De Mara Paulina Arruda.
Eu estava com saudades de sentar-me no tempo e ficar
pensando nas vidas vividas. Não é que eu soubesse ou tivesse consciência disso.
Não. O que eu imaginava, naquela tarde, era que poderia ter sido amiga da
poetisa Safo que fugiu de casa, com vinte e um anos, para a Sicília. Naquela
época a cultura das mulheres não tinha valor. Safo que nasceu em Lesbos, numa
ilha grega e apresentava seus poemas acompanhados por alguém que tocava Lira
foi designada como a décima musa, filha de Zeus, por Platão. “Enfim, cara,
vieste - e bem-./ Com ânsia te esperava - muito. / Que saibas: em minha alma
acendeste/ um fogo que a devora.” Nisso chegou o vento, esbaforido,
interrompendo. Falou em transportar flores no outono e no inverno, e de que a
primavera logo virá, mostrando a variedade que ela consegue fecundar.
O vento abriu um livro tirado de dentro de uma sacola;
juntou ao meu, que descansava no colo. Soprou as flores secas que eu nem
lembrava mais que ali tinha depositado. As flores voaram e, eu corri com o
vento, tentando juntá-las.
Ao longe a poetisa grega ria de mim.
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