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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

TOLAS CERTEZAS




Nunca falo de tolas certezas
Feito os que ditam regras
Como se a vida, a um manual, obedecesse
Tudo sempre uma imutável mesmice.

Jamais conto do que é minha sede
Pois a palavra é insuficiente e não mede
O que me perpassa a mente
E então, num ato de defesa, mente!

Não digo do que escondo
Se nem eu sei o que ignoro
Aquilo que restou esquecido
Pelas ruas onde moro. . .

Nada de seguir caminhos
Onde, ao final, não estarei
Como o fazem os ingênuos
E os que se acham acima da lei.

- por José Luiz Santos, o JL Semeador, na Lapa, em 27/09/2012



NOSTALGIA ou INCÔMODAS LEMBRANÇAS




Certas lembranças
permanecem
para sempre
dentro de nós
mesmo que pareçam
esquecidas
e que não entendamos
o seu significado
e o que nos levou
a retê-las
de forma
tão intensa
e indelével.

Quando essas lembranças
abandonam
a sombra
onde as escondemos
desafiando-nos
parecido
com os moinhos de vento
que se antepuseram
a dom quixote
ou a mosca varejeira
que insiste em pousar
na minha xícara de café
fumegante.

Quando isso acontece
paro tudo
o que esteja fazendo
e fico quietinho
no mais absoluto
silêncio
respirando contido
mente alerta
observando essa estranha
que me vem visitar
para não ser surpreendido
por um soco na cara
ou uma facada nas costas.

- por José Luiz Santos, o JL Semeador, na manhã fria da Lapa, 29/09/2012 –

SAUDADE DE MINHA MÃE nº 2



Mãe, da saudade que te sinto
Brotam-me doces lembranças
Que hoje me servem de alento
Em meio às minhas andanças.

Ainda bem, que a morte não existe.
O corpo retorna ao pó, tão-somente,
Enquanto a alma segue sua trajetória
Em busca de aprimoramento e alegria.

Então, porque prantear os que partiram?
Se, mãe querida, te sei de mim tão perto,
Quando te busco com os olhos do coração.

Que os mortos enterrem os mortos.
A vida sempre prossegue, é o certo.
Deixemos a saudade virar sorrisos.

- por José Luiz de Sousa Santos, o Zico, para minha mãezinha, D. Francelina (*1924/+2010), em 1º de novembro de 2012 –


REMÉDIO PARA MAL DE AMOR




Há um só remédio
para mal de amor.
Algo que afugenta o fastio
e a dor,
que vem e se instala
feito incômoda mala,
repleta de inservíveis pertences,
sentimentos que restaram descoloridos,
mas, que ainda insistimos em carregar.

Ah, o nome do remédio milagroso
é outro amor, - muito mais gostoso.

- por José Luiz Santos, o JL Semeador


terça-feira, 5 de novembro de 2019

TEU SORRISO: UM POEMA CONCRETO




Um poema concreto
declaro, agora, por decreto
o teu sorriso bonito;

eu que, de leis, entendo
proclamei, em alto brado,
o teu sorriso, bem a ser tombado,

em nome da humanidade inteira;
disposições, em contrário, revogadas
que não estou pra brincadeira. . .



- por José Luiz de Sousa Santos,
 JL Semeador, na Lapa, em 04/02/2012 


sexta-feira, 27 de setembro de 2019

À deriva




Vida, indecifrável vida
em cada esquina uma surpresa
a cada passo uma incerteza.

Quando encontramos as respostas
as perguntas já são outras.

Vida, indecifrável vida
gosto de te viver assim,
à deriva...

Bom-dia.


A primavera virá,

como sempre,

em setembro.


A Primavera de 2010


Eu bem me lembro

da de dois mil e dez,

acontecida no Irajá.


Era trovoada,

fazia madrugada,

o futuro, porta fechada.


Mas, a prima vera

veio com a tia chuvosa,

que coisa mais horrorosa.


Nem um beijo,

nem um agarro,

nem umazinha no carro.


Espero, então,

a primavera de dois mil e nove,

para que o amor se renove.


