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sábado, 14 de novembro de 2015

*kari’boca


o oceano lambe-se como um gato
do mato
meus ossos de navio
trocam a floresta
por um espelho mercante
mil indígenas assoviam
dentro das vértebras
evangelizadas
finjo-me especiaria
de pó finíssimo
estátua de colorau
o canto tribal das ondas
aprende o idioma
dos marinheiros
deixo que me cortem a língua
de pajé
cauterizo o choro titânico
nas águas falantes
que cobriam a terra
antes dos mapas
a maré vermelha bebe meu nome

***


*Andréia Carvalho Gavita. Poema declamado durante o Sarau Brasil-Itália, no Palacete dos Leões. O cocar é de um líder de tribo Kaingang do Paraná.

sábado, 12 de setembro de 2015



Faço briefings o tempo todo. mas isto não é nada comparado a flor azul sem crase que atravessa a imanência hormonal das palavras de minhas irmãs. elas trazem conchas, revoluções, discordâncias. tudo em pétalas de bruxa lacrimosa. quando a bruxa chora e chove sobre a terra. os dias estão difíceis, pois invoquei pavonia, de uma forma mais evolutiva que a forma espiritual. ela quer dizer e ainda me confunde. sua carne provável impede-me de realizar poemas. e eu sofro cortando a face dos dedos (falanges de água sutra) no império das imagens. mas sei que ela dirá, pois não está sozinha. tem um príncipe emancipado que me disse não ser possível alcançar a realeza sem uma rainha forte. flor azul de minhas indecisões: torço que nasça com um rebento inadmissível na terra dos sonhos mortos. forte na corpulência das beatitudes da sororidade. e mais não digo, porque o vinho é insano de rubis e versículos de animais marinhos. e por hoje, contento-me na invocação de nomes femininos que soam o álcool de cereais na desenvoltura alquímica dos perfumes.

Andréia Carvalho Gavita

sábado, 23 de maio de 2015

Camafeu Escarlate
*lendo o poema "animula vagula"**, na Sala SCABI (Solar do Barão), para o Sarau de encerramento da exposição "Mulher, este ser multifacetado".

Criatura hálito de anêmona, uniforme de archote.
Trespasso contigo o corpo dinâmico das embarcações.
Com dentes de telescópio, mastigo tua labareda: sonda.
Radar: a face pulverizada nas águas.
Desenha-me como um monge sassafrás no periélio dos templos,
trabalhando o óleo da pirâmide:
o holocausto líquido que assombra tua testa,
afogueada na crosta da terra.
Nada posso contra tua imolação na pedra fria do meu reino.
Persisto em oração de guilhotinas no pé marcial das tuas marés.
Teus tentáculos chicoteiam as organelas e os meteoros respondem
na cela das cristaleiras.
Meu manto amarelo dissolve como o leão no abraço de um sigilo.
É tua a maquinaria acesa em minha indústria de fantoches,
armazém de peixes e cordeiros.
Hoje, sou teu demiurgo no marinho fátuo de um papel leopardo.

Morcelâmpada,
fulgurita,
no folhetim de teus raios
que fui buscar
debaixo de sete palmos
no coração
hieróglifo do beato
entre nós.


**AC (do Grimório de Gavita)

terça-feira, 17 de março de 2015

maria da pena

*maria da pena

ela rogou ao mar
o touro branco
como a neve

a cor de seu desmaio
pelas fracas porcelanas

um troféu de reinado
para lembrar aos homens
que costurava ilhas
dispersas

e domava com rigor e charme
caótico
os olhos náufragos
sobre sua pele
coletora

quando surge na avenida
willendorf
maquiada de ocre vermelho
vestida com couro curtido
desafia a vênus
anadiômene

e sussurram mitologias:
cuidado, a minotaura.


