quarta-feira, 29 de junho de 2016

Verde pasto.


Pastam pastos verdes
Bonitos cervos-do-pantanal

Moças helenas contentes com os bacanais
De jornais helenos de pequenos e serenos
Extrassensoriais

Pastam pastos verdes, verdes auroras
Algaravias
Entrevia, indireto discurso
Complexos recursos à pena

Arremedos.
Mímese sonora

Pastam algaravias verdes
Cervos-mateiros altaneiros
Por sobre os outeiros de outros poleiros
Pois tudo é Constituição

Na lápide de Apolo
Uma musa filial despe-se de carne mortal

Esperando serem contemplados
Mortais limitados
Ri-se Afrodite dos trabalhos de Psiquê

Pastam pastos verdes
Verdes efeminadas algaravias intelectuais.
Fêmeas verdadeiras feministas
Efeminadas naturezas vivas
Sempre-vivas coloridas e reais.

Sonham algaravias intrépidas
Estigmatizadas formas não-embrionárias
Se a rima salafrária
Conquistasse algaravias altaneiras
Da posse da cidreira
No colo da mãe-pátria

Sou
Filho do Homem.

Anderson Carlos Maciel

Aurora zoom brilho


Segunda aurora
Athena senhora
Dois destinos simultâneos
Plano
Reta
Idioma

Entretanto
Sobretudo
Acaso
Contexto linguístico

Sou teu,
Verbo
Consuma-me o ser

Verde parâmetro
Emerge sátira
Ponto da ironia
Psicanálise não erradicada

Contexto imagético
Rede Lodo
Almas livres
Universo em seu todo
Paradigma heteromorfo

Debruçar-se mais
E não emergir jamais
Santificar-se não é o caso
Hipocrisia?
Ou ciências sociais?

Juízo de valor
Didática do sabor
Entretanto...

Epopeia de carinho
com o verbo franzino

Underground doce
Underground vertente
Novamente
Segunda-feira
Julho atemporal
Brilho verde &
Ombro vosso
Linguístico

Anderson Carlos Maciel

domingo, 26 de junho de 2016

O que me acompanha no dia a dia ....
E a lembrança do melhor que tive
Nos teus braços ,nos teus beijos
E poder sentir os seus desejos..

Marcos Criscuolo

Lenda da Cigana Mariazinha da Praia

                             
                                                                           
Era uma vez uma cigana chamada Karla que apaixonou-se por um gadjo, ou seja, um homem não cigano, e engravidou. Então como o seu clã era muito rígido, ela fez tudo para esconder a sua gestação usando roupas largas.
Quando esta moça estava de nove meses, sua caravana decidiu acampar perto de uma praia. Naquele mesmo dia, Karla foi passear na orla deserta, sentiu contrações muito fortes e teve sua filha lá mesmo. Porém como a jovem não queria ser mãe, jogou o bebê ao mar.
Perto daquele local Dona Virgínia, uma costureira que era esposa de um pescador, estava fazendo a seguinte oração:
- Minha deusa das águas, eu sei que não posso ter filhos.
- Mas, por favor, me dê um bebê.
Naquele mesmo instante uma onda trouxe a criança abandonada por Karla, que ainda estava viva. Deste jeito, Virgínia gritou:
- Milagre!                                                                         
- Obrigada, Rainha do Mar!
Desta maneira Virgínia e Osvaldo, seu marido, batizaram a menina de Maria da Conceição.
A garota cresceu em beleza e seus maiores passatempos eram: costurar na máquina de sua mãe e brincar na beira do mar, por isto a menina ganhou o apelido de Mariazinha da Praia. Inclusive ela costurava lindas saias rodadas ciganas, com as quais costumava dançar na beira do mar.
No dia de seu aniversário de oito anos, esta garota resolveu catar conchas na praia deserta. Mas, um homem pulou em cima de Mariazinha, abusou da pequena e matou a pobre através de estrangulamento. Este crime chocou toda a aldeia.
Porém, a partir daquele dia, o espírito desta criança passou a proteger todos os menores que freqüentam a praia e ela virou uma entidade importante.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda da Cigana da Dança do Candelabro


Há dois mil anos, uma caravana de ciganos beduínos do deserto parou para armar suas tendas num oásis, dentre estas pessoas estava Surya, uma excelente dançarina. Naquele mesmo dia, ela resolveu bailar no local. Quando, de repente, o exército do Faraó aproximou-se e o imperador seqüestrou esta cigana. Assim a moça foi levada para o Egito, onde se tornou uma escrava, onde a sua principal tarefa era servir o jantar tarde da noite equilibrando um candelabro na cabeça. Como Surya era muito alegre, ela fazia isto dançando.
Um certo dia o deus Seth, rei das sombras, roubou o Sol e tudo ficou escuro. Então esta cigana resolveu orar:
- Deus Chu, príncipe da luz, traga o Sol de volta à Terra, pois tudo está morrendo aqui.
De repente, esta entidade apareceu e disse à garota:        
- Menina, Seth só devolverá a luz solar com a seguinte condição:
- Se você descer até as profundezas dançando com o candelabro acesso.
Deste jeito, a jovem aceitou a proposta e foi até ao inferno fazer seu espetáculo. Então, Seth falou:
- Sua dança, com a luz de velas na cabeça, me comoveu e por isto resolvi devolver o Sol para o céu. Mas tenho uma condição: quero que você baile esta coreografia todas as sextas de Lua cheia e que ensine as outras escravas este balé também.
Surya concordou e o Sol voltou a brilhar no mundo. Reza a lenda que assim surgiu a dança do candelabro.
A cigana do candelabro é uma entidade que ajuda nas aberturas de caminhos e na vida profissional.

Luciana do Rocio Mallon      

A Lenda da Pera



Entre o pomar o e jardim
Numa ensolarada manhã
Toda vestida de carmim
Brilhava uma linda maçã

Naquele dia ensolarado
O pêssego esverdeado
Apaixonou-se por esta fruta
E com sorte, sem nenhuma luta

Um pássaro levou no bico
Este pêssego atrevido
Até a maçã doce e carmim
Assim surgiu uma paixão, sim

De um beijo louco, nada sã
Entre o pêssego e a maçã
Surgiu a pera e dela a pereira
De uma forma verdadeira

A flor da pera é clara
Com alma pura e rara
Mas, quando uma gota da água
Cai dentro dela como lágrima

Ela vira flor da “péra”
Que significa espera
De um jeito imperativo,
Desesperado e altivo!

