quarta-feira, 30 de julho de 2014

refém de invisíveis interesses.


Parece claro que a questão da Palestina não está nem em defender o Hamas, muito menos o Estado que o governo de Netanyahu representa.
A injustiça que acontece na Palestina acontece por toda América Latina tendo sido diluída pelo encilhamento histórico ao qual fomos submetidos.
Quanto maior nossa responsabilidade, ou envolvimento, menos conseguimos enxergar com clareza a realidade dos fatos.
Eduardo Galeano sugere, por exemplo, que a polícia brasileira tenha matado em um ano [qualquer], mais do que a repressão na época da ditadura militar inteira.
Quanto as vítimas que o crime tenha produzido, não me parecem claras as estatísticas.
De qualquer forma, entre a polícia e o crime, a Faixa de Gaza continua sendo a população que trata de ganhar a vida produzindo o PIB do país.
Já a classe política, historicamente, joga para quem oferece a melhor paga, tendo a hipocrisia como prática ética ideológica diária.

E assim, com grau relevante de morbidez, a população, em qualquer região deste mundo, muito fácil torna se refém de invisíveis interesses.

Ricardo Pozzo
de camões arranquei a musa amada
em cabral decidi o verso duro
os amores refiz do quase nada.
quando todos souberem da poesia
que bebi pelas noites destas ruas
ao rever tua carne que eu comia
saberão que morri da dores tuas."

RR

sexta-feira, 25 de julho de 2014

VOZES SECAS - Poema de José Inácio Vieira de Melo (JIVM)

estou olhando a sua pergunta preferida, as suas mãos de pássaros brancos, suas perucas de algas, os seus músculos que latem enjaulados. estou olhando sob a sua pele-dor-redonda, essa angústia que redunda incapaz, hedionda e vazia circulando por entre esses becos esquecidos de nossas línguas ...

Adriana Zapparoli
o medo entrará em nossa casa
nos recortando
como num conto de Cortázar
não saberemos por quê
por fim, foragidos
do perímetro de um país 
o coração
na saudade eloquente e pagã
forjada nas distâncias 
das coisas não paridas
- mesmo partidas
as coisas têm um nome
ouço
os espaços vagos
do dia em que nascemos


 ROBERTA TOSTES DANIEL 
(1981) poeta carioca, tem poemas publicados nas revistas eletrônicas Mallarmargens, Zunái, Musa Rara, Diversos Afins, além de blogs e no site do Centro Cultural São Paulo. Incluída nas antologias: Desvio para o Vermelho, Amar, verbo atemporal e História Íntima da Leitura. ROBERTA TOSTES DANIEL está na 51ª postagem da série AS MULHERES POETAS... 

Se quiser ler mais, clique no link http://www.rubensjardim.com/blog.php?idb=41786
um muso não deve se saber muso... porque ao sabê-lo se convence perdendo o encanto da musicalidade de seus músculos-muso-lírico-profano-pleno-distante...
se muso, nunca sabe, que é muso: nunca...

sismares de adriana (a zapparoli)

CASTELOS DE LETRAS - Poema de José Inácio Vieira de Melo (JIVM)

Conseguiu um extra! Disfarçado de garçom, escondido atrás da bandeja, sondava a filha dançando a valsa dos 15 anos com o padrasto.
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Nas apresentações nos colégios, tirava de sua cartola um coelho! Em casa, o mágico não sabia o que colocar na panela!

JDamasio, NUM PISCAR DE| OLHOS
estou olhando a sua pergunta preferida, as suas mãos de pássaros brancos, suas perucas de algas, os seus músculos que latem enjaulados. estou olhando sob a sua pele-dor-redonda, essa angústia que redunda incapaz, hedionda e vazia circulando por entre esses becos esquecidos de nossas línguas ...
Adriana Zapparoli

PAZ - poema de José Inácio Vieira de Melo (JIVM)

A MORTE — O SOL DO TERRÍVEL


(Com tema de Renato Carneiro Campos)

Mas eu enfrentarei o Sol divino,
o Olhar sagrado em que a Pantera arde.
Saberei porque a teia do Destino
não houve quem cortasse ou desatasse.
Não serei orgulhoso nem covarde,
que o sangue se rebela ao toque e ao Sino.
Verei feita em topázio a luz da Tarde,
pedra do Sono e cetro do Assassino.
Ela virá, Mulher, afiando as asas,
com os dentes de cristal, feitos de brasas,
e há de sagrar-me a vista o Gavião.
Mas sei, também, que só assim verei
a coroa da Chama e Deus, meu Rei,
assentado em seu trono do Sertão.

