sexta-feira, 10 de maio de 2013


Rodrigo Madeira

quero a luz cruel e alegre
de uma manhã.

o sol aniquilando a lua
como quem mastiga
uma hóstia
de boca aberta.

quero assim
a poesia: nascida à noite
e que vá, como animal
que se abate,

amanhecendo.

ou de chofre
(tiro bem no olho
de um corvo),
sem preparação (mas surpresa),
como uma catástrofe

que não deixará nunca mais
que as coisas
sejam as mesmas.

*do livro "Colecionador de pedras" Global Editora

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