AC

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

PYROSIS


mestre
eis o homem!
o incógnito incendiário,
imunizado pelas luzes da cidade
dorme no escuro desde criança
anticlerical, reza o terço dos bosques mais antigos:
sem lua, sem estrela
filho eterno, mutilado de redomas,
projeta-se sem pés
pelos tímpanos de plutarco
nem o bisturi do renascimento ilumina
sua placenta
de lodo receptáculo
(tão profunda que não ousa sair)

colapso, casulo, assim o canto
pirilampo-paramécio
tem cílios e ofensas
de sirenes
fagocitário, desprende-se do fogo que o tenta engolir
percebe? volta a si
mesmo bípede
ateia-se com a sordidez
da sinapse

por isto estou aqui, guerrilheiro
na hierarqui astuta,
fêmea-macho,
em terapia intensiva de retóricas

Dama da Lâmpada, Pulmão de Aço

não me serão precisos
os cuidados especiais


AC

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Andréia Carvalho Gavita

*diazepam na veia hoje. surtei depois de um susto. sinal próximo da rua 24 horas. o moço pedindo dinheiro e quando recebeu a resposta que o mei pai não tinha, ele simula pegar algo do bolso dizendo: aposto que você tem grana sim. o vidro de meu pai valentão estava aberto. resumindo: andar com janelas abertas não é coisa para faixas pretas, é coisa de tarjas pretas. e a primeira tarja preta a gente nunca esquece. é ruim. melhor assar de calor dentro dos autos e laudos. o surto: aparente formigamento na face e sensação de ter um ponto de interrogação metálico atrás do olho, indagando, indagando. agora estou calminha, fumando um cigarro dentro de casa. porque na rua não dá... ao invés de abordar bandidos na rua é mais fácil se intrometer com quem está fumando. não, eu não jogo minha fumaça na cara de ninguém. nem tenho má índole por gostar de alcatrão. prefiro 10 maços de perigo enevoado do que uma cápsula que te apaga em 10 minutos. no mais, sou técnica em farmácia. colaboro com o mercado das pílulas sorridentes. agora um poema?..... brincadeirinha. Ahah

quarta-feira, 8 de outubro de 2014



*climatempo climatério: o grande apóstolo enfeitiçado, em ensaio laforgueano, é um galo gago, heliogábalo, na preguiça psíquica das flores congeladas. uma cara sibéria, uma cara sidérea, na pátria da araucária.

Andréia Carvalho Gavita

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

"não há trabalho sem força. não há execução sem o coração ressonante do escorpião. existe o leão e a mão sobre seu rugido plástico. a mobilidade das colheitas não cresce entre docilidades doentias.
a placenta deve atirar-se ao oposto do cordão prateado, do nó dos mundos. para que o rosto de um espaço ocupe o tempo que lhe cabe.
os mapas são rebentos.
todo corpo nascido é uma heresia militar. forte. avante.
não há continência para a miséria de não crescer."

AC

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Andréia Carvalho Gavita


.a pátria do tempo estoura os mapas alucinados. o tímpano recorda, infinito cabisbaixo. debaixo da areia o vento histérico e oco com mãos cheias de sopros sortilégios. ouço, não me deixo levar. além dos boatos deste norte barítono, castigado de misérias mentais, há a rouquidão da ópera soterrada. seus quadrantes de pausa solar no aneurisma da lua. a ópera mineral de uma estrela com sete corais no arco da íris. musicalmente escoada pelo astro-lábio da clepsidra. o único relógio que sigo. cardíaco, rítmico sideral.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

*pensava na musculatura em queda de anjos. no desequilíbrio de suas conjunturas quando os recém nascidos compreendem o mundo, depois de anos imunizados pela ilusão de um cordão prateado que os nutre diretamente do céu ou do inferno. naquele momento quando se conscientizam e respiram a topografia de um território sem guias. nascer é sempre a compreensão de que se é responsável pelo seu destino. não são os fármacos, os deuses, os pais, os tiranos ou os caridosos. nem a sobra ou ausência deles. nascer é dizer: sou eu. bendito ou amaldiçoado por si mesmo. acho belo assim... quando os anjos se dissolvem nos coágulos da "mea-graça".