ARIANO SUASSUNA

(João Pessoa-PB, 16/06/1927 - Recife-PE, 23/07/2014)

REGISTRO DA FALA DO SILÊNCIO - poema de José Inácio Vieira de Melo (JIVM)

recolho a tarefa concreta
de levar a poesia ao descalabro
e à liberdade.
visto a tarefa concreta
de molhar de poesia cada osso
e o pão devido.
sem a tarefa cumprida
estarei inútil."

RR

Orações pelas vítimas inocentes em Gaza


uma cicatriz na fissura occipital do crânio


- las piedras de los demonios envueltos en azúcar/ moldean su piel en
pasado-remoto-oscuro, verde-gris./ entonces, venga mi amor,/ no tenga miedo./ lastimará sólo, y un poco, las crostas-escaras y las úlceras por decúbito... /... porque el amor tiene ojos verdes, es tatuado con flores y tiene una cicatriz en la fissura occipital del cráneo...
*
- as pedras dos demônios envoltos em açúcar/ moldeiam sua pele em passado- remoto-escuro, verde-gris./ então, venha meu amor,/ não tenha medo./ lastimará só, e um pouco, as crostas-escaras e as úlceras por decúbito... /... porque o amor tem olhos verdes, é tatuado com flores e tem uma cicatriz na fissura occipital do crânio...

Adriana Zapparoli •


 http://zappazine.blogspot.com.br

A CASA DOS MEUS QUARENTA ANOS - poema de José Inácio Vieira de Melo (JIVM)

sexta-feira, 18 de julho de 2014

todo dia, escrever
consolidada na penumbra
pelo esquecimento das imagens
do último sono
segue um gosto
partindo

Roberta Tostes Daniel

Amor a dentadas

Contigo já nem sei mais começar.
Atropelados todos os meios
Desisti de ser inteiro.
Me mordo em sonho quase sempre:
Destroncando o curso na montanha
Do que era rio e hoje é veio.
Só bebo dessa sede que em mim
Com fogo congelas:
Por ter os lábios e a língua feitos
Pela metade e perdidos estarem
Na polpa de tua pele como sementes.
É dia de arrancar unhas curtas
E arrastar o barulho das luas:
Para difamar o amor que me engana
E mostrar que corte de pedra não é
Dor. É só uma carícia de quem carece
De outras suavidades.

Julio Urrutiaga Almada 
do Livro Poemas Mal_Ditos

bacacheri


quando a vaca foi pro brejo
entrei numas de pressão
comi tanto kinder-ovo
engordei que nem balão
mas nem tudo é só limão
quem tem alma pro negócio
faz aquela limonada
êvem boi êvem boiada
vai pro brejo
só a vaquinha do presépio
ninguém pega no meu pé
de limão é o limoeiro
Marilia Kubota




“agora é tarde” disse o coelho
branco diante da rainha vermelha
colerica e nua aquela hora e bebada
“tarde demais” replicou o coelho
refletido nos olhos rubros da rainha
bebada cedo demais e querendo tudo
a rainha rindo imitava o coelho
“agora é tarde é muito tarde” disse a rainha
rindo mais vermelha q o rubro q corria
dos coelhos brancos ao redor
q o coelho branco conhecia bem e mais
todos brancos do mesmo coelho branco
“agora é tarde” disse o coelho
roendo dedos e unhas no espelho
via so rainha e vermelho nesse ao redor
“é muito tarde” sabia o coelho
“tarde demais bem tarde pra todos nos”
paralisado e branco disse o coelho
vendo ao redor brancos vermelhos
as pernas cabeludas e rubras da rainha
as muralhas as muralhas as muralhas
“agora é sempre muito tarde
quando foi cedo e cedo nada fizemos”
disse o coelho agora no espelho
*

 Alberto Lins Caldas


chuva no jardim de inverno
se dobra a esquina
se curva o rio
o bambu ao vento
você sabia que o sabiá sabia
que seu pai assobia ?
cruza o continente
a canção de quem
é menos que fio
d água no pós chuva


Marilia Kubota

Então é aqui que as pessoas vem lavar a alma? Espero que sim. Eu costumo lavar a alma berrando. Dizem que gente normal canta, como berro sou louca. Fato é que me afeiçoei à minha loucura à medida que ela passou a representar um diferencial. Fato também é que é igual xingar a mãe: quando eu digo que sou louca é bem pesado, é justo, quando os outros dizem é ofensa. Não porquê sou louca e interpreto assim pelo viés da loucura, mas porque a maldade é uma coisa que conheço e qualquer SÃO pode conhecer e reconhecer. Então digo SIM, EU SOU LOUCA, dessa loucura santa da qual padecem as criaturas melindrosas que vociferam e se esbatem e se derramam em palavras.
Fato também é que hoje uma amizade de oito anos foi pelo ralo, bem aqui nessa janela, quando eu conclui ironicamente que sou louca. Veja, era ironia. Ou sarcasmo? Nunca sei ao certo. Fato é que aquela mãozinha que representa positivo, mas aqui especificamente nessa janela representa curtir, foi a minha resposta. Eu já fui mais ofendida que isso, é vero, mas veja bem janelinha, uma resposta assim pareceu tão "desimportante". A questão merecia palavras. Não a minha questão irônica, mas a que a suscitou. Veja, minha interlocutora, segundo fonte fidedigna " estava ficando nervosa". Grande coisa sem duvida,penso cá agora. Mas na hora eu , que já estava muito nervosa,, queria palavras que contradissessem minha estupidez. Sim, estupidez. Também sou estúpida. Além de louca. Sim, pois só uma criatura estúpida diz a verdade a quem não quer ouvir. Pra minha sorte a estupidez regride cada vez que aprendo alguma coisa nova. Hoje aprendi muito:
-Nem pela salvação da humanidade, nem para evitar um apocalipse zumbi, devo permitir que lixo humano entre na minha vida.
- E o "diga-me com quem andas que te direi quem és" refere-se à degradação que sofre o espírito sob influência do referido lixo. ( Eu achava que lixo atraia lixo, mas fraqueza atrai lixo)
-Eu detesto a maneira como as pessoas espertas usam as palavras, como se fosse um jogo de montar, sem emoção, sem verdade.
-Adoro o Sherlock e o House e sua cruzada anti-idiotice


 Iriene Borges

A múltipla informação me aniquila
Quero voltar ao tempo das aves e das chuvas
Pisar o pasto molhado
Rasgar meu vestido novo no arame farpado
Cenas velhas que ardem na retina
A intangível gargalhada de um velho pai
Os passos cansados de uma jovem mãe
Lençóis alvos ao vento
A trilha das formigas
O poço escuro
O soluço do anjo, que sabia:

A tudo isto eu perderia

Bárbara Lia



quarta-feira, 16 de julho de 2014

PAIXÃO


um sol cego na sombra
miragem da imagem
areia
ar
crer por crer
viver de morrer
quem alcança esse fim?

(Poema de Ronald Polito, do livro VAGA)

COLETA DE DADOS


(alguns momentos antes)
toda semente hesita
por duas vidas
ponteiros giram
porque não há retorno
entre arco e alvo
uma flecha de deslize
uma pálpebra uma nuvem
um oriente um atol
cada palavra sem papel
viver seria um jeito de desistir

(Poema de Ronald Polito, do livro INTERVALOS)

ZERO GRAU


aqui --
casa quarto cadeira
aqui --
é possível deter
o mecanismo dos relógios
um a um
aqui --
depois das montanhas está o mar
depois do mar
não há nada
não se aproxima o céu
nem mesmo há
terra à vista
aqui

