segunda-feira, 8 de julho de 2013

Redenção



Cadáver no rio. À margem do qual, vagão refrigerado conserva
sardinhas e acordes de Beethoven. Sudário de espuma na goma negra
da água, galhos e bonecas mutiladas. A ratazana rodeia a omoplata,
trinta e dois dentes. Nos olhos, cavernas aquosas, algo se move.

Creio que a asa duma borboleta. (Poema inédito da Rosana Piccolo)

Nenhum comentário: