Sergio Gonçalves
"Ontem à noite, entre as nove e meia e dez horas, saí
ao jardim, para fazer um pouco de exercício. Meus olhos vagaram ao longo da
fachada, e notei que a lampadazinha elétrica na sacada da senhora luzia através
da solidão. Conclui que a senhora estava observando o repouso..." (A
Montanha Mágica", Thomas Mann).
Li "A Montanha Mágica" ainda muito jovem. Da
montanha passei a "José e seus irmãos", a "Morte em
Veneza", "Doutor Faustus", tudo o que ele escreveu.
Mas, para entrar na montanha entendê-la, precisei estar nas
instalações do CPO - Centro Paulista de Oncologia, um espaço especialmente
bonito, jardim maravilhoso, pássaros, objetos de arte muito bem escolhidos e
muito bem postos. Conversávamos bastante, nós, os escolhidos para possivelmente
morrer, uma conversa que só nós mesmos podíamos entender. E ouvir.
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