- por Hans Gaus (heterônimo de JL Semeador) –

 José Luiz Santos

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

OH! QUE SAUDADE QUE (NÃO) TENHO




Se eu bem me lembro,
havia muitas árvores e um muro
no fundo do quintal da minha infância.

Os bichos, criação da casa,
corriam atrás de mim,
e eu, atrás deles,
numa insitência teimosa.

Tempo de ingênuas brincadeiras,
somente interrompidas
pelos berros de minha mãe,
que, se não atendidos,
resultavam em doloridas chineladas.

O relógio parecia não caminhar.
Entre um reveillon e outro
entremeavam-se séculos.
Crescer era alternativa remota.
Papai ditava regras sempre certas.
Havia pouco mundo para além da minha porta.

Hoje, sem que me desse conta,
o futuro chegou e me cobra atitudes:
infinitas contas a pagar,
responsabilidade exclusiva sobre meu destino;
ansiedades e angústias de todos os matizes.
De súbito, olho o relógio, a informar que passou a minha hora.
E eu que ontem, pensava em ser feliz agora. . .

- por JL semeador, em 17/02/2011 –

POEMA PARA OLGA ISADORA




Todo pai, que tem uma filha,
Assim, bonita e inteligente,
A cada dia o olho brilha
E a alegria invade a mente.

A minha filha foi escolhida
Desde o momento da concepção,
Para dar sentido à minha vida
E adoçar o meu coração.

Assim é Olguinha Isadora:
Mulher-menina que fascina,
Desde o papai, que a adora,

Aos demais membros da família.
Filha amada! Prossigas na tua sina
De sempre semear alegria.

- por JL Semeador, em 16/02/2011 –


Homenagem à minha filha, no dia de sua colação de Grau em Direito:


- CANTO DE AMOR À SEXTA-FEIRA -




Eu te amo sexta-feira
esse teu jeito de dia ímpar
essa tua singularidade
essa tua eterna promessa
essa sempre terna possibilidade
de se encontrar toda faceira
- em qualquer esquina -
a sonhada felicidade
depois da noite começar.

Eu te amo sexta-feira
essa constante algaravia
esses teus bares lotados
dos mais chiques aos mais fuleiros
esses passantes apressados
que nem ligam pra tua magia
dessas meninas tão lindas
para matar, bem vestidas
beijando todos os sapos
por crerem em mitos de príncipes.

Eu te amo sexta-feira
o meu dia de domingo
o meu dia da Criação
com seus riscos e armadilhas
com esse aperto no coração
se chove, esbravejo, te xingo
mas, ainda assim vou à rua
ao encontro de tuas carícias
com minha paixão renovada
com essa ternura, sempre tua
a ti, sempre fiel, minha amada.

- por JL Semeador, em 29/06/2007 –

terça-feira, 12 de junho de 2018

COMO NÃO SER FELIZ NO RIO ou RIO, SONHO DE CIDADE




Como não ser feliz no Rio
Aqui a felicidade nos invade
Faça calor ou faça frio
O Rio é um sonho de cidade

Quem leva a vida muito a sério
Aproveite essa enorme oportunidade
Como não ser feliz no Rio
Aqui a felicidade nos invade

Desde que segui esse critério
Minha vida dobrou de qualidade
Tudo simples e sem mistério
Passei a viver com mais vontade
Como não ser feliz no Rio. . .

- por JL Semeador, na Lapa, em 28/11/2011, cada vez mais feliz por morar no Rio de Janeiro –

XANGÔ SOBERANO




Bate atabaque
Roda Yaô
Quem não é rodante
Quem não se garante
Se ponha de lado
Que aí vem Xangô.

Sua força de elefante
Logo se faz notar
No toque do agogô
Na música que vibra no ar
No jeito garboso, faceiro
Cambono, não fique parado
Colha o quiabo no terreiro
Vá preparar o Amalá.

A roupa é branca e vermelha
O fogo que tudo queima
Brilha no seu olhar
Inebriante centelha
O poder de governar
Vem da força de seus Oxés
Se com ele nada tema
A Justiça está aos seus pés.

