"Acho
que você ta numa puta encruzilhada na sua merda de vida", foi o que ela me
falou enquanto eu tirava o pote de maionese da geladeira e tentava de maneira
atrapalhada improvisar um hot-dog pro meu almoço.
"Do que você ta falando?"
"Esse negocio de você querer algo, mas esperar que os
outros decidam por você"
"Eu não sou assim"
"Claro que é. Você fica sentado aqui nessa sua caverna
escura, ouvindo esses discos velhos e achando que a vida te deve alguma coisa"
"Ninguém me deve nada. Quer o seu com pouca
maionese?"
"Eu não quero porra nenhuma de cachorro quente. Eu
quero que vc me ouça"
"Ta bom. Vou colocar pouca"
"Você nunca vai me ouvir mesmo, porra. Eu vou embora
daqui"
"Mas você não vai nem comer o cachorro quente? Ta
gostoso"
"Você sabe o que fazer com essa merda de cachorro
quente"
E foi embora esbravejando. Bateu a porta de maneira
escandalosamente teatral. Fiquei sozinho pensando em varias possibilidades.
Resolvi comer o cachorro quente. Pensando bem, nem tinha tantas opções assim. E
de uns tempos pra cá decidi que só admiro pessoas que vão até o fim.
Mário Bortolotto
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