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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A Morte



Coração inacabado, inda orvalhado
Em ritmo fleumático, compassado
De afectos e de agravos desgastado
De luares e poentes devastado
Sonhos, ideais nunca alcançados
Olores sabidos, sorvidos, aspirados
Rosas que nunca foram desfolhadas
Pétalas não tocadas, não cheiradas
Brisas, ventos, tempestades trovoadas
Raios de sol, estrelas cadentes
Beijos ofegantes, amores quentes
Paixões, ilusões, desilusões
Pradarias, alegrias, melodias
Saudades, despedidas e partidas
Amizades, camaradas, gargalhadas
Tristezas, dor, amargura, desventuras
Uma casa, o céu azul, o infinito
Mares de prata, areias brancas
Prados verdes, jardins matizados
Revolta, raiva, vazio, impotência
Sensação de fim é acabado
O tempo breve, efémero, mal usado
Latejando, um sopro, uma lembrança
Um Deus, um rosto, uma luz
Uma prece, a fé a confiança
A lágrima, a leveza, uma esperança.

Mariana Goinhas



sábado, 2 de setembro de 2017

O Retrato


Na sala de estar, numa pose altiva
Sobre a poltrona, uma dama antiga

Vestido brocado, rendas e cetim
O colar de pérolas, ouro e rubi

O colo rosado, o seio generoso
O rosto bonito, o corpo tão moço

Cabelo azeviche, pente de marfim
Olhar misterioso, lábios de carmim

Sorriso rasgado, franco, feliz
Alguém um dia, muito lhe quis

Nunca a conheci, nem sei quem será
Naquele leilão quis a resgatar

Alegra-me a sala, alegra-me a vida
Já falo com ela é como uma amiga.

Mariana Goinhas