Ele é o meu Orixá
Me abençoa a cada manhã
Grande e forte Songó
Filho benquisto de Oranian
Poderoso Rei de Oyó
Esposo primeiro de Iansã
De amor, chorou por Oxum
Foi amado, mas não amou Obá.

Kawô Kabiesilé!
Soberano sempre lembrado
Do alto de um trono de pedra
Logo abaixo de Oxalá
Ilumina o meu caminho
Com Ele do meu lado
O desespero não medra
Nem na morte estarei sozinho.

- por José Luiz Santos, o JL Semeador, na Lapa, em 21/10/2009 –


terça-feira, 26 de setembro de 2017

- ANALFABETO CORAÇÃO -



Futuro, sujeito ocupado
passado, objeto direto indefinido
presente, complemento nominal anônimo
verbos, no futuro do pretérito
diálogo, subreptício e exdrúxulo
onomatopéias, cacofonias
enálages, metonímias
metáforas e hipérboles desmedidas
a desandar a análise sintática
a confundir "lingue" e "parole"
semeando caos
entre teoria e prática
deixando-me a mente extática
perdida nessa extrusão
compreensão sinalogicamente apática
um "se", - partícula reflexiva -
em meu analfabeto coração.

- por JL Semeador, na Lapa, olhando a vida pela janela da alma, em 02/12/2007 -

Enviado por jlsantos ao Recanto das Letras em 24/04/2008



MULHER MADURA - Acróstico



Muitas lágrimas
Umedeceram tua face,
Lavando tua alma,
Humanizando teu olhar
Em busca de
Rumos e horizontes

Mais suaves,
Após dores e
Desalentos, tantos!
Um novo dia, porém,
Renasce da névoa de ontem.
A vida enfim te sorri. . .


Enviado por jlsantos


SENTIMENTO MÁGICO



Procurava, no escuro,
Um relacionamento perfeito.
Sentimento mágico,
Próximo ao divino.

Dei voltas,
Percorri desertos,
Bati em portas fechadas,
Saltei, até, de precipícios.

A cada insucesso,
Nova tentativa,
Outra vez na estrada.

Até quê,
Num início de noite,
Surgiu você. . .

- por JL Semeador, em 17 de janeiro de 2012, na Lapa –




terça-feira, 19 de setembro de 2017

A MORTE DO POETA



O poeta morreu,
dia desses,
vitimado por uma palavra perdida,
quando lia um decreto
regulamentador de orçamentos secretos.

E de nada adiantou
o socorro de gramáticos
e literatos,
pois, o ferimento foi profundo,
atingindo-o, de forma mortal,
enquanto, na fria manhã,
folheava o seu jornal.

Ferido de morte, que fora,
fez-se aguda verborragia:
uma enxurrada de verbos,
adjetivos e, até mesmo palavrões,
dos mais cabeludos.

Após tratamento intensivo,
com a aplicação de enálages na veia
e sonetos subcutâneos,
debelou-se o edema sintático,
porém, era tarde demais;
nada mais restando ao bardo,
que um coração exangue,
tal e qual um livro destroçado,
como antes não se vira igual.

No funeral,
diante do esquife,
em forma de rondel,
musas inconsoláveis
e amigos consternados
choraram interjeições,
metáforas e ironias.

Você que agora me lê,
tenha o máximo cuidado,
pois a morte está sempre escondida
em tudo que não lhe deixam ver.


- por JL Semeador, Lapa, 24/06/2011 -

O TEMPO DE AMAR


O tempo de amar,
de uma ópera,
deve ter a duração.

Carmen ou Carmina,
tanto importa,
que no ritmo do amorn
derretem-se os relógios,
findam-se as esperas
e tudo só termina
quando, do gozo, invade-nos o furor. . .

o tempo de amar
é um tempo sagrado:
a vida na na sua mais pura expressão;
a música a nos envolver,
- supremo instante -;
incorporando-se ao desejo,
num realimentar-se contínuo,
in-ces-san-te. . .

