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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Menopausa



Kigos confusos
Frio, calor, frio, calor, frio
Tudo cai. Ai ai.


(marilda confortin - só rindo mesmo...rs) 

domingo, 10 de agosto de 2014

Correria


Passo por mim apressada
Esqueço de me cumprimentar
Tem horas, nem me conheço
Que olhos são esses a me vigiar?
O tempo esculpe meu rosto
Desculpe este sulco na testa
Às vezes amargo um desgosto
A vida nem sempre é uma festa
Mas, quando te vejo parece
Acender um farol no meu peito
Desligo, esqueço da pressa
Acho o mundo perfeito
Quero me ver com teus olhos
Crer naquilo que crês
Aprender teus atalhos
Viver um dia de cada vez.

(marilda confortin)

quarta-feira, 23 de abril de 2014

QUINTA DOS INFERNOS


(encontros de poetas, músicos, atores, pintores, jornalistas e outros bichos grilos)

Por Marilda Confortin

A Quinta dos Infernos
começou numa quarta no Café & Cultura,
no início do século XXI,
ganhou a noite dos bares curitibanos
e acordou num domingo de manhã
na missa do Largo Esquerdo da Ordem.
A ordem é caos.
E o caos é nas Quinta dos Infernos
seja lá quando e onde for isso.
Não temos compromisso.
Pode ser na primeira quinta do mês
ou na última segunda-feira do ano.
Não temos planos, eira nem beira.
Há quem nos ame e quem nos odeie
Quem se solte e quem se enleie
Quem recite e quem escute
Quem lute e quem titubeie
Quem cante e quem fique a esmo
Quem represente e quem... é assim mesmo.
Artistas ou loucos?
Não somos uma coisa nem ostra
mas sempre rola uma pérola.
Se você entrou no clima, apareça.
Se não, esqueça!
Vai achar um saco.
E como disse Maiakowski:
"melhor morrer de vodca do que de tédio".
ou vice-versa.
Se fez sentido, não importa.
A intenção dos saraus não é alterar a ordem
e sim os (f)atores.

O recado ainda tá valendo, galera! a poesia é a mesma, mas os cabelos.... quanta diferença...kakakakaka.

domingo, 22 de setembro de 2013

sábado, 14 de setembro de 2013

Não há mais laços.
Só sobraram os nós.
Rotos, partidos.
Soçobramos nós.
Bagaços, feridos.
Quem tira de mim essa ira que nem sei onde mora?
Tem hora sinto na boca, no oco do estômago,
no buraco do peito, no escuro do olho.
Não sei direito.
Se eu me der um soco, tu vais embora?
Preciso te expurgar do meu corpo,
vivo ou morto.
Como te tirar de mim,
se estou cheia de ti?
Se tuas farpas estão cravadas
em todos os meus cantos,
em meus contos, meus versos.
Se tem restos de tua saliva na cárie do meu dente
Estrepes de tua carne nas minhas unhas;
Se teu esperma ainda escorre nas minhas pernas.
Me diz como!
Como te tirar da minha vida
se não tenho mais vida?
Quando se odeia o próprio amor,
não adianta matar para esquecer
é preciso morrer
para acabar com a dor!

Marilda Confortin


sábado, 10 de agosto de 2013

Primaverando



Que venha logo setembro
pleno de troncos e membros
e prima viril me devore
com sua boca de leão
e se demore onze-horas
cobrindo-me de amoras
amores e heras.

Que deveras venha a primavera
e ainda tenha no olhar
um certo ar de cão sem dono
e uma fome de outono a saciar.

Que traga tatuado no peito
um amor-perfeito para me dar
e me dê flores, me deflore,
dê lírios, palmas, beijos.

Me deguste agosto
da copa ao piso,
do riso ao choro,
e sem decoro me decore
com todas as cores do arco-íris.

Que matize os meus seios
com entremeios de renda preta
e sobre meu espartilho vermelho
derrame um copo-de-leite violeta.


