domingo, 31 de julho de 2016


LAVRA-PALAVRA


... à minha eterna mestra Gloria Kirinus.

E quando eles escrevem tudo para
tudo flui
para que a Gloria tenha a gloria de sentir
em cada um de seus lavrapalavreiros
aquele exato instante
em que a palavra é capturada
e então o rosto deles se ilumina
pois que a partir dali
nenhum deles será mais o mesmo
já que a semente-palavra
encontrando fértil terreno no coração
germinará
e em mil outras se tornarão
e isso pra Gloria
é a suprema realização.


Renato Vieira Ostrowski

O MENINO E A PONTE


O sol ainda tímido envolve
A ponte metálica...
O menino observa o nascer do dia,
Enquanto busca respostas,
O mar, as ondas e os pássaros
Encantam seu olhar
Emociona-se,
Difícil conter as lágrimas...

Van Zimerman

Silêncio quebrado

 (Microconto)

De manhãzinha... A rua, quase, deserta, um alarme de carro dispara: assusta o silêncio...

Van Zimerman

Faleceu o Professor, Músico e Poeta Chico Valiente Farro



Chico Valiente Farro foi um poeta,
 Um ótimo mestre e professor
Ele tinha um olhar de profeta
Que emanava o mais puro amor

Quando Chico estava no litoral
Ele fazia um inesquecível luau
Com sereias e pescadores
Que espantavam as dores!

Chico era músico e jornalista
Compondo uma suave melodia
Ele foi um eterno artista
Em busca da real Poesia.

Luciana do Rocio Mallon

UM ROSTO DE PÉTALAS


Na flor de ipê,
Luz e sombra desenham
Um rosto amarelo...

Van Zimerman

hai kais

Expressão
Emerjo-me, indiferente
Astro de mim mesmo
Rodeado de abstração


Estepes
Convocam as redes patetais
"Convocam" para mani-infestação
Libélulas alegres, - Sapucaí da política


Amores e amores
Acompanhando estavam, - intelectuais
Solidões periféricas, sonho de multidão
Levariam as multidões para a cama, - em revolução
                                            pela posse do poder do cobertor.


Parlamentares bundas
Tiraram a roupa - mulheres - mani-infestação
E eu que as queria - feministas ou não!
Vestidas de enigma, - tergiversei.


Sapucaí-parlamento
Anão do orçamento local
Com local, na Gazeta dos bobos - GRPCÃO:
Acompanhantes de executivos argentinos no Brasil


Edifício ao chão
Independo, personalidade augusta
Astro, clero, pitoniso, - estenda-me a mão
Quando preciso, não as nádegas


Messiânico marketing
Meus sonhadores, minhas sonhadoras
Nossos corpos nossos corpos corpóreos
Corpos justapostos em pesquisa IBOPE.


 Anderson Carlos Maciel

sábado, 30 de julho de 2016

Pássaros ruins


você deu uma apelada
e eu fiquei de coração nu
aprendendo a ser alma pelada


antonio thadeu wojciechowski

Dança Manuscrita


Só se escreve poesia
Pondo as mãos para dançar
Com a caneta transpirante
Azul marinho como par
É quando nos vem aos olhos
Um brilho apaixonado
De quem sente o doce toque
Da amada ou do amado
Só se escreve poesia
E se escreve sabe quando
Enquanto estamos vivos
E gerando e esperando
Eu escrevo poesia manuscrita
A próprio punho
Quando a mão dança balé

E tudo mais vira rascunho

Mauricio Antunes Marinho‎ para PORTAL DO POETA BRASILEIRO

Nelson Cavaquinho - Juizo Final

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Palavras mortas



Matem todas as palavras
uma a uma
com uma pistola ou carabina
com uma caneta de pua fina
com uma bala
burilada a cinzel e a pontão.

Façam guerra declarada
por cada letra sublimada
por cada gesto enjeitado
por cada verso degolado
por cada morte por negação.

ana paula lavado ©


Tempo real



Felicidades em riste
Palavras recicladas pelo vento
A linguagem, mais sábia, agradece em festa.
Anderson Carlos Maciel
cena verbal 48
para D.

Dormes com a quietude
das laranjas,
com teus reinos
de hormônios e sementes.
Dormes para adoçar
abril, para
chover sobre o outono.
A carne febril
que sonegas ao pássaro
ferido, é teu realejo
secreto – donde
o impossível se esfarinha.
Agora, vem, despe
esse fruto
que doma os insanos;
que viceja os cegos
nas igrejas.
O tempo ausente está morto. Só
nos resta o agora em fatias. E
essa cadela rosnando
atrás do dia

Salgado Maranhão

Racionalismo silvicultor



Espécies-labor colecionadas
Pelas estradas-valor
Labirintos são suas novas
                                  casas
Entrem por favor!
Madrugada das canetas
Serão das teclas

Em um concurso do calor
Serão premiados os vencedores
Com um majestoso e doce

Brilho no olhar!
E um pacote de luz
Para usar no peito.

Anderson Carlos Maciel

Até amanhã!
Madrugada sem aurora,
Tudo nublado lá fora,
Não se sabe se foi ontem,
Se é hoje, ou amanhã...
Não existe mais afeto,
Porque tudo é de concreto,
E concreto não existe,
Se não houver o abstrato...
Sinto muito sua falta,
Da forma que você era,
Ora meiga, ora fera,
Mas sempre boa de trato...
Sei que nada é para sempre,
O sempre nunca haverá,
Não existe o permanente,
Quando se fala de gente,
E gente sempre terá.
Não sou bom de despedida,
Não me ensinaram na vida,

A dizer, até amanhã!

