quarta-feira, 31 de julho de 2013

entrega

fui agora pedido em casamento
entre pragas, estragos e atropelos.
uma noiva por dia eu invento!

faço o que pra cuidar dos meus cabelos?"



( romério rômulo)

A beleza dos escombros

O mundo dá voltas
Feito um redemoinho..
Qualquer dia desses eu te chamo
Para ver como ficou minha casa
A beleza dos escombros
Após o furacão
Que você e eu presenciamos
Do alto
Das nossas pernas bambas.



(Adelaide N.)

Ricardo Pozzo


Garrafa Encontrada na Praça Tiradentes



Nesta semana algo bom aconteceu
Que deixou os curitibanos contentes
Um sorriso alegre surgiu no breu
Pois, acharam uma garrafa na Praça Tiradentes

Reza a lenda que nesta garrafa antiga
Há o mapa do tesouro do Pirata Zulmiro
Pessoas dizem que há uma carta proibida
Da paixão de um misterioso vampiro

Daqueles dos contos de Dalton Trevisan!
Acharam uma garrafa naquela manhã
E tudo ao redor ficou mais pomposo
Por causa do segredo maravilhoso!

Dizem que dentro há uma receita
Das antigas Farmácias Minerva!
Falam que há a carta de uma seita
Com cheiro de antiga erva!

Acharam o objeto debaixo da estátua do Turim
Gostaria, desta garrafa velha, esfregar
Para ver se sai o gênio do Aladim
E realiza meu pedido pelo ar!

Vou ralando na boca desta garrafa
Bailando em cima deste mistério
Uma lenda boa nunca se safa
De um crítico frustrado e sério

Vou ralando na boca da garrafa
De mais um causo de Curitiba
Assim, minha alma se enche de graça
Curando no peito mais uma ferida.

Luciana do Rocio Mallon
De agora em diante vamos sociologizar a vida, a cultura, o desejo, vamos sociologizar tudo, até que não sobre nenhum resquício das contradições humanas, nenhuma faísca de nosso lado irracional, mas apenas objetos de estudos de sociólogos que analisam a >>opressão católica da mulher<<. Devidamente aprovado, qualificado, pasteurizado e embalado para o consumo pelo departamento de sociologia!

A PATRULHA MORALISTA GOZA: a carne é sociológica!

Priscila Salomão

A BELEZA DOS ESCOMBROS



O mundo dá voltas
Feito um redemoinho..
Qualquer dia desses eu te chamo
Para ver como ficou minha casa
A beleza dos escombros
Após o furacão
Que você e eu presenciamos
Do alto
Das nossas pernas bambas.


(Adelaide N.)

Pátio da Reitoria



um animal deitado à beira do rio



Serei sutil, digo, não me espere para o jantar
madame bovary? não
ou madame bovary c’est moi
e não serei sutil como clara
atirando cascas de amendoim no garçon
clara gargalhando em santelmo
no palco a atriz repete hay cadáveres
perlongher é um fantasma
e vaga perlongher vaga
entre a corrientes y a 9 de julio, clara
dormindo no trem para o cohglan
onde no supermercado a bolsa de todos os clientes
será revistada - mas serei sutil
ainda que mamãe diga: “poetas mentem”
e eu, eu mesma, não diga nada
se da janela não vejo
da janela vejo pasárgada,
lugar do azul inconsequente
e ainda eu, joana a louca de espanha
rainha e falsa demente
a que rasga
papeis ao vento
avance com meus cavalos quando o azul for silêncio
um silêncio tedioso
sobre o vidro que escurece e não mente
porque agora estou deitada na beira de um rio
e morro como um velho elefante, eu
esse bandeira menino
pois já sei que não há mais azul
nem telefone automático
sequer há reinado nem as histórias de rosa
da janela vejo já não vejo pasárgada
“mas nem tudo está perdido,
Luiza acordou sem febre”


[Inédito, publicado em http://revistamododeusar.blogspot.de/2013/07/poema-inedito-de-jussara-salazar.html


domingo, 28 de julho de 2013

A Poeta Roberta Tostes Daniel


● com um revolver na mão ●
● e com os olhos de louco ●
● ele diz "tangerinas podres" ●

● corre pela rua e para para ●
● sem saber nada e zonzo ●
● ele diz "tangerinas podres" ●

● ri como se fosse dançar ●
● e apontando o revolver ●
● ele diz "tangerinas podres" ●

● todos agora correm dele ●
● mas ele senta na calçada ●
● ele diz "tangerinas podres" ●

● aponta o revolver pra cabeça ●
● e olha o mundo inteiro ●
● ele diz "tangerinas podres" ●

● todos sabem porq ele faz ●
● ninguem entende porq ●
● ele diz "tangerinas podres" ●

● chegam junto tentam impedir ●
● um cachorro tambem vem ●
● ele diz "tangerinas podres" ●

● antes da bala antes do fim ●
● todos podem ouvir bem claro ●

● ele diz "tangerinas podres" ●
Alberto Lins Caldas

A Neve de Curitiba de 2013



Neste ano, no dia 23 de julho
Surgiu um fenômeno da natureza,
Que encheu Curitiba de orgulho
Por causa de sua beleza!

Depois de longos 38 anos,
A neve voltou a cair,
Sem fazer muitos planos
Com segredos de um elixir!

Ela apareceu em 1975,
Com força, vontade e energia
Eu era bebê, não minto
Mas, em 2013 ela voltou com nostalgia

Ela retornou tímida, pois é curitibana
Por isto, ela não falou com desconhecidos
A neve cobriu casa, prédio e cabana
Mas, deixou agricultores enfurecidos

Pois, atrás da sua beleza
De princesa cheia de pureza
Veio a bruxa da geada escura
Tão má, dura e obscura

Pois nunca deixa ninguém feliz
Queimando a planta pela raiz!
Neste ano de 2013, teve neve
De um jeito acanhado e breve

Mas, que de alguma maneira
Trouxe a geada escura traiçoeira !
Desavisados dizem que esta neve foi uma ilusão de eterno inverno
Mas, a geada negra provou que isto foi real e nada terno.

Luciana do Rocio Mallon

sexta-feira, 26 de julho de 2013

SÓ DEUS SALVA


Meu pai nunca foi bom na lida com o dinheiro.Funcionário público aplicado,o pouco que ganhava, gastava com alimentação, moradia e com a educação dos filhos seus.Se um de nós adoecia,Maria, minha mãe, nos acudia,mas era o bolso do papai que padecia pois não confiava nos serviços nem no tempo de espera do INSS.Pagava tudo particular.E lá se vai um meio século e um tiquinho mais...Nada mudou.Nossos sonhos ainda são os mesmos e a sigla SUS aparece,vez em quando,quando a gente adoece .Dói o corpo e dói a alma, principalmente,saber que nada mudou.O INSS virou SUS e Jesus Cristo é o mesmo!

O Espírito Santo, o Filho de Deus

e só o Nosso Senhor salva!




Adelaide N.
Pensei: vou morar em uma lágrima.
E vi cenários de Kandinski atrás da cristalina dor.
Vi os retorcidos rostos detrás dos espelhos d’água.
Vi uma casa-banheira, eu sempre líquida.
Vi um teto vidro fosco, eu a olhar estrelas.
E quando secar a minha casa?
E como secar meu coração?

Bárbara Lia/

Tem um pássaro cantando dentro de mim (2011)

Espelho liquidificador


marca com lápis sanguíneo
o tempo em minha face.
Ecos do acorde da apocalíptica caveira
invadem a aurora.
Cansei das noites solitárias e este cenário
de lua & estrelas.
Planto sementes de lua
esperando um céu do avesso:
Mínimas luas: crescentes, minguantes, cheias.
- bilhares, multicores.
E uma estrela - azulada imensa -
a bailar no cobalto-quase-negro
das minhas noites solitárias.


Bárbara Lia/

Histórias de amor duram o tempo da neve em curitiba (poenigma)



aceito o plano b
te odiar
deve doer menos

e o alfabeto inteiro
na língua do oceano?
pergunta o colibri

se posso ampliar tudo
para que dois planos?

plano k
é o café
com torta banoffi

e tem aquele inviável:
no plano g
eu vou tentar
com a força de aço
te ensinar a gostar de poesia

- ouço teu pensamento sádico:
prefiro o ponto g ao plano g

o plano r 
resgata tudo
rói ruínas resolutas
reinaugura rosas
rente rubros rancores

vou passar a noite
compondo planos alfabéticos
poéticos...

espero acordar sem dor


Bárbara Lia... totalmente nevada em julho de 2013

Paradoxo



A dor que abate, e punge, e nos tortura,
que julgamos às vezes não ter cura
e o destino nos deu e nos impôs,
é pequenina, é bem menor, e até
já não é dor talvez, dor já não é
dividida por dois.

A alegria que às vezes num segundo
nos dá desejos de abraçar o mundo,
e nos põe tristes, sem querer, depois,
aumenta, cresce, e bem maior se faz,
já não é alegria, é muito mais
dividida por dois.

Estranha essa aritmética da vida,
nem parece ciência, parece arte;
compreendo a dor menor, se dividida,
não entendo é aumentar nossa alegria
se essa mesma alegria
se reparte.

( Poema de JG de Araujo Jorge
do livro- Festa de Imagens – 1948)



é preciso q o numero de mortos
não ultrapasse nunca o bom senso
não seja jamais ultrajante ou ofensivo

q os mortos sejam sempre menos
q os vivos ao redor e suportem
o tempo melhor q os vivos

q não se desfaçam aos pedaços
nem chamem aves porcos e cães
como prostitutas depois do sol

podem se espalhar pelo território
mas os mortos não podem jamais
ser mais e maiores q o território

não elegem eles mesmos suas mortes
esse é sempre nosso encargo sagrado
q não pode ser delegado aos mortos

mas é preciso rápido contar os mortos
eles não podem escapar da matemática

não podem se libertar depois de mortos

Alberto Lins Caldas
Leite, leitura
letras, literatura,
tudo o que passa,
tudo o que dura
tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
tudo, tudo, tudo
não passa de caricatura
de você, minha amargura
de ver que viver não tem cura

Paulo Leminski



Bárbara Lia

Paraíso atrai paraíso. Neve é metáfora para o que está além, além, uma estrela desabou em mim. Difícil segurar estrelas nas mãos. As estrias lacerando ao tempo que alimenta. A luz das estrelas demora trinta anos para chegar aqui. Conheço esta estrela e ela me abala. Agora só resta a saída... Para onde for, levá-la. Mesmo por não saber a rota que permite repor estrelas no céu... Agora a estrela é minha...

Bem no Fundo


(Paulo Leminski)

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.



Sujeitos Leitores - Ricardo Pozzo

terça-feira, 23 de julho de 2013


Muito complexo...



Observo ao longo meu assento...
circunvizinho-me de tudo,
acapelo-me entranhando-me ao âmago
de minhas manias, e tento entender atento
tudo o que se passa comigo
enquanto o meu corpo, imagino.

Por não entender-me fatiado,
busco-me no sentido lato.
Busco-me forma irrestrita,
mesmo sabendo que é finita
minha vida inserida ao casulo.

