A dama, com saia de tule, disse que era Lorena
Com toda meiguice, suavidade e beleza

No mesmo dia, os dois realizaram fantasias
Como era forte a marca deste sentimento
Eles passaram a se ver todos os dias
A toda a hora, a todo o tempo

Mas, numa tarde cinzenta de abril
A doce Lorena partiu e sumiu
Ele acha que a dama veio para o Sul
Por isto seu céu deixou de ser azul

Depois numa velha estrada da vida
Ele me viu e se lembrou de Lorena
Mas sou apenas parecida na parte física
Ela é um conto e eu sou um poema!

 Não posso fazer o que ele fazia na intimidade
Com sua musa de Carnaval cheia de felicidade
Porque eu tenho outra personalidade

Hoje, ele grita alto o seu problema:
- Cadê você, Lorena ?
- Cadê você, Lorena?
Ela virou anjo e do céu derrubou uma pena
Para que eu escrevesse estes versos e saísse de cena.

Luciana do Rocio Mallon

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Dois



Dos retalhos da técnica
A simbiose canônica
Dos grilhões
Do inferno
Jorra esgoto virgem
Das almas pecadoras
Penitentes
Qual semblante de gente
Implora por viver
Quando outros
Em poço
De conhecimento
Oferece sofrimento
Ao algoz
Do cativeiro do poleiro
Burguês

Espia...
Ele mostra
As costas
E sai.

Hipnótico tato
De quem ama uma mulher
É torná-la o molde
Da ode
Ao cadáver
Que eu não sepultei

A clareza
Falaria
Não fosse a sangria
Retalho de poesia
Sem tés
Pés
Ou escadaria para a volta

Caronte cobra o óbulo
O maligno nada espia ser
Deus é a beleza
Roubada da Lira de Apolo
De seus templos saqueados
Pelo perdão de Cristo

Teu cisto
Voaríamos
Regozijo, cinjo o teu
Futuro
Pois plebeu e rijo
Duro martelo fecundou
Bandeiras
Da esperança

Quando somente a dança
Era sonho meu

Anderson Carlos Maciel

O Pernilongo


Que inseto abobado não sabe quem é
de mochila nas costas vai embora a pé!
mosquito mondrongo,
infeliz pernilongo
só anda descalço e não tem mais chulé

Luciah Lopez

domingo, 21 de agosto de 2016

O punho fechado de Deus abrindo abrindo com um soco
vala no ouro de tolos da dentadura do orgulho
Por ter feito uma esmola sorriu a sacola de lixo
Lixo não era . Errou a alma ao falar ao ouvido do coração
pacato cidadão burguês virou freguês do Cão.

Wilson Roberto Nogueira

Culpa

Essa  é a principal prisão
as correntes da consciência
rasgando as veias da alma
afundando em sangue os sonhos
dourados sonhos de outrora
cúmplice de crimes risonhos
um dia
um dia abrira baús de promessas
e só sorriram diamantes
nos dias amantes os cadáveres
nos espelhos da memória
reluzem azuis nos silêncios da cela
das grades nuas das cordas desejadas
Urra uma maldição
VIVA.

Wilson Roberto Nogueira

sábado, 20 de agosto de 2016

Na fila do mercado do sábado, a minha frente uma família, casal de meia idade e um menino de uns dez anos. O pai com macacão de firma com graxa nos bolsos, a mãe, apesar de levemente maquiada, percebia-se que vestia roupa de casa, o garoto de bermuda, camisa de time desgastada. O carrinho de compras abarrotado, tipo rancho do mês, mercadoria básica. Não pude deixar de notar, afinal, sou observador, contei as poucas guloseimas; os pacotes de bolachas recheadas, havia três, duas de bolacha Maria; duas latinhas de leite condensado; uma de creme de leite, uma lata de pêssegos em calda; duas bandejas de iogurte, o da promoção! Havia também um bom pedaço de carne,
peça inteira de posta vermelha. A mesma que havia comprado para fazer na panela recheada com cenoura e bacon. Não sou bisbilhoteiro, mas o tempo passa depressa e a fila anda mais rápida quando calculamos as compras dos outros. Enfim, chegou à vez do casal, depois de passar todo pedido do carrinho e o chocolate da mão do menino, tentaram passar o cartão, uma, duas, três vezes... Trocaram de cartão, uma, duas... Foi mudada a máquina, não adiantou, o problema não estava na senha e nem com o sistema de informática, mas com o saldo bancário. Um depósito que não caiu, uma conta cobrada antes do prazo, sabe lá. A situação era de fato constrangedora, percebi os olhos de reprovação da caixa. Senti como se fossem voltados para mim, empatia com os personagens fictícios ou reais, coisa de escritor. Realmente ao exercitarmos a empatia, vivemos as dores e alegrias dos outros. Sofri com a situação, fiquei olhando o casal saindo com andar sem jeito, a criança sem o chocolate na mão, o que fazer? Pera aí Senhor! Deixe que eu pago as compras. Não tenho recursos, poderia estourar meu cartão também, ou: “Menino deixa que eu pague seu chocolate”, poderia aumentar ainda mais a humilhação para o casal, seja como for, fiquei sem ação, minha vista seguiu aquela família até a porta do mercado, para depois pensar qual seria o almoço de domingo daquela família. E a sobremesa? Certamente, não teria pêssegos com creme de leite. O que sei é que meu almoço de domingo não será mais saboroso. Lembro agora de Dostoiévski: “escrever é sofrer”.

