domingo, 6 de outubro de 2013

Diego Callazans

nem toda obra é prima.

algumas porções de argila
encontram cansado oleiro.

nem todo mármore é Fídias.
nem tua vida, Odisseia.

as moiras também se perdem
se tecem sob encomenda.

nem todo herói é Aquiles.

mas mesmo maus mamulengos
têm uso em tramas pueris.

refugo – sei – é o que escrevo,
pois lesa é a musa que o diz.

nem todo verso é de Homero.

alegra-te, tu que lês,
nós somos da mesma merda.

a irrelevância é fraterna.

- poema do segundo livro, "A voz que rasga a noite", que deve sair, espero eu, em 2014.

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