Observo-me, mãos apoiadas.
Procuro entender-me fora
de minhas manias calaceadas,
E confesso, sei o quanto torna-se complexo,
no que escrevo clarejar
pra outros olhos, o nexo.
Eu me entendo...
sei de minhas necessidades.
Meus pensamentos soltos,
talvez não sejam tão manifestos
para os outros.
Mas continuo me observando sentado.
De pé, com as mãos apoiadas,
e minha velha cadeira por perto...

josemir(aolongo...)

.


aperto folhas secas nas mãos e elas estalam
há em tudo um estado de florescer
até que o outono desfaça
línguas fumaça olhos de amêndoas doces
em tudo que não canto um certo
desencanto
e as seriemas insistem em seus berros
de barro sobre

telhados


Nydia Bonetti
Nydia Bonetti
aperto folhas secas nas mãos e elas estalam
há em tudo um estado de florescer
até que o outono desfaça
línguas fumaça olhos de amêndoas doces
em tudo que não canto um certo
desencanto
e as seriemas insistem em seus berros
de barro sobre
telhados

Ilha de Paquetá


Fragmentos...



O explodir dos meus sentimentos,
faz tremer, impacta!
Mas renasço sempre.
Incólume, ativa, intacta!

Amalgamada aos meus sonhos
os quereres que me habitam
expulsam o que se faz visonho,
e os impulsos que me enlevam ficam.

Que os sismos, as cismas,
possam sempre fragmentar-me,
pra que eu das cinzas, ressurja.
Que todos os compontentes pertinentes
ao que em mim se faz carisma,
assumam o que em mim se faz espaço
gerando e gerindo os meus passos,
que céleres, adiante caminham.
Que nos poros e pele dos meus braços,
perpetue-se a imensa coragem,
que após as tormentas e procelas
sempre concedem-me guarida e estiagem.
E que eu me alimente sempre delas.


Josemir(aolongo)
Nydia Bonetti

faz frio - tanto
que a palavra treme
verso nem prosa
nada
que a aqueça
palavras frias
morram
sufocadas no peito

[meu canto espera]

fragmento

no espaço
o duro do silêncio
é o estardalhaço."


( romério rômulo)

AZUL FERRETE


Explodo!
Escondo
por debaixo dos escombros
tudo o que deveria estar
aqui, iluminado.
Que medo meu é esse
da merda que eu
ainda não fiz?

Espirro
Todas as palavras
num só jato
pernicioso.
E me mantenho
obediente e preso.

Sou meu dono.
Sou meu cão.
Minha sarna
são essas malditas

palavras.


(poema de Marcelo Pierotti, poeta jovem nascido em Tatuí que publicou, recentemente, um bom livro: Domingo no Matadouro)

cavalo doido, fragmento

o meu cabelo varrido
eu lhe dou. se quiser mais
busco palavras na feira
falo dos algodoais
já plantados numa beira
dos seus olhos vendavais."


( romério rômulo)
Adriana Zapparoli

en la campiña

al tenerlo en las manos - senti deseos alzando los ombros. mis ojos ya se habían acostumbrado a la oscuridad y por la mirilla de la persiana, con un pozo debajo de la ventana, sus cabelllos, hojas y miembros... -- casi en mi centro... a veces encendía todas las luces de la habitacíon con un libro en las manos pero sin leer y -- entre los rosales, a tres pasos de mi boca, en lo oscuro de mi ojos ... poder verlo en su corazón ofrecido y en mi (corazón) de bicho...

palabras adriana zapparoli

Nydia Bonetti

a voz que cantava miudezas
quer voltar
mas olhos estão cegos
de tanto olhar lonjuras

infecundas / e prescindíveis
"O céu não pode esconder seu segredo" E. D.


A espiral áurea
Nas digitais
Na Via Láctea

No chifre dos carneirinhos
No náutilo marinho
Nos redemoinhos

No DNA
Nas pétalas
Nas galáxias

As espirais em tuas iniciais
Que tatuo nos ossos meus
Com o cinzel de Camille Claudel
Na cor exata dos teus olhos céu

Bárbara/Lia/2013
"O céu não pode esconder seu segredo" E. D.
               

