domingo, 19 de julho de 2015

Otto Leopoldo Winck


Ah, este vício, o vício do verso, ainda vai acabar me matando. Mais letal que a heroína, mais letal que a cachaça, mais letal que as desgraças da vida, este maldito vício ainda vai me atirar num precipício, ainda vai me trancar num hospício... É duro este ofício: alinhavar palavras no vazio como uma ponte sobre o nada. Não, meu amigo, a vida não vale um verso. O universo não vale um verso. Ai, meu mundo por um verso que explique tudo: a noite, as estrelas, os teus olhos... Como é doce este vício, como é santo este ofício! Mas mais letal que este vício só mesmo um outro, muito similar por sinal: o vício de você. O vício de cheirar, tragar, sorver, injetar você... De repente é este vício que alimenta o outro. Ou vice-versa.

Nenhum comentário: