segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O amor é uma jornada. Um Padre diz isto ao poeta. O poeta não anda desde os seis anos. Desde os seis anos ele vive inerte do pescoço para baixo, e necessita um pulmão de aço. A poliomielite é uma droga. Ela é a doença que deixa os lúcidos incompletos. É isto. É esta merda. É este arrastar o brilho em frangalhos. Outras doenças que laceram as mentes não devem doer tão lucidamente como esta droga de pólio. Ninguém olha alguém assim como normal. Ouso dizer que somos. Pela minha mínima marca? Mabe. Talvez esta coisa _ que lhe dá charme. Ouvi isto uma vez. Dane-se. Não é sobre mim. É sobre Mark O'Brien e a graça de acompanhar uma _ jornada. É um filme para rir e é claro, para quem entende minimamente esta ranhura _ chorar no final. E o filme mostra o momento da vida de Mark que ele entra em uma senda desconhecida ainda, e vai buscar uma especialista e faz terapia sexual para conhecer o sexo. Aos 38 anos. E Sexo é tão sagrado quanto qualquer coisa. Fico arrepiada com a censura. Fico com medo de ver o mundo afundar mais e mais na falsa moral dos fanáticos religiosos. Não saber lidar com a sexualidade é uma doença muito séria. É algo tão simples como respirar. É tudo um grande debate. Evoco a fala de um homem incrível que _ certa vez _ se apaixonou por mim (e eu por ele). Erótico e confortável com isto, ele disse apenas diante do meu espanto com a forma como ele lidava com o desejo _ É tudo a mesma coisa _ Corpo e alma _ é tudo uma coisa só. E não é? Nunca conheci alguém que me dissesse: _ Bem, hoje deixei minha alma em casa, e estou aqui de corpo presente, só meu corpo. E o contrário também não é possível, ao menos enquanto a matéria estiver viva. Não dá para deixar o corpo suspenso em um canto e levar só a alma para passear. Nada se desintegra em nós, ao menos até a morte. Onde formos levamos corpo, alma, mente. Não há como retalhar o ser humano. Então, quem deblatera contra as coisas ditas _ da carne _ deve examinar bem seu interior e ver onde fraturou a normalidade do "SER".

E quiçá por muito tempo ainda a história e vida de Mark O'Brien demonstre que _ para amar _ basta ter coração e é claro, aquela luz de alma que fez com que ele fosse amado por tanta gente, inclusive por mim, depois de ver o filme _ As sessões... Belo momento, e o poema de amor que encontrei por aí, de um poeta paralisado que caminhava e tocava com as palavras...

Love poem to no one in particular
Mark O'Brien

Let me touch you with my words
For my hands lie limp
as empty gloves
Let my words stroke your hair
Slide down your back
And tickle your belly
For my hands,
light and free flying as bricks
Ignore my wishes
And stubbornly refuse to carry out
my quietest desires
Let my words enter your mind
Bearing torches
Admit them willingly into your being
So they may caress you gently

Within/

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