A espiral áurea
Nas digitais
Na Via Láctea

No chifre dos carneirinhos
No náutilo marinho
Nos redemoinhos

No DNA
Nas pétalas
Nas galáxias

As espirais em tuas iniciais
Que tatuo nos ossos meus
Com o cinzel de Camille Claudel
Na cor exata dos teus olhos céu


Bárbara/Lia/2013

Intocável rude

Redson Vitorino

Triste o homem que rouba o esforço
que nega o suor e o drama do outro
Triste o homem que mal sabe falar
faz uso da linguagem de livro fechado

Me ponho a golpear com esse seco continuo
com o mínimo possível de não querer cadeira
nem areia sob meus pés fizeram diferença
quem margeia o pé da montanha não pode ter névoa



Nydia Bonetti
faz sol e ainda é cedo
ah... manhãs
amanhã
ninguém sabe a manhã

flor que será pisada
assim que brotar


e a tarde quem sabe?

fragmento

uns graus de febre eterna,
estados do pulso.
a vida hiberna.
eu, avulso.

a mão firme se enterra
no meu pescoço.
uns graus de febre eterna:
eu, osso."

( romério rômulo)


INVOLUNTARIEDADES



Se todos os meus dias fossem meus
E eu pudesse ser somente eu
Meu coração seria teu
E quanto feliz seria
Bater apenas á alegria
Deste prazer enorme...

Meu coração não dorme
Abre a porta de mim à qualquer hora
Que resolves me adentrar
Entre um tempo e outro
Estou e estarei constante
Á te esperar, meu bem

Mas, existe o intervalo
Entre um tempo e outro, e são nestes
Que certas tristezas entram na minha casa
Oportunistas que são
Me invadem sem pedir licença
Pingam gotas de vinagre nos meus olhos

Amarram as minhas mãos, me invalidam
E no teu retorno, muitas vezes, não sou eu
A mulher que te espera
O puro fogo que arde em brasas, não apaga
Sob as cinzas de uma aparência
O meu desejo vive, e o meu desejo sou eu.


(Adelaide N.)
Diego Callazans

o quê e o como se embatem
nas cordas do fundamento.
a consciência e a persona.
o conteúdo e a forma.
o inatingível e a voz.

o como e o quê se entranham
no cerne de cada ideia.
manifestação e essência.
o científico e o místico.

o que se diz e o silêncio.
Nydia Bonetti

luta diária, esta contra o silêncio — matéria dura
e a palavra volátil
que sabe também ser ríspida/cortante feito lasca

sábado, 20 de julho de 2013

Ana Paula Perissé
...

não se esgota libido
lança-se
por vezes
às margens
de ser

>>>> algo.

lemancolia em
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=4395860

SÍSIFO



qualquer caminho: caminho
o inferno: nosso destino?

levar as pedras de volta ao topo
por mais inútil que seja o esforço


Geraldo Lima

Sem perigo...



Escravo...
não, não admito.
Coerente,
vislumbro sempre
o infinito.
Espirito bravo...
um ser jamais
abalroado,
por entrementes,
por tendencias más.

Navego
num mar de problemas.
Não consigo ser de mim,
o todo.
Enfrento muitos dilemas,
de diferentes cores, e temas.

Porém,
não me arrefeço...
morrer sucumbido
pela dor?
Sem perigo... não mereço...


josemir(aolongo...

M A T É R I A



o que houver de trigo
ou plâncton

pela mesma letra
se descreve

em jogo de
escamas

sopro o verde,
resta o musgo:
regato

o que adere

Beatriz H Amaral

Que ainda haja tempo...



Respiro
modo profundo...
versejo,
tento espargir
minhas poesias,
e libertando-me
de aleivosias,
calmo e sereno
peço.
Reforço minha rima.
Lapido meu verso.
Longe das impressões
doidivanas,
não quero impingir
em nossas atitudes,
intenções profanas.

