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sábado, 4 de agosto de 2018

DOSE Nº. 11




nos templos de Deuses
sem vitórias e vencidos

somos um oceano calmo
para uma tempestade violenta

somos um sussurro meigo
para um grito agudo

somos uma música suave
para um maestro áspero

somos uma visão nova
para uma experiência antiga

somos a vida
fecundada no amor
formando no universo
a planície da paz

Milton Gama

DOSE Nº. 6




música música músicas
para acalmar os deuses

vinho vinho vinhos
para elevar os espíritos

paz paz pazes
para amar as vidas

amor amor amores
para saciar os amantes

é preciso sentir
o som
o sabor
a felicidade
o calor
a intensidade do mistério
para se viver de verdade

Milton Gama

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

TAÇA N°6


irradia o mistério da beleza
renascendo no simples mortal
esperança tristeza e alegria
nessa magnitude celestial
envolvida pela sabedoria

respirando vidas
entre carinhos inacabadas
rindo solta idolatrada
divina mulher menina
resplandece nas estrelas
acordes do violino amante

devendo vida ao sonho
embriagando a poesia
urgida da solidão
sente o corpo explodir
ardente Deusa do Olimpo




Milton Gama

TAÇA Nº3



sinto o sentido
dessa forte explosão
ressoando estremecendo
as cordas do coração

invadindo nosso corpo
eletrizando explodindo
como larvas vulcânicas
queimando
esse gozo animal
essa vida natural
essa força celestial
acendendo
fervendo nas entranhas
dos nosso corpos amantes
é a paixão
sinto e sentindo
vamos explodindo
em mil cores esse amor




Milton Gama

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

DOSE Nº. 2


para olímpia e enedino
meus pais


era uma vez um menino
menino do interior
amamentado com carinho
engatinhava na terra
solto petas ruas
tomava banho de chuva
na bica do sobrado velho
roubava fruta na feira
cocada na barraca do primo

era uma vez um menino
menino do interior
foi crescendo

livro na pasta
bola no campinho
expulso de escotas
andava pelos pastos
atrás de jumentas
amava também as meninas
o corpo chorava envolvido
entre o conselho e o castigo
severo dos velhos pais

era uma vez um menino
adolescente do interior
foi pensando

conheceu josé de alencar
beijou os lábios de iracema
viu jorge amado
amou gabriela
ouviu o cavaleiro da esperança
chorou com os capitães da areia
riu com monteiro lobato
passeou com érico veríssimo
olhando os lírios dos campos
sonhou com machado de assis
idolatrou castro alves
mordeu a isca da poesia

era uma vez um adolescente
adolescente do interior
foi pensando
andou com hermann hesse
vestido como sidarta
mergulhou nas florestas
em nascentes de rios límpidos
bebeu com Nirvana
ultrapassou os muros dos tempos
percorreu ruas das sociedades
envolveu-se com marx
papeou sobre as esquinas
visando tomeá-las
chocou-se em vielas

o peso da liberdade
fez na sua mente moradia
filosofou nos bares da vida
buscando sabedoria
afogou-se
em oceanos de frustrações
embarcações sem lemes
perdido entre perdidos
ironicamente anarquizado
viveu no cômodo mal-bom•viver
sentindo no luxo o lixo
sentindo no lixo o luxo
virou geléia geral
sob as fantasias dos líderes
serenamente evaporou
queria vida

era uma vez um homem
homem do mundo
foi vivendo

sem medo sem ódio
alto como o céu
cheio como a esperança
perpetuou-se na fortaleza
infinita da poesia



Milton Gama



terça-feira, 31 de outubro de 2017

somos quase um todo
apesar da vivência
com medo de chorar
a sensibilidade amiga
eu busco você

essa loucura poética
faz parte da gente
como nos procuramos
nesse caminho comum
eu busco você

eu um boêmio
poeta sem letras
da vida vaga
sem casa para morar
sou uma esperança
querendo se encontrar
na vasta caminhada
de sonhos a viver
eu busco você

em passos livres
dos pensamentos vividos
no animal no racional
o certo o incerto
essa equação sem fim
talvez exista uma razão
na simples maneira de conviver
eu encontro você


POETA MILTON GAMA

sábado, 30 de setembro de 2017

DOSE Nº. 4


gente
é possível voar
sobre os conceitos
fazer no espaço
da força física
um ar rarefeito
com pouso infinito
no espírito da esperança
gente
é possível sentir
nas prisões fúnebres
a liberdade agonizando
na garganta rouca
um grito surdo
em busca da voz roubada
gente
é possível pensar
no vagar do ego
dessa difícil estrada
fazendo nessa vida
todas as vidas
na simplicidade de viver
gente
é preciso ouvir um som límpido
para perceber as notas
eletrizando a concepção
da existência trópega
sem querer definição

gente
agora é preciso nascer
em terras adubadas
por mãos amigas
das flores ter o alimento
como o suave colibri
gente
agora é preciso crescer
buscar no semelhante
o afago das mãos
nessa corrente forte
fazer do brilho do sonho
a iluminação da vida
gente
agora mais do que tudo
é preciso amar
um simples encontro
nesse novo espaço
o pensamento é livre
os seios são alimentos
os corpos são camas
os espíritos são luzes
gente
agora é preciso viver
com a força de quem navega
na descoberta do próprio ser
gente é preciso ser gente


Milton Gama

DOSE Nº. º 6




Música  música  e músicas
para acalmar os deuses

vinho  vinho e vinhos
para elevar os espíritos

paz  paz e pazes
para amar as vidas

amor amor e amores
para saciar os amantes

é preciso sentir
o som
o sabor
a felicidade
o calor
a intensidade do mistério
para se viver de verdade


Milton Gama

DOSE Nº. 27



fazer sonho é fazer vida
abstrato da poesia
faço de você poema de um dia

terça-feira de carnaval
corpo cansado mente aberta
lá estava eu e você devagar
divagando
soltando o laço da corda
perdidos na multidão
querendo se entranhar
soltar nossa solidão
soltamos

na volúpia tema e ardente
perpetuar esses momentos
bem que desejo ainda
o caminho desse corpo
navegar nessa chuva
nessa floresta humana

deixe-me imaginar o sol
as luzes resplandecendo
o calor das vozes soltas
dos ecos perdidos
no tempo que poderíamos ser
não fomos

ah! carinho que se foi
com vontade de ficar
ficou nas ramas
das árvores rasteiras
querendo crescer
crescendo

vamos sendo
as tentações dos amores
vividos em carnavais


Milton Gama