JDamasio

Apelo



Súbito, trespaça navalha
Corta o infinito
Sepulta o tédio global
Lucra lágrimas
Em busca do pai

Arrefesce sentimentos
Laceado ego
Teto &
TV
Sonho raso

Em querer ver-me
De costas para o poder
Dobra a esquina de papel
Com anel em riste
Comendo meu alpiste

Virgula
Gárgula
Gargalo

Inteiro dentro
Do buraco da sabedoria
Aberto aos gritos
Em ritos
De nostalgia

Já sem o mesmo brilho
Na tela
Desligá-la
Seria despir-me
De colorida ilusão
Da canção-solidão

Em pedir o perdão
De costas
Sapucaí rua XV
Salivando meu pão

Referência direta
Centro de um universo possível
O Sol
Apolo e a lira
Cabrestos simétricos

Epopéia autoral
Cujo feliz final
Seu, sua, meu, minha
Deles
Reles
Sinonímia
Do teatro consumado
Em ente amado
Gelado
De ingênuo idioma

De costas para o poder
Hino nacional
Da cordilheira da Globo
Do povo bobo
Que segura a vela
preta
No templo estreito
Do nosso sexo.

Anderson Carlos Maciel
Desejo uma noite fria e chuvosa a todos. Estejam bem úmidos e gelados. Sócrates aconselhava, nos diálogos registrados e compostos por Platão, que devemos dominar essa natureza. Mais ou menos o que o Messias fez, na transição do império grego para o império romano.
Quero dizer com isso que não importa o frio e o tédio, é necessário inventar coisas para subsistir a honra e a virtude no dominar a natureza e calar seus impulsos em nossa constituição fisiológica da mesma forma que nos defendemos de argumentos em contrário aos nossos pontos que são de vista e não outra coisa. Sintam-se livres para comentar. Toda retórica carrega em si arte da palavra mais do que simples retornos de estados mentais refratários espionados na nossa pretendida estrutura morfológico-sintática da defesa do território que são os debates pretensamente intelectuais. Sob outro aspecto existe exercício fortuito da extração da verdade imbuído de valor científico na produção do bem-estar e dos direitos autorais que são legados para a humanidade no sentido de seu esclarecimento humano e espiritual. Eu escreveria mais sobre a política, caso a honra fosse mencionada como aparato moral constante, no trabalho, nos consultórios, nos hospitais e nos departamentos públicos de interesse relativo à minha possível docência.
Imagino um mundo real errático onde a mente projeta seu destino na medida da linguagem e toda ciência pauta-se de infortúnios semânticos no sentido do esclarecimento da verdade. No trabalho, na escola, na universidade, na família e na igreja somos convocados a participar com o lucro de nossos corações, e toda a técnica que desenvolvo é olhada e lida como se não formasse esferas de poder substanciadas pelo que me confere o título de bacharel e licenciado professor de Filosofia. O método é simples, claro e distinto. A princípio deixamos de acreditar em todas as coisas. A seguir deixamos de acreditar na instrução dos livros. A meditação purifica o pensamento até que a "Voz" pura do Criador se manifeste. Ele é a inteligência perfeita, em aparição sonora sobre o destino nosso subjetivamente tomado (vulgo abarcado e retirado) do convívio dos outros humanos. Após estes processos jurídicos todos em que seremos indenizados moralmente sob a alcunha de conhecimento dos nossos direitos constitucionais aos quais temos acesso rotineiro, soma-se uma esfera cíclica de enfáticas contribuições eletrônicas do "espionamento" maldoso dos algozes com os quais lutamos e os alimentamos seus egos com o subterfúgio da alcunha de "adversários". Leva-os a crer que são tão fortes quanto nós, em mística viagem astral que é a analogia do comportamento contingente da cultura com a simples imagem da projeção do ego em hipnose contrária praticada por mim, em técnicas estudadas criteriosamente na obra de Sigmund Freud que constituem nossos estudos pedagógicos na Universidade Federal do Paraná.
Se você está lendo este texto até o final, significa que interessa-se pela técnica da argumentação jurídica.
Faço notar que a verdade é notada pelos mais sábios. O problema é que nós não sabemos quem são os mais sábios. E todos são corruptíveis, em experiência própria minha da estrada de decepções com o caráter humano em confiar nas palavras meramente reproduzidas e abandonadas por aí aos estados mentais antagôncos do bom senso daqueles que tem interesse pedagógico em meus critérios subjetivos de análise e poder de minha lógica argumentativa no sentido mesmo, lato de meu conhecimento da subjetividade toda minha. Tenho algo de puro e cristalino que carrego e ensinarei à humanidade inteira em 5 idiomas que me acompanham também na elaboração de uma teoria de minha personalidade que seja consistente.
Obrigado pelo seu interesse, você é realmente, como dizem aquelas telas todas o que dizem de você...
Arte final

Anderson Carlos Maciel

Bacharel e Licenciado em Filosofia

Pós-graduando em Sociologia Política.

NOITE DE ORGIA


Estive em uma noite de orgia literária. Era sábado, até a lua estava assanhada. Todos estavam despidos da timidez. Havia muitas trocas, livros de poesias por livros de contos. Antologia aqui, antologia lá. O oral excitava a sensibilidade, poetisas declamando, contistas narrando. Vinho suavemente bebericado para estimular a performance. Todos embriagados pela arte. Muitas fantasias! Posições, as mais variadas, sempre com muito respeito! Palavras vulgares aceitas, desde que dentro do contexto. Não houve penetração nos textos alheios, apenas toques sutis. Muitas caricias nas páginas folheadas, dedos úmidos de saliva deliciavam-se em cada parágrafo, a cada estrofe.
Ao amanhecer, como desfecho, a luz do sol pelas frestas das persianas riscava um lindo dia! Orgasmos múltiplos.

JDamasio