Somente peço
ao anjo da paz,
que descerre as asas.
Acelero meus
movimentos.
Vivifico meus
intentos.
Vou tentar sublimar.
Esquecer as veleidades.
Entregar-me ao
suave vento.
Espero em fé,
que ainda haja tempo...


josemir(aolongo...)

Pessoas...



Pessoas são muitas...
Pessoas são estranhas.
Pessoas são belas.
Pessoas são brutas.
Pessoas são de luta.
Pessoas são de amor.
Pessoas são singelas.
Pessoas são o soma.
Pessoas são a alma.
Pessoas são completas.
Pessoas são desertas.

Pessoas fazem com que
nossos mundos ganhem sentido.
Por vezes, esqualidamente,
cisalham o colorido.
Por vezes de forma sublime,
qualificam o que é vivido.

Pessoas são assim,
enormes e intensas definições
sem fim...


josemir(aolongo...)

poetas, fragmento

os poetas rasgam olhos
limpam línguas, cospem putidão
os poetas sinistrados
de paixão."


( romério rômulo)

DOGMA

DOGMA

Quando sou dia
busco a claridade da lua
Adormeço antes de contemplá-la

Quando sou noite
Almejo ver o sol
mas me desfaço
antes do amanhecer

Porém à tarde
Que não é noite
Tampouco dia
Não quero ser

Eis o mistério da fé
Da ciência
ou de qualquer filosofia

Eis enfim
A santíssima
Humanidade


Alessandro Jucá 

Ilha

Ilha?

Busquei-me nos torpores,
no patamar dos desamores
e vi-me assim meio pérfido,
a querer deságuar, modo intrépido
em meus dizeres, temores...

Forma lerda, caminhar trôpego,
assumi-me dor, enquanto aberta ferida.
Fiz-me talvez parcela de vida,
quando meu caminhar rôto,
abria-se semi-solto,
pois que meu senso,
abnuía meu corpo...

Tardes inquietas, a espera de noites,
que trouxessem além de poetas
as frases desertas,
que continham escritos, mas incompletas,
despiam-se de sentido...
Era como se eu ganhasse vôo,
mas fizesse-me preso ao solo.
Quem sabe a procura de colo?

Hoje talvez eu busque
no que se faz presente indicativo,
um pedaço qualquer de motivo...

Hoje talvez o que navega
seja o batel que não se entrega
mas que num sem rumo, escorrega
e vai de encontro às pedras...

Ilha?


josemir (ao longo...)

fragmento em matéria bruta

uns lençóis baratos recobrem o meu silêncio.
um ananás do passado mostra a lucidez do meu corpo.

não vim ser anjo.
vim ser estardalhaço!"


( romério rômulo)

O POEMA

O POEMA

O poema é
Essa sala de estar
Onde – desafiando o
Infinito –
Umas às outras, as palavras
Passam a se conhecer
Perigosamente melhor.

PRA TUDO

Todos os dias,
Apareciam-me muitas perguntas,
Premeditadas,
Sonhadas,
Sentidas,
Dadas ao tudo-nada,
Desenhadas,
Enfileiradas,
Juntas,
Sobre tudo.

Eu tinha nove anos e já
Sabia
- Ai, como eu sabia! –
A única resposta

Pra tudo:
Poesia.
Adriano Nunes .in laringes de grafite


Corro para os meus sonhos...


O desgarrar-se, lançar-se,
eis o desafio.
O brilho que faz-se sentir,
porque o ir e vir,
traz respostas,
mas não as elucida.
Lei da vida.

Sons de fatos triviais.
Coisas que a nós se agregam,
fazendo-nos iguais,
no sentido da busca
renhida...
não existe vontade bandida.
O todo nos leva ao não sectarismo;
Casuísmos, são efemeros.

Corro pro mar dos meus sonhos.
Canto meus cantos risonhos.
E me solto...
como os pássaros,
que vivem a voar
e sempre sentem prazer
em fazê-lo...


josemir(aolongo...)

AA, fragmento

quiseram que eu quisesse o que eu queria
que o mundo por aqui carrega a morte
o olho no teu rosto é só um corte

depois da vida eu vou pastar poesia."


( romério rômulo)

Júlio Damásio morreu



O telefone toca uma, duas, três vezes, ele atende:
__ Alô!
__ Alô, quem fala ?
__ Aqui é o Damásio
__Olá, meu nome é Sofia, tenho aqui em aberto uma dívida de cinco mil reais, da financeira Aymoé.
__ Desculpe, mas pensava que essa divida havia expirado, tem mais de três anos anos.
__Expirou? Como assim.
__Caducou minha jovem.
__Ela esta bem sadia da cabeça, continua o registro de débito, senhor!
__ Hum... pensei que o tempo, mas não convém discutir legislação, eles as mudam tão logo o povo tem conhecimento de seu direito. De qualquer forma isso não tem mais valor.
__ Tem sim, e aumentou muito, mas estamos dispostos a ...
__Não me refiro ao valor monetário, querida.
__Então, vou estar mandando um boleto, no valor de...
__Eu sinto muito, sou José Damásio, Julio Damásio é meu irmão.
__ Posso falar com ele, seu José?
__ Não!
__ Por quê? Como assim? Preciso de uma resposta, onde posso encontrá-lo?
__Lamentavelmente no cemitério. Ele morreu. Perfuração de úlcera, sistema nervoso. Quando vocês deram busca e apreensão do carro financiado, depois de ter pago dois terços do veiculo, ele ficou .... Não que fosse apegado em bens materiais, era artista, mas transportava seus livros no carro, era escritor marginal...
__Marginal?nossa!
__A margem do meio editorial querida, era independente. Passou a carregar a literatura nas costas, não suportou o peso desse ideal. Como ele mesmo escreveu em seu epitáfio.
__ Epitáfio?.
__Breve Inscrição sobre lápides, em forma de poesia ou prosa.
__Eu sinto muito...
__Eu também, era meu irmão, e era um sujeito bom, sensível, e não por ter sido meu mano, mas era um ótimo contista...primava pelos desfechos de suas historias apesar de estar fora de moda.
- Então... vou estar a colocar .... me desculpe, vou recolocar o débito no arquivo morto. Mas por formalidade posso lhe estar mandando o valor por e-mail, o senhor pode desconsiderar, pura formalidade.
__Sim. Claro. josedamasio@hotmail. com. Se quiser, assim que eu receber cobrança lhe mando o epitáfio do meu irmão, tenho aqui o arquivo.
__Com certeza, quero! Mandarei já!
__...
__Recebeu?
__Estou lendo ... termi-nei...
__Está chorando menina?
__Sim! Foi muito tocante, me emociono com essas coisas, ele escreve muito bem, quer dizer escrevia.
__Nosssa!!!
__Que foi seu José?.
__Ainda bem que o Júlio não esta aqui, quer dizer, se estivesse vivo morreria ao ver esse valor.
__Eu sei...
__Ele deve estar num mundo encantado pelas letras. Mas se quiser procure prestigiá-lo, compre um livro dele nas livrarias Curitiba, deve ter algo encalhado, não teve publicidade a sua morte, se foi discretamente, como quem saí a francesa de uma festa. Nem uma nota do principal jornal da cidade, pelo menos, não no caderno de cultura, apenas um obituário em um pequeno jornal.
__Obituário?
__Nota de falecimento no jornal!
__Na frente da minha faculdade tem uma livraria,
__Se for qual penso, não perca tempo, lembro que meu irmão voltou dela e me disse que o dono dessa livraria alegou não ter espaço pra novos autores independentes.
__Tá, eu vou procurar os livros dele. Felicidades pro senhor, seu José. Fique com Deus, e seu irmão, que esteja com ele, eu vou comprar um livro dele...
__Obrigado, suas palavras são reconfortantes, bom trabalho, que eu também tenho que os meus afazeres agora.
__Mas uma vez eu sinto muito, me desculpe, tchau...
E assim, Julio Damásio desligou o telefone, foi escrever mais um continho para finalizar esse livro, ficando livre para sempre de outras ligações de cobrança dessa financeira.


