sábado, 20 de agosto de 2016

durante boa parte da minha vida, fui, inexplicavelmente, um ímã pra gente maluca, tanto, que acabei por me acostumar com elas. no fundo gosto de gente doida, gente doida tende a ser contundente, e a contundência me agrada, sobretudo neste vale de lágrimas mornas que habitamos. água morna porque virou moda você sempre dourar a pílula, colocar panos quentes, não desagradar os partidários do que se costuma chamar de "politicamente correto" - ou a patrulhinha ideológica te pega e aponta com o dedo. outrora, creio eu, esse papo de "politicamente correto", essa linguagem morna e essa patrulha toda sobre o que falar e como falar era uma conversinha daqueles gatopardais que buscavam a manutenção do dito "status quo", hoje, pasme, é a técnica narrativa por excelência de qualquer um que queira ser bem quisto e combater o "status quo". por conta disso, tenho considerado bem mais interessantes os textos de meus amigos da direita (palavra cujo sentido é um abacaxi, porque se você critica ou questiona qualquer, mas qualquer mesmo, coisa que contrarie a apostila do partido, você é peremptoriamente taxado de coxinha, burro, temerista, racista, homofóbico e mais um monte de tranqueira vocabular que desconheço) do que meus camaradas partidopanfletários da - ó - ""esquerda"" (isso mesmo, com duplas aspas). então, entre o senso comum da cerveja artesanal e do hambúrguer vegano, fico com o rollmops e o traçado - melhor cozinhar o galo e sair com um sincero bafo de cebola com sardinha, do que disfarcá-lo com um odorífico drops de cereja.


William Teca 

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