De Mara Paulina Arruda
Um pé na rua outro na calçada. Um pé na rua outro na calçada.
Pulos nas poças, pulos sobre as poças. As poças d’água refletindo-a no
percurso. E quando o sol começou a bater no telhado das casas ele já tinha
atravessado metade da cidade. A gata no telhado lambia o pêlo. Era início da
semana.E o couro pendurado no varal não secava.Todos ansiosos em chegar logo ao
seu trabalho. Muita chuva tinha caído no chão onde eles pisavam. A língua
afiada. Marilena tinha mudado. Dom Quixote aberto sobre a mesa enquanto ela
pensava. Os cabelos soltos. O frio não era motivo de ficar sozinha. Estava em
construção como aquele prédio ali, pode ver? Penas arrepiadas de frio. O menino
tiritava. Tóc tóc. Tóc tóc...
Queimada a cerâmica estava vitrificada.
Biblioteca atemporal.
O velho Jonas estralou os dedos como que dizendo faz tempo e
deixou-a com uma pulga atrás da orelha ao sorrir um meio sorriso, ver com o
rabo d’olho a paisagem enrugando a testa. Pediu que o ajudasse até a entrada da
casa. Precisava descansar, sonhar trazendo os guardados. Quando chegou à
beirada da porta voltou-se para ela pedindo que fizesse daquele couro a capa do
seu próximo livro.
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