andréia carvalho gavita 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Andréia Carvalho Gavita

14 de setembro às 11:09 ·


Eu cursava Geografia na UFPR e em uma das atividades curriculares fomos passear pela cidade para uma aula arqueológica ao vivo. Lembro do professor explicando que a maior parte da região central por onde caminhávamos "sequinhos e seguros" já tinha sido água pura (o Rio Belém). Quando chegamos ao Passeio Público ele nos explicava que o parque foi o primeiro projeto de saneamento ambiental da cidade. Era uma aula de "geografia pura". Eu pensava em seguir a carreira de geógrafa, estudando mapas bolorentos ou talvez mapas espaciais. Mas então chegamos até a ponte pênsil e a cruzamos chegando até a Ilha da Ilusão, no reduto onde repousa o busto de Emiliano Perneta. O professor contou do pomposo dia da coroação do poeta como o "Príncipe dos Poetas Paranaenses". E discorreu sobre a importância do movimento simbolista nesta cidade. Por isto, assim como abandonei os ossos e moléculas do curso de Biologia, abandonei os mapas e cálculos de vento, percebendo o que me completaria: a literatura. Não, não me matriculei em mais um curso acadêmico (o óbvio seria cursar Letras). Resolvi flanar periodicamente pelo passeio público, invocando uma luz para os ossos de pedra do príncipe simbólico. Bem, ele me deu bem mais que uma chama de fogo-fátuo, me deu coordenadas fosfóreas e vértebras de caminhos para os roteiros pineais de minhas rótulas escriturárias. E aqui estou, sem diplomas na parede, mas com muitos papéis nefelibatas, em trânsito perpétuo pelos signos dos dândis. Bendito dia arqueológico, projetado no hoje santuário que vislumbro.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Andréia Carvalho Gavita


Eulirico, meu amigo imaginário. Comecei oficialmente minhas férias hoje e só quero caminhar com ele. Ele gosta de ler e passear. Portanto, me permitam insanidades na linha do tempo e me perdoem os arroubos hormonais (lunares). E nada de gravidade. Preciso desconstruir a imagem. Sabem como é. Boa noite.

sábado, 23 de agosto de 2014



Meu tio-avô (Antônio) era nômade (hoje diriam sem-terra). Vivia na rua, por opção (talvez, não sei). Apego? Só com os filhos e com as pedras. Gostava de geologia, mas nem sabia se tratar de uma disciplina acadêmica. Vivia com roupas vellhas e rasgadas. Bolsos sempre furados. Mas me parecia um senhor inglês, contando histórias muito bem elaboradas. Pernas cruzadas, elegantemente instalado ao lado do fogão de lenha de minha bisavó benzedeira. Aprendi com ele a ser rococó sem nunca ter pisado em um palácio. Gosto da nobreza interna e dos rituais rebuscados. É genética. Sem moedas, mas com muitas palavras cerimoniais. Meu tinteiro está atolado com o sangue azul petróleo de meus pais.

Andréia Carvalho Gavita
Camafeu escarlate
*a proeminência laríngea das araucárias


enquanto contabilizam as estacas
que articulo ao redor
de minha fortaleza
muscular
rezam a lenda
matemática ofuscante:
- é assim que a conta faz
- é com pingo cínico o sóbrio "i"
- é com cinta liga a curva cobreada
dos termostatos

mas eu não sondo nada
que se cumpra gado marcado
no rebanho angustifoliado
"poematic"

ereta, a maçã fronteira não soma
o algarismo algoz
da fruta física
anti-bíblica

com ares de "falo satíricon"
oscilando lastro entre
o microscópio e a luneta
meu cercado de Ló
multiplica os peixes de único
pão-de-leite
quente

minha casa favelada
em quantum
é um verso atômico livre
imparcelado favo
priapo espasmo
no contido pomo
de adão


AC

sábado, 16 de agosto de 2014




.amo quem eu quiser. amo poemas que não parecem status de rede social. amo poemas que tratam do tema utilizando recursos linguísticos de forma criativa. amo poemas que não são preto no branco, com tudo mastigadinho ao leitor, parecendo uma narrativa de revista capricho ou redação para concursos de vestibular. amo poemas que não gritam descaradamente o quanto o autor sofre por ser "marginal" (eca, estratégia dos anos 80). amo poemas que não parecem conversas de mesa de bar. amo metáfora, polissemia, isotopia, metonímia e hipérboles. amo poemas que não criados para atacar partidos políticos e panelinhas literárias (de forma insossa). obviamente que o meu amor não significa nada e não me impede de ler o restante e até achar bonitinho. mas amor... amor é uma questão particular e só amo aquilo que me deixa criar um roteiro não guiado. desculpe.

Andréia Carvalho Gavita

*sobre a sensação de perseguição imagética:



quem nunca passou por isto? uma pessoa que se aproxima e sonda todos os seus passos e depois age como um arremedo patético e assustador de suas mitologias internas e externas (muitas vezes). no começo você deixa, pois não quer ser possessiva com suas "imagens", já que tudo é reprodução (já disse assim Water Benjamin). então conta seus segredos, suas ideias, suas técnicas, sua trajetória. então a pessoa tenta fazer exatamente como tu contou, sem nenhuma alteração, sem nenhuma intervenção criativa (o que seria saudável, já que ninguém é original, nem o átomo, nem a bactéria). você a vê por aí destrinchando suas coisas e valores como se fossem dela, adicionando seus amigos, blefando com suas cores & flores e tudo que obteve de ti através de uma conversa. esta pessoa usa o que te deixa feliz para tentar alcançar a sua própria felicidade. não gosto de cultivar a sensação de estar sendo roubada. isto é doentio. mas a sensação de perseguição imagética é gritante. é uma ofensa. devo esquecer? devo me sentir péssima por confessar que me incomoda este eco de papagaio? algo realmente nos pertence? é apenas o resultado da alta exposição e compartilhamentos tão comuns em era de rede social? queria não sentir isto, esta sensação invasiva. vivo dizendo que um vampiro só entra em sua casa se você permite. foi pela minha permissão ou é pura "sem-vergonhice" alheia? estou sendo possessiva demais ao me sentir lesada por uma cópia descarada e doentia? to me achando a rainha da cocada preta por ter a petulância de imaginar que alguém está me reproduzindo ("maleporcamente")? aceito conselhos. preciso me livrar deste nó de espelho esquizoide. ou aceito a "collage" ou me recolho à minha própria insignificância egoica. sou normal tendo esta sensação? alguém me acompanha nisto?

Andréia Carvalho Gavita

· 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Perdida nos meus desobjetos, me inauguro sujeito quando me subjetivo numa lâmpada, numa borracha, numa torneira, num martelo, numa cadeira, num espelho, num parafuso, num alicate.

.foto mais curitibana não existe: cara de gripe+cachecol+pinhão e quentão na rua são francisco+desfile da moça na rua riachuelo+grafite nas fachadas. se passar ali perto da praça de bolso do ciclista não deixe de parar no armazém que fica aberto vendendo guloseimas invernais durante a noite.
Andréia Carvalho Gavita