(Marilda Confortin in “Busca e Apreensão”)

quarta-feira, 10 de julho de 2013

aqui
sentada
sentida
sem ti
sinto-me
sem sentido
 

(Marilda)

terça-feira, 4 de junho de 2013

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Dias de adiar




(Marilda confortin)

Há dias
em que tudo o que eu queria
era a companhia de quem
só me desse silêncios.
Não carecia durar. Dispenso a eternidade.
É que há dias
em que a vida, fingida
passa por mim e nem liga.
Faz de conta que não me conhece.
Me esquece.
E são nesses dias,
que eu queria alguém inteiro,
que não me repassasse e-mails
cheios de vazios
nem me telefonasse
arrombando meus ouvidos
com palavras tetra-chaves
ou conselhos paulocoelhos.
Alguém que soubesse que a vida
é feita inclusive de dias assim.
Dias em que se cala
e se dorme juntinho
no sofá da sala
ouvindo B.B. King.
Porque há dias, meu amigo,
que até os poemas de amor são doloridos.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Estio

Exilada da palavra
Colho a colheita alheia:
(f)ilha pródiga.

Marilda Confortim

Filhos

Trilhos que partem de nós
Nós que nos unem
Partos que nos parem

Marilda Confortim

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Marilda Confortim

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sinfonia




Amanhece.
Pássaros sopranos
cantam ao sol maior.

(marilda confortin)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Terezinha de Jesus

O primeiro foi seu pai.

Terezinha nasceu sem berço, sem abraços, sem festa.
Nasceu em casa, se é que se pode chamar de casa aquela construção engraçada que não tinha teto, não tinha nada.
Nasceu de parto natural, se é que se pode chamar de natural espremer-se até expelir um corpo estranho, uma cria indesejada, em berne.
E seu pai foi o primeiro porque naquela casa só tinha uma cama e Terezinha dormia com os pais, no meio dos pais, com os pés no saco dos pais, com a boca no seio da mãe.
Ela teve tantos pais quantos foram os homens que se deitaram naquela única cama.

O segundo seu irmão.
Terezinha teve tantos hermanos que no los puedo contar. Mas nem todos eram filhos da mãe. Cada um era filho de um pai e sua mãe chamava de filho qualquer filho da puta que aparecesse naquela casa, por isso todos se chamavam de irmãos e se amavam muito e dormiam todos juntos, porque naquela casa, só tinha uma cama.

O terceiro foi aquele a quem Tereza deu a mão.
Ela não deu só a mão. Ela deu o coração, o corpo e a cama. Mas antes de dar no pé, ele deu um tiro bem dentro da boca de Terezinha e outro no ouvido do irmão, que dormia em sua cama, porque Terezinha era uma boa moça e aprendeu com sua boa mãe, que aprendeu com um bom pastor, que aprendeu com Jesus, que devemos amar ao próximo como a nós mesmos.

Marilda Confortim

sábado, 15 de janeiro de 2011

Só gosto de bares
Às terças e quintas.
Nesses dias,
Todos os pares são ímpares.
Aos sábados,
Todos os gatos são pardos
E as gatas persas.
Si...tutti persa! Tutti perduti !
Segunda é dia de amantes.
Amantes...até os falsos são brilhantes.
As quartas, são todas cinzas.
Jejuo.Sou ranzinza.
Sexta,é a extensão de expediente
gente barulhenta
fingindo que está se divertindo.
Das feiras da semana
gosto mesmo das de domingo:
feira de artesanato
feira de livros
feira livre...
livre pra ficar dormindo.

Marilda Confortin

domingo, 26 de julho de 2009

Ourivesaria

Pulo tua alma
Bulo teu corpo
Apuro-te.

Marilda Confortin

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Hoje Estou Naqueles Dias...

Dias em que o corpo

me castiga

por eu ter exercido

o poder divino

de me negar a dar à luz.



Estou naqueles dias

de terra amaldiçoada

que não fecundou

nenhuma semente

dentre as milhares

que foram plantadas.



Estou naqueles dias em que choro...

Como quando Ele se arrependeu

de nos ter dado ventres férteis

e inconseqüentes

e chorou,

chorou tanto que seu pranto

afogou todas as pragas que nasceram

nos dias que antecederam

aqueles dias de dilúvio



Hoje estou naqueles dias

em que Deus me usa

para abortar a humanidade.

Me deixe chorar, sofrer e sangrar só.


(Marilda Confortin)