sábado, 19 de outubro de 2013

De fazer chorar Dostoiévski




mais trágicos que romance russo
encontros de amor neste Facebook...
uma fotografia uma poesia e pronto
já se apaixonam corações brutos
a cor da pele o som da voz o andar
quem viu ao vivo a mulher que ora
chama de amante? que confusão...
oh! ilusão quimera tolice carência blue
é preciso a luz do olhar navegante
o som da voz que revela o tom da alma
é preciso mais que a imaginação, pois não
e nem digam das missivas que uniram reis
lembra a caligrafia? lembra o que com ela vinha?
a aura enrustida em pergaminhos e até, sim
o perfume ali, a falta de espiões que supunha
sim, uma espécie de privacidade que agora
exatamente nesta hora, todos querem detonar
e as cartas traziam atada à sua sombra
os humores, a alma que se escondia
entre o branco papel _ sim, é isto
é assim que vejo os amores atirados na tela
ela é fria, século maquiavélico, fotoshop
melhor ângulo, esta feira que nunca fecha
fecho todas as brechas, só amo ao vivo
a pessoa a dez centimetros do meu coração
a voz soando como um barco que traz tudo
o sorriso, esta coisa maciça que denuncia
e o olhar, este espião que tudo entrega
então, é patético, dói, choro, esperneio
como podem partir o amor ao meio
com o machado da ignorância _ Lord, God,
Mon Dieu...
Ainda ontem vi um homem optar
por uma ninfeta frígida
dissimulada e com cara de chiuaua
em quem nunca ele encostou a mão
descartando uma legítima Kahlo,
de mãos ágeis a tocar com cuidado
a gola torta a cinco milímetros
da barba dele, que, em muito
lembrava Trotsky.


Bárbara Lia_navegando na Net

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