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sexta-feira, 27 de setembro de 2019


por muito tempo tentei ser branco
comia comida de branco
vestia roupas de branco
sonhava sonhos de brancos

rezava orações de branco
brincava com brinquedos de brancos
feitos para louvar os brancos

assistia programas de brancos
lia histórias de brancos
e pensava que eu era branco

e por mais que eu me fingisse branco
e me atuasse branco
tinha sempre aquele lugar
onde branco entrava
enquanto eu do lado de fora esperava

Sândrio Cândido

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

poema ruim para uma saudade danada

o que dói mesmo não é a ausência
mas esse inverno nos lábios
toda vez que o teu nome me visita
entre os cantos deste silencio.
o que dói mesmo não é ausência
mas esse tremor nas mãos
quando a viola desacampa no peito
a música dos nossos instantes.
o que dói, no fundo, meu benzinho
é esse horizonte sem caminho
é essa vontade de regressar
aos braços naufragados na saudade
o que dói é esse mormaço nos olhos
esse brejo esgotado no sexo.
são esses cacos de instantes míticos
enterrados em ocas fotografias.
o que dói mesmo não é ausência
mas os poemas paridos na saudade
encharcados pelas lágrimas

destes que um dia foram amantes.

 Sândrio Cândido