JDamasio

O enterro do lobo branco



"Haverá um tempo em que penetrarei nas bifurcações do jardim e encontrarei todos aqueles homens iguais e franzinos velando o grande lobo branco. E ele não soltará um uivo ele não acuará nem devorará sua presa ele ficará estático esperando a hora certa da cova se abrir diante de suas patas defeituosas. Ele esperará a hora certa do ventre engolir seu crânio e a sua medula abrirá ao meio e dará origem a novas e insignificantes constelações." (Marcia Barbieri)

Tudo que eu dissesse fosse largo como o mar…



Tudo um cogitar dentro do sonho.
Silenciada pela noite, miro o teu canto que me diz.
O teu nome, o teu nome eu não digo.


Debaixo de uma trança é que eu me visto.
Me azucrinas com teu cabelo de égua.
Eu te infinito tortuosa, beirando umbrais.

Abre-se em mim a ópera, uns cantos da viração.
O véu do teu rosto desvelando o meu.
Insanos como uma floresta.

De tudo que me arde caberia na canção:
Orbitar, cor de sangue, a palavra cheia de vertentes.
Não sendo nuvem, levitar no faz de conta da ocasião.

Teus olhos imaginando minha boca…

No mais, ser árdua. Os meus modos viventes,
Sorridos, lacrimosos, cotejando sensações
Do frio e do quente, fruindo
A arrastada música dos ventres.

Áspera tecitura: alinhavar os delírios…

Roberta Tostes Daniel


(2010)

JCMN

nada me redime
cometi um crime
pois quis ser o tal
certo joão cabral

bebi aspirina
inalei sevilha
para ser toante
trava de armadilha

numas rimas breves
com uns refloreios
martelei as pontas
sem atar os meios."


 romério rômulo

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Ser seu amigo, já é um pedaço dele

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor...Chore o quanto quiser, mas não brigue comigo...Se não quiser chorar, não chore...Se não conseguir chorar, não se preocupe...Se tiver vontade de rir, ria...Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão...Se me elogiarem demais, corrija o exagero...Se me criticarem demais, defenda-me,,,Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam...Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo...E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase..."Foi meu amigo, acreditou em mim e sempre me quis por perto!"...Aí, então derrame uma lágrima...Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal...Outros amigos farão isso no meu lugar...Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que morra como quem soube viver direito...Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo...Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu...
"Ser seu amigo, já é um pedaço dele"

Valmir Azevedo
Adriana Zapparoli

las semillas son la próxima generación... y el pensamiento estratégico un estróbilo de hojas fértiles, como imprevisibles en materia, en forma escrita, la flor es un corto tallo, una espiral sobre el eje, del mismo modo, amolado, en que las hojas se insertan y que nos aquejan día tras día, en la mayoría, son trastornos de la velocidad y las flores en fuga de ideas en taquipsiquia. mira ... mientras que los gatos que están al acecho en la ventana... en el rojo pensamiento ...

olhos de bolinha de gude

 Redson Vitorino     
      
Com olhos de bolinha de gude
Ela viu papai abrir-lhe as pernas
Sempre calada nessas horas
Que horas falaria?
Ele esfregava de um lado para outro
Olhos de bolinha de gude
Não derramavam uma gota
Papai foi o primeiro
Eu seria um dos amores seguintes
Que tentaria mata-lo
Olhos de bolinha de gude
Me negaram esse direito