porque eu queria ser um menino sentado ao piano
com o coração rolando escadarias de quartos assustados
e mordendo sentenças melódicas
aquela velha obstinada a se enrolar em lençóis vivos
porque eu queria estar quentinha e podre em um casulo
ou acirrando a briga por dentro do ventre das gerações
pálidas
debaixo das canetas eu fui mais real
mas aconteceu-me de arder sem termos técnicos
um desuso paranóico
vontade de atacar mãos para colecionar expressões
os pensamentos mortos
os pesadelos oblíquos
os fragmentos que a caneta me proíbe de contar
e tua atmosfera densa
alimentando as sombras desta caligrafia:
excesso de subterrâneo na boca.
Rita medusa
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