Que dizer destes que dizem de si, o herói?
Fui cambaleante à pinguela da rua torta
Entendi o mundo daqueles que me cercam
Ao voar com minhas asas de cera, caí
Nasci com o defeito de tentar errando
Ao panteão do Amanhã, mirei o relógio lento
de todos os herois pretensos
Deserto o tempo é o de mim distante
Contei os passos rumo ao cadafalso
Tantas vezes desferi o berro ao espelho
Levantaram-me da lama mil vezes
Fugi do hospital para morrer quieto no quarto
Não reze alto enquanto preparo-me para à morte:
Renasci sempre de restos,
escrevi longas cartas aos fracos!
E na fraqueza de ser franco, reconheci:
Todos nós somos um pouco
Do pior do que criticamos nos outros!
Eles que caminham altivos e convictos
De nunca ouvirem o grito d’alma que vocifera:
Seja você o que erra! Seja você o que erra!
Apenas uma vez que seja, seja você humano!
Marcos Guimarães
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terça-feira, 19 de junho de 2012
Amor de Nuvem
Vou desenhar em teu rosto de nuvem
Duas estrelas que furem meus olhos
Moldar-te translúcida em raios de sol
Ser o vento simples que te faz forma
Deixar a lua emaranhar-se ao teu cabelo
Andar de mãos dadas em poentes
Sentindo teus dedos de algodão
E se de repente não mais a ver
Direi tão somente havê-la assim:
Em qualquer canto de céu
Construído um amor esparso
apesar de não ter sido ao fim
que tenha sido eterno
pelo menos para mim!
Marcos Guimarães
Duas estrelas que furem meus olhos
Moldar-te translúcida em raios de sol
Ser o vento simples que te faz forma
Deixar a lua emaranhar-se ao teu cabelo
Andar de mãos dadas em poentes
Sentindo teus dedos de algodão
E se de repente não mais a ver
Direi tão somente havê-la assim:
Em qualquer canto de céu
Construído um amor esparso
apesar de não ter sido ao fim
que tenha sido eterno
pelo menos para mim!
Marcos Guimarães
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