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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Busca




Estou caindo no abismo;
Como quem procura água no deserto.

Busco letra -a- letra, a palavra,
Que retire esse cansaço insustentável,
Das verdades mil vezes ditas,
À ouvidos moucos.

Cansaço real, da irrealidade alheia.

Procuro a palavra
Que impeça esta vontade de voltar
À caverna silenciosa,
Onde só habitam as vozes,
Dos meus poetas mortos.


Joselaine Mota

domingo, 30 de março de 2014

"O primeiro assalto a gente nunca esquece!" minha filha foi assaltada, sexta por volta das 18hs, enquanto voltava da ufpr. Primeiro susto que vai muito além de perder um celular, perde-se junto o olhar o outro sem medo, porque quando outro ser humano te aponta uma faca leva com ele parte da sua ingenuidade. Curitiba, nossa aniversariante, onde crianças frutos da violência, violentam e são violentadas a cada passo.
Joselaine Motta


sábado, 25 de junho de 2011

Punhal cravado no peito,

Não há para onde fugir.



O olhar gélido do carrasco,

Captura meu olhar.



Mergulho nas profundezas,

Daquela alma quebrada,



Percebo.



Minha Morte, é dele, lento Suicídio.



O Escafandro encerra,

Um Mundo feito com ...,

Retalhos de memórias.



A primeira concha colhida na areia,

A canção do mar,

Sons de dedos que dedilham o Silêncio,

Nas cordas de um violão.



Fragmentos da vida,

Hermeticamente fechados em você.



Ao mergulhar nas águas da consciência,

A revelação de um universo submerso,

Morada de tesouros e magias.



Ultrapassei Abismos inimagináveis.



Caminhos ?

Extintos no Tempo.



Paro.



Imersa em Profunda Tristeza,

Espero a próxima Queda.



Como Rede de Segurança,

Só a Paz de me saber Inteira.




Não quero mais ser Rimbaud na vida.



Já basta sê-lo na alma.



Já vivi minha Abissínia,

Em meio a Robôs,

Revestidos de molambos,

Correndo atrás do vil metal.



Quero outrossim a alma de criança,

Que profundamente sente,

E a tudo enxerga,

Com um olhar sempre novo,

Puro e inocente.



Amo Rimbaud,

em tudo que transcende ao comum.



Mais do que tudo, Amo Você,

Que é tão Rimbaud na vida,

Que transforma

Cada canto desta terra,

Na necessária Abissínia.



Cada relacionamento,

Na própria, Temporada no inferno.


Estou caindo no abismo;

Como quem procura água no deserto.



Busco letra-a-letra, a palavra,

Que retire esse cansaço insustentável,

Das verdades mil vezes ditas,

A ouvidos moucos.



Cansaço real, da irrealidade alheia.



Procuro a palavra

Que impeça esta vontade de voltar

À caverna silenciosa,

Onde só habitam as vozes,

Dos meus poetas mortos.

Tuas palavras penetram meu sono;

Tornam-se cores, sons, imagens.



Acariciam-me,

Com memórias gravadas na pele.



São. quase susto de sensual ternura.



Viajam nos mistérios do tempo.



Quedam-se silenciosamente,

à força cósmica que nos atrai.



Crisálida de ferro e fogo,

Efêmero que se faz eterno.




Burilar palavras ...,

Não sei, não é meu ofício.



Saem qual lava incandescente,

Cuspida por erupções,

Das entranhas d’alma.






O ácido corrosivo das palavras,

Atinge certeiro,

As profundezas do coração.



O que É, se disfarça p’ra não Ser.



Estropiada e Só,

Procuro chão sob meus pés.





Estamos Livres.



O Mal se Desfez em Pó.



Vire a página.

Dizem-me ..., Anjos Estraçalhados.



Procuro a Paz em teu olhar,

Na ânsia de tornar o Sonho Real.





Caminho pelas ruas,

elas vão se ampliando.



Quando percebo,

saí da cidade, do país.



A sensação de impotência,

invade minh'alma;

Meus olhos fotografam tudo.



O Coração sangra.



As Imagens vão se fixando na retina:

São Dores estampadas,

nas manchetes, nos olhares.



Meus olhos se transformam em rio.



Sou parte dessas dores, da miséria,

dos descaminhos;

Ao mesmo tempo observo,

Já, não são fotos.



Fecho os olhos.



Ouço os Gritos do Silêncio !

Imagens de Sonhos,

Pesadelos Doidos.



Retratos atrasados,

Sinopse de um Filme inacabado.


Milhares de Mortos - Vivos,

Brincam de Guerra.



Sob tais Pés,

Crianças Choram.



Quem Secará as Lágrimas,

Quando ...,

O Baile De Máscaras Acabar ?

Transcender.

Morrer um pouco.

Renascer.

A cada dia, menos um Véu.

Reerguer-se,.
e procurar tua mão ...,

Para Olhar Estrelas.


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Reflexões Sobre a Imagem

Acredito que a imagem tem poder de gritar em silêncio; porém a cada dia que passa, percebo que poucos são a-queles que ouvem os gritos.
Somos bombardeados com imagens o tempo todo, de tal forma que acaba por ocorrer o embotar de nossos sentidos.
A grande maioria das pessoas não é tocada realmente pela imagem, como reflexo de uma realidade que grita para ser modificada.

A pergunta é:

- Porque o retrato das mazelas hu-manas, a dor estampada em cada olhar vitimado pela ignorância atinge poucos ?
A resposta talvez esteja na banali-zação da vida como um todo.
Fechamos os olhos ou não olhamos para o feio, o triste, o sem cor ?
Queremos a vida colorida a qual-quer custo. Faz-se necessário a ressen-sibilização real de nossos sentidos. Pre-cisamos (re)aprender a ver não com nos-sos olhos, mas com a nossa alma.
Precisamos perceber que somos vi-da. Estamos rodeados de vida que não conhecemos, porque não nos permitimos olhar. Milhares de fotógrafos e cinegrafistas tiveram as vidas ceifadas para que pudéssemos saber o que está acontecendo num determinado lugar. Acreditam no poder da imagem, porém ela nos é servida entre a novela das sete e das oito em meio a culinária ou a vida badalada de alguma celebridade.
Tudo bem se você não quer olhar o feio, comece então olhando os olhos da criança que estiver mais próxima de vo-cê, pense que talvez daqui a algum tem-po esse olhar já não será tão belo; talvez seja o olhar daquele que matará alguém empunhando uma arma, ou a muitos, se uma caneta.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Busca

Estou caindo no abismo;
Como quem procura água no deserto.

Busco letra-a-letra,a palavra,
Que retire esse cansaço insustentável,
Das verdades mil vezes ditas,
à ouvidos moucos.
Cansaço real,da irrealidade alheia.
Procuro a palavra
Que impeça esta vontade de voltar
À caverna silenciosa,
Onde só habitam as vozes,
Dos meus poetas mortos.
Joselaine Mota