O amor é uma jornada. Um Padre diz isto ao poeta. O poeta
não anda desde os seis anos. Desde os seis anos ele vive inerte do pescoço para
baixo, e necessita um pulmão de aço. A poliomielite é uma droga. Ela é a doença
que deixa os lúcidos incompletos. É isto. É esta merda. É este arrastar o
brilho em frangalhos. Outras doenças que laceram as mentes não devem doer tão
lucidamente como esta droga de pólio. Ninguém olha alguém assim como normal.
Ouso dizer que somos. Pela minha mínima marca? Mabe. Talvez esta coisa _ que
lhe dá charme. Ouvi isto uma vez. Dane-se. Não é sobre mim. É sobre Mark
O'Brien e a graça de acompanhar uma _ jornada. É um filme para rir e é claro,
para quem entende minimamente esta ranhura _ chorar no final. E o filme mostra
o momento da vida de Mark que ele entra em uma senda desconhecida ainda, e vai
buscar uma especialista e faz terapia sexual para conhecer o sexo. Aos 38 anos.
E Sexo é tão sagrado quanto qualquer coisa. Fico arrepiada com a censura. Fico
com medo de ver o mundo afundar mais e mais na falsa moral dos fanáticos
religiosos. Não saber lidar com a sexualidade é uma doença muito séria. É algo
tão simples como respirar. É tudo um grande debate. Evoco a fala de um homem
incrível que _ certa vez _ se apaixonou por mim (e eu por ele). Erótico e
confortável com isto, ele disse apenas diante do meu espanto com a forma como
ele lidava com o desejo _ É tudo a mesma coisa _ Corpo e alma _ é tudo uma
coisa só. E não é? Nunca conheci alguém que me dissesse: _ Bem, hoje deixei
minha alma em casa, e estou aqui de corpo presente, só meu corpo. E o contrário
também não é possível, ao menos enquanto a matéria estiver viva. Não dá para
deixar o corpo suspenso em um canto e levar só a alma para passear. Nada se
desintegra em nós, ao menos até a morte. Onde formos levamos corpo, alma,
mente. Não há como retalhar o ser humano. Então, quem deblatera contra as
coisas ditas _ da carne _ deve examinar bem seu interior e ver onde fraturou a
normalidade do "SER".
E quiçá por muito tempo ainda a história e vida de Mark
O'Brien demonstre que _ para amar _ basta ter coração e é claro, aquela luz de
alma que fez com que ele fosse amado por tanta gente, inclusive por mim, depois
de ver o filme _ As sessões... Belo momento, e o poema de amor que encontrei
por aí, de um poeta paralisado que caminhava e tocava com as palavras...
Love poem
to no one in particular
Mark
O'Brien
Let me
touch you with my words
For my
hands lie limp
as empty
gloves
Let my
words stroke your hair
Slide down
your back
And tickle
your belly
For my
hands,
light and
free flying as bricks
Ignore my
wishes
And
stubbornly refuse to carry out
my quietest
desires
Let my
words enter your mind
Bearing
torches
Admit them
willingly into your being
So they may
caress you gently
Within/
Nenhum comentário:
Postar um comentário