sexta-feira, 10 de maio de 2013

Lenda interior


De Mara Paulina Arruda

O céu azul. Nenhuma nuvem, um dia outonal. O poço em frente da casa. Ela começava a lavar as roupas quando ele veio da sala e sentou-se perto dela. A área de serviço estava iluminada pelo sol e o sol batia-lhe no rosto.
Olhou a capa do livro que ele tinha nas mãos. Disse: Madame Bovary de Gustave Flaubert e suspendeu o pensamento analisando o céu.

Programou a máquina.
Ligou-a.

Ele corrigiu ... Gustave Flaubert! Gustave Flaubert!
Ela ficou quieta. Pensou com seus botões “ unha-de-fome!” e como se estivesse numa estrada íngreme concentrou-se em torcer o casaco de linho que não quis pôr na máquina. Lavou a mão e ajeitou-o sobre a mesinha no canto da área de serviço.

A manhã chegou ao fim. Ele lendo. Ela trabalhando.
Ela lendo. Ele trabalhando


Ela pensou que precisaria adiantar alguma coisa para comer antes que as crianças chegassem da escola. Disse para Ele. Ele respondeu: Pois é!

Ao terminar de estender as roupas no varal dizendo o quanto estava bonito o florido das peças estendidas Ele olhou para Ela e fechou o livro. Levantou-se da cadeira, balançou a cabeça dizendo:

Coisas de Mariana esses dias de mistério!

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