A pera é o alimento
Preferido pelo querubim
Pois tem sentimento
E nasceu de um amor sem fim.

Luciana do Rocio Mallon

Paródia da Música Fuscão Preto Depois da Alta do Feijão



Feijão preto, você pensa que sou ricaço
Você está com preço de aço
A crise me fez de palhaço
O meu bolso quer matar
No mercado e no bazar!

Falaram que a crise foi vista no mercado
Paquerando o feijão sem parar
A chuva deixou o agricultor chateado
Pois ela bailou com a crise ao luar
Fazendo o preço do feijão aumentar

O arroz soube de tudo e ficou ciumento
Do feijão ele quis um divórcio litigioso
Por isto o arroz ficou triste e rabugento
Neste momento econômico tão perigoso

Feijão preto, você pensa que sou ricaço
Você está com preço de aço
A crise me fez de palhaço
O meu bolso quer matar
No mercado e no bazar.

Luciana do Rocio Mallon

SOFISMA PARA INSENSATOS


cabeça:
coisa que pensa.
coração:
coisa que pulsa.
corpo:
coisa que padece.
alma:
coisa que só Deus.
cabeça:
coisa que quebra.
coração:
coisa que parte.
corpo :
coisa que se culpa.
alma:
coisa que só Deus.
cabeça:
pensa que quebra.
coração:
pulsa e se parte.
corpo:
padece de culpa.
alma:
que coisa! Só Deus!
corpo que cai
de cabeça.
coração de corpo
e alma.
deus:
alma sem coração?
coisa sem pé
nem cabeça?
cabeça:
coisa que culpa.
coração:
quebra-cabeça.
alma:
coisa que padece.
corpo:
coisa que só Deus.
coração:
coisa que para.
cabeça:
coisa que pira.
corpo:
coisa que transpira.
alma:
mentira de Deus?

PAULO MIRANDA BARRETO

Debutante



Nesse mês de fevereiro comemoraria o aniversário de quinze anos da filha, que não nasceu. Sem valsa! JD

Ainda Que Ninguém Decida.

Ainda Que Ninguém Decida,
Viver na paz e no amor;
Ainda desce até nós
As bênçãos do Criador.
O mundo pode estar em guerra,
Pode ter fogo na Terra,
A luz do "Céu" vem,
Vem e sempre vai brilhar.
Vem nos trazer esperança
Uma gota de incentivo,
Vem dizer que o cristianismo
Não é só um distintivo;
Interpretado e entendido
Também é a salvação.
Todos nós somos irmãos,
Todos são filhos de Deus,
Em Cristo somos cristãos.
Ninguém é órfão da "luz",
Todos que creem em Jesus
Do Pai nunca é deserdado.
Façam o bem aqui no chão
Que no "Céu" terão seus bens.
Quem ama com fé seus irmãos
Quem jamais pratica o mal;
Pode fica sossegado
Na medida da justiça,
No Mundo Espiritual
Será também compensado.

Jorge Cândido.

DIA BONITO


-Domingo de sol! Vamos visitar nosso
filho?
-Qualquer hora vou.
-Você sempre fala isso e nunca vai. E
ele sempre te espera.
-Hoje vou fazer uns serviços em casa.
Fez o bolo de laranja que ele gosta?
-Fiz sim! Coloquei a calda de chocolate
que ele ama!
-Pena que vai esfarelar...
-Quer que mande algum recado?
-Diga-lhe apenas que... que eu ... diga
que o Paraná Clube ganhou o campeonato
da segunda divisão e subiu...
-Beijos, meu velho. Tem certeza que
não quer... o dia está bonito.
-Na cadeia não tem dia bonito.
-Vou falar pra ele que você irá na pró-
xima visita.

JDamasio


Nada pior do que falar pra quem não te entende. A sensação é de vazio pleno. Falar o que você mais ama - seus poemas - para quem não pode entender. Talvez pelo risco de não ser entendida eu quase sempre me recuse a falar meus poemas, sobre meus poemas ou meus trabalhos . Ou dizer que sou poeta. Outro dia um amigo falou da frustração de outro amigo que também não era entendido em sua arte. Só viam comércio em suas obras. Ele ficou deprimido. Ninguém, a não ser os artistas sabem o que isto significa.

Marilia Kubota

Exercício lexical



Exército em marcha
Atravessando na faixa
Na mente se encaixa
Fala
Sentido
Necessidade de expressão

Óleo santo
Dízimo do pecado
Deus uno
Cristo do milagre

Narizes frágeis
Auréolas rebeldes, selvagens
Entoam luas minguantes
Em semblantes ágeis
Versos adversos
Imagens

Sentimento covarde
Contentamento

Escrita perita
Linhas apolíneas
Segunda-feira
Já é dia de...

Sorver o amargo
Procurar afago
Desatar laços semânticos
Róseos esverdeados
No cadeado
Da sinonímia

Poesia?
Um dia... Um ser
Cadência
Ritmo
Parecer
Rios que fluem
Sem você saber

Ao tutor anão
Falta verbo
Goleada na Globo
Povo bobo
Que vai te ler

Sinta...
O ar é respirável
Os livros são passíveis de serem lidos
Garranchos espremidos
Festival dos sentidos
Efemérides incógnitas
Em suas rudes órbitas
Ao redor do poder

Impeachment do verbo
No exercício lexical

Anderson Carlos Maciel
combinamos
de comandar
a galáxia
esquecemos
que éramos
apenas
estrelas

cadentes

JulioAlves

eu's


narciso mergulha n'umbigo
e insiste – espelho espelho deus
existe alguém no mundo?

* líria porto

DESENGANADO



O poeta foi desenganado pelos críticos, mas não morreu. Está sob os cuidados dos olhares atentos dos seus leitores, respira com ajuda da poesia em estado contemplativo. JD

ARTILHEIRO



Marquei mais de mil gols! Quase todos feitos a caminho da escola, na rua de saibro, chutando pedrinhas no campo da imaginação. JD

AMIGO EDU


Quase todas as noites, dizia à esposa
que ficaria até mais tarde no trabalho com

o Eduardo. A esposa dizia que ia ao shopping, mas ia à casa do amigo do marido, para ela Edu, ou Dudu! JD
Só um flerte flechou a noite daquele espelho opaco onde morava a vã esperança de uma chama.