(Poema de Ronald Polito, do livro INTERVALOS)

MUDA


silêncio sem fim
um grito em um estojo
-- para não esquecer --
entre suspiros afora
rumores de golpes
-- ruídos

(Poema de Ronald Polito, do livro VAGA)

SEU NOME


(numa fração de segundo)
passou
entre os dedos
uma palavra e
dois silêncios
a presença
de uma ausência

(Poema de Ronald Polito, do livro INTERVALOS)

Mentir fingir pra mim só é será possível

Mentir fingir pra mim só é será possível
Sob holofotes num cenário como ator
E pra você mentir, fingir é impossível
É construir a sombra onde há luz de amor
Eu acredito e sempre acreditei na vida
De uma maneira muito forte, muito intensa
É que é difícil a gente ouvir do nosso próprio coração
Que ele só pulsa, bate chora mas não pensa
Estou tentando resolver esse problema
Onde uma cena cresce mais que seu autor
Se estava escrito que haveria outra pessoa
Rio e canoa sabem mais que o pescador
A vida sempre pega a gente numa curva
É feito chuva em plena tarde de verão
Dependerá de nós as cores, tons, matizes
Pr'esse arco-íris transformar o coração
Estou tentando resolver esse problema
Onde uma cena cresce mais que seu autor
Se estava escrito que haveria outra pessoa
Rio e canoa sabem mais que o pescador

Valmir Azevedo 
minha pátria
não usa chuteira
nem dá chutão
minha pátria
ensina a ler
a palavra da língua
a palavra soberana
a palavra poesia
minha pátria
vai trabalhar
todas as manhãs
alegre e acuada
como o cuitelinho
e o índiozinho que vende
cesta de palha de bananeira
acocorado na feira
minha pátria
toca vila-lobos na rua
a orquestra foi demitida
mas a música não pode parar
minha pátria
é patriazinha
mas é minha
e não tem nada a ver
com a pátria que chora

dentro da arena

Marilia Kubota

VIGÉSIMO ANDAR


Tenho dias de ficar entorpecida
com as montanhas, em parte alguma.
Alargada pelas florestas, onde a verticalidade
varia como o câmbio – flutuo
sem pés nem asas pela chacina
de elevadores que incomunicam
o alto, sem confidências.


ROBERTA TOSTES DANIEL 

Poeta carioca, tem poemas publicados nas revistas eletrônicas Mallarmargens, Zunái, Musa Rara, Diversos Afins, além de blogs e no site do Centro Cultural São Paulo. Incluída nas antologias: Desvio para o Vermelho, Amar, verbo atemporal e História Íntima da Leitura. ROBERTA TOSTES DANIEL está na 51ª postagem da série AS MULHERES POETAS

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 sou uma dessas hienas ●
● q sonham com carcaças de elefante ●
● enquanto o deserto se estreita e cede ●
● é possivel nos ouvir rondando ●
● mesmo antes do sol sumir nas dunas ●
● antes do cheiro covarde dessas noites ●
● fui o mais velho duma grande familia ●
● de hienas famintas e agora definho ●
● nesse oasis sabendo mais q vc ●
● não esqueça q sou uma hiena ●
● q graceja com musculos e tendões ●
● q gargalha de alegria e bom gozo ●
● rimos porq nem todos sabem cantar ●
● essa é a maior e mais dura confissão ●
● não é a toa q morremos sem o riso ●
● não é a toa q tenho andado no escuro ●
● q tenho me desleixado da essencia ●
● como fazem nossos moribundos ●
● basta um corpo perdido ●
● assim como vc agora entre nos ●
● entre margens fontes e tamareiras ●
● sei e sabemos muito disso tudo ●
● com roupa de vendedor perdido ●
● rifle sem balas e essa pobre faca ●
● sei q vc ta com muita fome ●
● sei e sabemos todas nos as hienas ●
● q sua fome é maior q a nossa ●
● porisso mesmo devo me retirar ●
● enquanto minhas vorazes irmãs ●
● morderão porq não tenho forças ●
● sou agora uma dessas hienas ●
● q aos poucos se retira da luta ●
● a q vive dos bagaços do resto ●
● gente como vc demora pouco ●
● sei tambem q tudo doi e queima ●
● sei q vc tem pedido a morte ●
● vc acordara q matar a fome ●
● de todos q sentem essa fome ●
● sua e de todas nos é uma honra ●
● agora vc sabe q sua morte ●
● como a vida q carregou ate aqui ●
● não foi em vão e sera um encanto ●
● lembre dos grandes imperios ●
● aqueles q sumiram sem rastros ●
● nem as palavras nem os ossos ●
● agora somos nos e nossas noites ●
● não leve a mal se me retiro ●
● ali o velho whisky me espera ●
● sou das hienas q conhece ●
● o sublime malte e se lambe ●
● ate a pontas das garras no gozo ●
● vejo q reconhece tudo isso ●
● vejo mesmo q deseja participar ●
● dessa onda q vem cada vez maior ●
*

