Alexandre França
Vinicius bebeu comigo nas noites em que aprendi as manhas da
madrugada, nas tardes em que estendi a corda da palavra pelo umbigo de uma
mulher. Ele me embriagou nos dias de cimento, juntando restos de afeto na
varanda de outros sorrisos. Ele quase não via a sacanagem que se fazia nos
quartos em movimento. Ele bebia e cantava, com aquela voz fraquejada, dentro da
praia fria de uma declaração amorosa. Vinicius embriagado nada dizia só se
ouvia sua música submersa em carência, na época em que ninamos o ego, culpando
a nós mesmo, lamentando e sujando a sala das nossas neuroses. Vinicius sorria e
bebia alí, a cada porre tomado, a cada medida tomada em função do amor - essa
causa perdida - , e falava "beba mais" e me esquecia de onde, pra
onde, por que se caminha em direção a alguém. Vinicius continua alí - de vez em
quando eu o visito. Não para fazer as mesmas coisas,
Mas para lembrar que é possível falar sobre amor
mesmo a paixão não sendo mais
a moda
entre os casais
da minha idade.
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