De Mara Paulina Arruda
O céu azul. Nenhuma nuvem, um dia outonal. O poço em frente
da casa. Ela começava a lavar as roupas quando ele veio da sala e sentou-se
perto dela. A área de serviço estava iluminada pelo sol e o sol batia-lhe no
rosto.
Olhou a capa do livro que ele tinha nas mãos. Disse: Madame
Bovary de Gustave Flaubert e suspendeu o pensamento analisando o céu.
Programou a máquina.
Ligou-a.
Ele corrigiu ... Gustave Flaubert! Gustave Flaubert!
Ela ficou quieta. Pensou com seus botões “ unha-de-fome!” e
como se estivesse numa estrada íngreme concentrou-se em torcer o casaco de
linho que não quis pôr na máquina. Lavou a mão e ajeitou-o sobre a mesinha no
canto da área de serviço.
A manhã chegou ao fim. Ele lendo. Ela trabalhando.
Ela lendo. Ele trabalhando
Ela pensou que precisaria adiantar alguma coisa para comer
antes que as crianças chegassem da escola. Disse para Ele. Ele respondeu: Pois
é!
Ao terminar de estender as roupas no varal dizendo o quanto
estava bonito o florido das peças estendidas Ele olhou para Ela e fechou o
livro. Levantou-se da cadeira, balançou a cabeça dizendo:
Coisas de Mariana esses dias de mistério!
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