segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Quando venho a pensar, ou seja, a me desiludir dos jogos da vida, passo a sentir uma outra lira: a solidão afina a vibração dos sentidos. Nem há vento igual ao que soprou hoje quando eu estava só, observando o borrão de luz da rodovia. Nem há som igual ao do vento que soprou hoje quando eu estava só. Fluir incessante este vento, mais mortal que a visível água que também arrasta. De súbito invadido pela lembrança do que me houve. Parti em dois - um para cada olho lacrimejante - um para o norte, outro para o sul, um para o que há de vida em mim, outro para o que há de morte. Assim sucessivamente trafegando pelos opostos frágeis, cambaleando sobre estas colunas finas prostradas uma em cada canto da vida.
Depois penso ressuscitar e sentir meu pequeno império da imaginação. Sou deposto. Traído (exatamente como deveriam ser as melhores histórias). E, por fim, executado.
(...)

8 de dezembro de 2009.

Augusto Meneghim 

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