Sempre saia ilesa dos embates passionais. Um livro de poesia
a mais. Um cais. Um adeus. O tempo de tirar do corpo e alma um ser inteiro. Era
Poesia, era sublime. Era como atravessar chuva de pétalas em tarde de primavera,
saia perfumada, lânguida, com o amor intacto. O coração, máquina imperecível. E
então veio a neve, e a neve trouxe o amor. Eu sempre amei o _ amor. Aquele
“estar enamorada”. Era o tempo de amar como verbo. Agora _ o amar _ é sujeito.
Um floco agudo fino a atravessar a máquina que pulsa. Eu sempre amei o amor.
Agora amo o amado. Rasga cetim o corpo inteiro. Rasgo-me. Novelo de neve a
tecer esta armadura. Tudo congela. A voz dele é alucinógena. O olhar dele
arraias a me embalar. Quando ele fecha todas as portas e janelas _ enrijeço _
no Pólo Norte dos meus segredos. Quando ele sorri ou atira qualquer flor, o
mundo vira um videoclipe de Woodstock. Sempre saia ilesa dos embates
passionais. Desta vez saí em frangalhos, deixei meu coração na batalha e não tenho
coragem de voltar para buscá-lo. (Bárbara Lia_primavera/2013)
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