- por JL Semeador, Lapa, 22/06/2011 -


sábado, 9 de setembro de 2017

ALMA POÉTICA PENADA



Sozinho, na madrugada,
Sigo a minha sina,
Alma poética penada,
À cata de versos,
Em busca desesperada.

Vagueio, nessas horas,
Depois de desistir das ruas,
Por páginas em branco,
Deixando rastros de palavras,
Grafadas carinhosamente,
E que assombram quem as lê,
Na apavorante suposição
De surgidas do fundo
De dicionários antigos,
Na pré-história da língua, editados,
Muito antes da reforma ortográfica,
Com seus acentos fantasmagóricos
E seus tremas errantes,
À procura de uuuuuus. . .

Com a alvorada,
Aquieto-me,
Retornando para junto
De vestutos alfarrábios,
Onde, bem distante
De todas as modernosidades lingüísticas
E, inacessível ao assédio
Do monstruoso internetiquês,
Em paz, repouso,
À espera de uma nova madrugada.


- por JL Semeador, na Lapa, em madrugada de horrores lingüísticos e gramaticais, 25/06/2012 –

A ARTE: VERDADES E MENTIRAS



(“A arte é uma mentira que explica a verdade – Pablo Picasso)

A arte é mentira
A arte é verdade
A arte só expressa
A verdade
Se for feita de mentiras
Se a palavra dita
Contiver
Nela própria
A contradita
A negação do afirmado
O controverso
O que mais convier
À ocasião
Nunca o real
Sempre a invenção
O que aparentemente
Não faz sentido
Sempre o que é demente
O que se nega
O que só se entrega
Após exaustiva análise.

A arte é algo sem base
A arte é a base de tudo
A arte é o quase
- e, de mim,
não riam,
antes, atentem,
por um segundo –
Sem a arte
E sua verdade
Sempre irmã
Da mentira
É impossível
A compreensão
Do mundo.


- por JL Semeador, 10/05/2012, na Caixa Cultural/RJ, refletindo sobre o filme que assisti dias atrás, de Orson Welles “É Tudo Verdade” –

INESQUECÍVEL COPACABANA


A primeira vez que te vi,
Minha amada Copacabana,
Eu era apenas um guri,
A passeio, num fim de semana.

Foi amor à primeira vista,
Apesar de usar calças curtas,
Pois, não há quem resista
Às tuas graças infinitas.

Depois, nunca mais me afastei,
Nas tuas calçadas, aprendendo,
Da vida, o verdadeiro sentido,
A ser feliz, segundo a tua lei.

E todos que te conhecem,
Do Leme ao Arpoador,
Dizem, que jamais te esquecem,
Mergulhados no teu amor.


- por JL Semeador, na Lapa, em 06/07/2012, dizendo do meu amor por Copacabana –

RÉQUIEM PARA UM HOMEM E UMA FLORESTA QUE MORREM



O camponês Adelino Ramos
foi assassinado no brasil,
no estado de rondônia,
no dia vinte e sete de maio
do ano de dois mil e onze,
na cidade de vista alegre.

A árvore da vida
perdeu um de seus ramos.
A vista perdeu a alegria.
Os povos da floresta choram.
Os latifundiários,
que apertaram o gatilho,
comemoram.
O governo emite notas.
A polícia federal promete apurar,
como se todos já não soubessem quem matou.
Morte barata, banal e anunciada,
operada, em meio a sorrisos,
pelas mãos sujas de sangue da jagunçada.

Daqui a pouco, o esquecimento.
Chico Mendes é somente nome de fundação.
Da Irmã Doroty, hoje, pouco se fala.
Padre Josino é triste recordação.
Até que o silêncio do medo
seja rompido, de novo, por uma bala,
por mais um defensor da mata,
que morre. . .
por mais um pedaço da mata,
que também morre. . .
Enquanto, dentro das consciências,
o grito de protesto mais uma vez se cala!


- por JL Semeador, na Lapa, chorando pelos Povos da Terra, em 29/05/2011 –