Elzio Leal‎ para Sociedade Mundial dos Poetas

Irrelevantemente humano



Trôpego versejar quântico
Poesia laica em divisa espiritual
Fantasmagórico ócio do intelecto.

Anderson Carlos Maciel

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O AROMA DO DEUS NO ESCURO DO SANTUÁRIO INTERNO


Num certo templo hindu de mármore branco, o santuário interno está sempre imerso na mais densa treva..Ao entrarmos nele, com nossas angústias e o peso de nossos ossos, chegamos ao íntimo de nosso próprio Eu profundo e sentimos o aroma do Deus na escuridão.
E a voz do Deus sopra no escuro do santuário interno do templo hindu algumas palavras estranhas. A voz do Deus sussurra: "Não haver Deus também é um Deus, pois Deus existe mesmo quando não há".
Depois de escutar estas palavras, saio do templo hindu com as angústias iluminadas e os ossos mais leves que a música.
Fernando José Karl

O dia em que nós dois fizemos nós !


Desvelando o tempo


Ocultem os outros
a palavra tempo
em poemas curtos
com tal tema, centro.
A palavra tempo
deve ser usada
tantas vezes quanto
impuser nossa alma.
A palavra tempo
descerra suas portas
de argila e de vento,
suas linhas tortas.
Escrever o tempo
permite retornos:
ligeiros transtornos,
fugaz contratempo.
Porque tempo, tempo,
tempo passa, corre;
se você não dorme,
ele pára, lento.
Importa saber
com visão preclara
o que quer dizer
o tempo, que exala.
.

- Maria Da Conceição Paranhos, em "As esporas do tempo". Salvador BA: Fundação Casa de Jorge Amado/ COPENE, 1996.

Chegado ao único abraço


A uma carta pluma...
a uma carta pluma
só se responde
com alguma resposta nenhuma
algo assim como se a onda
não acabasse em espuma
assim algo como se amar
fosse mais do que bruma
uma coisa assim complexa
como se um dia de chuva
fosse uma sombrinha aberta
como se, ai, como se,
de quantos como se
se faz essa história
que se chama eu e você
.

- Paulo Leminski, do livro "O ex-estranho". São Paulo: Iluminuras, 1996

Luminária


Abraços da luz universal cósmica.




Quando Ismália comeu camafeu

Quando a moça aérea escreveu
Pôs-se no café a tiro-lar
Queria um melado pudim todo seu
Queria etérea goma-de-mascar

Num desvario não plebeu
Leu a revista global do "engordar"
Queria comer pão-de-mel
Queria etérea goma-de-mascar

Uns trocados que o pai lhe deu
Tilintaram de par em par
Comprou doces jujubas e camafeus
E disse a todos, que não iria me doar

Quando a moça do poema enlouqueceu
Pôs-se no mercadinho a tiro-lar
Queria a jujuba do céu
Queria a sardinha do mar

As asas da rima que o Pai lhe deu
Ruflaram de par em par
Seu corpo comeu doce camafeu
E sua alma então não quis se suicidar

Anderson Carlos Maciel

Augúrios de um futuro inesquecido


Humanidades.



ESTEREO TIPOS

TOMOS LIBROS

TER DEMOLIDO


Passeando por essa estrada não encontrei canteiros,

seduzindo minha amada não paguei engenheiros.

Furtando a peça mortalis da indignação velada

não socorri as vítimas do holocausto

infausto no plastro.

Mastro da tua bandeira

levantada.

Arame farpado,

Cobra criada no degelo do polo norte tua sorte

é que eu tenho uma história tão inglória quanto a sua:

Vitimado pela lua, surrado pelo sol, enlanguecido

pela chuva [

Vitimizado pela teoria estética, cataléptica dos montes,

buscando as fontes do teu passado, amassado, na prisão

dos teus sentimentos]

Lá dentro eu sei que há uma sugestão:


TIS AGAPIS

TON MEGALON CRONON

APOLON HELAS EIMI HIPNWN


O preço da solidão de um dia é o “duplo sentido”,

sentido na partida para os dois mundos:

O do cais e o do porto?

O virtual e o simulacro:

Idiosincrasias das fantasias não vividas em acordo

às capacidades humanas donde emana toda LIRA:

_Do ponto da partida ao ponto da chegada

em direção ao nada! Diz a vâ filosofia.

As coisas ao contrário tem sabor de nihilismo angustiante,

pedante ao pé da letra como desfaçatez da psicologia

“orgia” de CADA UM.


LA VORRIAMO

TUTTA LA VITTA

IL PATER, LA MATER


Aqui dentro de nós criamos nada, elas sim é que criam.

Somamos as palavras para dizer que somos incapazes

de ajudar a humanidade às vezes.

Se ela não nos conta o que sente.

Assistimos a hecatombe inertes e sonhamos com a vingança

que não desejamos verdadeiramente como a criança no

[Rio de Janeiro] símile a nós {[...] = [?...]} um dia.

Que não é nada.

Nessa estrada vi de tudo, inclusive que sou único,

Tuas flores na minha cova seriam isso?

Ser chorado por quem não chora?

Festejado por quem não festeja ou dança a dança dos lobos,

bobos, fobos, logos lógico da condição humana trazida

dos outros que tiveram história, batalhas, fornalhas

abrazantes à própria alma forjando razão que chegou ao espaço... [...]!

