Soneto de infidelidade
A você, por toda a minha lealdade,
estes beijos ardentes, mas fingidos
este desejo que teme ser saciado,
e minha triste e necessária falsidade.
A você todos os carinhos delicados,
que cessam num amargo suspiro.
E este olhar embevecido, derramado,
e recolhido, por ser de amor, e puro.
E a felicidade que quase tenho e quase deixo.
E o prazer que sinto e não me sacia, e lamento.
E a alegria que de fato não conheço, mas exijo.
E como prova de amor e fidelidade,
a minha exímia arte do fingimento
executada sob atordoante saudade.
Iriene Borges
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