quinta-feira, 17 de outubro de 2013

SONHOS OU LEMBRANÇAS?



Acabei de ouvir uma frase no último capítulo do Desesperate Housewives que dizia mais ou menos o seguinte: "Você sabe que está envelhecendo quando suas lembranças são mais fortes do que seus sonhos." Fiquei pensando nisso e me ocorreu que as pessoas que se mantêm mais ativas são exatamente as que não deixam morrer os sonhos. Que se recusam a entrar em uma zona de conforto quase sempre mortal. Eu, pessoalmente, nunca fui muito sonhador, mas sempre me considerei inquieto. Um dia eu estava no auge na minha profissão e determinei para mim mesmo que aquilo não era o máximo que eu podia esperar de mim. Larguei os bons empregos e excelentes salários, mudei de cidade e ainda estou procurando meu novo caminho. Claro que uso minha experiência profissional para manter-me materialmente, mas não faço mais disso um fim. Procuro escrever outras coisas, me envolver com outras atividades, que não são remuneradas, mas que me deixam cada vez mais vivo. Não sinto falta das viagens anuais para Paris e New York. Foram bacanas, mas apenas nas primeiras vezes, depois ficou uma coisa meio morna. Não sinto falta de gastar uma grana em um jantar cheio de rapapés com uma turba de garçons em volta de você cuidando de cada centavo que você esta deixando ali. Não sinto falta de carro do ano, estou bem feliz com o meu 94, que anda como os outros, mas não precisa de seguro e nem de alarme e nem vai provocar o desejo de um bandido em botar uma arma na minha cabeça como aconteceu em SP. Não sinto falta do apartamento com 4 salas em HIgienópolis. Me cansava andar do meu quarto até a sala de estar e depois caminhar um monte para pegar um café na cozinha. Sinto um pouco de falta do clima bacana que rolava na propaganda nos anos 70 e 80. Era bem divertido trabalhar nessa coisa naqueles tempos. Ganhava-se muito, trabalhava-se pouco e se divertia um montão. Cada vez que um colega fazia uma trabalha bacana, todos vibrávamos porque era fruto de nossa profissão e todos ganhavam com o reconhecimento que aquele profissional recebia merecidamente. Comecei a pegar bode da propaganda quando esse clima mudou radicalmente e virou uma competição imbecil na qual o medíocre que dorme na agência tem tanto valor quanto um criador excepcional. Se bem que não sei se ainda existe criadores excepcionais. By the way, sai do negócio na hora certa e faço o que acho certo para a minha vida. Talvez por isso aquela frase lá de cima não me deixou cabreiro, mas feliz em saber que fiz as escolhas certas.

Wander Levy 

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