Ainda imagino você dormindo, humanidade, perene dos teus valores

ascendentes, decadentes, ninada pela canção do tempo,

descobrindo no vento a tua identidade

com o ser do outro que “não te ama”,

e não chorará os teus restos

funéreos de batalhas etéreas, estratosféricas,

ideológicas ao teu corpo burro que perece

mercê da tua ignorância iletrada jactante pela estrada.


VORRIO LASCIARTE

NASCONDERME

E N LOS TUOS RAGGIONAMENTOS. [?=; Helan]


{E(porta)/ [TODA PTORTA] v [?; helan tomon]}

Anderson Caros Maciel

Dois gols



Fazia tempo que eu não jogava, achei que iria dar vexame, furei logo na primeira bola. Nem me abalei, sempre fui ruim mesmo, posso fazer meu máximo que nunca serei nem ao menos um jogador mediano, então relaxei e... fiz dois gols.

O primeiro foi bem bonito, driblei dois zagueiros e o goleiro antes de empurrar para a rede de canhota. Foi bonito pois não sei driblar e sou destro, a jogada aconteceu meio que por mágica. O segundo gol foi de oportunismo e também de perna esquerda. Entrei em êxtase. Por momentos pensei em Ronaldo como um igual. O poder da adrenalina do futebol.

Em casa, falei pra patroa: - Fiz dois gols. “Parabéns”, ela disse, e me beijou satisfeita. Dias antes ela viu a expressão de felicidade dum reserva que fez o gol da vitória na Seleção. Percebeu que era um prazer próximo ao orgasmo, só que muito mais difícil.

Fiquei pensando nos gols, relembrei cada milésimo de segundo, todas as decisões que tomei quando a bola estava nos meus pés, os problemas em superar os zagueiros, a necessidade de transpor a barreira do goleiro. A mágica funcionou e cumpri meu objetivo de maneira sensacional (às favas com a modéstia). Eu estava relaxado, acreditava em mim e o risco de errar não me importava. Seria isso uma fórmula de sucesso?

***

Meus amigos me felicitaram pelos gols no boteco depois da pelada (o verdadeiro motivo do futebol), fiquei bem agradecido e um tanto inflado. Antes de pisar no campo mais uma vez, pensei na responsabilidade em jogar bem novamente nesta volta aos gramados. Ponderei e percebi que minha responsabilidade era nenhuma, tudo o que eu queria era relaxar e me divertir. Então fiz dois gols outra vez.

O primeiro, bem bonito, parecido com o do jogo anterior. Nosso time ganhou quatro partidas seguidas, um recorde. Fui direto para o banheiro: chuveirada e bar. Queria beber mais felicidade.

Pequenas coisas representam tudo no final das contas. Por que dois golzinhos me deixaram tão feliz? Acho que eles são pequenas vitórias nesse deserto de derrotas que é a vida, por isso me agarro tanto nessas coisas que agradam. É difícil alcançar a tal adrenalina de prazer que o gol injeta no sangue. É uma explosão de triunfo por toda a batalha imponderável. É só você e o infinito, mas você o dribla e vence. Fazer gol é tão bom que deveria ser obrigatório no ensino médio.

***

Ontem só fiz um! Mas foi de virada, lá onde dorme a coruja. Nem agüentei acabar toda a pelada para beber minha cerveja, tava cansado e louco para emendar um prazer seguido no outro. No fim, só lembramos mesmo daquilo que é marcante, pro bem ou pro mal.

– só fiz um. – Disse e a patroa ainda falou “parabéns” e me beijou. Ela, esperta, sabe que um é melhor que nada. E um, nessa imensidão de ausências que nos cerca, pode ser a diferença entre a satisfação e a miséria.

- é, tem razão, foi ótimo. – Falei, e guardei para mim o pensamento “e nem contei que foi um golaço”.




Giovani Iemine
Ah, essa remodelada praça...
Costumava passear por aqui.
Quando minha vida não precisava ser perfeita. Nem imperfeita.
Quando minha sensibilidade regia as regras e o prazer não precisava ter utilidade.
Quando eu amava matéria e espírito; palavras e poesia.

Ah, essa  praça...
Com seus transeuntes interagindo ou não continua a mesma,
e por não ter consciência de que ela precisa ter razão para ser,
ela existiu, existe e existirá.

E eu, dissolvido
entre o passado e a mim mesmo,
passeio pela praça que eu costumava frequentar
quando eu costumava estar vivo.





texto e foto Deisi Perin

restauração amorosa


terça-feira, 26 de julho de 2016

THEOAGONIA


Agoniza no horizonte:
seus gritos não se ouvem,
só se sentem.
De todos os povos, tribos e raças
já chegam enormes coroas votivas.
Não se oficiará exéquia alguma
nem haverá orações em seu funeral:
a hora é de expectativa e receio.
Não haverá outro dia igual a este.
Aliás, não haverá mais dia algum.
Só a noite. E seu silêncio
quebrado por nossos esgares.
E a saudade do que nunca conhecemos.

Otto Leopoldo Winck

MEMORABILIA - I


Esta noite, se quiseres, podes recordar,
recuperar no rio do tempo uma parcela do que o tempo te levou:
o sol poente, o banco, o parque, a última conversa,
a frase que, louca, te feriu a face
ou a palavra que, covarde, amargou calada na garganta
quando na verdade tu a deverias ter gritado aos sete cantos.
Podes apenas recordar. No máximo, concatenar os fatos
e tentar descobrir aonde erraste. E dizer-te: foi aí que me danei, foi aí.
Mas de que adianta? Águas passadas não movem moinhos.
E, convenhamos, tu nunca foste um Quixote para enfrentá-los. Resta-te somente
recordar, reviver – o que não tem necessariamente relação com o que foi
ou deixou de ser vivido - abrir um uísque, ouvir um jazz, encher a cara...
E mergulhar nas águas escuras do rio.
Não o rio do tempo, que, cristalino e impassível, se ri de ti,
mas o rio de águas sujas que banha a cidade de teus tempos idos,
esta cidade que, estrangeiro, revisitas agora...
Mas o mais provável é que apenas acordes de ressaca.