Wilson Roberto Nogueira

CHOROSO


Filho da puta choroso! Só enxuga as lágrimas quando sua mãe volta da rua para
casa, de madrugada.JD
Frente à platéia inevitável de automóveis,
o franzino malabarista realiza
des ofício;
bailarino opanijé.

Apenas o cão,
a cada intervalo, aplica-lhe
o emplastro de saliva,
anti profilaxia do ectima.

Em seu refúgio de alumínio e fibra
[de vidro] a madame suburbana
emociona-se, sem saber
o quanto deixa de
compreender frágeis fractais,
vertentes de inconfessáveis
planos.


Ricardo Pozzo

CERTIFICADO


O certificado de conclusão do curso de jardineiro não fui buscar, mas, as sementes que plantei, em volta ao muro, todas floresceram! JD

Ao ouvir a sirene, o afro-brasileiro ficou esperto, saiu correndo, bateu o cartão e foi embora. Não ia fazer horas extras,
naquele dia.JD
Ana Cristina é morango silvestre, ardência avermelhada que fere a pele da alma sem que a gente sinta, fogo branco.
Hilda Hilst é figo. Figo - a mais exótica - sabor de eternidade.
Fico enumerando os sabores interiores destas mulheres.
Bebendo Virginia Wolff – chá preto forte e agressivo.
Tem tudo isto. Tem sabor dentro das almas femininas.
Tem sabor na escrita.
Ainda não descobriram a rara fruta que é Clarice.
Deve estar escondida na última floresta do mundo.
Deve ser delicada e deve ser a fruta do novo paraíso.

Bárbara Lia

À moça alada póstuma


A moça alada desesperada
Por bela e transcendental poesia
Desesperada rima minha é coisa fria
Moça desesperada por poesia

Seu inconsciente é rico em imagens
Não lê qualquer pornografia ou sacanagem
A moça alada é revisitada e linda
Póstuma para sua época finda

A moça alada não tem amigos, ao que parece
Seu verbo direto, azeitonas maternais
Matinais quintais virtuais é uma prece
Repetida em canção garrida de infernos astrais plurais

A moça alada é cascata de asas
Ela mora em uma fina casa
Moça alada no alto do prédio
É um perigo se sofre de incomum tédio

Moça rimada não se vende por versos livres
Ela busca um valor, uma filosofia, um enigma
Ela lembra, em hipnose, de lugares em que estive
Ela sabe, que somos imortais, das letras benignas

A moça é Carrie a estranha
Ela é paranormal e clarividente
Seu amor em prosa é latente
Do terror comendo entranhas

A moça é literatura vasta
A moça é pura e casta
A moça alada é cascata de asas
Morando em uma fina casa
No alto do prédio
A moça com tédio
É uma fina brasa
Derrete com a chuva
Chupando picolé de uva
No balanço do tempo

Moça coruja seja minha amiga
Eu canto e te encanto com essa cantiga
Moça alada não me devore
Faço mais um poema para que sua vida demore

A ser plena e serena divinal
Em seu quintal brincando com a pena
Pena, pena, doce pena
Transforme esta rima pobre
Em rima nobre
Forjada no cobre
Era uma vez...

Nossas vergonhas saradas
Eu e a moça alada

Anderson Carlos Maciel
estive aqui pensando em escrever um texto sobre a importância do cu - isso mesmo, cu, sem acento; depois, julguei que, talvez, não seria de bom tom e eu poderia ser denunciado ao facebodoque - por mais que o cu seja uma questão ontológica: todo mundo tem, e quem tem tem medo (aquele terror de que fala o espinosa); kantianamente falando podemos agrupar cus em vários paradigmas, os quais eu não vou citar, me limitarei ao cu sujo. pois bem, o cu sujo é a eminência parda social, e dispensa descrições aprimoradas, sobretudo porque ninguém cuida do próprio ou porque não é seu - é alheio - ou por fazer de conta que não lhe pertence. na idiossincrasia do cu, há que se notar, a personalidade peculiar, principalmente em termos de generosidade, o cu dá e se dá, raramente recebe, não entremos nos termos. mas, o problema jaz no cu alheio, inusitadamente, há pessoas que se preocupam mais com o cu alheio do que com o seu próprio - o que me lembra um poema do françoise villon. no prosseguimento de minhas investigações, cuidarei do meu próprio cu e aconselho que você cuide do seu.

William Teca

sábado, 25 de junho de 2016

SEU ÚLTIMO SUSPIRO


Quando estiver passando mal;
É eminente ir para um hospital;
Ficar horas esperando é normal;
Qualquer descuido pode ser fatal.
Saúde não é brincadeira;
Doença não é costumeira;
Se em casa você fez besteira;
Conte tudo para a enfermeira.
Diagnóstico vai aparecer;
Exames terá que fazer;
Nas filas vai amanhecer;
Saúde pública te ensina a viver.

Lenda da Maria da Frase: Pense Sempre Em Quem Está Ausente


Na Europa Medieval, existia uma adolescente chamada Genoveva, que tinha a mãe que sempre dizia:
- Cuidado com o Violeiro do Diabo!
Um certo dia, esta jovem foi à floresta pegar lenha, avistou um rapaz com um violão e apaixonou-se por ele.
Alguns meses depois, Genoveva descobriu que estava grávida e seu amado desapareceu misteriosamente. Como naquela época as mães solteiras eram muito discriminadas, esta jovem tomou diversos chás abortivos para que perdesse o bebê. Mas nada adiantou. Assim ela deu à luz a uma menina que batizou de Maria. Mesmo assim, Genoveva passou a maltratar sua filha com o tempo. Geralmente, a garota só podia comer os restos dos outros familiares, era responsável por todo o serviço da casa e a única roupa que tinha era um vestido xadrez, que era reformado toda a vez que a pobre crescia. O passatempo desta menina era visitar uma bruxa que morava no meio da floresta, com quem ela aprendeu os segredos da culinária, das ervas e da espiritualidade. Através dos ensinamentos desta maga, Maria aprendeu que não era porquê sua vida era amarga, que ela deveria maltratar os outros.
Os anos se passaram, Maria cresceu e um certo dia, uma gripe muito forte matou todos de sua família. Após a morte de seus parentes, esta jovem sonhou que havia um tesouro que seus antepassados enterraram no jardim. Deste jeito, a moça cavou a terra e encontrou um baú cheio de joias preciosas. Por isto, ela esperou a epidemia se acalmar, foi até à vila, vendeu o tesouro e montou uma pousada, onde servia comida farta aos hóspedes, com o seu velho vestido xadrez. Sempre quando alguém perdia a hora do almoço ou do jantar, Maria guardava um prato de comida e dizia:
- Pense sempre em quem está ausente.
Quando chegava o Natal, esta mulher visitava famílias carentes e distribuía marmitas para cada pessoa. Quando um membro, não se encontrava na residência, Maria deixava uma marmita a mais e dizia às pessoas:
- Pensem sempre em quem está ausente.
Desta maneira, a mulher recebeu o apelido de Maria do Vestido Xadrez. Além disto, esta frase acima ficou conhecida no mundo inteiro e até hoje virou bordão popular.
Portanto, siga o exemplo de Maria do Vestido Xadrez e, quando fizer alguma comida, pense sempre em quem está ausente.

