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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Ensaio sobre o que não se compreende
Ninguém é dono do amor
Nem mesmo o deus cristão
Que amor sendo, não pode tê-lo
O amor é estranho a posse
Quem o sente apenas partilha
Infinitesimal parte do mesmo
Inútil é dizer o eu, o amor
Que nega pronomes de posse
Pessoais e estranhos a si
O amor se sente, recente, abisma
Mas não é seu o sentimento
O habita em parte, mas lhe transcende.

Henrique Veber 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

FAZ DE CONTA


Criamos um estar bem e vamos estando. Pensamos verde e verdejamos.
- Mas isto é mentira, isto tudo é lamaçal, a vida em si é indigna, indigente, indigesta, negação.
Mas imaginamos, fantasiamos e criado sendo, é! Benfazejo ficamos, viciamos em criar e vamos fazendo de conta, refazendo de conta e espalhamos o fazer em contas.
- Sofisma, engodo, falsidade, coisa de alienado. Indigno fechar de olhos a realidade.
Realidade? Há realidade somente em nós mesmos, cada olhar um vasto mundo. O que é a realidade senão um conto, uma narrativa escolhida de fatos sim e fatos não. Fazendo de conta se faz história, se reconta, transforma realidade em realizar.
- Desisto tu não enxergas, anda sonhando acordado, delirando.
Não ando, cavalgo num cavalo alado, Pégaso negro, manco de uma asa, que encorajo insistentemente a voar. Quem sabe o amanhã?

Henrique Veber