Otto Leopoldo Winck

O Candelabro e a Flor


Noite sem Lua,
O piano em silêncio...
No candelabro,
A ausência das velas.
Ah, bem-vindo perfume
Da flor deixada na janela.

Van Zimerman

Linhas de vidro

No vidro trincado
Surge o contorno do pássaro,
Surreal trinado...
Van Zimerman

Ciências Sociais



Esperas sob horas frias
Taquicardias
Em léxico redivivo
Qual emplastro
De solicitudes mútuas
Em transcender
As falácias contratuais
Das revoluções astrais
Dos impeachments
De outros carinhos

Redivivo caráter da moral
Em aplicar o selo das vicissitudes
Astrais contidas na composição
periódica dos elementos convictos
De sociabilidade
Sintética

Pois extraem os sentidos
Boca afora
Dos despertos
Do sono letárgico
Da dependência

Pensa a pena
Sob a ontologia
Criteriosa do nada
Como se
Aplicassem anti-dópen
Em concursos de poesia
Fossemos menos livres

Nem carinho, nem doutrina
Dança de microfones
Auto-confiança

E menos drogas
Responsabilidade do
Cientista social.

Anderson Carlos Maciel 

Sabiás de Curitiba

Na madrugada fria
Silêncio letárgico dos sabiás
Impeachment do majestoso gorjeio sinfônico

Anderson Carlos Maciel 

Legalizar a pimenta


Nadam acelerados
Verdes substâncias
Vermelhas
Legalidades

Exercício de liberdade
Underground poesia punk
Conceitos
Sintéticos
De um pós-guerra
Do self contra o self

Copiar &
Colar

Ctrl C &
Ctrl V

Forneço a verde planta
Da verde aurora
Do verde horizonte

Dos orvalhos do verde
Mais denso
Receoso em solicitar
Minha chama redentora

Empapuçados da
verde poesia
Os pássaros
Evangélicos.

Anderson Carlos Maciel 
Esmeradas aparências
podem esconder o rosto
nas auras das reticências

que nutrem gosto e desgosto.

João Batista Xavier Oliveira‎ para Trova Brasileira

TÁ FORA OU DENTRO DO SISTEMA?


Estruturas viciadas,
Da (des) ordem (neo) liberal,
Modernas espadas,
De domínio social...
Estruturas modernas,
Arcaicas espadas!
A cegueira do automatismo,
Da rotina costumeira,
Ao pragmatismo meritocrático...
“O progresso da Nação” é idolatrado,
“Os salvadores da pátria”, cultuados...
Mergulhados nos raios de (des) esperanças,
Não é à toa que sempre fomos, desde pequenos,
Acostumados a crer, não só nas religiões,
Mas em tudo aquilo que recebemos como herança cultural..
E, também, no Papai Noel,
No lobo mau e na inocente menina de tranças,
Numa eterna luta entre o Bem e o Mal,
Personificada em cada um de nós...
O sistema,
É sempre apoiado pela “boa vontade” divina e pelos homens do poder,
Nunca é questionado em si mesmo,
Porque cabe ao indivíduo “sociável” adaptar-se às regras da ordem estabelecida...
Assim, já que o sistema é intocável e inquestionável,
Tal qual a simbologia do “American Way of Life”,
O aprimoramento sem fim da "felicidade" de vida aos americanos,
Cabendo, portanto, aos homens adaptarem-se ao sistema...
Então:
O que fazer com os assistemáticos?

FILOLETRIA –Carlos  Gau – 25/07/16

Ricardo Pozzo



Importado das regiões austrais, considera-se ainda muito criança porque vive empinando pipa quando não tem ninguém olhando. Abstêmio convicto, se reverteu em um budista-umbandista-muçulmano e explica que todas essas religiões e filosofias têm uma conexão entre si. Apesar do frio que passa nas madrugadas curitibanas, publicou um livreto por conta própria, chamado “Transmigrações” e um outro, do qual tem apenas um exemplar, com o título de “Khidr” Participou da antologia do livro Pó&teias e participou dos cd´s “Psiconáutica” e “Cádmio” – “Poesia de Transição”.De 2011 a 2016 curador do Projeto Literário do Wonka Bar "Vox Urbe ".Curador da webserie de  Poesia Contemporânea  " Pássaros Ruins". Curador do Panorama Paranistico do Litercultura 2016.de 2013 à 2016 editor assistente do jornal Relevo 


escrever não é lá um bicho de sete cabeças, é necessário sim alguma dose de técnica, alguma cultura, ler uma dúzia de autores que prestem e voilá: o resto é perfumaria. escritores são uma raça insuportável, eu conheço alguns, mas só me relaciono com eles porque são meus amigos e falam de tudo, menos literatura. quando vejo gente tendo tremeliques de inspiração me dá nos nervos, toda aquela coisa de crise existencial, "ver o mundo com um olhar único" - a vá! fazer literatura (ó) se resume a sentar o rabo e escrever, o trabalho é mais braçal do que intelectual; quando você pega a coisa editada, bonitinha, cheirando a tinta, parece que é fruto de alguma dimensão divina, pois não é, muitas vezes e só fruto da necessidade de pagar as contas, frustração e ressacas (e de um bom editor, aliás, uma figura que trabalha pacas). o problema é o cultismo desse clube - embora, haja muitas facas nas costas, ficam todos como pombos com olhares espantados dando voltas ao redor das pombinhas para comê-las. egoísmo, hedonismo e o desejo de virar tese de alguma universitária gostosinha e ter um lançamento cheio de mortais puxa sacos ao redor; só que isso não é lá muito de bom tom dizer, porque as pessoas se ressentem, pois, o mais marginal dos escritores, ainda que fale o contrário, guarda dentro de si uma moral cristã bem lavadinha e engomadinha - ecce homo.

