O Professor já um tanto meio surdo estava deitado no sofá de
frente para a janela. A metade da cortina puxada. Ele via o céu. Neste espaço
entre o céu e o seu ver algumas aves passavam e interrompiam sua leitura
fazendo um risco de sombra na luminosidade que ele recebia. Estava, sim, que
bom, de férias! Deliciava-se com essa folga e lia sobre os ciganos. Imbuído dos
mistérios deste povo refletia: povos nômades. Como seria viver assim entre
carroças e cidades novas a cada mês?
Voltava os olhos para tempos idos. Que ano? Não tinha a
mínima idéia.
Foi próximo de um assentamento. Ele viajava de Santa
Catarina para o Rio Grande do Sul quando viu no meio da rodovia três ciganas
sentadas em frente de uma barraca. Uma via o futuro da outra, a outra fazia
trança nos cabelos de uma. Vestiam-se com vestidos rodados e tinham sobre a
cabeça lenços com pingentes pregados nas bordas. Em iídiche as ciganas se
comunicavam.
Na viagem um dos pneus do carro furou. Ele foi obrigado a
parar ali. Buscou o estepe e quando começava a troca uma das ciganas
ofereceu-se para ler a sua sorte. O Professor agradeceu, mas não olhou para a
cigana. Estava envolvido com o carro. Sem conseguir arrumar o pneu levantou-se
do chão o olhou para a cigana perguntando: O que quer? Ela pediu que ele fosse
até onde elas estavam e ouvisse sua irmã que iria ler a palma de sua mão.
Depois, um pouco das lendas ciganas elas contariam.
Ele olhou... viu sua boca, os olhos amendoados, suas mãos e
braços cheios de anéis e pulseiras... Foi.
Pára ai!
O Professor levantou-se do sofá.
Cheio de dúvidas não sabia mais se era o livro que lia ou se
era a verdade vivida.
Alguém já tinha dito, pela manhã, meu velho meu velho...
cuidado...
De Mara Paulina Arruda
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