quinta-feira, 5 de junho de 2014


Eu sou uma garota que não cresceu. Desisti da engenharia genética quando percebi que seria imoral criar um frankenstein, abandonando meu diploma de biologia no meio das ossaturas do museu, onde estagiava como taxidermista. Mexer com ossos provocou uma cisão em minha mente. Lembro do dia, quando colei ossos de sapo em um gato-do-mato e percebi que ser criador de aberrações me fazia desafiar o conceito de um deus harmônico e aceito pelas criaturas de bem. Percebem? Eu desisti de meus sonhos pensando que não seria aceito pelas pessoas e adotei a alimentação vegetariana. Anos depois vi uma exposição surrealista onde as montagens de esqueletos de espécies diferentes causou um furor contemporâneo na plateia. Poderia ter persistido e hoje seria vista como um artista excêntrico e inofensivo. Então me vejo, hoje, cercada de caixas de fármacos, cápsulas de perigosas concentrações, onde o vício é tolerado pela amnésia da dor. Assim, escrevo e conto muito de minhas alegrias, o que me faz parecer arrogante, pois o discurso aberto e desenfreado fere a noção de silêncio nivelador. Pensando bem, não deixei nunca o hábito escarlate de misturar anatomias pela gramática e nunca obterei a aprovação integral coletiva. Mas me dizer poeta é menos perigoso, pois o poeta é visto como um ser inocente e sonhador. Há o descrédito, pois o simples fato de não conseguir seguir o relógio que rege a conduta dita saudável e correta, já me empacota no bolo das personas esquizoides e indignas de tolerância morna. Mesmo com todas as frustrações digeridas e talvez por isto, tenho o costume eloquente de montar arquiteturas desajeitadas pelos vocábulos. Minha respiração está sempre cheia de palavras, da expiração à inspiração. Talvez eu não respire como um adulto e o fato de não ter crescido me faz admitir que meus pulmões efetuam trocas gasosas cujo produto final seja apenas o deslocamento de infinitas expiações. Não consigo treinar o diafragma de forma correta. Creio que meu coração também tenha paralisado em algum segundo traumático de anos passados, porque por mais que me alimente, sinto a fome de um leão imagético desnutrido. Onde está a iluminura que enfim me nutrirá para que me complete criatura sadia, simplesmente arrancada da costela de algo mais palatável que uma cria de geração espontânea?

Andréia Carvalho Gavita


(do meu livro dos mortos vermelhos)

terça-feira, 1 de abril de 2014

*pesce d'aprile



ainda vives, meu amor de eras
a marcha de um abril insano
calendário juliano
o teu desamor
em tua cruz inglória
arena adúltera e máscula
bradando a vitória
da gula flácida, da angústia sádica
de um usurpador
deste às pústulas cortejadas
as datas santificadas
do teu corpo augusto
de trovador
ah, sultão de ultrajadas beatas!
a mim, amor meu de séculos
tua morte falsa
com festim em latas
o teatro de um bobo austero
rima sem esmero
o palácio mágico
de banquete cego
com o peixe estrábico
ator, ator
se ousasse o contágio
com a bílis seca
de teu hades
encenado jade
lançaria em tua maquiada face
de velho alcorão
(anjo prematuro, cuspe de ancião)
o visgo da noite
em que me proclamou
provo a cada dia tua hemácia limpa
tua falsa linfa
onde livras as mãos
da sagrada tinta
do real terror
ergo meu sepulcro esquálido
a cada letra festiva
de teu nome cármico
que não calo
nem no vento, nem no lodo
inválido
ardo império e bestiário
no fiasco frívolo do teu atanor
canonizo-me por ti,
mentira, mentira
de inquisidor
...
* Porque hoje é dia de colar nas costas dos amigos, peixes recortados em papéis, com inscrições como “chute-me” e “beije-me”. É dia do Peixe de Abril.


 Andréia Carvalho Gavita

sexta-feira, 21 de março de 2014

notívago norte




nave lúcida, nave náutica. serei nausica neste vale de nuvens niqueladas. pois minha nítida nárnia nebulosa sonda os navios narcóticos de nuances que nos nivelam ao never more!
nanosferas nórdicas, ou de nêmesis, nocauteiem o nosso nunca nidificar nas necrofagias nativas de nosferatus neandertais! nas núpcias de nadas, que possamos nascer numéricos em netunianos núcleos! napoleônico me negocio, nudista sob nogueiras noturnas. eis-me néon necrosando novelas nutrientes. nivelado como um nimbus noturno sobre os noticiários: creio-me nômade, noutrolugar.


(e que a nova ortografia se negrite!)

Andréia Carvalho Gavita