Luciana do Rocio Mallon

A Onça da Olimpíada Se Encontrou Com o Jacaré e o Gorila no Céu



Juma era uma onça com sentimentos
Que foi resgata cheia de ferimentos
Quando ainda era um filhote inocente
E foi criada num cativeiro dormente

Ela cresceu e foi obrigada a desfilar amarrada a uma corrente
Numa parada para saudar a Olímpica tocha
Porém isto foi uma atitude incoerente
Pois onça é um animal selvagem e não uma rocha

Juma ficou estressada com tantos selfies ao celular
Que a coitada foi obrigada a tirar!
Então, numa pessoa, ela tentou avançar

Por isto, com um tiro, era perdeu a vida
Que desde bebê, já começou sofrida
Hoje ela encontra-se em outros astrais
Bem no céu e no paraíso dos animais

Conversando com o jacaré e o gorila que morreram da mesma maneira
De uma forma cruel, triste, depressiva e traiçoeira!
As pintas da onça Juma viraram estrelas cintilantes
Com a esperança dos humanos serem menos arrogantes
Estas estrelas iluminam a Terra com luzes brilhantes.

Luciana do Rocio Mallon

No Frio de Curitiba, se Deixar a Garrafa de Leite Quente Lá Fora, Tudo Vira Picolé


                                                                                                                                                               
O inverno no nosso lindo Brasil
Deixa o céu muito mais anil
Menos em Curitiba, onde tem a geada
Que beija a neblina apaixonada!

Curitiba tem um cinza inverno
Com um clima de sonho eterno
Onde o misterioso e calado frio
Escreve na pele de um arrepio

Nunca fritei ovo no asfalto
Num calor quente e alto
Mas, em Curitiba, já vi garrafa de leite
Transformar-se em picolé para o deleite!

O leiteiro numa gelada madrugada
Deixou uma garrafa de leite na geada
Mas o leite transformou-se em picolé
Porque o clima ameno deu no pé!

No frio de Curitiba até o leite quente
Precisa de um abraço fremente
Na sua alma franca e branda
Como sua cor pura e branca

Mas uma garrafa destas quebrou-se para o tormento
Porém as gotas delicadas, doces, macias e frias
Pararam na Via-Láctea com o mais lindo sentimento
Escrevendo no firmamento maravilhosas poesias

Em formas de estrelas cintilantes
Nas constelações radiantes e brilhantes

No frio de Curitiba até o leite quente
Precisa de um abraço fremente
Na sua alma franca e branda
Como sua cor pura e branca.

Luciana do Rocio Mallon

A Melhor Forma de Combater o Suicídio é Falar Sobre Ele



Sabe aquele moço que saltou de um edifício,
Que vivia se queixando de sua vida difícil?
Esta atitude poderia ter sido evitada
Se ele fosse consolado de madrugada

Sabe aquela dama que se enforcou no jardim,
Que vivia chorando porque sua vida era ruim?
Este ato fatal, realmente, não aconteceria
Se alguém lesse para ela uma bela poesia

Sabe aquele andrógino que tomou veneno
Numa noite gelada e com um obscuro sereno?
Esta morte poderia ser evitada com elegância
Se o mundo tivesse mais amor e tolerância!

Sabe aquele aluno que cortou os pulsos no banheiro
Que ficava se isolando pelos cantos o tempo inteiro?
O seu sofrimento e o suicídio não chegariam adiante
Se o assunto fosse debatido nas aulas, entre qualquer estudante

Uma vez, um amigo viu uma dama chorando na rua
Por isto ele ofereceu à moça, uma linda rosa
Ele, também, mostrou a suave luz da lua
Além de oferecer um momento de prosa

Assim ele evitou uma tristeza
Graças a sua nobre sutileza!
Ao ver alguém chorando ou até mesmo depressivo
Procure a pessoa e não se sinta apreensivo

Porque o diálogo é a ponte para a vida
Às vezes a pessoa só precisa de uma mensagem
Para amenizar sua estrada sofrida
E renovar as esperanças na paisagem.
Luciana do Rocio Mallon


Lenda da India Guabirotuba do Bairro Guabirotuba


Reza a lenda que na época em que Curitiba se intitulava Vila Nossa Senhora da Luz, o bairro que hoje se chama Guabirotuba era uma aldeia de índios. Um certo dia, este indígenas brigaram com uma tribo rival e o pajé dos inimigos mandaram vários ratos para eles. Naquela mesma época nasceu uma menina que recebeu o nome de Guabirotuba que, em tupi-guarani, significa “muitos ratos”. O tempo passou e durante todos aqueles anos, os índios tentaram expulsar os diversos ratos de suas terras, mas nada adiantou.
Quando Guabirotuba completou 3 anos de idade, ela pegou uma flauta indígena, feita de madeira, e com o som atraiu todos os ratos para o fundo do rio, que cortava a região. Então o local ficou livre daqueles roedores e o vigário Dom Ignácio Lopes comprou estas terras, que por causa da lenda recebeu o nome de Guabirotuba.
Até hoje dizem que se, por acaso, alguém deste bairro avistar algum rato, basta a pessoa orar para a índia Guabirotuba que ela expulsa o roedor do lugar.

Luciana do Rocio Mallon

Governo


Enigma de meus olhos
Impeachment dos teus
Governo das próprias pernas

Anderson Carlos Maciel

O Promonauta e os Urubus



O promonauta é um verdadeiro astronauta
Participando de concursos na Internet
Atrás de um produto que lhe faz falta
Mesmo a sorte fazendo de sua alma uma marionete
O importante é não desistir para ganhar confete!

