quarta-feira, 10 de julho de 2013
Este poema é absolutamente desnecessário
Este poema é absolutamente desnecessário
pela simples razão de que poderia nunca ser
escrito
e ninguém sentiria a sua falta
Esta é a sua liberdade negativa a sua
vacuidade dinâmica
e o movimento da sua abolição
a partir do seu vazio inicial
Mas qual é a sua matéria qual o seu
horizonte?
Traçará ele uma linha em torno da sua
nulidade
e fechar-se-á como uma concha de cabelos ou
como um
[útero do nada?
Ou será a possibilidade extrema de uma
presença inesperada
que surgiria quando chegasse a essa fronteira
branca
que já não separaria o ser do nada e no seu
esplendor absoluto
revelaria a integridade do ser antes de todas
as imagens
a sua violência inaugural a sua volúvel
gestação?
António Ramos Rosa
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