sexta-feira, 10 de maio de 2013

Depois da chuva.


De Mara Paulina Arruda

Um pé na rua outro na calçada. Um pé na rua outro na calçada. Pulos nas poças, pulos sobre as poças. As poças d’água refletindo-a no percurso. E quando o sol começou a bater no telhado das casas ele já tinha atravessado metade da cidade. A gata no telhado lambia o pêlo. Era início da semana.E o couro pendurado no varal não secava.Todos ansiosos em chegar logo ao seu trabalho. Muita chuva tinha caído no chão onde eles pisavam. A língua afiada. Marilena tinha mudado. Dom Quixote aberto sobre a mesa enquanto ela pensava. Os cabelos soltos. O frio não era motivo de ficar sozinha. Estava em construção como aquele prédio ali, pode ver? Penas arrepiadas de frio. O menino tiritava. Tóc tóc. Tóc tóc...
Queimada a cerâmica estava vitrificada.
Biblioteca atemporal.
O velho Jonas estralou os dedos como que dizendo faz tempo e deixou-a com uma pulga atrás da orelha ao sorrir um meio sorriso, ver com o rabo d’olho a paisagem enrugando a testa. Pediu que o ajudasse até a entrada da casa. Precisava descansar, sonhar trazendo os guardados. Quando chegou à beirada da porta voltou-se para ela pedindo que fizesse daquele couro a capa do seu próximo livro.

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