Ele participa de sorteios e testes culturais
Mesmo não sendo um famoso gênio
O promonauta viaja em vários astrais
Com um balão mágico de oxigênio
Em busca de um sonhando prêmio

Mas, às vezes, quando ele ganha um sorteio
Aparecem uns urubus perigosos e invejosos
Que se metem bem no centro e no meio
Dos resultados mais harmoniosos!

Os urubus questionam as regras sem sentimento
Mentindo que os sorteados não cumpriram o regulamento
Eles realizam até “print” para causar tormento
Esta competição vira um furacão em pleno vento!

Os urubus tem um peso tristonho
Pois fazem de tudo para acabar com o sonho
E pegar o prêmio de quem foi sorteado
O importante é não deixar a fé de lado!

Pois um promonauta tem que ser persistente
E não deixar se abater pelos urubus carniceiros
Ele divide com outros seres o concurso quente
Pois seus ideais são puros e verdadeiros.

Luciana do Rocio Mallon

Situacionista


Impeachment do bom-senso
Na bancada da metáfora
Palanques teóricos do ego

Anderson Carlos Maciel

Meia-Noite é Cedo, Mas Duas da Manhã é Tarde Demais



Você quer que eu suma e vá embora
Porém meia-noite é muito cedo
Não desejo fazer hora
De enrolar, eu tenho medo

A indiferença deixa as mãos frias
Mas preciso de mãos quentes
Que criam poemas e poesias
Doando calor aos ausentes

Eu tenho responsabilidade
Nunca atraso nos compromissos
Mas preciso de solidariedade
De seres que não são omissos

Meia-noite é cedo para partir
Pois eu não sou Cinderela
Sou Adormecida sem elixir
Não sou recatada e nem bela

O relógio rígido da vida eterna
Não deixa que eu chegue às duas da manhã
Não sou uma princesa fraterna
Com hálito perfumado de hortelã

Meia-Noite é cedo para uma despedida
Mas, duas da manhã é tarde demais
Não sou uma baladeira, nem uma flor perdida
Eu só quero sair num momento de paz.

Luciana do Rocio Mallon

Recomeço


Impeachment dos teus olhos
No governo da multidão
Sonhos em reeleger teu beijo

Anderson Carlos Maciel

Lendas e Simpatias da Fogueira de São João


As festas juninas foram criadas para celebrar os aniversários dos seguintes santos: Santo Antônio, São Pedro, São Paulo e São João. Estes eventos são recheados de misticismo, principalmente, em relação às simpatias casamenteiras de Santo Antônio e a fogueira de São João. Aqui, falaremos sobre este último fenômeno.
Alguns antropólogos afirmam que foi na época das cavernas que surgiu o hábito de acender uma fogueira quando um bebê nascia. Pois, o fogo além de expulsar os animais selvagens, as pessoas, daquela época, acreditavam que o fogo representava uma certa entidade que significava luz para uma nova vida. Porém, com o tempo, este hábito foi esquecido até renascer com o nascimento de São João Batista, filho de Santa Isabel.
Reza a lenda que Maria era muito amiga de sua prima Isabel, que ficou grávida alguns meses antes dela. Como elas moravam longe uma da outra, Isabel combinou que acenderia uma fogueira numa montanha quando seu filho nascesse, assim sua prima ficaria informada da novidade. Então quando João Batista nasceu, sua mãe fez o prometido e deste jeito recebeu a visita de Maria, que ainda estava grávida de Jesus.
Segundo o mito, há simpatias que devem ser feitas na fogueira de São João, no dia 24 de junho. Por exemplo: na data deste santo, escreva seus sonhos numa folha de papel virgem e atire este papel no meio da fogueira, que seu pedido se realizará.

Luciana do Rocio Mallon

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Exercício lexical


Exército em marcha
Atravessando na faixa
Na mente se encaixa
Fala
Sentido
Necessidade de expressão

Óleo santo
Dízimo do pecado
Deus uno
Cristo do milagre

Narizes frágeis
Auréolas rebeldes, selvagens
Entoam luas minguantes
Em semblantes ágeis
Versos adversos
Imagens

Sentimento covarde
Contentamento

Escrita perita
Linhas apolíneas
Segunda-feira
Já é dia de...

Sorver o amargo
Procurar afago
Desatar laços semânticos
Róseos esverdeados
No cadeado
Da sinonímia

Poesia?
Um dia... Um ser
Cadência
Ritmo
Parecer
Rios que fluem
Sem você saber

Ao tutor anão
Falta verbo
Goleada na Globo
Povo bobo
Que vai te ler

Sinta...
O ar é respirável
Os livros são passíveis de serem lidos
Garranchos espremidos
Festival dos sentidos
Efemérides incógnitas
Em suas rudes órbitas
Ao redor do poder

Impeachment do verbo
No exercício lexical
Anderson Carlos Maciel

domingo, 19 de junho de 2016

Nem sempre estarmos sós significa sermos solitários...


Olha, muitos criticam,
de uma forma até um tanto preconceituosa
e sem fundamento...
pessoas que, de alguma forma, resolvem ficar sós
como se, no quesito amor, etc...vivessem a se frustrar
No entanto, eu me questiono até que ponto
essa visão...é absolutamente verdadeira...
até que ponto devemos viver em um relacionamento
muitas vezes, sem graça,
que ficamos mais solitários do que tudo
No intuito de um requisito social atender ou acatar ?
Não fazendo uma ode pela ode à total abstinência...
que, dependendo da situação...
pode ser um pecado mais que capital...
mas, vamos combinar que muitas vezes,
é melhor ficarmos sós...
Do o que solitários em um relacionamento frio...ficar
Pode parecer algo muito complexo
na cabeça de muita gente boa...
que até não sabe viver muito bem sozinho...
mas, se não soubermos viver sós, conosco,
com o nosso mundo...
como podemos coisas nossas, de forma plena,
sem máscaras...
com outra pessoa compartilhar ?
E, pasmem vocês, não é pecado nenhum sermos sós,
não é sinônimo de incompetência, feiura,
falta de afeto ou amor...
mas, uma circunstância da vida,
que momentaneamente ou não..
muitos de nós, querendo ou não...
temos sim que passar

(RenataFly, Brasília, 13/05/2015)

A NEGAÇÃO DO PECADO


Olho a maçã indecifrável
Que se intromete
Dentro do meu olhar
Na ânsia de me seduzir.
Alguns tentam negar o pecado
- Para esses, ato impossível;
Fruto, nas alturas, pendurado -
E, hipócritas, mentem!
Então, fazem-se de cegos
Flagelando-se às escondidas
Em noites de horror e pesadelo. . .
Porém, o fruto permanece
Objeto de desejo e cobiça
De nossas insanidades, a fonte.


José Luiz Sousa Santos‎ 

para POETEIRO DE RUA

- por JL Semeador de Poesias, concluído na noite de 18/06/2016 -
na casa
passeiam fantasmas
em busca de espelhos
de não se ver"

(Nydia Bonetti)‎

O Grande Capital

Como nos prevenir de assédios morais?


Sim, diante de crises,
Diante da até da limitação de tantas pessoas...
Todo e qualquer tipo de assédio moral...
Infelizmente, podemos sofrer
Nesses casos, por mais que muitos até digam
Que contribuímos para tal situação...
Temos que questionar até que ponto
Nos fazemos mesmo de vitima
Ou verdadeiras vitimas...ficamos a ser
Sim, tais assédio podem acontecer
Seja nas casas, nas escolas, nos ambientes de trabalho
Onde muitas relaçōes tóxicas acontecem...
Ainda que muita gente boa,
inclusive o assediador e o próprio assediado
Não conseguem perceber
Relaçōes onde as pessoas pensam ou acham
Que são melhores que outras...
Em razão de alguma situação de privilégio, status,
Ou poder....
Enfim, seja lá como for...
Se estivermos em uma situação dessa,
A primeira coisa é pedirmos ajuda ou auxilio
De quem com sabedoria...pode ao menos,
Tantas questões esclarecer
Sim, ler tudo que for possivel sobre o tema,
Aprendendo a nos defender, com as armas legitimas....
Contra todo tipo de assédio
Que pode nos agredir ou ofender
Afinal, assédio moral não é brincandeira...
E quem se utiliza desse recurso nada ético ou moral
Para qualquer finalidade na vida...
Hum...além de prejudicar tanta gente boa
Eu me questiono se alguma coisa boa mesmo...
Fica a vencer

(RenataFly, Brasília, 25/05/2016)

Na Minha Época, Nude Era Apenas uma Cor



Na minha época, nude era só uma cor
Entre a areia, o bege e o marfim
Dependendo da textura e do sabor
Era mais macia do que o cetim!

Hoje, nude é um convite à promiscuidade,
À traição e à infidelidade na realidade,
Ou, nas famosas redes sociais
Que alcançam outros astrais

Não gosto que mandem nudes sem eu pedir
Para a falta de vergonha não há elixir
Em vez de alguém me mandar nudes
Prefiro que a pessoa envie noughts,

Que é um biscoito sem receio,
Com conteúdo intelectual no recheio!
Em vez da pessoa me mandar nudes
Prefiro que ela me envie foods!

Nude era só uma cor, no meu tempo
Entre a areia, o marfim e o bege
Naquela época tinha mais sentimento
E a conquista era suave e leve.

Luciana do Rocio Mallon

"Lisboa que amanhece" - Sergio Godinho com Caetano Veloso

Lenda da Cigana Ravena e o Deus Lugh


Na Idade Antiga havia uma cigana chamada Ravena, que gostava de pentear as pessoas. Um certo dia, esta menina estava orando num jardim, quando Santa Sara apareceu e disse:
- Sua função é melhorar a saúde das pessoas através de seu toque nos cabelos delas. Porém, você nunca poderá ser tocada por um homem e nem se apaixonar. Pois se isto acontecer, seu poder desaparecerá e seu coração parará de bater.
A partir daquele dia, Ravena ficou mais cautelosa e passou a evitar ao máximo seu contato com homens.
Uma vez, a caravana de ciganos armou acampamento em território celta. Então Ravena decidiu dar uma volta no local. Perto da lagoa, ela avistou um lindo rapaz dormindo debaixo da sombra de uma árvore. Este moço era o deus Lugh, que tinha brilhantes cabelos compridos, porém desgrenhados. Por isto, a cigana chegou perto deste homem e resolveu pentear suas madeixas fazendo belas tranças. A partir daquele dia, este hábito passou a se repetir. Mas, sempre quando Lugh acordava, ele lavava seu rosto na lagoa, assim notava que alguém tinha feito tranças no seu cabelo. Apesar disto ele pensou que poderia ser algum morcego que executava a tal travessura. Afinal, era normal este tipo de bicho fazer tranças até nos cavalos.
Numa tarde de primavera, Ravena voltou à beira da lagoa para fazer tranças no seu amado. Mas, de repente Lugh, acordou e com o susto pegou nas mãos da menina, que começou a tremer, desmaiou e morreu. Como um raio, naquele instante, o corpo inteiro da garota virou um corvo negro que passou a proteger Lugh nas suas batalhas.
Hoje, a cigana Ravena é uma entidade que realiza amores impossíveis e protege os guerreiros nas lutas da vida.

Luciana do Rocio Mallon

Sérgio Godinho - Cuidado com as Imitações

O Amor de uma Menina Que Vive Trancada em Casa



O amor de uma menina que vive trancada em casa
Pode até ser uma paixão sem nenhuma asa
Mas é o amor mais sincero e verdadeiro
Porque nunca será infiel e traiçoeiro

Ela não sabe o que é um abraço quente
Mas já doou um agasalho a alguém carente
Ela não sabe o que é um beijo entre os lábios
Mas ela é uma estrela guiada por astrolábios!

O amor de uma menina que vive trancada num castelo
Não existe em forma de toque, por isto é o mais belo!
Ela não sabe o que é balada e nunca foi ao cinema
Mas quando está apaixonada sempre escreve um poema!

Ela não nunca experimentou uma alcoólica bebida
Porém sua saliva cura qualquer tipo de ferida
Ela só vai do trabalho para casa e de casa para o trabalho
Porém, o seu espírito é forte como um carvalho

Ela só vai da escola para a casa e da casa para a escola
Para ninguém, nas esquinas, ela dá bola

O amor de uma menina que vive trancada em casa
Pode até ser uma paixão sem nenhuma asa
Mas é o amor mais sincero e verdadeiro
Que nunca será infiel e traiçoeiro.

