sexta-feira, 10 de maio de 2013

A ÚLTIMA DOSE




Só depois do último copo
De carregar a última cruz
De discutir o único voto
E de apagar a última luz.
Só depois da saideira
Da última canção
De arrancar a última nota
Da carteira e do violão.
Só depois da última dose
De sorrir o último sarro
E de amargar a última cirrose.
Só depois do último gol
De sambar com a única dama
Ser tema do último show
E de pendurar a última Brahma.
Só depois de extorquir a última graça
De relembrar a última festa
De esquecer a última desgraça
E de esperar pela próxima sexta.
Só depois de cerrar a última porta
De trançar numa única perna
De girar os olhos na última volta
E de beijar a última brasa
É que eu vou me perguntar
Se estou indo pra casa
Ou se estou saindo do lar.

Sérgio Vaz

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