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domingo, 20 de agosto de 2017

Olho agora pela janela, vejo e escuto um dia de garoa e frio de Curitiba. A minha memória me leva às noites de travessia de oceano sem nenhuma visibilidade. Segue o navio a flutuar e a confiança minha está nos instrumentos de navegação, pois os olhos nada enxergam além de alguns metros adiante do olhar. Sei que a vida, a minha e a de todos os marinheiros, está se sustenta em alguma confiança no que já foi construído. Os olhos, vez ou outra, tentam saltar do corpo e em vão nada irão encontrar. Risca o mar o navio, segue a viagem em sonho certeiro do destino a alcançar. Repousa em outros sentidos mesmo em mar de balanços agitados. Olho a janela como se fosse a proa do navio. A visão dos silêncios do olhar. Os pés sobre o piso, a quietude e a confiança dos dias a navegar.

Tonio Luna