William Teca

Angela Gomes

Nasceu em Curitiba. “Parte de mim é sonho/ Parte pesadelo/ Parte em mim arde/ Parte deixou de sê-lo/ Escombro que desabou/ Sobre as cores fortes da tarde/ Sobra de luz, sombra/ Desconstruindo o que restou/ De um inteiro pela metade”. Participou das antologias: Poetas de Curitiba (2003); Pó&teias (2006); E-zine Bar do Escritor (2007); Bar do Escritor (lançamento para 2009); Balela (no prelo). Menção Honrosa Concurso de Poesias Helena Kolody (2004). Seus poemas a definem.
No que as Rosas viram prosa motivo de rima percebo menina que até podia ser começo de poesia. Noire virando dia tuas curvas tua geografia palavras frases letras contando minha alegria papel riso caneta cantando oque via e tinta solta na mão Folha de boca aberta sem precisar nem sim tão pouco não ou explicação.Escrever ópio do insano viciado em contar oque ninguém viu mas está lá.

Paulo Teca 

Andréa Motta



Nasceu na cidade de São Paulo, em 1957. Reside em Curitiba - Paraná. É graduada e pós-graduada em Direito. Em 2003, decidiu dedicar-se exclusivamente à poesia., a partir de quando estreou em livros com as publicações digitais: Fonte de meus Silêncios mais Profundos, Natureza Íntima e Águas do Inconsciente. Participa de diversas  antologias entre elas: Antologia Internacional Terra Latina (Projeto Cultural Abrali, Ed.2005), uniVERSOS,  Antologia Poética (Escritores e Poetas – Ed.2005), Pó&Teias (Antologia de Poemas, crônicas e Contos, Ed.2006), Poesia do Brasil, Vol.3 (Proyecto Cultural Sur/Brasil, 2006) e Poesia do Brasil, Vol.5 (Proyecto Cultural Sur/Brasil, 2007) . Em sua trajetória literária, obteve várias premiações. É associada á Academia Paranaense de Poesia, participa de diversos grupos de escritores e poetas entre os quais o Grupo Pó&Teias, além de ser membro efetivo do Centro de Letras do Paraná, do Portal CEN., do Projeto Cultural Abrali e coordenadora do núcleo de Curitiba do Proyecto Cultural Sur/Brasil. 

"2160 horas..."




[...] 17:00. Estando num bar, assisti a mais uma edição do “Bahia Agora”.
Hoje aconteceu um assalto numa pousada no Largo de Quitandinha do Capim, no bairro de Santo Antônio, no Centro Histórico de Salvador. Os assaltantes foram dois jovens, um armado de faca, outro, de pistola.
Conforme os testemunhas, os assaltantes teriam entrado na pousada pelo sótão, aonde conseguiram chegar, andando pelo telhado. Eles teriam subido por dentro de uma das casas vizinhas, que está abandonada.
- Não é a primeira vez que fomos assaltados, mas hoje, por primeira vez, o assalto se deu em pleno dia – às três horas da tarde. Os dois “pivetes” entraram pelo sótão, derrubaram a porta, renderam as duas meninas que estavam no quarto coletivo de quatro camas....
...Ainda bem que não foi o meu!
As meninas foram uma portuguesa e uma norte-americana. Ouviram-se os dois tiroteios, mas ninguém foi ferido. Foi assaltada a quantia de R$200 da norte-americana e o “tablet” da portuguesa, depois devolvido. Foi acionada a polícia militar, e, passados os quinze minutos, um dos assaltantes foi preso. Apesar dos seus 18 anos, ele já tinha passagens pela polícia. Outro assaltante, um homem moreno de 19 anos, continua foragido.
...Felizmente, tudo aconteceu no primeiro andar da pousada. Ao rés do chão eles nem conseguiram chegar... Ou conseguiram – já neutralizados pela polícia. Fiquei feliz que eles não roubaram nada meu...e que eu estava na Ilha. Mas vou pensar seriamente em mudar de pousada. Salvador tem-nas à beça!
Ainda tenho duas noites para passar na capital baiana e preciso passá-las em segurança.

"2160 horas...."

[...]
18:00. Haja vista o acontecido, voltei a Salvador e mudei-me para outra pousada. Ela fica defronte a Faculdade de Medicina. As suas janelas traseiras dão para o Largo Quincas Berro d´Água, e aqui também vai ter show do forró. No entanto, vou-me apressar para voltar a Gameleira.
19:00. A festa começa com uma raridade de Luiz Bandeira:
Maria que vai à missa
Leva um terço na mão.
Sabe Deus – ela é tão pura
E tem um grande coração.
Espera, Maria, espera,
Não casa com outro, não!
Ai, ai, ai,
“Pra” se cantar chorão,
Canta melhor quem canta
Com amor no coração...
É só você para me alegrar, Luiz Bandeira! Ainda acompanhado pelo Trio Madrigal. Este já foi um dos conjuntos femininos mais conhecidos do Brasil. Agora, muito poucos ainda se lembram dele.
É por isso que eu voltei a Gameleira. Ficasse eu em Salvador, a festa também poderia surpreender-me. Mas não assim!
Capitão, que moda é essa –
Deixa o trempe e a colher.
Homem não vai “na” cozinha,
Que é lugar só de mulher...
Não concordo, mas prossiga!
Vou juntar feijão de corda
Numa panela de arroz.
Capitão vai lá “pra” sala,
Que hoje tem baião de dois!
Agora, é o Luiz Gonzaga! Se a festa continuar assim, vou ficar até de manhã!
20:00
Quando me lembro do meu Quixadá,
Nem é bom falar,
Nem é bom falar!
Quando me lembro do meu Quixadá,
Nem é bom falar,
Nem é bom falar!
Naquele tempo, que não volta mais,
Eu era tão criança (e hoje sou rapaz);
Levava a vida no meu Quixadá,
Comendo graviola e umbu-cajá
Mais um baião das antigas! Os jovens de agora nem conhecem. Aposto que lá em Salvador agora tocam algo de “Falamansa”...um “Xote das meninas”, ou uma “Confidência”.
... Não tem nada ver com o baião clássico!
... Mesmo apesar de ter bossa!
[...]




 Vlademir Tremazul

Alessandro Jucá



Nascido em Fortaleza-CE, Alessandro desde muito jovem expressa sua emoções por meio da pintura e da criação de poemas. Em seus trabalhos escritos retrata temas diversos como a beleza, a vida, o sofrimento e o amor, em diversas formas e temas instigantes que se entrelaçam no cotidiano.  Sensível, tem na arte o refúgio de suas emoções. Consegue captar a essência das coisas e pessoas ao seu redor colocando-as em forma de poesias e imagens. A arte esteve e estará sempre presente em sua vida. 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Neste grito contido,
envelhecem os dias
e a minha solidão
tem medo de viver!...
Ana Andrade

POR QUE HOJE É O DIA DO ESCRITOR


Tenho os dedos e o teclado, tenho a senha da trilha, tenho a tela, tenho a linha, tenho o cálice bento, tenho a terra para lavrar, tenho o mar para navegar, tenho o vento, o barco e a vela.
Tenho a caravela.
Data vênia, tenho a palavra que se fez carne e habitou entre nós.
Os amores?
Imprimo-os salvos, primitivos, no arquivo morto.
São por demais antigos, atualmente proibidos.
As paixões de agora não são mais gostosas como as de outrora.
Mornas, murchas, secam logo, mórbidas, morrem.
Sem elo, um livro in pectore, no prelo, não publicado, nem mesmo escrito.
Livro sem capa, sem miolo, sem prefácio, sem epílogo, sem posfácio, só o epitáfio.
Aqui jazz um poeta renhido por amores reprimido.
Mas não quero um amor banal desses descartáveis no mercado a granel, de casamento no papel.
Quero-o fanal menestrel.
Não corro mais atrás das paixões que por hímen imantaram meus sentidos, como na vitória de Pirro, me deram por vencido.
Quero um amor evasivo exclusivo.
Vai, minha vela ao vento, não vivo sem ar.
Vai meu beijo on-line fluído por flecha cupido.
Vai, os lábios conectados por energia quântica monástica do espírito.
O beijo lúbrico lírico mendigo.
Áspide em riste, o bote do beijo me dá um frio na barriga.
O beijo com vontade mangueio com lombriga.
O beijo de tirar o fôlego suplico.
O beijo de língua enosado no céu da boca.
O beijo com lábios aziagos.
O beijo pelos dentes mordido.
O beijo por super bonder conectado.
O beijo, mesmo de longe, ao longo da estrada dura e torta, faz sentido.

Beijo, bacio, beso, baiser, kiss, kuss, kisu.

José Aparecido Fiori‎ para Feira do Poeta Curitiba
Sigo em busca constante pela "forma" - "ethos", não descartando o "pathos" no processo de assimilação cognitiva: Economia lexical.

Não pertencer

Especial a pauta insinua-se
Estrebaria sempiterna
Glóbulos de destras cópias
Entabula a expressão
Seu não pertencer

Em ode emerjo-me sôfrego
augúrio de não ser
permito-me não
perito
Em quão néscio nível
Escrever!
- ou digitar -

Teias diplomáticas
de mágoas

Saboreio, - na favela
Mortadela com pimenta.

E continuo Cristão.

Anderson Carlos Maciel 

Noite em claro
A mão ferida
que bem recebe
já não tem saída
se antes concebe
duvidar da vida.

Roberto Bittencourt

"De qualquer pano de mato, de de-entre quase cada encostar de duas folhas, saíam em giro as todas as cores de borboletas. Como não se viu, aqui se vê. Porque, nos gerais, a mesma raça de borboletas, que em outras partes é trivial regular – cá cresce, vira muito maior, e com mais brilho, se sabe; acho que é do seco do ar, do limpo, desta luz enorme. Beiras nascentes do Urucuia, ali o povi canta altinho."
.

- João Guimarães Rosa, em "Grande Sertão: Veredas". Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1994.

domingo, 24 de julho de 2016


Eu namoro a noite,
você apaga a lua;
eu perfumo o lençol,
você dorme na rua;
eu lavo o cristal,
você exagera no sal;
eu adoço com mel,
você passa do ponto;
eu beijo na boca,
você faz de conta.

Naiara Campos

A gente envelhece
dormindo às dez
acordando às seis
ameaçando pernilongos em voz alta
antes de errar o tapa
A gente envelhece
medindo a circunferência do braço
evitando usar regatas
se cadastrando em site de receitas
e consultando horóscopos
A gente envelhece
dormindo de meias
falando pra manicure
no pé um rosinha básico
A gente envelhece
cantarolando a música
de Ao mestre com carinho
descobrindo na wikipedia
que o sidney poitier
ainda tá vivo
A gente envelhece
recusando convites
lembrando que piqueniques
eram chamados de convescotes
nos clássicos que não lemos
A gente envelhece
gerundiando
esperando uma oferta incrível
da garota do telemarketing

ADRIANA BRUNSTEIN, poeta paulistana, é PhD em física, escritora, dramaturga e roteirista, com trabalhos em várias vertentes e meios da comunicação. Ganhou o prêmio de melhor roteirista nacional e foi contemplada no 13º Cultura Inglesa Festival pelo roteiro do curta-metragem Olhos de Fuligem. Publicou o romance Estado Fundamental. 

ADRIANA BRUNSTEIN está na 78ª postagem da série AS MULHERES POETAS...

Se quiser ler mais, clique no link http://www.rubensjardim.com/blog.php?idb=47942
"... vivemos em uma casa presa no limbo dos séculos em pedaços.
 digite qualquer época  de sonho e luz e na tela da janela só um céu sem sol
entrará  e  vai construir uma casa presa no quadro
de nossa memória.
 ..."

Wilson Roberto Nogueira

QUALQUER FANTASIA SERVE


o jovem mórmon
desce a rua de bicicleta
e vai de porta em porta
pregando seu paraíso
bestial ja que na contenda
entre o bem e o mal,
qualquer fantasia serve
para animar o carnaval.
a hera cresce no muro
e as horas escondem
o rosto incerto do futuro
enquanto este azul
ferinamente belo
fere minhas retinas,
dá vida a cada gesto
de meninos e meninas,
compõe a paisagem
de minha cidade sem esquinas.
e o futuro
talvez seja
um deus
há muito entediado
de tudo e de todos,
há muito desiludido
com o homem e seus engodos,
talvez seja um poema
que nao deu certo,
algo nem muito longe
nem muito perto,
a meio caminho entre
o oásis e o deserto
Fernando Freire

Goiânia, 24/07/2016

sábado, 23 de julho de 2016

Estante, estável
Estabilidade
Pela cidade vultos de perfume

Célere, cognitivo, significo!
O que me investem
Amor e arte
E simplicidade!

Estante estável!
Estabilidade...
Medicamentos para os passos.
Compassos rompem no peito.

Comerciaria angústias!
Escambo de dores!
Leituras, edições acabadas...
Obras-primas da inexpressividade!
De nada de novo
Sobre o novo
Sobre o antigo
Sobre o amigo
Sobre o lodo [...]

Linguagem da lira
Lira da linguagem
Forma da epopéia
"O céu é o limite"!

"Bons narizes
E boas vergonhas
Em se plantando
           tudo dá"

A vitrola é eletrônica
O papel já não existe.
2016 anos de populismo piegas.
Caminhamos sábios da modernidade
Observando rudes assomares
De identidade
Pela cidade-orquestra.

Sim, rudes,
Rudes impactos!
Revolucionam fantasmas
A vagar para os mesmos "infernos".

Crianças ternas
Seduzem-se por palavras
E identidades-aljavas. 
Observo...

Distancio-me;
Emerjo-me!
Também.

Anderson Carlos Maciel

Lenda da Cigana da Bata de Cola


Na idade Média, na Espanha, existia uma bruxa má chamada Severa. Um certo dia, uma caravana de ciganos armou acampamento, na floresta, perto da casa desta feiticeira. O problema é que a bruxa precisava de um bebê para um ritual. Então, na calada da noite, Severa entrou no acampamento, roubou uma menina, que foi ferida e jogada ao mar no meio da bruxaria.
Porém sereias viram o acontecimento, salvaram o neném e fizeram uma espécie de transfusão de sangue na menina, que foi batizada de Sirena.
Então a garota foi crescendo, mas por causa da mágica transfusão de sangue, toda a vez que ela pisava em terra a cauda virava uma saia justa com babados. Porém esta roupa deixava os pés aparecerem. Mesmo assim as atividades que esta moça mais gostava de fazer eram cantar e dançar.
Uma vez, Sirena foi vender bijuterias feitas com conchas, na aldeia, e uma princesa gostou da saia da jovem. Então a monarca copiou o desenho desta roupa e mandou fazer um modelo igual para usar como anágua.
Alguns dias depois, Sirena voltou para a aldeia, começou a dançar e cantar com sua saia natural. Deste jeito, a princesa que estava observando tudo, ficou só com sua anágua e acompanhou a moça na dança. A partir daquele dia, a monarca batizou a saia, de Sirena, com o nome de bata de cola e todas as mulheres, daquele lugar, passaram a dançar usando este modelo de roupa. Assim a bata de cola tornou-se uma roupa típica da região.
Reza a lenda que, em um determinado período, fez uma seca muito grande naquela região da Espanha que até o mar desta aldeia estava secando pouco a pouco. Por isto, tanto os humanos quanto as sereias ficaram preocupados.
Assim, Sirena fez a seguinte oração:
- Santa Sara, por favor, me dê uma ideia para fazer o mar parar de secar aqui.
Naquele mesmo instante, esta moça foi para a terra. Então começou a dançar e a cantar. De repente, a bata de cola transformou-se numa enorme onda do mar que foi para o oceano que, de uma forma mágica, ficou cheio de água novamente. Após isto caiu uma deliciosa chuva que irrigou o solo que estava seco.
Reza a lenda que o tempo passou e uma dançarina de Flamenco chamada Rosário La Mejorana visitou aquela região. Porém ficou encantada com as roupas e danças da aldeia. Por isto, ela resolveu bailar com bata de cola nos palcos. Desta forma, a bata de cola passou a fazer parte do figurino das “bailaoras” de Flamenco.

Luciana do Rocio Mallon
escravo do que escrevo
não vivo, vicejo,
e vejo, pasmo,
o que perco do que passa
escravo do que perco
não vivo, escrevo
e revejo, avaro,
o que passa do que perco
se não há jeito
tento ao menos reter
um pouco do que passa
do muito do que perco
escrever vai ver é isso:
mais que reviver o vivido
reinventar o perdido

Otto Leopoldo Winck

Poeta Castrado, Não!


Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegada poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
De fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia !
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!

ARY DOS SANTOS
olho da noite
olho da noite
comboio de sombra
pestana de tempo
mira-me agora
carrega-me onda
sossega este medo
.
- Susanna Busato, em "Corpos em cena". São Paulo: Patuá, 2013

.

sexta-feira, 22 de julho de 2016


Escritor é o cara ligado nas palavras: estejam elas no papel, na tela ou na boca da pessoa ao lado.

Otto Leopoldo Winck

Shakespeare bugre


Aéreos, tatos, qual atos
Remédios, sensatos
Acordos de fato
Rumos nortes
Rimas fortes
Doces beijos

Sentido: circunscrição
Aedos elípticos forma e canção
Em caravelas, em brasas
Em sentinelas
Em casa, enfim

Tua falta, nossas sobras
Linhas, pautas, alíneas
Cordéis ilustrados
Visões do amanhã

Criativa Argentina
Bolsa de valores peregrina
Torpor em fazer parte
De quê?

Blocos econômicos
Das novas identidades
Remediam falácias
Quais acácias-cifrão

Enxergue pela minha visão
Cometa gafes, - trabalhe para eles
Dinheiro para o luxo da cafeína
Mas não o suficiente para as cáries:
Sustentabilidade paradigma das pernas

No gráfico das angústias
Uma leitura estável

Se quer queira
Ou não queira
Somaria palavras sem vertentes
Contínuas

Elípticos garranchos
Investem libido
A lecionar sentido

Aos quatro cantos
Do seu fracasso próprio.

Ser ou não ser
Shakespeare no Brasil?


 Anderson Carlos Maciel

A POESIA



.A poesia me incomoda,
tarde da noite,
tarde do dia,
não interessa!
.É uma vontade de vomitar
um mundo novo,
uma coisa nova
que me azucrina,
.Me persegue na cama,
rasga o colchão,
me rouba as cobertas,
me sequestra o pijama.
.Todo dia me incomoda,
todo dia,
toda hora,
não interessa!
.A poesia me enche o saco
o tempo inteiro,
me rouba os segundos,
os minutos, o relógio inteiro.
.Acaba com minha calma,
desnuda minha alma,
acentua minha raiva
e me apedreja,
.Me vira do avesso,
me desrespeita,
me amedronta,
me sacaneia,
.Ela me adota
e me recebe como anedota,
Às vezes me ama
e às vezes me odeia.
A poesia me completa,
Mas, nunca me satisfaz.
Por isso me vicio
nessa droga que me anestesia,
.Que me trata como puta
E me fode sem dó,
cheira todo o meu pó
e me larga na cama, só.
.Me separa,
Me aliena,
Me escraviza,
Me enterra ainda em vida.
.Faz com que eu seja
Mais um brinquedo,
a poesia que completa,
Mas, nunca satisfaz.


 Adroaldo Barbosa Jr.

PASSADO


(FADO)

Não me peças para ficar
Ao teu lado novamente,
Se não me quiseste amar
Por que havia de voltar,
Ao mesmo de antigamente!
Foi triste e foi dolorosa
Esta troca de caminhos
Para fugir da tua rosa,
Que apesar de formosa
Estava coberta de espinhos!
Julgo sentir no que dizes
Desejos a despertar,
Mas não cometo deslizes
Que reabram cicatrizes,
Que doeram ao fechar!
Qualquer flor muito bela,
Como também perfumada,
Quer pomposa quer singela
O vento ao passar por ela,
Deixa-lhe a haste e mais nada!
Sem mágoas e sem rancor
Deixo ficar-te um recado:
-Tu foste u meu grande amor,
Por ti quase morri de dor,
Mas hoje és caso encerrado!

A. Bastos (Júnior)

Chuva



Chuva

Enegrece a pele da tela
Uma pintura bela

Acrílico sobre a alma

Anderson Carlos Maciel

Acordes das canções vindouras


Canto a canção que tenho
e dela hei de fartar-me sempre
ou pelo menos, metade ou quase.
.
Enquanto a alma voa ressabiada
dispo-me das incertezas corriqueiras,
para vestir-me das canções vindouras.
.
Deixo o pessimismo na esquina da rua
isolo o paredão que me quer em redoma
e vou tomar café na mesa das indecisões.
.
Marçal Filho
Itabira das Gerais

Julho de 2016