domingo, 6 de outubro de 2013

Uma mínima estrela




Quando fizermos amor, fala comigo em russo
Diga aquele poema de Simonov: Espera-me e eu voltarei...
E suspirarei nos versos... “quando cair a neve
e chegarem as chuvas tristes”
E alguma lágrima antes do fim
“Tu é que me salvaste do fogo”
E morderei teus lábios ao fim da poesia
Por ouvir tão bela dor de amor
Dos lábios teus que deblateram com rancor
Contra o poema e a poesia
Talvez por saber que é minha amante inseparável
Tu que detestas ser o “outro amor da minha vida”
A querer só para ti todas as estrelas a escorrer das mãos
E minha mão apenas para acariciar o trigo destes cabelos
E nunca mais para escrever Poesia


E quando falar comigo
Que não seja via esta boca máscula
Que seja com teus olhos de Via-Láctea ao entardecer
E soará como soa tudo que vem de ti _ Rascante e triste
Quero ser apunhalada por estrelas
Que elas gritem esta tua dúvida sobre o meu “amar-te”
Isto instiga a amar-te mais, mais e mais...


E quando caminharmos pelas estações
Toma minhas mãos entre teus dedos largos
Singre a vida ao meu lado
Eu me sentirei segura, amparada na alvura
Estas mãos largas, brancas caravelas
Envolva minhas mãos pequenas
E cuida para que eu não desperdice nenhuma estrela
Para, nas noites, colocarmos em nossa cabeceira
Ainda que sobre apenas uma
Que seja esta a iluminar nosso sono
Uma mínima estrela
Uma mínima estrela


Bárbara Lia/Histórias de amor duram o tempo da neve em Curitiba/2013

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