Luciana do Rocio Mallon

Meu Sonho é Morrer Agora



Meu sonho é morrer agora
Deitada no lençol cor de amora
Não aguento mais esta vida
Que só me deixa marcas e feridas

Os tempos se passaram demais
Não consegui realizar nenhuma fantasia
Nesta minha jornada sem paz
Onde só me restou a poesia

Meu sonho é morrer agora
Porque preciso ir embora
Deste triste e brabo mundo
Onde nada é profundo

Porque lá no além
Sei que tem alguém
Esperando-me pela eternidade
Na ponte da felicidade

Este ser carrega nas costas uma viola
E no bolso um par de castanholas
No seu cabelo comprido tem um chapéu de luz
São duas estrelas cintilantes, os seus olhos azuis

Ele tocará o lindo instrumento
Com emoção e sentimento
Só para que eu possa dançar
Com minha saia comprida ao luar

Meu sonho, na Terra, é morrer neste momento
Não aguento mais as pessoas ingratas
Que me maltratam ao frio vento
Quero voltar ao tempo das serenatas.

Luciana do Rocio Mallon

Cafuné Com Poemas ao Pé do Ouvido


Há uma vibração cheia de harmonia
Quando você declama ao pé do ouvido
Uma declaração repleta de Poesia
Capaz de curar o espírito ferido

Quando este sussurrado poema
Encontra-se com um cafuné
Desaparece qualquer problema
Porque este é um ato de fé

E de esperança de um amor verdadeiro
As palavras entram na alma do universo
Com a ajuda do cafuné suave e faceiro
Que abraça e beija o mais doce verso!

No cafuné os cabelos viram um instrumento
Enquanto o ouvido recebe frases bonitas
Que acalma com ternura e sentimento
Até as lágrimas mais aflitas!

Cafuné com poemas ao pé da orelha
Criam uma conexão com o espaço brilhante
No espírito do casal surge uma centelha
Que se transforma em estrela cintilante.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda da Carroça do Hermafrodita



Quem me contou esta lenda foi minha falecida vó Lena e resolvi posta-la aqui.
Há muitos anos, num vilarejo chamado Butiá do Lajeado, região rural da cidade de Mafra, em Santa Catarina, existia um casal de lavradores que tinha uma casa de madeira no meio do mato. Um certo dia, a mulher deu à luz ao seu primeiro bebê,  bem numa noite de eclipse. Mas, a parteira se assustou ao ver o sexo deste neném e explicou:
- Esta criança é hermafrodita, pois têm os dois órgãos genitais. Diz a tradição que isto costuma acontecer com bebês que nascem em noites de eclipse.
Assim, o pai do neném exclamou:
- E, agora?
A parteira sugeriu:
- Criem esta criança como se fosse menina. Mas, evitem que ela tenha muito contato social. Em vez de leva-la para a escola, alfabetizem a pequena em casa mesmo. Porém, nunca deixem sua filha cruzar a ponte que separa Mafra da cidade de Rio Negro, pois deste outro lugar para cima, sua aparência ficará masculinizada.
Deste jeito o neném foi batizado de Maria e passava a maioria do tempo trancada em casa. Apenas saia para ir às missas e às festas religiosas acompanhadas dos pais.
O tempo passou, a garota cresceu e chegou à adolescência. Um dia, esta jovem foi à festa de Santa Rita junto com os seus pais. Porém, a menina passou o tempo inteiro encarando outra adolescente no evento. Quando seus parentes se descuidaram, Maria se aproximou da outra garota. Assim ela descobriu que sua nova amiga morava em Rio Negro, cidade vizinha, e pediu o endereço dela. Já que naquela época, não havia telefone disponível e muito menos Internet.
Maria começou a sentir algo muito profundo, com relação a sua nova colega que não sabia descrever. Um certo dia, seus pais foram a outro vilarejo e deixaram a adolescente sozinha em casa. Por isto, ela decidiu pegar uma carroça e visitar sua mais recente amiga.
Porém quando ela cruzou a ponte que separava Mafra de Rio Negro, transformou-se num rapaz. Logo, a moça sentiu algo estranho, pegou o espelho que tinha na bolsa e se assustou ao ver a transformação. Mesmo assim não desistiu de ver sua colega. Quando, finalmente, chegou ao endereço desejado, ficou na rua observando a casa da garota. Quando, de repente, a jovem apareceu na janela, avistou a aparência masculina de Maria e se apaixonou por ela. Deste jeito, uma se aproximou da outra e começaram a namorar. Para contornar a situação, Maria mentiu que se chamava Pedro e confessou morar numa região rural de Mafra.
Deste jeito toda a vez que os pais de Maria caminhavam para longe, a jovem cruzava a ponte que separava Mafra de Rio Negro para ver a amada, com a aparência de Pedro. O problema é que a nova namorada possuía um noivo chamado José. Um certo dia, este rapaz descobriu tudo, seguiu Maria e jogou a carroça junto com a pobre da ponte Rio Negro-Mafra. Porém a partir daquele dia, este hermafrodita virou um fantasma que até hoje, segundo a lenda, assombra esta ponte. Muitas pessoas afirmaram ver uma moça, numa carroça, que é mulher quando a ponte ainda está em Mafra, mas que vira homem quando seu meio de transporte chega à cidade de Rio Negro.

Luciana do Rocio Mallon

Com relação ao nosso próprio valor e mérito...devemos nos confundir ?


Sim, muitas vezes,
Seja por cansaço, por desmotivação,
Enfim...
Sobre tantos temas, que até outrora dominávamos
Podemos sim nos confundir
Contudo, devemos nos confundir com relação
Ao nosso próprio valor e mérito
Mesmo que tantos, por conveniência ou sei lá o quê...
Tentem nos provar por A mais B...
Que nunca fomos capazes de o que é bom...
Produzir ?
Será que devemos ser "convencidos" disso
Até para que possamos dar o mérito a tantos...
que, diga-se de passagem, tem sim seu mérito..
E, portanto, sua caminhada...
ainda que não tenhamos esse poder...
evitar impedir ?
Enfim, seja como for...
Mesmo que tenhamos que colocar tantos panos quentes
Naquilo que nos incomoda profundamente...
Para ninguém incomodar
Não, sobre nosso valor e mérito...
Não somos "obrigados" a nos confundir
Nesse contexto,
não somos "obrigados" a fazer prova contra nós mesmos...
Sobretudo, quando sabemos que não somos culpados
De tantas coisas
Quem tentam nos imputar ou incutir
Muito pelo contrário....
Pelo nosso histórico ou biografia...
Apesar dos nossos defeitos ou vacilos,
temos toda obrigação ou dever de reconhecer
o que de ótimo para o mundo...
ficamos a contribuir
Mas, sim, chega um momento que tantos eventos da vida
Podem nos confundir....
A ponto de nos fazer pensar que nada fazemos de bom
E até nos fazer achar que tantas coisas boas
Ficamos a impedir
No entanto, temos que ter muito cuidado com esse
Pensamento ou sentimento...autossabotador
Que dá asas a muitas cobras...
E não nos deixa em Paz....seguir
Enfim, sobre nosso mérito e valor,
Devemos ser mais que confiantes e seguros
Até para que não fiquemos nas mãos de ninguém
Sobretudo, de quem, de uma forma nada muito bem intencionada
ou transparente...
Tenta nos fragmentar ou confundir