Alberto Lins Caldas

Insônia


Este é o século da nossa insônia
Mentes plugadas em telas isonômicas
Longe dos mitos e da cosmogonia
Dopados de “soma” e monotonia
Este é o século lavado à amônia
Escravos cardíacos da luz de néon
Escravos maníacos dos mantras
Escravos agônicos do abutre Mamon
E havia esperança no pássaro
Havia luz nas colmeias tardias
Havia ar nas barricadas de Paris
Havia armar-te. Havia amar-te... Havia.

Bárbara Lia / Respirar (2014)
 [Poesia dificilmente se transforma em mercadoria, e por isso é indesejável] by Paulo Leminski
Bêbado como um barco, o desconhecido da rua me chamou de "mademoiselle" e perguntou meu nome. Confusa, respondi imediatamente: Camerata. Depois, lembrei do "mademoiselle" e acrescentei: Camerata Antiqua. Pronto, respondi nome e sobrenome. O barco, digo o bêbado, ficou confuso. E antes que ele ficasse lúcido eu retomei meu rumo. Ainda o ouvi murmurar: Camerata Antiqua...
É possível ficar bêbada de palavras?
Por que inventei esse nome?
Coisas de Paris ou isso é arte? Ou talvez faço parte de regência desinventada? Será que meus amigos e família que entendem e vivem a música poderiam me explicar? Ou talvez os amigos magos das palavras ou mesmo os lúcidos amigos lacanianos...?
Glória Kirinus

quarta-feira, 2 de julho de 2014

poesia é carne. poesia é crua.
tem olho cego, olhar de atropelo.
poesia é morte. poesia é desmantelo.
a poesia que eu faço anda na rua."

RR

Escritibas de Rua


Em Curitiba existem escritores
Que iluminam a Rua das Flores
Eles são as luzes cheias de beleza
Com seus livros sobre a mesa!
Eles são sensíveis e nunca dormem
Porque não deixam escapar a Poesia
Que caminha pelo Largo da Ordem
Com alegria, simpatia e harmonia!
Estes autores são os Escritibas
Pois há várias tribos nesta cidade
Existem mais de mil Curitibas
Em cada alma de verdade!
Em cada Rua da Cidadania
Há um diferente sarau
Que possui mais melodia
Do que uma praia em luau!
Estes autores contam histórias sem fim
Na força do Sol ou sob a luz da Lua
Assim eles expulsam o que é ruim
Porque eles são os Escritibas de Rua.

Luciana do Rocio Mallon

jogo de dada/ista


não sou iluminista/nem pretender
eu quero o cravo e a rosa
cumer o verso e a prosa
amanhecer nova poética
devorar a lírica a métrica
canibalizar a carne da musa
seja branca/negra
amar/ela vermelha verde
ou cafusa
eu sou do mato curupira carrapato
eu sou da febre sou dos ossos
sou da lira do delírio
e virgílio é o meu sócio
pernambuco amaralina
vida leve ou sempre/vida severina
sendo mulher ou só menina
que sendo santa prostituta
ou cafetina
devorar é minha sina
profanar
é o meu negócio
artur gomes