(RenataFly, Brasília, 30/05/2016)

A Poesia Pode Curar



A poesia tem a capacidade de curar
Quem está enfermo e doente
Pois palavras bailando ao ar
Deixam alguém contente

Se a vibração da pessoa
É a mesma do escritor
Com uma poesia boa
Ela se livra da cruel dor

A mente transforma palavras cruas
Em agradáveis e mágicas imagens
Vestindo as células frias e nuas
Com as mais fantásticas paisagens

Quando o cérebro faz esta mudança
Forma anticorpos no corpo inteiro
Combatendo os vírus com esperança
De um jeito saudável e verdadeiro.

Luciana do Rocio Mallon

Nem sempre somos "culpados" de vivermos em cativeiros...ainda que livres...


Sim, por mais que tenhamos um espírito livre...
Nem sempre somos "culpados" por vivermos em cativeiros...
Em tantos sentidos da palavra...
E da melhor forma possivel...
Procuramos sobreviver
Sim, depois de sofrer castigos ou verdadeiras mordaças...
Passamos a viver, flexibilizando o que é possivel
Sendo extremamente conciliadores...
Ainda que tantos vivam a agressivos ser
Afinal,nem todos nascem ou tem as mesmas condiçōes
Que tantos outros de lutar...
E seus próprios medos...
Vencer
Muitas vezes, nem sempre podemos contar
com o apoio de todos,
Ainda que daqueles que até teriam o dever
De lhes ajudar contra tudo que fica a lhes agredir
Ou fazer sofrer
Sim, a liberdade é uma conquista, não nego....
Mas, nem sempre todos tem a mesma condição
De romper contra todas as prisões
Que ficar a acorrentar o seu Ser
Não que não lutem com toda sua força...
Mas, é que chega um momento em que,
Mesmo os mais valentes se cansam....
De lutar em tantas lutas inglórias
Que somente fazem seu corpo,mento e espírito sofrer
Nesse contexto, mesmo os mais livres....
De tanto ficar em tantos cativeiros....
Chega um momento em que ou se resignam
Ou lutam em batalhas que somente
Fazem seu Espirito morrer
Portanto, por mais livres que sejamos...
Não nos "culpemos" por vivermos em tantos cativeiros...
Até porque tantas circunstâncias nos levaram a isso...
E, talvez,a verdadeira liberdade,
Ainda que em cativeiro...
Seja algo que muitos poucos consigam plenamente viver

(RenataFly, Brasília, 12/06/2016)

Lenda da Tulipa Roxa e Maria Madalena


                                                                         
Tulipa roxa é uma flor, mas também é uma gíria utilizada, em alguns países, com conotação sensual. Por isto muitas pessoas dizem que esta flor tem ligação com a Maria Madalena da Bíblia. Neste livro sagrado, Jesus expulsou sete demônios do corpo dela e para várias religiões, ela foi uma garota de programa que se arrependeu quando conheceu a verdadeira fé.
Há uma lenda que diz que a mãe de Maria Madalena não podia ter filhos e para isto procurou uma feiticeira.  Esta bruxa induziu a mulher a fazer um ritual satânico utilizando uma tulipa roxa, sangue de animais e outros ingredientes. A flor ficou guardada na mesa do quarto, da moça que desejava tanto ter um neném, e dentro da tulipa um feto passou a ser gerado. Depois de nove meses nasceu uma criança de dentro desta flor, que foi batizada de Maria Madalena, já que ela nasceu numa aldeia de pescadores chamada Magdala.
Reza a lenda que, na adolescência, ela se rebelou contra seus familiares e virou uma prostituta. Um certo dia, moralistas queriam apedreja-la. Então Jesus apareceu e exclamou:
- Quem não tiver pecados, atire a primeira pedra!
Assim, ninguém feriu a moça.
Após este episódio esta jovem passou a acompanhar alguns momentos importantes de Jesus e até chorou em sua crucificação.
Existe uma outra lenda que diz que Maria Madalena resolveu meditar no deserto, para alcançar a purificação da alma, e lá morreu de inanição. Porém seu corpo virou uma tulipa roxa, que nunca morre, e quem achar esta flor conhecerá todos os segredos da sensualidade.

Luciana do Rocio Mallon

Sermos "humanos" não significa que seremos perdedores...


Nesse mundo de vencedores
E perdedores...
Muitos acreditam piamente
Que seu lado humano
Tem que perder
E quando falo lado humano...
É começarmos por nós mesmos...
Ao percebemos que somos
Seres falhos, imperfeitos...
E não precisamos ser iguais a tantos
Para poder vencer
Muito pelo contrário,
Quanto mais estivermos próximos
da nossa verdadeira essência
Mais seremos capazes, de forma plena
Nossos obstáculos vencer
E da melhor forma,
Sendo compreensivos
com tantos Seres Humanos,
Com tantas diferenças
Seja de gerações, de pensamentos
Ou mesmo formas de viver
Afinal, nossas diferenças
Dão cor o que poderia ser cinza
Excessivamente padronizado...
Onde verdadeiramente ninguém...
Fica a vencer
É fácil ?
Não, definitivamente, não é...
Mas, se vencemos passando por cima
De tantos
Ainda que destruindo
o que há de melhor em nossa essência
Muitas coisas ficamos a perder...
Enfim, que sejamos vencedores...
Sendo humanos...
Sem precisarmos "alegar"
tudo de bom que fazemos ao próximo
Afinal, quem sabe, assim
Não somente deixamos
nossa marca no mundo...
Como em paz conosco...
Passando a viver

(RenataFly, Brasília, 13/06/2016)